Romance faz piada com o “mundinho da moda”
Com larga experiência como repórter e colunista em jornais e revistas tratando dos diferentes ambientes do mundo da moda, a jornalista Nina Lemos está lançando o seu primeiro romance, justamente inspirado neste meio. “A Ditadura da Moda” (Conrad, 118 págs., R$ 27,90) gira em torno da vida de Ludmila, descrita como conhecida editora de moda em São Paulo, com todos os cacoetes normalmente associados ao tipo.
A novidade, anuncia Nina na primeira – e promissora – página do romance, é que Ludmila está enfrentando uma crise de consciência, provocada pelo conflito entre as suas origens (ela é filha de militantes políticos de esquerda durante a ditadura militar) e a futilidade de sua vida presente. “Minha vida se resume a ver roupas passando. E são quase todas iguais”, diz Ludmila.
Nina ambienta partes do romance nos corredores da Bienal de São Paulo, onde ocorre, duas vezes por ano, o São Paulo Fashion Week. “Ditadura da Moda” evoca, fazendo piada, episódios famosos, como o lançamento de um manifesto anticonsumo por Vivienne Westwood, estilista cujas peças custam milhares de libras, ou o desfile da modelo tcheca Karolina Kurkova, de biquíni, que resultou numa grande discussão sobre se ela tinha ou não celulite.
A autora também se diverte ao descrever alguns tipos paulistanos, como o último namorado de Ludmila, por exemplo. “O Zé é lindo e burro. Um garoto de banda. Essa é uma categoria muito comum aqui em São Paulo, formada por meninos bem bonitinhos que sonham em fazer sucesso em Londres cantando músicas em inglês. São lindos, falam de moda e não gostam muito de trabalhar.”
O alto consumo de remédios e de ecstasy é outro tema que entra, de raspão, no romance. A protagonista anda com Rivotril na bolsa. “Falar que vai a psiquiatra, no meu trabalho, até pega bem. Todos vão e todos tomam bola. Rivotril, Lexotan, Lexapro, Zoloft. Adoramos essas coisas que nos acalmam e nos tiram de síndromes de pânico”. Talvez por isso, nota Ludmila, “as pessoas aqui falam muito. Contam a vida toda em cinco minutos, enquanto andam pelo corredor dando beijinhos e gritando ‘gaaataaa’ umas para as outras”.
Nina apenas enumera, sem desenhar, inúmeros outros tipos curiosos do meio da moda: “A diretora de arte européia e fina, a bicha venenosa e burra, a bicha venenosa e inteligente e os meninos héteros que trabalham em revista de moda”. Ludmila garante que este último tipo existe, sim, apesar do ceticismo de uma amiga. “Eu até já transei com um deles”. Mas a coisa desandou depois que ele comentou sobre a calcinha que ela estava usando. “Os modelos femininos da Calvin Klein são interessantes, não?”
O bom humor e o olhar irônico de Nina, no entanto, se perdem em meio a uma narrativa titubeante – receosa, talvez, de mergulhar fundo no ambiente que é apenas esboçado no romance. Mesmo ao descrever a crise existencial de Ludmila, Nina parece preferir ficar no raso, transformando o que poderia ser uma grande personagem numa moça, ao final, apenas bobinha e perdida.




Diatdura da Moda!? Por que não, Os Ossos do Barão?
Já pensou, se as modelos e os modelos gostassem de carnaval? Caramba, uma Sapucaí mal preenchida, anêmica, cheia de fome.Biafra, mostrem suas bundas e desmontem seus esqueletos.Tenho muita pena destes seres.Para quê, e por quê?
Não entendo.
Trabalho com moda, vivo tentando me desfazer do esteriótipo que a moda traz para você quando você trabalha com isso.
Quando está na faculdade, todo mundo pensa que você é futil, e que não vai dar em nada, quando se forma, e diz ser estilista, esses mesmos mudam de opnião e acham que você é chique, importante . Aí já começa a contradição
A moda tem muitas contradições mesmo. No blog que sou colaboladora, tento explicar a moda para as pessoas. Moda tem sua utilidade sim. Afinal moda é linguagem , e se somos seres comunicadores, como negar que nossas roupas também comunicam?
Por mais futilidades que existam na moda, me incomoda quando alguém reduz moda a superficiabilidade.
Sugiro que leia o blog da folha.
É moda com inteligência. Moda pensante.
http://ultimamoda.folha.blog.uol.com.br/
Para mostrar que nem todo mundo que vive nesse mundo é fútil.
A moda, em si, não é nada fútil. Faz parte da cultura do ser humano. A filósofa Gilda de Souza e Mello, que foi professora da USP e muito respeitada no meio acadêmico, escreveu um belíssimo tratado sobre moda. Não li o romance, mas acho que a crítica vai para a indústria de moda atual, para o seu modo de produção que vai fabricar roupa na China e na Índia utilizando mão-de-obra semi-escrava, para o consumismo, ao padrão de beleza das modelos anoréxicas e pra essas revistinhas femininas chinfrins, com seu pseudo jornalismo informativo, que querem fazer a gente acreditar que aquele creminho anti-celulite é milagroso e que não recebem um tostão pra anunciar o milagre…
[...] Gente). Foi conduzido direto à área vip, onde ficou até ir embora. Em seu primeiro romance, “A Ditadura da Moda”, a jornalista Nina Lemos descreve uma semana de desfiles em São Paulo e observa: “Nunca [...]