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Arquivo de fevereiro, 2009

18/02/2009 - 10:18

Brasil investe em esportes de inverno. Faz sentido?

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Em tom bem-humorado, escrevi no blog em 30 de janeiro sobre o desafio internacional que colocou frente a frente, na disputa por uma vaga no Campeonato Mundial, as equipes de curling de Brasil e Estados Unidos. Curling é aquele esporte que junta, numa pista de gelo, quatro homens agasalhados de cada lado, cada um com uma espécie de rodo na mão, e um disco pesado de granito no meio.

Bom, eis que, por causa do súbito interesse que demonstrei pelo curling, sou avisado que representantes do Comitê Olímpico Brasileiro estão neste momento no Canadá, participando de uma reunião preparatória com vistas aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, que se realizarão entre 12 e 28 de fevereiro, em Vancouver.

Mais que isso, leio no site do próprio COB que “o Comitê Olímpico Brasileiro vem desenvolvendo uma série de atividades no apoio à preparação da delegação brasileira na busca pelas vagas olímpicas, como o aumento do repasse de verbas da Lei Agnelo/Piva às Confederações Brasileiras de Desportos na Neve e no Gelo.” Cada confederação (a de desportos na neve e a de desportos no gelo) recebeu R$ 285 mil em 2008 e vai receber R$ 600 mil em 2009.

Também aprendi que o COB conseguiu, junto ao Programa Solidariedade Olímpica Internacional do Comitê Olímpico Internacional, bolsas para nove atletas que pretendem disputar os Jogos de 2010. Cada um recebe US$ 1.500 por mês. São atletas que praticam patinação artística, skeleton, bobsled, snowboard, esqui alpino, cross country e biathlon.

Todo esse esforço se explica, segundo o COB, porque “o Brasil vem evoluindo gradativamente e alcançando resultados inéditos em competições internacionais nos esportes de inverno”. Que resultados são esses? Diz o COB: em Turim, nos Jogos de Inverno de 2006, o Brasil ficou entre os dez no snowboard. Na prova de boardercross,  Isabel Cark “superou rivais de países de maior tradição na modalidade e conquistou um histórico nono lugar”. Brasiiillllll!!!!!

Em tempo: Não custa lembrar que a participação da equipe de bobsled da Jamaica nos Jogos de Inverno de 1988, em Calgary, no Canadá, rendeu uma comédia impagável, “Jamaica Abaixo de Zero”, com John Candy, já falecido, no papel de técnico do time. Quem sabe, um dia não chegamos lá…

 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , , ,
17/02/2009 - 16:21

Diálogo com um leitor sobre comentários no blog

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Estou fazendo esse blog há pouco mais de seis meses. Tenho por hábito não responder diretamente aos leitores. Acho que eles têm o direito de manifestar a opinião deles livremente, sem qualquer tipo de contestação minha. Evito, por isso, entrar na área de comentários – esse é o espaço deles, o fórum deles.

Em alguns poucos casos, porém, respondo dentro da área de comentários. Normalmente isso ocorre quando um conhecido meu envia um recado ou quando um leitor me chama a atenção para um erro que cometi, ou apresenta alguma dúvida que merece um esclarecimento.

Em 24 de janeiro, escrevi no blog sobre a canção “Mr. do Pandeiro”, versão de “Mr. Tambourine Man”, de Bob Dylan, gravada por Zé Ramalho. O post, “Mr. do Pandeiro”: Zé Ramalho reiventa Bob Dylan, provocou pouco mais de duas dezenas de comentários – tanto de gente que, como eu, gostou da versão, quanto de quem a odiou. Como o escritor Bráulio Tavares, responsável pela adaptação da música, também se manifestou a respeito, cinco dias depois escrevi um segundo post sobre o assunto, Autor da versão comenta polêmica sobre “Mr. do Pandeiro”, que rendeu outra dezena de comentários.

Entre os comentaristas dos dois posts, um se destacou. Assinando seus comentários como Beto, ele manifestou contrariedade com a adaptação de Zé Ramalho. Informou que era grande fã de Bob Dylan e, em vários comentários, tentou argumentar e convencer os demais comentaristas sobre a impropriedade da adaptação. Na sua visão, se entendi corretamente, Bob Dylan é único, inimitável e inadaptável. Cheguei a citar um dos argumentos de Beto no meu segundo post, o que provocou outros comentários dele.

Hoje, passados 24 dias do segundo post, Beto voltou a entrar no blog para tratar do assunto. Fez um comentário muito interessante, que acabou por merecer uma resposta minha, na área de comentários. Mas como o post sobre Zé Ramalho nem está mais na página principal do blog, decidi reproduzir abaixo o que Beto escreveu e a resposta que postei para ele.

Olá, Maurício, boa tarde.
Eu não sabia que esse negócio de blog existia, pois não tenho computador e nem mesmo gosto, acho. Mas é assim mesmo? Quer dizer, você lança a notícia, o pessoal entra, opina e depois nunca mais volta? Esquisito, não? E quem ficou com a razão nesse caso específico? Ou não é pra se ter razão? Estranho isso, essa avalanche de informações que, praticamente, as pessoas são obrigadas a acompanhar, ou quase. No meu caso, não. Seja lá como for, eu gostaria de dizer algo mais sobre o assunto. Li uma entrevista na internet com o sr. Zé Ramalho, se não me engano para O Globo. Ele se dizia magoado com a crítica, inclusive em relação ao último disco. Ele disse que sempre foi assim, que “os cães ladram, mas a caravana passa”. Não sei, não. Não se trata, aqui, de ofensas pessoais, mas o criticado sempre acaba levando para o lado pessoal.Muito difícil não ser assim. Nos meus comentários, não o ofendi como pessoa, e nem ofendi. Mas não sou jornalista, não tenho autoridade nenhuma, ninguém vai reparar no que eu escrevi, é muito diferente. Aliás, domingo eu também li que o compositor Luiz Tatit, em parceria com um outro, escreveu um livro no qual analisa canções, 6 ao todo. São analisados Caetano, Chico e Gilberto Gil, além de Tom Jobim. Vale a pena ler a reportagem do Caderno 2 do Estadão. Nessa reportagem o Tatit diz que nem o Bob Dylan conseguiu analisar a realidade como o Caetano, o Chico e o Gil. Ele também cita John Lennon, que também, na opinião dele, não conseguiu. Discordo do Tatit em gênero, número e grau. Bob Dylan é, em comparação com o trio brasileiro, o compositor mais versátil e plurarista. Maurício, não volto mais aqui, e um grande abraço.

Resposta do Mauricio:
Caro Beto,
Acabo de ver a mensagem que vc postou hoje. Queria, em primeiro lugar, te agradecer pelo interesse e pelos ótimos comentários sobre o assunto que vc colocou. Depois, gostaria de esclarecer que minha proposta, neste blog, é de promover discussões sobre temas que considero importantes. Muitas vezes dou a minha opinião, outras vezes nem isso, apenas apresento o assunto. De qualquer forma, não pretendo ter a palavra final sobre nenhum assunto. Neste caso do Zé Ramalho, ocorreu um debate muito saudável de idéias. Visões diferentes e divergentes sobre um mesmo assunto. Vc disse que não visita muito blogs. Pois é. Nem toda discussão em blog ocorre dessa forma educada e interessante, como foi no caso do meu post sobre o Zé Ramalho. Não acho que alguém tenha que ter a razão. Mais de uma pessoa pode ter a razão – e com opiniões muito diversas. Isso é saudável e democrático. Por isso tudo, escrevo para dizer que vc é muito bem-vindo e que ficarei feliz de te ver em outras discussões aqui no blog. Não cumpra a promessa de não voltar mais aqui.
muito obrigado
um abraço
Mauricio

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog Tags: , , , ,
16/02/2009 - 15:03

Romance faz piada com o “mundinho da moda”

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Com larga experiência como repórter e colunista em jornais e revistas tratando dos diferentes ambientes do mundo da moda, a jornalista Nina Lemos está lançando o seu primeiro romance, justamente inspirado neste meio. “A Ditadura da Moda” (Conrad, 118 págs., R$ 27,90) gira em torno da vida de Ludmila, descrita como conhecida editora de moda em São Paulo, com todos os cacoetes normalmente associados ao tipo.

A novidade, anuncia Nina na primeira – e promissora – página do romance, é que Ludmila está enfrentando uma crise de consciência, provocada pelo conflito entre as suas origens (ela é filha de militantes políticos de esquerda durante a ditadura militar) e a futilidade de sua vida presente. “Minha vida se resume a ver roupas passando. E são quase todas iguais”, diz Ludmila.

Nina ambienta partes do romance nos corredores da Bienal de São Paulo, onde ocorre, duas vezes por ano, o São Paulo Fashion Week. “Ditadura da Moda” evoca, fazendo piada, episódios famosos, como o lançamento de um manifesto anticonsumo por Vivienne Westwood, estilista cujas peças custam milhares de libras, ou o desfile da modelo tcheca Karolina Kurkova, de biquíni, que resultou numa grande discussão sobre se ela tinha ou não celulite.

A autora também se diverte ao descrever alguns tipos paulistanos, como o último namorado de Ludmila, por exemplo. “O Zé é lindo e burro. Um garoto de banda. Essa é uma categoria muito comum aqui em São Paulo, formada por meninos bem bonitinhos que sonham em fazer sucesso em Londres cantando músicas em inglês. São lindos, falam de moda e não gostam muito de trabalhar.”

O alto consumo de remédios e de ecstasy é outro tema que entra, de raspão, no romance. A protagonista anda com Rivotril na bolsa. “Falar que vai a psiquiatra, no meu trabalho, até pega bem. Todos vão e todos tomam bola. Rivotril, Lexotan, Lexapro, Zoloft. Adoramos essas coisas que nos acalmam e nos tiram de síndromes de pânico”. Talvez por isso, nota Ludmila, “as pessoas aqui falam muito. Contam a vida toda em cinco minutos, enquanto andam pelo corredor dando beijinhos e gritando ‘gaaataaa’ umas para as outras”.

Nina apenas enumera, sem desenhar, inúmeros outros tipos curiosos do meio da moda: “A diretora de arte européia e fina, a bicha venenosa e burra, a bicha venenosa e inteligente e os meninos héteros que trabalham em revista de moda”. Ludmila garante que este último tipo existe, sim, apesar do ceticismo de uma amiga. “Eu até já transei com um deles”. Mas a coisa desandou depois que ele comentou sobre a calcinha que ela estava usando. “Os modelos femininos da Calvin Klein são interessantes, não?”

O bom humor e o olhar irônico de Nina, no entanto, se perdem em meio a uma narrativa titubeante – receosa, talvez, de mergulhar fundo no ambiente que é apenas esboçado no romance. Mesmo ao descrever a crise existencial de Ludmila, Nina parece preferir ficar no raso, transformando o que poderia ser uma grande personagem numa moça, ao final, apenas bobinha e perdida.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
15/02/2009 - 13:21

Nêm Cotó, Mestre Sariga e uma lição de vida

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A melhor história do dia está no caderno de Esportes do Estadão e conta a saga de Vanderley Moreira de Jesus, conhecido como Nêm Cotó, na periferia de Castro Alves, cidade a 190 quilômetros de Salvador. Vanderley teve o braço direito amputado aos 15 anos, depois de um acidente num pau de arara. “O motorista, seu cunhado, transportava mais de 50 pessoas na carroceria de um caminhão para levá-las a um comício na região em 1988, ano de eleições”, escreve o fotógrafo Evelson de Freitas, autor da reportagem.

Para ajudar na recuperação de Vanderley, sua mãe o levou à academia de Francisco Ribeiro, conhecido como Mestre Sariga, que o convidou a aprender boxe. Vinte anos depois, Vanderley considera que as lições na academia o salvaram: “O boxe veio para ser como uma educação de vida, porque acho que sem ele nem estava mais aqui pra contar história. Ou tava preso, ou tava em algum lugar por aí, corrido. Tava caído em alguma coisa ruim.”.

Mais um trecho da reportagem: “Nêm Cotó quer mais. Sonha com o dia em que haverá a categoria boxe na Paraolimpíada. Até lá, deseja lutar em outros Estados para defender o boxe de Castro Alves e praticar o que aprendeu em duas décadas de treinos. Também quer o direito de divulgar o esporte, porque acredita ser a melhor escola para aprender a ter disciplina e “não se meter em confusão”. Já incentiva seus dois filhos, João Vítor, de 10 anos, e Vinícius, de 5, a treinar, sempre inspirado por Mestre Sariga, que dá palestras e orienta os alunos a se livrar de drogas e de bebidas e a investir nos estudos.”

A reportagem completa pode ser lida aqui, mas, infelizmente, a magnífica foto de Evelson de Freitas, que mostra Nêm Cotó treinando boxe na academia de Mestre Sariga, não está disponível na versão online do jornal.

Em tempo: O fotógrafo Miguel Rio Branco é autor de uma famosa série de fotos numa academia de boxe, na Lapa, no Rio de Janeiro, entre as quais a que mais me impressiona é a de um boxeador que tem apenas um braço. Esta foto está num livro que reúne diferentes fases de sua carreira, intitulado apenas “Miguel Rio Branco” (Companhia das Letras). 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , ,
14/02/2009 - 16:53

Leitor que criou polêmica sobre Drummond explica o caso

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Um novo capítulo sobre a polêmica causada pelo falso poema do Drummond. Recebi neste sábado um simpático e-mail do leitor Valdeir. Foi ele que postou o poema, sem saber que se tratava de um falso Drummond, quinta-feira, no meio de uma discussão sobre BBB que estava ocorrendo no blog. Valdeir conta que recebeu o poema de um amigo, há algum tempo, e também o encontrou na Internet, sempre atribuído a Drummond. Escreve o leitor: 

 “Assim, quando entrei naquela discussão sobre BBB, tive a idéia de publicá-lo sem saber que criaria uma polêmica. Aliás,uma discussão proveitosa, que também me enriqueceu, pois, apesar de não ser do estilo de CDA, acreditei ser do mesmo, por ser muito bonita (para mim não parece ser de auto-ajuda e sim daqueles momentos em que estamos ‘deverasmente’ com a alma tristonha)”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
14/02/2009 - 09:41

Renato Sorriso: “Minha vassoura é meu passaporte”

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Uma das perguntas que o gari Renato Luiz F. Lourenço mais ouve é por que ainda não abandonou a sua profissão. Famoso por varrer o Sambódromo carioca com ginga e alegria após cada desfile, Renato Sorriso já teve inúmeras oportunidades – gravou comerciais com Gisele Bundchen e Zeca Pagodinho, participou de novela da Globo, atuou em shows na Europa e vive sendo convidado para dar palestras motivacionais em grandes empresas.

“Por que eu vou largar a vassoura, que me garante uma renda certa todo mês? Não estudei para ser ator”, diz. “Se eu um dia largar a vassoura, vai acabar. Minha vassoura é meu passaporte”, completa.

Simpatia absoluta, Renato destila sabedoria e conhecimento, enquanto conversa com o repórter do iG em seu “escritório”, a Praça Xavier de Brito, na Tijuca, no Rio. A todo momento somos interrompidos por moradores que passam e falam alguma coisa gentil para o gari. ”Acho bacana o que eu faço. Acho bonito ser responsável por uma área, por uma rua”, diz, feliz com o carinho. O meu encontro com ele resultou na reportagem “A filosofia do gari Renato Sorriso”, que tive um grande prazer em fazer.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: , , ,
13/02/2009 - 11:16

O falso poema de Drummond que circula na Internet

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Em meio à discussão sobre o BBB9, quinta-feira, aqui no blog, um leitor que assina Valdeir postou, a título de comentário, um longo texto em forma de poesia, intitulado “Recomeçar”, assinado por Carlos Drummond de Andrade. O texto começa assim: “Não importa onde você parou… em que momento da vida você cansou… Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…”. Em outra passagem, lê-se: “Um novo curso… ou aquele velho desejo de aprender a pintar… desenhar… dominar o computador… ou qualquer outra coisa… Olha quanto desafio… quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando”.

Algumas horas depois, ainda pegando fogo a discussão sobre o BBB, o leitor que assina Bruno enviou a seguinte mensagem: “Não consegui achar uma referência concreta, mas aposto a minha cabeça que o poema supracitado num dos comentários NÃO é do Drummond. Pelo amor de Deus, parem de disseminar textinhos toscos de auto-ajuda vagabunda como se fossem obra de grandes autores!!! E se o texto de fato for do Drummond (probabilidade ínfima), então ele escreveu coisa ruim também, porque este é sofrível. Mauricio, por favor, não deixe isso passar impune aqui. Propagação de ignorância é crime, e seu blog não é lugar pra isso.”

Estimulado por Bruno, resolvei investigar. A simples menção no Google a Carlos Drummond de Andrade e “Recomeçar” traz quase 27 mil citações. Há inúmeras versões do poema recitadas em vídeo, no You Tube, e em centenas de sites e blogs. Pesquisando mais, acabei chegando ao site “Meu Anjo”, mantido pelo programador Paulo Roberto Gaefke. Ali, é possível ler que o texto, na verdade, é de autoria do próprio Gaefke. Bem humorado, ele respondeu ao e-mail que enviei, em busca de um esclarecimento: “Drummond deve revirar na tumba ao ver o meu texto com o nome dele”, disse.

Autor de dois livros de poemas, publicados por conta própria, o programador mantém o site desde abril de 2000. Até 2002, assinava as suas mensagens apenas com um bordão – “eu acredito em você” – e o seu primeiro nome, Paulo. “Daí virou uma festa”, ele conta. “Cada um repassava acrescentando um ponto e diversas mensagens minhas (mais de 2 mil) estão por ai sem a devida paternidade… como ‘Revolução da Alma’, que atribuem a Aristóteles (sic), ‘Paciência’, atribuída ao Jabor, e a clássica ‘Recomeçar’ (que também é conhecida por ‘Faxina na Alma’)”.

Para surpresa de Gaefke, ao final do seu texto, em algum momento no ano de 2003, alguém acrescentou os versos “Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura” e assinou “Carlos Drummond de Andrade”. Tal citação foi entendida como se o texto inteiro fosse de Drummond, e se espalhou como praga pela Internet. Mas, lembra o verdadeiro autor do texto, nem esses versos são do poeta mineiro, mas de Fernando Pessoa (estão em “O Guardador de Rebanhos”, de Alberto Caeiro).

Conta Gaefke: “Quando eu pesquisei no Google a primeira vez, tomei um susto. Esse texto estava em mais de 50 mil sites com autoria de Drummond. E para provar que era meu foi uma briga…”. Registre-se que, pesquisando na Internet, encontrei várias mensagens de Gaefke em blogs e sites que publicaram o seu texto como sendo de Drummond, alertando os autores para o engano.

Encerro, então, este post com a reprodução do belo poema de Caeiro:

VII – Da Minha Aldeia
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe 
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos 
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Internet Tags: , , , , , ,
12/02/2009 - 09:33

BBB9 – A leitora pega o crítico no contrapé e o deixa mudo

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A pedido da Alessandra Blanco, uma das minhas editoras no iG, estou vivendo, há um mês, a experiência inédita de assistir cotidianamente o Big Brother Brasil. Minhas críticas são publicadas normalmente aos domingos, depois que o programa define quais candidatos irão para o paredão, e às terças, após a eliminação de um deles.

Confesso que tem sido uma experiência altamente desafiadora, já que a qualidade do programa é inversamente proporcional à audiência. Tenho me esforçado, buscando chamar a atenção para alguns problemas recorrentes, como, por exemplo, a falta de assunto dos candidatos, o baixo nível dos temas tratados e a forma como a Globo conduz o programa.

Nesta última semana, produzi dois textos. No primeiro, “Boninho, faça alguma coisa para animar esse jogo!”, escrevo sobre o tédio em que se encontra o programa, expresso claramente na falta de calor e emoção nos rostos e nos gestos dos quatro casais formados na casa. “Tudo parece tão sério e profissional”, observei, que o programa está dando sono. No segundo, “O vilão Ton, o chuchu Mirla e os heróis de Bial”, falo do meu espanto depois da eliminação de Newton com 21 milhões de votos e dos meros 1,5 milhão recebidos por Mirla, uma candidata que, em um mês, falou pouco mais de cinco frases completas. Ainda neste texto, aponto a dificuldade de ser irônico num ambiente como este, pouco dado a sutilezas.

Estava razoavelmente satisfeito com meu esforço até ler o comentário da leitora que assina Sandra. Escreveu ela: “Suas críticas sempre são motivos de reflexão, mas, falando sério, refletir sobre o BBB não é lá grande coisa!”. Sandra me pegou no contrapé e me deixou mudo. Por alguns momentos, cheguei a achar que ela me deu um xeque-mate e cogitei, até, desistir da empreitada. Pensando desde quarta-feira em dizer algo para a leitora, porém, mudei de idéia e elaborei isso aqui:

Sandra, acho que você tem razão, em parte. Talvez o BBB não mereça o esforço de uma reflexão mais séria – talvez eu esteja, realmente, chovendo no molhado, como se diz. Ao mesmo tempo, me pergunto se não é possível tentar (atenção, estou dizendo “tentar”, o que não quer dizer “conseguir”) produzir algum tipo de reflexão num ambiente em que predominam apenas os elogios e os xingamentos. Além do mais, acho que programas desse tipo nos ensinam a entender melhor a nossa cultura e a indústria do entretenimento.

Será que eu convenci a Sandra?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog Tags: , , , , , , ,
11/02/2009 - 16:29

Roberto Carlos agradece os jornalistas por perguntas fáceis

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Passei a segunda-feira entre Búzios e Angra dos Reis, a bordo do navio Costa Mágica, que hospedou o projeto “Emoções em Alto-Mar”. Desde 2005, Roberto Carlos vem promovendo esse cruzeiro marítimo, com grande sucesso. Os mais de 3 mil passageiros desfrutam de todas as regalias de uma viagem deste tipo além do direito de assistir a um show do Rei e sonhar com a possibilidade (remota) de cruzar com ele no navio em algum momento, ao longo dos quatro dias do passeio.

Escrevi uma reportagem, “Roberto Carlos vende o sonho de ‘cantar e dormir sob o mesmo teto’ das fãs”, publicada ontem no Último Segundo. No texto, eu conto que pesquisas realizadas com passageiros dos primeiros cruzeiros mostraram que eles se sentiram frustrados pelo pouco contato com Roberto ao longo da viagem. Para atenuar este problema, a produção resolveu permitir a participação do público na entrevista coletiva que Roberto sempre concede a bordo. Quatrocentos convites são sorteados a passageiros, que ainda tem o direito a levar um acompanhante.

Assim, a entrevista transforma-se num evento do cruzeiro, com a participação de 800 passageiros, mulheres em sua a grande maioria, fãs do cantor. Realizado num teatro, o diálogo de Roberto com os repórteres é sublinhado por aplausos, gritos e assovios do público. O cantor estava muito bem-humorado e descontraído ao longo da conversa, na qual falou de seus próximos trabalhos (um pouco) e de sua vida pessoal (muito). O resultado da entrevista está no texto que eu enviei do navio, “Aos 50 anos de carreira, Roberto Carlos diz ter ‘pânico’ de envelhecer e admite ‘puxadinha’ no pescoço”, publicado ainda na segunda-feira.

Roberto costuma dar uma ou duas entrevistas por ano – esta conversa no navio, assistida por 800 fãs, deixará o cantor livre da obrigação de falar até o final do ano, quando deve lançar um disco com canções inéditas, o que não faz há um bom tempo. Ao final da entrevista, Roberto agradeceu a presença das espectadoras e dos jornalistas. “Eu queria agradecer a todos os jornalistas”, começou dizendo e parou, para escolher a palavra certa… “Vocês foram muito razoáveis comigo”.

Devo dizer que me senti mal com o elogio. Entendi que o cantor achou as perguntas fáceis, pouco incômodas. Houve, é verdade, várias perguntas difíceis, que o cantor respondeu pela metade. Também houve perguntas que ele fingiu não ter entendido e aproveitou para falar de outros assuntos. Mas houve realmente um festival de bolas levantadas para o Rei cortar. Em todo caso, reproduzo as duas perguntas que fiz e as duas respostas de Roberto:

Pergunta: Eu sei que você escolheu o ano de 1959 como marco inicial para comemorar os seus 50 anos de carreira. Mas eu li recentemente a biografia do Carlos Imperial e vi que o ano de 1958 não foi menos importante. Você se apresentou várias vezes no Clube do Rock, cantou na TV Tupi e até participou de um filme. Ao comemorar 50 anos de carreira em 2009 você não estaria apagando de sua história musical o que veio antes?
Resposta:
Se eu fosse pensar assim, teria que considerar o meu início quando eu tinha 9 anos e cantei em Cachoeiro de Itapemirim. Escolhi 1959 porque foi o ano em que comecei a cantar profissionalmente na boate Plaza como crooner. Ali eu me senti um profissional da música, vivendo da música.

Pergunta: Você disse que vai lançar um disco de inéditas em 2009. Poderia adiantar alguns detalhes?
Resposta:
Não posso falar muita coisa, ainda. Já tenho algumas músicas prontas, que eu fiz sozinho, algumas que eu fiz com o Erasmo e duas ou três de outros compositores. Vai ser um disco atual, compatível com o meu estilo. Mas vou adicionar algo de moderno.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
11/02/2009 - 15:34

A rara emoção de encontrar um ídolo

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Uma viagem de trabalho ao Rio de Janeiro mais os problemas técnicos enfrentados pelo iG me impediram de atualizar este blog nos últimos dias. Acabei não fazendo nenhum comentário sobre uma reportagem muito emocionante que tive a chance de realizar no final da semana passada.

Desde que eu soube que uma grife carioca preparava o lançamento de uma camisa em homenagem a Nilton Santos vinha tentando encontrá-lo para escrever algo a respeito. Viajei para o Rio no sábado, 7 de fevereiro, ainda sem saber se seria autorizado a visitá-lo na clínica onde está internado desde janeiro de 2007.

Ao chegar no Rio, telefonei mais uma vez para dona Célia, esposa de Nilton, que falou: “Se você quiser, pode vir agora. Ele está recebendo a visita de dois jogadores”. Corri para a clínica, na zona sul do Rio. Já adorei a placa colocada à porta do quarto de Nilton: “Seja bem vindo. Não fale mal do Botafogo”. Lá dentro, Adalberto, ex-goleiro do time campeão em 1957, e Cacá, lateral direito do time campeão em 1961, contavam histórias e se divertiam.

Nilton só teve um clube em sua carreira, o Botafogo, onde atuou de 1948 a 1964. Ficou famoso por assinar contratos de trabalho em branco – um sinal de sua identificação com o clube, mas também reflexo da falta de profissionalismo no período, o que prejudicou não apenas o jogador, mas inúmeros colegas seus.

O Botafogo arca com as despesas da clínica – um compromisso do ex-presidente Bebeto de Freitas, mantido pelo atual presidente, Mauricio Assumpção. Nilton sofre do Mal de Alzheimer. Durante o período da minha visita, fez vários comentários, mostrando que estava acompanhando as conversas. A primeira coisa que disse, ao ouvir de mim que sou botafoguense, foi: “Soube escolher”.

O repórter deve evitar escrever na primeira pessoa em textos informativos, mas não consegui, nesta reportagem, deixar de expor a minha honra e emoção por estar entrevistando um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. O relato da minha visita foi publicado no Último Segundo no sábado à tarde, um dia antes da apresentação oficial da camisa em homenagem a Nilton. A pedido dos organizadores, que queriam aguardar a festa de lançamento domingo, no Engenhão, não publiquei a foto de Nilton vestindo a camisa, o que faço agora, no blog (acima). Trata-se de uma imitação do modelo usado pelo Botafogo em 1962, com o escudo e o número 6, às costas, bordados. A camisa custa R$ 99 –  e 20% da receita com as vendas será revertida para Nilton.

Em tempo: agradeço de público a Cesar Oliveira, criador do site Livros de Futebol, e a Malu Cabral, que mantém um blog sobre o Botafogo, pela ajuda.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , ,
08/02/2009 - 20:01

Lembra da Viviane Castro? Ela está de volta…

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A história de Viviane Castro seria cômica não fosse carnavalesca. Destaque na São Clemente, em 2008, a modelo causou a perda de 0,5 ponto à escola, sob a acusação de ter desfilado nua, o que é proibido pelo regulamento. A escola, como se sabe, acabou rebaixada, e Viviane foi responsabilizada pelo desastre. Xingada e ameaçada por integrantes da São Clemente, ela sumiu do Rio e voltou a morar em Luziânia (GO), onde abriu um supermercado, o Super Família. Acontece que Viviane jura não ter desfilado nua. Depilada e com um micro tapa-sexo de 3,5 cm da cor da pele, ela diz que confundiu os jurados – quem não confundiria? Conto a sua história , que terá um novo capítulo, no Carnaval de 2009, no site especial do iG dedicado à festa.

A foto ao lado, flagrante do famosos desfile pela São Clemente em 2008, está publicada em um álbum de fotos no iG, e é de autoria de Xico Silva.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Crônica Tags: , , ,
07/02/2009 - 19:40

Paródia de si mesma, Banda de Ipanema virou cartão postal do Rio

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A Banda de Ipanema, há muito, perdeu o viço, mas mesmo assim, fazendo ano após ano uma paródia de si mesma, tornou-se uma espécie de cartão postal do Rio de Janeiro.

Três vezes por ano, em torno do Carnaval, ela reaparece, faz a alegria de turistas, desocupados e distraídos, em geral, além de garantir o dia de ambulantes dos mais variados produtos.

O bom Carnaval de rua do Rio está longe dali, nas centenas de pequenos blocos que saem em todos os bairros da cidade. Mas a Banda de Ipanema segue firme, com suas drag queens, travestis e ipanemenses históricos, cantando suas velhas marchinhas.

Este ano, como faz desde 1965, sempre no penúltimo sábado antes do Carnaval, a Banda saiu pela primeira vez. Ainda sairá no sábado e na terça de Carnaval.

Atrapalha o trânsito, é verdade, mas quem, nessa época do ano, no Rio, reclamar disso é ruim da cabeça ou doente do pé.

 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: ,
06/02/2009 - 11:12

Little Joy não acrescenta nada

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Sei que vou ouvir poucas e boas, a começar aqui em casa, mas achei o show do Little Joy nota 6. E olhe lá. Meia boca. Nada de mais. Tinha achado o disco legalzinho, simpático – igual a dezenas que andam por aí. A diferença é que paguei R$ 20 pelo CD e R$ 60 para ver o show.

Quinta-feira, 22h10. O Clash, em São Paulo, está lotado. É difícil ver qualquer coisa – a não ser que você esteja numa área vip, mas quem pagou R$ 60 não tem direito a assistir da área vip. A lata de cerveja, “na promoção”, custa R$ 5. 

“O repertório tá acabando”, avisa Rodrigo Amarante depois de 40 minutos de show. É a última canção. Depois ainda rola um bis – uma escassa música, que ele apresenta sozinho, sem a companhia de Fabrizio Moretti, que ficou no camarim. Meio caro, achei, pagar R$ 60 por um showzinho de 45 minutos, que reproduz um disco quase sem tirar nem por – se não me engano, com direito a uma música nova.

A reunião da melhor voz do Los Hermanos com a do baterista do Strokes, uma das melhores bandas de rock recentes, mais uma loirinha com pouca voz, mas charmosa, realmente é notícia. Entendo o interesse que despertou na mídia e entre os fãs das duas bandas. Mas Little Joy não tem alma, não tem personalidade, não é nada demais. Não incomoda, mas não acrescenta nada.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
05/02/2009 - 16:40

É a glória: Pirajá e Bar do Giba em samba de Moacyr Luz

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No ótimo “Batucando”, talvez o seu melhor disco até hoje, Moacyr Luz faz uma homenagem, na última música, “Delírio da Baixa Gastronomia”, a alguns de seus bares preferidos – “bares de respeito”, na suas palavras. São citados, do Rio, os tradicionais  Lamas e o Bar Luiz, o Belmonte (que virou uma rede) e o bar Adônis, em Benfica. A surpresa maior é a inclusão, em um samba carioca, de dois bares paulistanos – o Pirajá e o Bar do Giba, em Moema. Para eles, creio, uma citação dessas vale mais que uma estrela no Guia 4 Rodas.

Em tempo: Fiz uma entrevista com Moacyr Luz sobre o CD, publicada nesta quinta-feira no Último Segundo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: , , , , , , ,
04/02/2009 - 14:17

Escola de samba gay cria polêmica com a Gaviões da Fiel

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Estive, no último domingo, na quadra da Arco-Íris, primeira escola de samba gay de São Paulo. Há projetos semelhantes em outras cidades, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, mas a escola paulista parece ser a mais estruturada e articulada. A começar pelo fato de que, apenas um ano depois da sua criação, já conseguiu assegurar uma vaga no Grupo de Acesso da União das Escolas de Samba Paulistanas.

Na reportagem, publicada no site especial do iG dedicado ao Carnaval, o publicitário Eduardo Correa (foto), criador da escola, afirma que a Arco-Íris só existe por causa do preconceito contra gays nas escolas de samba tradicionais. “Vou levar dez membros da minha comunidade a uma escola de samba. Qualquer uma. Se eles forem aceitos na bateria, a Arco-Íris não tem razão de existir”, desafia.

Correa relata que um diretor da escola foi expulso, junto com amigos, de um ensaio da Gaviões da Fiel “porque estavam dançando de forma afeminada”. Eduardo Ferreira, falando em nome da diretoria da Gaviões, nega a expulsão, mas diz: “A torcida não está acostumada com essa coisa de GLS (gays, lésbicas e simpatizantes)”. Pano rápido.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura, São Paulo Tags: , , ,
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