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Arquivo de fevereiro, 2009

28/02/2009 - 19:21

Mulheres de Chico prolongam o Carnaval de rua

A revolução ocorrida no carnaval carioca, com a proliferação de blocos de ruas, não se encerra na Quarta-Feira de Cinzas. Neste fim de semana em que ocorre o desfile das campeãs, no Sambódromo, outros 16 blocos animam diferentes bairros da cidade.

O Monobloco, um dos responsáveis pela revitalização do carnaval de rua, nasceu no Jardim Botânico, em 2000, mas cresceu tanto que no ano passado desfilou na orla de Copacabana, seguido por cerca de 100 mil pessoas, e este ano, a partir das 9h da manhã de domingo, vai cruzar o centro da cidade.

Um bloco simpático, mas de dimensões ainda modestas, mobilizou o Leblon neste sábado. Criado no final de 2006, pelas cuiqueiras Gláucia e Vivian, o Mulheres de Chico apresenta-se no primeiro sábado depois do Carnaval – com repertório dedicado exclusivamente à obra de Chico Buarque. Como outros blocos cariocas, atrai público de idades bem diferentes – crianças, velhos, moçada – num clima bem democrático.

É um “bloco parado”, para usar a terminologia de Carlinhos Brown. Suas 30 ritmistas apresentam-se num palco, no centro da praça Antero de Quental, no coração do Leblon. “Será que ele vem hoje”, diz uma das três cantoras, ao iniciar a cantoria. Diante da praça lotada, cantam desde “A Banda” até “Apesar de Você”, passando por “O Malandro”, “Geni”, “Cotidiano”, “Quem Te Viu, Quem Te Vê”, “Samba de Orly”, “Jorge Maravilha” (assinada por Julinho da Adelaide) etc tal. Apenas uma música não é de autoria do compositor. Trata-se de uma marchinha simples, cujo verso principal é “Será que o Chico vem”… Até as 19h15, ele ainda não tinha aparecido…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
27/02/2009 - 08:41

A leitora desconstrói “Quem Quer Ser um Milionário?” e relata sua viagem pela Índia em meio a bombas

Em busca de um olhar mais crítico sobre “Quem Quer Ser um Milionário?”, a geógrafa Renata Neder acabou parando aqui no blog – imagino que graças a um texto que escrevi recentemente, falando mal do filme, o grande vencedor do Oscar 2009. O comentário de Renata é bem mais profundo e bem escrito que o meu breve texto, motivo pelo qual resolvi reproduzi-lo abaixo. Eis o que ela escreveu:
 
Fui assistir “Quem Quer Ser um Milionário?” ontem e saí do cinema pasma… O filme é sofrível. Um duplo desrespeito: à Índia e ao espectador, que ele visivelmente subestima.  Não ligo nem um pouco para as premiações do Oscar e nem acho que isso é parâmetro para a qualidade de um filme, mas ver um filme desses ser premiado e aclamado pelo público é mesmo lamentável.
 
O filme consegue tocar as grandes questões problemáticas da tão complexa sociedade indiana de maneira caricata e estereotipada. O filme é simplista ao extremo. O filme retrata a pobreza, exploração infantil, violência contra a mulher, conflitos entre hindus e muçulmanos, dentre outras coisas, de maneira tão rasteira que chega a ser uma ofensa.

Uma das pérolas é a frase de Jamal sobre a morte da mãe em um conflito de cunho religioso (aliás também retratado de maneira inacreditavelmente estúpida…): “Se não existisse Rama e nem Alá, a minha mãe ainda estaria aqui”. Não sou uma grande conhecedora da história indiana, mas estava trabalhando com um grupo muçulmano paquistanês na Índia quando ocorreram os atentados em Mumbai (em novembro de 2008) e tive a oportunidade de ver de perto o quão mais complexa é essa questão do que nossos olhos ocidentais podem supor…
 
O pior de tudo é que o filme pretende ser um filme sério, sensível. Quer emocionar a platéia. E a platéia se deixa envolver por um filme tecnicamente muito bom, fotografia linda, trilha sonora perfeita e, acima de tudo, pelo suposto retrato da realidade de um lugar exótico para eles, e se emociona. Além da superficialidade, do maniqueísmo, das simplificações e das estereotipias, o que sobra ali? Nada…

Parte da platéia chegou a aplaudir na sessão de cinema… Chego a me perguntar o que está havendo com as pessoas. Que platéia é essa que aplaude um filme desses? Eu disse antes que o filme subestimava os espectadores, mas o pior é pensar que eu ingenuamente superestimei os espectadores de hoje em dia.
 
E já que estamos falando em Índia, por que não falar do show de absurdos em doses diárias que é “Caminho das Índias”?
 
Sabe o que me lembrei agora? Do grande alvoroço que um episódio dos “Simpsons” provocou pelo Brasil que retratou. E olha que era apenas um episódio dos “Simpsons”  – que, vale dizer,  tem uma proposta bem diferente tanto do filme quanto da novela. Aposto que as mesmas pessoas que criticaram o Brasil dos “Simpsons” são as que hoje aplaudem “Slumdog Millionaire”.
 
Os bons jornalistas e formadores de opinião devem ser os primeiros a ficar em alerta com essa falta de massa crítica e estupidificação dos espectadores. É claro que, nesse quesito, haveria muitos outros grandes exemplos para dar (inclusive o programa que você hoje assiste diariamente para fazer a crônica no site), mas esse filme não dá pra deixar passar em branco. E a novela também não.
 
Enviei um e-mail a Renata pedindo autorização para publicar o texto acima e solicitando que ela explicasse melhor o que foi fazer na Índia. Fiquei curioso e imaginei que os leitores do blog poderiam também se interessar. O que começou como uma discussão sobre cinema acabou se transformando numa aula sobre Índia, Paquistão e a relação entre habitantes destes dois países rivais. Compartilho com os leitores o segundo texto enviado por Renata:

Trabalho em uma ONG internacional da área de direitos humanos na equipe de Direito à Alimentação. Trabalhamos com alguns projetos de desenvolvimento rural, um deles é um projeto de troca de experiências entre agricultores. O objetivo desse projeto é disseminar tecnologias sociais (práticas e técnicas agrícolas desenvolvidas pelos próprios agricultores) de baixo custo.

Fazemos um diagnóstico dos problemas enfrentados por agricultores em uma determinada área e levamos agricultores de outra área, ou país, que tenham desenvolvido práticas que ajudem a enfrentar problemas semelhantes. Por exemplo, levamos agricultores do semi árido brasileiro que desenvolveram excelentes técnicas de captação de água e manejo para uma região de seca em Moçambique. O processo em si é muito interessante, chamamos de aprendizagem horizontal: ao invés de você levar um agrônomo, você leva agricultores para trocarem experiências com agricultores.
 
Desculpa a looonga explicação, mas isso era para explicar o que eu fazia na Índia… Estávamos levando agricultores paquistaneses para o campo em Vidharva (perto de Nagpur, a maior cidade do estado de Maharashtra depois de Mumbai). Vidharva é uma região de alto índice de suicídio de agricultores que se endividaram ao plantar algodão transgênico. Os agricultores no Paquistão usam algodão não-transgênico e por isso fizemos essa troca de experiências.
 
Infelizmente, estávamos saindo de Delhi para Nagpur quando os atentados aconteceram e não fomos autorizados pela polícia em Nagpur sequer a deixar o hotel, muito menos fazer o trabalho de campo. Você certamente está familiarizado com a delicadeza da questão entre Paquistão e Índia, e pode imaginar a situação complicada que é estar com sete paquistaneses muçulmanos na Índia quando um atentado daqueles ocorreu. O Estado de Maharashtra estava em alerta vermelho máximo e diante disso tudo ficou muito complicado.

Fomos todos interrogados pela polícia e infelizmente não fomos autorizados a fazer o trabalho de campo como planejado. Isso é uma longa história, mas é interessante dizer uma coisa. A primeira vista pode parecer loucura uma troca de experiências entre paquistaneses e indianos, certo? A primeira vez que me propuseram isso no trabalho, com minha ainda limitada visão, apesar de minhas andanças pelo mundo, eu pensei: “O que haveria para trocar? Afinal, eles não se odeiam?”

E foi incrível ter a experiência de estar durante todo aquele tempo com os paquistaneses por Delhi e Nagpur. Porque existe uma identidade muito maior, ou, se não maior, pelo menos diferente, dessa dada pelo estado nacional. Um agricultor da região de Punjab no Paquistão se identifica diretamente com um punjabi indiano: falam o mesmo dialeto, conhecem a mesma territorialidade, cantam as mesmas músicas.
 
Quando vi os agricultores indianos e paquistaneses sentados juntos conversando sobre plantio de algodão, acesso a mercado, rentabilidade, adubo… percebi que apesar dos maniqueísmos hindu x muçulmano, indiano x paquistanês, várias trocas são possíveis porque afinal o ser humano é muito mais do que qualquer dessas dicotomias. Percebi mesmo que a gente de longe olha para aquele mundo aparentemente exótico (no sentido de que nos é desconhecido) e simplifica questões muito mais complexas para que elas se encaixem no que conseguimos compreender.
 
Bom, Maurício, acho que já te aluguei demais né? Só queria contextualizar um pouco a ida à India e o meu trabalho.
 
Obrigado, Renata, pelas informações e pela oportunidade de dividir essa sua “lição”  humanista com outros leitores – algo que a internet, de fato, facilita muito. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
27/02/2009 - 08:26

BBB9 – Políticos abraçam a causa de Flavio e Priscila

O Barão de Itararé, famoso personagem criado pelo jornalista Aparício Torely (1895-1971), costumava dizer que “o político brasileiro é um sujeito que viva às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas”. Penso nessa frase depois de conversar com o prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), e com o vereador Vanderlei Cabeludo (PMDB), de Campo Grande (MS). Com grande senso de oportunidade, ambos acabam de tomar a iniciativa de declarar apoio a candidatos que participam do programa Big Brother Brasil.

Na reportagem Caxias e Campo Grande oficializam apoio a candidatos do BBB, relato o resultado de minhas entrevistas com os dois políticos. Ambos afirmam não assistir o BBB com regularidade. O apoio a Flavio e a Priscila, explicam, deve-se ao fato de que os candidatos são moradores de suas cidades, Caxias e Campo Grande, respectivamente. “A comunidade caxiense olha isso com bons olhos”, diz Sartori. “Priscila é um orgulho muito grande para a nossa cidade”, diz Vanderlei Cabeludo. Pano rápido…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , , , , , ,
26/02/2009 - 15:25

Seinfeld prepara reality show sobre casamento

A boa notícia sacudiu a internet algumas horas atrás, na manhã desta quinta-feira: Jerry Seinfeld está produzindo uma espécie de reality show, onze anos depois do encerramento da melhor série de tevê de todos os tempos. O programa, que será produzido para a Rede NBC, a mesma que exibia “Seinfeld”, vai se chamar “The Marriage Ref”, algo como “O juiz do Casamento”. Segundo informou o próprio comediante, a idéia do programa surgiu em casa, na sua experiência de vida a dois. “Depois de nove anos de casamento, descobri que o potencial cômico desse assunto é bem rico”, disse Seinfeld.

Ainda não se sabe quando o programa será exibido. Segundo alguns sites, a NBC encomendou seis episódios e prevê estrear a série ainda este ano, no segundo semestre. Não está claro, também, se Seinfeld vai atuar ou ficará apenas atrás das câmaras. Ele será o produtor-executivo da série, junto com Ellen Rakieten, ex-produtora do programa de Oprah Winfrey. A idéia do reality, até onde foi divulgado, é exibir casais de verdade falando de seus problemas diante de uma espécie de júri, formado por pessoas famosas e o tal “juiz”, que vai determinar quem está certo e quem está errado.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , ,
26/02/2009 - 11:19

Stallone e Schwarzenegger no mesmo filme

Sylvester Stallone, cuja carreira não está, digamos assim, no seu momento de pico, prepara um novo filme repleto de atrações. Além de filmar boa parte da ação no Brasil, como já se sabia, o astro confirmou nesta quarta-feira que Arnold Schwarzenegger fará uma participação especial – no papel de governador da Califórnia – na produção.

O histórico encontro está longe de ser a, um dia sonhada pelos fãs, ação em conjunto entre Rambo e Exterminador do Futuro – mas já é alguma coisa. As filmagens de “Os Mercenários” começam no próximo dia 28 de março, no Brasil, prosseguem em Nova Orleans e passam pela Califórnia. O filme conta a história de um grupo de mercenários dedicado a derrubar do poder um ditador latino-americano (quem será o inspirador?) e conta no elenco, ainda, com Mickey Rourke e Forest Whitaker.

A produção do filme no Brasil será da O2, de Fernando Meirelles. Stallone visitou locações no Rio de Janeiro, em São Paulo e no litoral paulista. Atores brasileiros devem participar da produção, mas nenhum nome foi confirmado, até agora.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
25/02/2009 - 11:46

Cachê de Rodrigo Santoro no camarote cria polêmica

Na sempre bem-humorada cobertura do Carnaval, a coluna “Gente Boa”, de Joaquim Ferreira dos Santos, em “O Globo”, também tratou de um assunto sério este ano: o valor do cachê recebido pelas estrelas que passaram pelo Camarote da Brahma no Sambódromo. Escreveu Joaquim na terça-feira, dia 24: “Rodrigo Santoro teria embolsado R$ 150 mil para ser presença ‘vip’ no camarote – a Brahma não confirma”. Ao lado do ator americano Kevin Spacey (“Beleza Americana”), Santoro foi a principal atração do camarote na primeira noite de desfiles.

A notícia causou grande tititi no meio. Só para se ter uma idéia, Grazi Massafera, “musa” do camarote da Brahma, recebeu cachê de R$ 40 mil por sua participação nos dois dias de desfiles. Na avaliação de uma pessoa com quem conversei, e que conhece bem o mercado de celebridades, o valor que Santoro teria recebido não pareceu absurdo, uma vez que o ator já estaria em outro patamar de fama e sucesso que seus colegas brasileiros (atuou recentemente ao lado de Benicio del Toro em “Che” e de Jim Carrey em “I Love You, Philip Morris”).

O fato é que nesta quarta-feira, na coluna de Mônica Bergamo, na “Folha de S.Paulo”, o cachê de Santoro voltou a ser tema de uma nota. Segundo Mônica, Santoro teria recebido cachê de R$ 80 mil e Kevin Spacey teria embolsado R$ 120 mil para dar as caras na primeira noite de Carnaval. José Victor Oliva, organizador do camarote da Brahma, disse à coluna que Santoro e Spacey prestigiaram o evento de graça. “Imagina se eu vou pagar cachê”, disse Oliva. “Se o Carnaval do Rio não for suficiente para atrair alguém eu paro tudo e vou fazer futebol”, completou. E agora, como é que fica?

 

Crédito da foto: AGNews

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , , , ,
24/02/2009 - 11:48

“Olha que popozão tem essa passista!”

Carnaval sem cobertura trash não tem graça – e a Rede TV! está aí para alegrar as noites de quem não aguenta ver desfile de escola de samba pela televisão. “Bastidores do Carnaval 2009”, comandado por Nelson Rubens, cumpre com honra e mérito o papel de atração lixo das noites de festa. Uma diversão só. Alguns flashes:

A repórter aproxima-se de uma passista da Portela na concentração. A câmera percorre o corpo da mulata, com aquela sutileza típica, e detem-se onde interessa. A repórter, então, pede: “Mostra o seu pandeiro, Alice”. E a passista se vira, rebolando e mostrando o seu “pandeiro”.

Longa entrevista com Myriam Martin, falando do seu relacionamento com Jayder – “foram três meses, mas pareceram três anos”. Quem é Myriam Martin? Recorro ao Google – é a Rosinha de “Zorra Total”. “Jayder é muito querido”, “Jayder é um grande incentivador cultural”… Mas quem é Jayder? Volto ao Google. Trata-se de Jayder Soares, presidente de honra da Grande Rio – patrono de várias estrelas globais.

“Olha que popozão tem essa menina!!!”, exclama a repórter, na concentração. “O segredo desse popozão é comer muita gordura”, explica a passista. “Gente, dá licença”, avisa a repórter, antes de enfiar o dedo no “popozão”. “Gente, é durinho!!!”, constata.

Corta para uma entrevista com Valeska, integrante da Gaiola das Popozudas – não me peça para ir ao Google buscar explicação para isso, por favor. Valeska é do funk, mas diz que se deu bem no samba, na avenida. “Fiz tremidinha no bumbum”, explica. E a repórter pede para ela mostrar como se faz isso – o que Valeska faz com prazer.

Nelson Rubens, com seu “ok, ok, ok”, lidera a equipe da Rede TV, que traz também  uma repórter chamada Tatiana Apocalipse, um entrevistador gago, David Brazil, e uma drag queen, Leo Áquila. O patrocínio do programa é de uma marca de camisinha chamada Gozzi, mas o melhor é a incrível publicidade do digestivo Eparema, no qual três atores aparecem dançando, fantasiados de pedaço de pizza, coxinha e cachorro quente em tamanho natural.

Hoje tem mais.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , , ,
23/02/2009 - 12:16

Oscar 2009: Errei todas as previsões, com muito orgulho

Dei poucos palpites antes do Oscar, mas posso dizer, com orgulho, que errei todos. Não gostei nem um pouco de “Quem Quer Seu um Milionário?”, o grande vencedor da noite, com oito prêmios, incluindo melhor filme e melhor diretor. Preferia que a estatueta de melhor ator ficasse com Mickey Rourke, mas quem ganhou o prêmio foi Sean Penn. Cheguei a defender que “Wall-E” deveria disputar a categoria de melhor filme, o que não ocorreu, e a produção da Pixar também não se deu muito bem, vencendo apenas em uma (melhor animação) das seis categorias que disputou.

Não cheguei a escrever, mas achava que o Oscar de atriz coadjuvante deveria ir para Viola Davis (“Dúvida”) ou Taraji P. Henson (“Benjamin Button”) – ganhou Penélope Cruz (“Vicky Cristina Barcelona”). E não achava óbvio, como quase todo mundo, que Heath Ledger (“O Cavaleiro das Trevas”) deveria levar o prêmio. Gostei muito de Josh Brolin (“Milk”), de Philip Seymour Hoffman (“Dúvida”) e até de Robert Downey Junior (na comédia maluca “Trovão Tropical”).

Numa única categoria, caso eu votasse no Oscar, minha indicação coincidiria com a vontade dos eleitores da Academia: Kate Winslet como melhor atriz, por sua atuação em “O Leitor”. Enfim, para sorte de todo mundo, eu não voto no Oscar – no máximo, dou alguns palpites, como fiz na noite de domingo e madrugada desta segunda-feira, na transmissão em tempo real da festa pelo iG.

Ao lado do editor Carlos Augusto Gomes, dei pitacos e comentei alguns prêmios. Nunca tinha participado de uma cobertura em tempo real antes. Coisas da Internet – adorei. Um resumo dos meus comentários na noite pode ser lido no texto Notas soltas sobre o Oscar 2009, publicado às 3 da manhã desta segunda-feira.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , , ,
22/02/2009 - 19:33

Futebol com pipoca: programa-família no Carnaval

Futebol em domingo de Carnaval? Difícil acreditar, mas isso existe. A bola rolou no Rio Grande do Sul (Inter x Ulbra e Veranópolis x Santa Cruz), em Santa Catarina (Figueirense x Atlético) e no Paraná (Atlético-PR x Paraná). Bem, e em São Paulo – onde Santos e Botafogo se enfrentaram nesta tarde. O jogo deveria ter ocorrido em Santos, mas lá tem Carnaval, como seria de se esperar, e a PM informou que não teria condições de assegurar o policiamento da Vila Belmiro.

Domingo de sol. Mais de 20 mil pessoas foram ao Pacaembu. Assisti ao jogo no setor 21, o mesmo local onde ficam os que aderem ao programa Torcedor Família. Ao preço de um bilhete de arquibancada (R$ 20), você pode levar uma acompanhante e até três crianças de 5 a 12 anos, de graça.

Clima de festa no setor 21. Muitas crianças – algumas de chupeta na boca, outras chorando, a maioria naquela alegria de quem vai com pai ao estádio ver o time do coração.  Pipoca correndo solta na arquibancada. Churros também. Mães, avôs, um pai com a criança na cadeira de rodas, casais de namorados – uma diversão. Um bêbado, figura que não pode faltar em jogo de futebol, dormia antes do início da partida.

Quando a bola rolou, a diversão prosseguiu – mesmo com o Santos jogando uma bolinha muito pequena. A mulher ao meu lado enumerava (“O 3 é ruim, o 6 é ruim…”), enquanto o marido traduzia, explicando quem é quem na equipe. Um menino urrava pedindo batatas fritas para o pai. Ele até que tentou assistir a partida, mas não resistiu e saiu para atender o pedido do filho – acabou deixando de ver a única chance do Santos no primeiro tempo.

A primeira alegria da torcida ocorreu no intervalo, ao ser anunciada a substituição de Bolanos, que não jogou nada, por Molina. Outra alegria quando Fabão achou um gol de falta, quase do meio de campo, no segundo tempo. E a terceira alegria quando Everton Luiz, do Botafogo, foi expulso. E só!

O Santos jogava tão mal e com tanta lentidão, que o sujeito atrás de mim gritou: “Tá muito devagar. Os caras pularam Carnaval ontem. Só pode ser isso”. Futebol, definitvamente, não combina com domingo de Carnaval.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , ,
22/02/2009 - 13:06

“Quem Quer Ser um Milionário?”: miséria com mão pesada

Uma advertência inicial: Se você ainda não assistiu o filme, talvez seja melhor não ler este comentário. Não que eu conte o final do filme, mas posso estragar o prazer da descoberta.

Leio nos jornais que “Quem Quer Ser um Milionário?” superou “O Curioso Caso de Benjamin Button” nas bolsas de apostas para o Oscar de melhor filme. Imagino as razões. Não gosto de nenhum dos dois, mas a “mensagem” embutida no filme de Danny Boyle me desagrada muito, ao passo que a fábula de David Fincher não me afeta em nada, é apenas melosa.

“Quem Quer Ser um Milionário?” acompanha a vida de três crianças nascidas numa favela de Mumbai. A capital financeira da Índia é, também, mostra o filme, habitat de uma população miserável, submetida às mais degradantes condições de vida e de todo um universo de exploradores, em torno.

Para sublinhar a miséria e as duras condições de vida dessa população favelada, o filme vai, literalmente, jogar o protagonista numa fossa, entre outras cenas lamentáveis (vou poupar o leitor da descrição delas) em que Boyle, com a mão pesando uma tonelada, tenta nos convencer a ter piedade de seus protagonistas.    

Narrada de forma engenhosa, a fábula mostra, desde o início, o esforço de um dos meninos no sentido de explicar como acertou as difíceis perguntas formuladas no concurso de televisão que ele participa. A questão central é: como um garoto miserável, capaz apenas de servir chá num call-center, pode acertar perguntas tão difíceis?

A resposta a cada pergunta foi aprendida da pior forma possível, na luta pela sobrevivência. O menino que passou pelas piores coisas da vida aprendeu alguma coisa em cada uma dessas suas “tarefas de Hércules” e, como se manteve íntegro e honesto, finalmente, vai encontrar a redenção num programa de perguntas na televisão. Não bastasse, a sua trajetória alimenta a esperança de milhões de outros miseráveis que se reúnem em frente à televisão para assistir o programa. Triste.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , ,
21/02/2009 - 12:46

Senn Penn ou Mickey Rourke: quem leva o Oscar?

Com a estréia, finalmente, de “Milk – A Voz da Igualdade”, já podemos ter uma idéia mais clara das dificuldades envolvidas na atribuição ao Oscar de melhor ator do ano. São cinco os candidatos, a saber: Brad Pitt (“O Curioso Caso de Benjamin Button”), Frank Langella (“Frost/Nixon”), Mickey Rourke (“O Lutador”), Richard Jenkins (“The Visitor”) e Senn Penn (“Milk”).

Mesmo não tendo visto ainda dois filmes, “Frost/Nixon” e “The Visitor”, cujos atores estão indicados, tudo indica que a parada está entre Mickey Rourke e Senn Penn. Meu colega Ricardo Calil, que mantém um blog aqui no iG, acha que Senn Penn deve ganhar, mas que Rourke é que deveria ser o vencedor.

Assisti “Milk” nesta sexta-feira. É um ótimo filme, ainda que pouco surpreendente – especialmente por ser dirigido por Gus Van Sant. Senn Penn está realmente impressionante no papel de um militante gay, em São Francisco. Ao final, quando são exibidas algumas imagens do verdadeiro Harvey Milk, o espectador valoriza ainda mais o trabalho de composição de Penn. É uma imitação perfeita – o mesmo sorriso, os mesmos trejeitos, o mesmo corte de cabelo: Senn Penn “é” Harvey Milk.

Também conta pontos a favor de Penn o fato de se envolver em um projeto politicamente importante – o da defesa dos direitos dos homossexuais – e, ainda, o fato de ser um ator heterossexual sem medo de se expor em cenas “quentes” de amor e sexo com outros homens (A propósito deste ponto, que lembra a escalação dos atores principais de “O Segredo de Brokeback Mountain”, recomendo o artigo de João Moreira Salles na mais recente edição da revista “Piauí”, “Assim é se não lhes parece”).  

A relação de Mickey Rourke com Randy “The Ram” Robinson, seu personagem em “O Lutador”, se dá em outra dimensão. Rourke não imita alguém em especial, mas encarna, de alguma forma, a sua própria história ao viver um lutador decadente. Incapaz de prosseguir nos ringues, por conta das limitações físicas, mas inábil no esforço de reinventar a vida após a aposentadoria, a história de Randy “The Ram”, como já notaram vários críticos, pode ser vista como uma metáfora da própria trajetória de Rourke.

Ex-lutador de boxe e ator com pouco prestígio, Rourke não parece precisar imitar ninguém para viver o seu personagem. Randy está encarnado em Rourke. O impacto de sua atuação acaba sendo tremendo – muito mais forte, na minha visão, que a interpretação tecnicamente perfeita de Sean Penn. Para mim, portanto, o Oscar de melhor ator vai para Mickey Rourke.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , ,
20/02/2009 - 15:31

BBB9 – “Brother” Bial, a Princesa e eu

“Brother” Bial,

Posso imaginar o trabalho que dá ser apresentador do BBB. Não bastasse a interação com os “heróis” dentro da casa, você ainda tem que ouvir os desaforos de quem está aqui fora e não tem nada melhor para fazer do que te aporrinhar.

Desde o início do programa, sentado no sofá, tenho assistido o BBB especialmente para escrever a respeito. Imagina só… Não é tarefa que se compare, nem de longe, à sua, mas dá um certo trabalho, também.

Como nunca assisti de forma regular o programa antes, me assusto com algumas coisas. Logo na primeira semana, ouvi você chamando a Priscila de “Princesa” e a Michele de “Torrão de Açúcar”. Lembro que pensei: deve ser uma ironia, mas será que alguém entendeu a piada? Esta semana, li uma matéria sobre o ensaio que a Michele vai fazer para a “Playboy”. A foto que ilustra o texto mostra a ex-BBB mordendo um… torrão de açúcar.

Você tem alguma dúvida sobre o que vai estar escrito na capa da revista que trará Priscila em poses sensuais, assim que ela deixar o programa? Posso apostar que será algo parecido com “A Princesa do BBB mostra o que você não viu na casa”.

Enfim, escrevo essa carta para dizer que estava feliz, como escrevi outro dia, que, pelo menos, você havia parado de chamar a moça de Princesa. Achei que você tinha compreendido o meu comentário. Não esperava que você fosse ficar magoado.

“Tem um brother meu que não gosta que eu chame a Priscila de Princesa. Um brother meu que escreve críticas sobre o programa”, você me entregou, para os seus “heróis” na noite desta quinta-feira. “Por quê?”, perguntou Priscila. E você: “Deve ser ciúme”. Poxa vida, Bial… Priscila ficou chateada…

O que me consola é que, depois, segundo me contaram, ela comentou com o Ralf: “Ué, se não me chama de Princesa, me chama de quê?” Brincalhão, o Ralf sugeriu “Rainha da Devassa”. E, me dizem, a Priscila riu e disse: “Bom, vá lá. Posso ser Devassa e não Princesa. Não sou hipócrita”.

“Brother” Bial, vamos em frente, que atrás vem gente. Como você diz, saúde e paz, o resto a gente corre atrás.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , , ,
20/02/2009 - 10:53

Uma semana de clichês no futebol paulista

O clichê, a frase feita, é o porto seguro do jogador de futebol. Fico impressionado como, dia após dia, eles repetem as mesmas frases para os repórteres, em resposta a perguntas que, também, não mudam. Esta semana, em que os times de São Paulo enfrentaram algumas dificuldades, foi um festival. Vejam alguns exemplos:

“Estou aqui para contribuir e ajudar a equipe”, disse Marcão, ao ser apresentado como novo jogador do Palmeiras. Que novidade! Imagine se ele falasse: Estou aqui porque sou jogador de futebol e preciso trabalhar. Mais uma coisa. Li várias referências a ele como “o experiente” Marcão. Atenção: jogador com mais de 30 anos (ele tem 33) e nenhuma outra qualidade digna de nota é sempre chamado de “experiente”.

Ainda no Palmeiras, Keirrison falou uma ótima essa semana: “Aprendemos bastante hoje contra o campeão da Libertadores, eles foram malandros. Nós que somos novos, vamos tirar proveito”. Alguém pode traduzir essa frase? O que o Palmeiras aprendeu com a LDU?

Na mesma linha, a explicação de Jean para a decepção do São Paulo na estréia da Libertadores é um festival de lugares-comuns: “Libertadores não aceita erro e desatenção. É preciso estar atento durante os 90 minutos para não perder foco, senão os adversários marcam mesmo. Temos que manter a concentração em qualquer bola”. E no Campeonato Paulista não precisa ficar atento? E no Brasileiro? E na Copa do Brasil?

No Corinthians, disputar cada bola como se ela fosse a última e demonstrar humildade conta muitos pontos junto à torcida. Não há um jogador que ignore isso, desde Ronaldo até o jovem Diego, que terá sua chance esta semana. “Estou pronto para ir a campo. Sou um jogador que dá muita raça e procura fazer o feijão com arroz , dando tranquilidade à defesa”.

No Santos, também, é preciso fazer média com a torcida, como pode-se ler na declaração de Leo: “Sempre me entrego de corpo e alma aos clubes que estou defendendo. Estou trabalhando para entrar no ritmo ideal o mais rápido possível e sinto que estou evoluindo”. Imagine se Leo não se entregasse de corpo e alma?

Saindo de São Paulo, mas indo ali perto, a Belo Horizonte, não posso deixar de comentar a primeira partida de Kleber no Cruzeiro. Jogador quando estréia em um time sempre elogia a torcida e o “grupo”. É tiro e queda. Ouça o que ele disse ontem, após a sua “participação especial” de 14 minutos, dois gols e dois cartões amarelos, na vitória do Cruzeiro sobre o Estudiantes: “Acho que o time está de parabéns e a torcida deu um grande exemplo de como apoiar o time”.

Para encerrar por hoje, uma frase que mostra como o recurso ao lugar-comum na falta de algo melhor para dizer não é um truque usado apenas por jogadores de futebol. Veja o que disse Felipe Massa depois de um dia de treinos: “Hoje tivemos um bom dia de trabalho, apesar dos problemas elétricos”.  Um bom dia ou um dia com problemas?

PS: Para quem se interessa pelo assunto, em novembro, escrevi no blog um post intitulado “O time deles é muito grande para cair” e outros novos clichês do futebol

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
19/02/2009 - 11:18

O que “O Lutador” tem a ver com Axl Rose e Kurt Cobain?

Um dos raros momentos bem-humorados em “O Lutador” ocorre num diálogo entre Randy “The Ram” Robinson, o personagem magnificamente encarnado por Mickey Rourke, e a prostituta Cassidy, vivida por Marisa Tomei. Randy consegue convencer Cassidy a tomarem uma cerveja fora do expediente da garota e, de repente, eles se vêem conversando sobre as suas afinidades musicais.

O lutador decadente começa dizendo que não se faz mais música como antigamente. Cassidy diz: “Os anos 80 foram foda, cara, a melhor coisa que já teve!”. Randy concorda e fala de seu ídolo: Guns N´Roses! “Eles são os melhores!” Cassidy concorda, mas acrescenta: “Def Leppard”. Randy, então, fala a melhor frase: “Aí veio aquela bicha do Cobain e estragou tudo”. Cassidy está de acordo: “Como se houvesse alguma coisa errada em apenas se divertir”. E Randy encerra: “Vou te dizer uma coisa: eu odeio a bosta dos anos 90!” (O diálogo pode ser lido aqui, em inglês)

Além de achar graça na piada, fiquei intrigado com essa referência a Kurt Cobain (1967-1994), criador e alma do Nirvana. Por que ele “estragou tudo”, na visão de um fã do Guns N´Roses. Telefonei então para André Barcinski, o primeiro jornalista brasileiro a perceber a importância do movimento grunge, nascido ao redor de bandas como o Nirvana, nos Estados Unidos, no início da década de 90.

Barcinski conheceu a cena de Seatlle em uma viagem em 1991, que resultou no livro “Barulho – Uma viagem pelo underground do rock americano”, e credita a Cobain o papel de principal influência da geração grunge. “O Nirvana acabou com todas as bandas de rock dos anos 80”, diz Barcinski, hoje um dos sócios da casa noturna Clash, em São Paulo. “A banda fazia um som meio punk, músicas curtas, sem aqueles longos refrãos e sem os longos solos de guitarra das bandas dos 80”.

Não bastasse, conta Barcinski, em 1992, Cobain e Axl Rose tiveram um desentendimento famoso, durante a festa de entrega do prêmio VMA, promovido pela MTV americana. A confusão começou nos camarins, antes do início da festa. Cobain estava com sua mulher, Courtney Love, e a filha recém-nascida, Frances. Axl chegou com sua namorada, a modelo Stephanie Seymour.

Ao ver Axl, Courtney gritou: “Ei, Axl, você não quer ser o padrinho da menina?” Irritado, o líder do Guns ignorou Courtney e dirigiu-se diretamente a Cobain, que estava com Frances no colo: “Você cala a boca dessa piranha ou então a gente vai brigar”. Cobain, irônico, virou-se para Courtney e disse: “Piranha, cale a boca”. Stephanie Seymour entrou na conversa e perguntou a Courtney se ela era modelo. Mãe recente, a mulher de Cobain não gostou e devolveu: “Não. E você, faz cirurgia cerebral?”

Posteriormente, no palco, durante o VMA, a confusão teve um segundo capítulo. O Nirvana cantou “Lithium” no palco. É uma apresentação histórica. Quase ao final, o baixista Krist Novoselic joga o seu baixo para o alto e não consegue pegá-lo na volta. O baixo acerta a cabeça do músico, que vai ao chão, nocauteado. Cobain começa a destruir sua guitarra numa caixa de som, enquanto alguém, possivelmente  Dave Grohl, fica repetindo, no microfone, com voz afetada: “Hi, Axl”, “Hi, Axl”, “Where is Axl?”.

A história da confusão no camarim é relatada em vários sites, em inglês. Aqui, neste forum, está a reprodução de um trecho da biografia de Cobain, que conta o episódio. Neste outro link, lê-se a versão do episódio segundo Novoselic. E neste aqui, pode-se ler a versão tal como é relatada em um livro sobre o Guns N´Roses.

Há inúmeras versões no You Tube da histórica apresentação do Nirvana no VMA. Esta aqui está com ótima qualidade. “Barulho”, de Andre Barcisnki, está esgotado, mas pode ser encontrado em sebos, via Estante Virtual.

Atualização, às 16h15: Como bem lembraram os leitores Felipe Elizeu e Ana Claudia, a quem agradeço, faltou dizer que Mickey Rourke e Axl Rose são amigos. O músico cedeu os direitos da canção “Sweet Child o´Mine”, utilizada no filme, por um preço mais do que camarada, segundo revelou o diretor de “O Lutador”, Darren Aronofsky. Por esse motivo, há um “agradecimento especial” a Axl nos créditos finais do filme e Rourke reverenciou o músico, publicamente, quando recebeu o Globo de Ouro de melhor ator, em janeiro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , , , , ,
18/02/2009 - 10:59

BBB9 – Um jogo sem regras? Até Vale Tudo tem regras

Leio, perplexo, uma declaração do diretor do BBB9, J.B. de Oliveira, o Boninho, ao diário “Agora”. Diz ele: “Não existem regras no BBB”. A frase vem em resposta ao questionamento sobre as alterações freqüentes no programa, aparentemente motivadas por uma audiência que dá sinais de desânimo com o que vê.

Se até em lutas de Vale Tudo existem regras – ao menos, para evitar a morte de um lutador –, o que Boninho quer dizer com a defesa de um programa “sem regras”? O BBB tem regras, sim. Se entendi o tom da frase, o diretor não está defendendo um programa sem regras, mas o direito de mudá-las ao seu bel prazer.

Isso explica a segunda declaração dele ao jornal: “O reality é um jogo, onde o público decide quem é o vencedor. Se um participante se sentir prejudicado, pode abandonar o jogo a qualquer hora. Ninguém é obrigado a aceitar nossas propostas”. 

Dito em português de playground, Boninho parece aquele garoto que chega para jogar futebol trazendo a bola. Isso garante a sua escalação em todas as partidas e a sua permanência em campo mesmo quando marca seguidos gols contra. Se alguém reclamar de sua atuação, ele pega a bola e vai embora, encerrando o jogo.

PS. Comentei esta semana, no site do BBB9 aqui no iG, sobre a tarefa inteligente destinada a Max, de escolher um indicado ao paredão e convencer outros três participantes a votarem no mesmo nome (tirando-o da forca), e sobre a dificuldade da edição do programa em achar momentos interessantes para exibir nesta terça-feira, dia da eliminação de Emanuel.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , ,
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