“Mr. do Pandeiro”: Zé Ramalho reinventa Bob Dylan
Procuro desde dezembro do ano passado, mas só recentemente consegui comprar “Tá Tudo Mudando”, o CD em que Zé Ramalho canta versões de músicas de Bob Dylan (as informações básicas sobre o disco você encontra aqui, em reportagem publicada no Último Segundo).
O que me motiva a fazer esse comentário com atraso é a versão que Zé Ramalho canta de “Mr. Tambourine Man”, um dos clássicos de Dylan (ouça a versão original aqui, no excelente site oficial do músico americano).
Os primeiros quatro versos da canção são mais que conhecidos:
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I’m not sleepy and there is no place I’m going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jangle morning I’ll come followin’ you
A ótima versão cantada por Zé Ramalho é de autoria do escritor Bráulio Tavares. Ele a intitulou “Mr. do Pandeiro” (aqui, uma gravação encontrada no You Tube). Veja como ele resolveu os primeiros quatro versos:
Hey! My Mister do Pandeiro, toque para mim
Não estou com sono e não tenho onde ir.
Hey, Jackson do Pandeiro, toque para mim
E entre as canções desta manhã eu poderei te seguir.
É uma tradução quase literal da música, mas com dois achados tão simples quanto geniais. O primeiro, a inclusão da contração “do” entre “mister” e “pandeiro”. Introduz uma coloquialidade muito brasileira, uma coisa meio Trapalhões (“ô, do pandeiro”) na música. O segundo achado é “Mister do Pandeiro” virar “Jackson do Pandeiro” no terceiro verso. É o toque que deixa a canção de Bob Dylan com a marca de Zé Ramalho. Xeque-mate!!!
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: Bob Dylan, Braulio Tavares, Mr. do Pandeiro, Mr. Tambourine Man, Zé Ramalho



Obrigado a Maurício e a todos pelos comentários. Fazer versão é uma tarefa ingrata, e para mim toda versão é uma perda em relação ao original. Paciência. É um quebra-cabeças poético, e quando a gente encontra alguma solução que se encaixa bem o prazer supera o desânimo de todas as vezes em que só se acha uma solução insatisfatória. Manter a sonoridade é tão importante quanto acompanhar o sentido. Só que na maioria das vezes não dá. Mais até do que na poesia impressa, a sonoridade das palavras é importante numa canção, mas nem sempre dá para manter. O que a gente perde de um lado procura compensar do outro. É preciso ter humildade e tentar fazer o melhor possível. Se a gente for esperar atingir a versão ideal, não grava nunca…
[...] Um post sobre o novo disco de Zé Ramalho, no qual ele canta versões de músicas de Bob Dylan, provocou uma interessante discussão aqui no blog. Escrevi especificamente sobre como me agradou a versão de “Mr. Tambourine Man”, realizada pelo poeta e escritor Bráulio Tavares, que transformou o personagem-título da canção em “Mr. do Pandeiro” e, num segundo verso, em “Jackson do Pandeiro”. [...]
O álbum está ótimo, parabéns Zé ramalho!
Escrever é algo difícil de se fazer, e ver profundamente é ainda mais trabalhoso, árduo. Ver superficialmente é simples, cômodo, não machuca. Então, pessoal, vamos para o fundo! Por que nunca ninguém disse que Tom Jobim era o nosso Cole Porter? Bem, associações são perigosíssimas; beiram, quase sempre, o ridículo. Não é preciso soprar uma gaita, cantar meio falado ou tentar escrever sobre “temas profundos” para tentar se aproximar de Bob Dylan. Agora me veio à cabeça um “aforismo” do Hermeto Paschoal, que disse que “ser músico é gostar de música, não precisa tocar. Tem músico que toca e não é músico”. Alguém, nos comentários, associou Dylan aos beats. O Eduardo Bueno disse bem, quando afirmou que Dylan conseguiu o que os eles tentaram, mas nunca conseguiram, ou seja, fundir poesia e música. E os beats, principalmente Allen Ginsberg, eram profundos admiradores de Dylan, talvez por causa disso. E essa turma, se analisarmos friamente, não tinha talento para dar e vender. Dylan, como se vê, foi além, precisava ir. Ele sempre esteve um passo à frente. Gosto muito do Dylan “iconoclasta” e irônico. “Tudo isso tem que acabar, isso é uma bobajada.” (sobre os hippies). “Não fui a Woodstock, falhei nisso também.” (risos, de Dylan e meus). Certa vez o Ruy Castro disse que os Beatles foram os últimos expoentes da era das grandes canções. Incluo Bob Dylan. Eles bem que merecem a companhia de Gershwin, Porter, Jobim e muitos outros. Mas foi o fim. Maurício, um grande abraço.
Olá, Maurício, boa tarde.
Eu não sabia que esse negócio de blog existia, pois não tenho computador e nem mesmo gosto, acho. Mas é assim mesmo? Quer dizer, você lança a notícia, o pessoal entra, opina e depois nunca mais volta? Esquisito, não? E quem ficou com a razão nesse caso específico? Ou não é pra se ter razão? Estranho isso, essa avalanche de informações que, praticamente, as pessoas são obrigadas a acompanhar, ou quase. No meu caso, não. Seja lá como for, eu gostaria de dizer algo mais sobre o assunto. Li uma entrevista na internet com o sr. Zé Ramalho, se não me engano para O Globo. Ele se dizia magoado com a crítica, inclusive em relação ao último disco. Ele disse que sempre foi assim, que “os cães ladram, mas a caravana passa”. Não sei, não. Não se trata, aqui, de ofensas pessoais, mas o criticado sempre acaba levando para o lado pessoal.Muito difícil não ser assim. Nos meus comentários, não o ofendi como pessoa, e nem ofendi. Mas não sou jornalista, não tenho autoridade nenhuma, ninguém vai reparar no que eu escrevi, é muito diferente. Aliás, domingo eu também li que o compositor Luiz Tatit, em parceria com um outro, escreveu um livro no qual analisa canções, 6 ao todo. São analisados Caetano, Chico e Gilberto Gil, além de Tom Jobim. Vale a pena ler a reportagem do Caderno 2 do Estadão. Nessa reportagem o Tatit diz que nem o Bob Dylan conseguiu analisar a realidade como o Caetano, o Chico e o Gil. Ele também cita John Lennon, que também, na opinião dele, não conseguiu. Discordo do Tatit em gênero, número e grau. Bob Dylan é, em comparação com trio brasileiro, o compositor mais versátil e plurarista. Maurício, não volto mais aqui, e um grande abraço.
[...] Pandeiro”, versão de “Mr. Tambourine Man”, de Bob Dylan, gravada por Zé Ramalho. O post, “Mr. do Pandeiro”: Zé Ramalho reiventa Bob Dylan, provocou pouco mais de duas dezenas de comentários – tanto de gente que, como eu, gostou da [...]
O mais engraçado disso tudo é o Beto que escreveu: “Depois que li o que escreveu o sr. Carlos, hoje, às 11h59, larguei de mão, cansei. Um abraço a todos.” Mas voltou atrás e postou mais dois comentários!!! hehehehe
Falando do trabalho do Zé Ramalho da Paraíba, alguém já viu os extras do dvd? Adorei o Zé Ramalho com um Violão de 12 cordas na música Frevoador (Hurricane), além da fotografia em branco e preto! Só não entendi pq esta fúsica ficou de fora do cd!!!!!
Meu pai uma vez citou um exemplo de como algumas coisa necessariamente devem ser boas dizendo, mais ou menos assim: “se gafanhoto frito não fosse bom, não seria comido por milhões de pessoas (se referindo aos povos asiáticos)”. É o caso do Bob Dylan e também do Zé Ramalho. Se não fossem bons, não teriam tantos admiradores.
Este tipo de blog, do Sr.Maurício, é para comentar sobre música, e música (a boa música) é curtição, e não reclamação, encheção de saco. E qualquer ser vivo do planeta se sente muito melhor lendo coisas boas, positivas, sobre qualquer assunto. E aí, vem pessoas, acho que para aparecer, e ficam dizendo coisas do tipo ” Zé Ramalho não representa nada na música brasileira”, ou ainda, “Zé Ramalho é gênio? Isso soa como uma blasfêmia”. Nossa Senhora, que diferença a gente sente ao ler um elogio e depois uma crítica deste tipo, nada construtiva e aparentemente bastante recalcada.
Ô Maurício, bloqueie estas coisas, não fazem bem pra saúde.
Essa tal de “csm” vem dizendo que eu quero aparecer, etc Esse tipo de argumento ridículo é que deveria ser bloqueado. É típico de quem não tem nada a acrescentar. Eu sei que é assim mesmo: quando se é incisivo, o risco de sermos tachados de arrogantes, reacionários e outros adjetivos é muito grande. Não ligo a mínima. Se não tem argumento, não escreva nada. Se não entende de música, vá fritar um ovo ou beber um cafezinho no bar da esquina.
As pessoas se sentem ofendidas e descem baixo demais. É assim mesmo, eu sei: mexer nos queridos ídolos de barro do povo é perigoso mesmo. Mexer nos cânones é perigosíssimo! E pensar que o Zé Ramalho não é um monstro sagrado me assusta um pouco. Já pensaram se eu tivesse falado mal de alguém realmente importante? Certamente eu já teria sido apedrejado.
Como dizia o Mahatma Gandhi: Infelizmente não há remédio contra a hipocrisia.
O que não faz bem para a saúde é gente medíocre. A mediocridade, essa sim é que dá câncer
Mitos. Quem precisa disso pra viver? A maioria das pessoas precisa. Eu nunca precisei de mitos pra viver. Quer dizer, os mitos “verdadeiros” podem, até certo, serem muito interessantes, mas os mitos mitos, esses não. Ídolos, mitos, bobajadas, patacoadas, etc. Credo-cruz!
Corrigindo
Mitos. Quem precisa disso pra viver? A maioria das pessoas precisa. Eu nunca precisei de mitos pra viver. Quer dizer, os mitos “verdadeiros” podem, até certo ponto, ser muito interessantes, mas os mitos mitos, esses não. Ídolos, mitos, bobajadas, patacoadas, etc. Credo-cruz!
Zé Ramalho é único. Não pode ser comparado com ninguem. Ele é o cara. Uma grande figura. Sou seu fã.
Os comentários do Sr Beto, são ofensivos e desnecessários. Dá pena ver que a ignorância não é uma escolha é uma fatalidade. Certamente você nem sabe quem é Dylan (muito menos Ramalho), dizer que Chico Buarque é comparável a Dylan mostra sua limitada capacidade musical. Meus pesáres!!!!!
Zé Ramalho é uma instituição da cultura nacional. Um ídolo vivo. Comentários como desse Beto e do tal Fernando não mudam em nada o que os admiradores deste poeta surreal achão. Se existe alguém capaz de transpor a narrativa poética e existêncialista de Dylan essa pessoa se chama Zé Ramalho!!!!!!
eu tenho 20anos pra mim ze ramalhoe um dos maiores cantores do brazil sua voz e incomparavel e suas letras sao geniais sem duvida e um genio barbaro