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17/01/2009 - 11:46

Uma “bicicleta fantasma” por mais humanidade no trânsito

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Eles parecem loucos, mas são, de certa forma, heróis. São ativistas do ciclismo, em São Paulo – uma cidade cuja política de transporte sempre privilegiou os carros. Promovem passeios, fazem campanhas de conscientização, pintam bicicletas no asfalto, em grandes avenidas, a sinalizar que ônibus e carros devem dividir espaço com as bicicletas.

Encontrei-os pela primeira vez em setembro do ano passado, no Dia Mundial sem Carro. O protesto que promoveram não reuniu tantos ciclistas quanto esperavam, mas chamou a atenção pelo bom humor e a criatividade.

Menos de quatro meses depois, voltei a encontrá-los, no mesmo local, uma área que eles chamam de “Praça do Ciclista”, na confluência da avenida Paulista com a rua da Consolação. O bom humor havia dado lugar ao luto pela morte de Márcia Regina de Andrade Prado, ciclista do grupo, atropelada e morta por um ônibus no último dia 14, por volta de meio-dia, na avenida Paulista.

O protesto que organizaram, na noite de sexta-feira, 16, foi emocionante. Eram cerca de 300 amigos e colegas de Márcia. Saíram no ponto de sempre e rumaram em direção ao local do acidente, entre a rua Pamplona e a alameda Campinas. Em silêncio, levando as bikes nas mãos, ocuparam duas faixas da Paulista. Carregavam rosas brancas, distribuídas a quem parava para olhar o protesto.

No meio da marcha, começou a chover forte, como escrevi no Último Segundo, mas o protesto prosseguiu impávido. No ponto da avenida em que Márcia foi atropelada, os ciclistas instalaram uma bicicleta pintada de branco, uma “bicicleta fantasma”, para servir como marco da luta por mais humanidade no trânsito. Um símbolo forte – espero que eficaz.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , , , , ,

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40 comentários para “Uma “bicicleta fantasma” por mais humanidade no trânsito”

  1. Thiago disse:

    Pois é, depois de muito tempo convivendo com pessoas que acreditam em valores de convivência, paz, respeito e cidadania, fico chocado em ver que os defensores da guerra não estão apenas no Pentágono.

    Muito triste ver que, além de aceitar como normal o massacre cotidiano, a poluição, o barulho e o caos paulistano, pessoas como o Sr. Ricardo ou o Sr. Desconhecido chegam a DEFENDER a manutenção de tudo isso.

    Sugiro aos dois, e aos demais defensores da guerra, que se muem para Gaza, Afeganistão ou outra zona de conflito. Certamente se sentirão em casa.

    Felizmente, a grande maioria da população não aguenta mais isso, nem acha normal que vivamos em uma cidade desumana. Só espero não cruzar nas ruas com os assassinos supracitados, pois para eles, o único veículo que deveria circular nas ruas seriam tanques de guerra.

    Como disse, que bom que eles são minoria (inclusive nos comentários aqui). Uma minoria estúpida e barulhenta, mas uma minoria que cada vez mais perde espaço em nosso planeta.

  2. ramos disse:

    Simas, vc não se preocupe. Pois os carros e os ônibus vão vencer com certeza. Assim como a estupidês e a ignorância. Não há espaço no mundo de hoje para o respeito e a solidariedade. Parabéns por vc ser tão evoluído! isso que eu chamo de um homem a frente do seu tempo!

  3. Silvio disse:

    Não podemos parar , sempre vamos lutar , mesmo que haja imprudência, descaso e perigo no trânsito.
    Venha particicpar da bicicletada, toda última sexta feira de cada mês na Praça do Ciclista.

  4. Roberto disse:

    Pedalo há muito tempo, procuro praticar a defensiva, quando estou no transito, apesar da nova legislação de transito constar os artigos que defendem os ciclistas ou veiculos com propulsão humana, a maioria dos motoristas que se julgam profissionais, não nos respeitam, é uma pena que somente por fatos lamentáveis e chocantes como de Márcia possam começar a movimentar a opinião pública, meus sentimentos aos seus familiares.

  5. simas disse:

    … risos
    Olá!…. Ramos:
    Ficou doído? Fica não…
    Olha, Ramos, eu entendo q os condutores de veículos automotores, qdo sentam ao volante, se transformam; viram seres abobalhados, grosseiros, deseducados, incompetentes e verdadeiros fora-da-lei. Entendo.
    Às vezes, me ponho a pensar se pratico as mesmas barbaridades, ao trânsito, conduzindo automóveis… Quero crer q não o faça. Inclusive, atualizei minha licença e fiz aquela provinha, com ítens de civilidade e tudo, constando ( Aliás, o Detran-RJ está bem organizado. Dá prazer, constatar um órgão público funcionando exemplarmente ).
    Sabe, Ramos, eu já fui motociclista (sou habilitado p/tanto. Cursei escolinha e tudo… ) e tenho consciência do sufoco q se vive, nessa lida. Qto ao ciclismo, entendo, q os problemas se aproximam dos mesmos vividos pelos condutores de moto.
    Pois, bem; vc, meu caro Ramos, não acha q a questão está na falta de educação das pessoas, resvalando pelo não cumprimento das normas e leis?… Venha, cá… Vc, por exemplo, qdo vai ao supermercado, se apressado, entra no caixa dos idosos e deficientes físicos?… Já viu? Tem um monte de marmanjos (as) q na maior cara de pau pratica este ligeiro (?) deslize – se é assim, q podemos nomear. Eu, um idoso, vivo abrindo a porta de Banco, por exemplo, e não consigo entrar ou sair; pq um marmanjo se apressa prá passar na minha frente. Vc não acha q nestes mínimos, simples detalhes nós mostramos nossa compostura?… Como vc há de querer q o trânsito seja cordial, educado, etc…..etc? Não existe controle algum; pratica-se a mais escabrosas infrações imagináveis… E… vc é cordial? ( eu acho q sim. Pelo seu jeito, crítico, vc foi bem educado, perspicaz, inteligente…). Eu procuro ser, Ramos. Mas, confesso q às vezes, me pego em dúvidas se estou sendo, ou se estou cobrando em demasia, dos outros…
    É isso, Ramos.
    Eu acho q devemos, sim, discutir o assunto… Mas, antes, vamos reconhecer q somos uns chulos, de pai e de mãe (coitados de meus finados… e exemplares, Pais… ).
    Na Europa, os problemas são semelhantes… Um filho estava em Roma e foi assaltado por um motoqueiro… risos. É a mesma coisa, por todo canto, meu caro. Mas, precisamos melhorar…. Precisamos discutir e concluir q a solução começa com a gente, mesmo.
    Sabe q não gostei, tbm…….nas msg’s?… É q as pessoas ficam culpando os motoristas de ônibus e caminhões. É correta esta postura?…
    Ramos, foi um prazer trocar palavras com vc. Espero q nós façamos parte dessa minoria q se esforça por cumprir a sua parte e admoestar os q não o fazem… sempre q possível.
    Receba meu abraço, fraterno… e….. o Rio de Janeiro tá lindo, cara… risos. Olha! O Vascão está na segundona, por questão…..social; vai dar uma força, por lá, com sua “tradição”… risos.
    Tchau!

  6. XIQUINHO disse:

    PEGUE A PESSOA MAIS CALMA QUE VC CONHECE, DE A ELA A DIREÇÃO DE UM CARRO, E VEJA A TRANSFORMAÇÃO. O CARRO É UMA ARMA E TE DAR UMA SENSSAÇÃO DE SUPERIORIDADE. ISSO NUMCA ACONTECEU COM VC?

  7. Guilherme disse:

    Meu caro Simas, concordo com quase todo o conteudo do seu texto, você escreve bem e ainda por cima tem dom para ser comediante, esta sua frase é tragi-cômica, a frase da semana para mim “o Rio, mesmo tendo uma população mais civilizada “, se os cariocas são mais civilizados, então a faixa de gaza é um playground hehehe, mas concordo, gosto de andar de bicicleta de vez em quando, felizmente moro no interior, mas acho que no trãnsito das grandes cidades não é lugar de biciclema mesmo….

  8. diana disse:

    simas (e todos) :
    * “Praticar ciclismo” não é o que fazemos nas ruas. Usamos as ruas porque temos que ir de um lugar a outro.
    portanto muitas vezes não tenho opção de ir por ruas tranquilas, se meu compromisso é em alguma avenida movimentada. bicicleta é meu principal meio de transprte pq não tenho dinheiro para pagar condução e carro, nem pensar, tb por questão de princípios.
    *testemunhas afirmam que márcia estava sendo ultrapassada e perdeu o equilíbrio porque o ônibus esbarrou em seu guidão. se o motorista tivesse respeitado os 1,5m de distância, estabelecidos pela lei, certamente a tragédia não teria acontecido.
    *eu e a maioria dos ciclistas que conheço cumpre as regras do trânsito, na medida do possível e do bom senso. acontece que as regras e as ruas não são feitas com um preparo para nos receber, então temos de nos adequar. por exemplo, eu muitas vezes disparo no farol vermelho (claro que só quando não há veículos passando na transversal), para aproveitar quando o próximo quarteirão está vazio, sem carros nem ônibus. obviamente muito mais seguro pra mim, e não atrapalho ninguém.
    *se formos esperar ter condições melhores pra pedalar, as condições não vão melhorar nunca!

    abandonar os carros é urgente.

  9. diana disse:

    O trânsito das grandes cidades não é lugar de CARRO!!!!
    Não cabe mais nenhum carro nas ruas, só piora a qualidade de vida, e só estraga ainda mais a cidade!

  10. Renan disse:

    Bom, depois de ler certos comentários estúpidos e cretinos de certas pessoas, praticamente dizendo não a bicicleta, e abrindo as pernas para os carros, preferi não continuar perdendo meu tempo lendo as opiniões de pessoas medíocres. Porém, gostaria de enfatizar que um texto com um conteúdo tão importante, não deveria começar com uma comentário tão babaca do repórter. Comentários iniciais como o seu, dizendo que “Eles parecem loucos…” marca o texto, e difama todas as pessoas que, com muito esforço e muitas vezes a própria vida, tentam mudar essa cidade nojenta, na qual eu sou obrigado a viver, em um lugar melhor, mais limpo, tranquilo e mais educado.

    Na próxima vez, já que acompanha a trajetória do grupo, seria interessante fornecer dados estatísticos para o publico do ig, que não é pequeno, mostrando o quão problemática é a cultura do automóvel na nossa sociedade. Procure pelo livro “Apocalipse motorizado”.

  11. RUBENS APARECIDO LEITE ZEPHERINO disse:

    Fiquei chocado com a noticia do atropelamento desta ciclista, sou praticante de downhill porém circular pelas avenidas de são paulo com certeza é muito mais perigoso, principalmente na 23 de maio, um dos caminhos p/ quem quer pedalar da zona norte até o ibirapuera. Vamos lutar pelo respeito e pela valorização dos ciclistas que são uma tribo 100% do bem.

  12. Thá disse:

    O acidente que vitimou esta ciclista serve para mostrar como as pessoas são mal preparadas para o transito, mostra também como uma cidade como São Paulo tão admirada no mundo por seu tamanho e por sua diversidade não atende as necessidades de seus habitantes. É hora de se pensar que hj a bicicleta não é vista somente como uma atividade de lazer e saúde é vista como uma alternativa para o transito louco e enlouquecedor da cidade, é hora de se tomar uma atitude para aqueles que enfrentam o transito se sentirem mais protegidos e para aqueles que sonham em adotar esse estilo de vida tomem coragem e se juntem a tantos ciclistas que existem pela nossa cidade.
    Ontem fazendo uma caminhada pela Av Paulista como tantas outras pessoas sejam elas da capital ou não, passei pela bicicleta e como tantas outras pessoas parei e fiquei pensando qual será o próximo absurdo que veremos.
    A bicicleta fantasma não representa o sentimento de abandono apenas dos ciclistas representa o sentimento de tantas outras pessoas que se sentem tão prejudicadas pela falta de estrutura que toma nossa cidade.
    Só posso dizer que espero que essa fatalidade não fique em branco que não seja esquecida como tantas outras…. E que nunca mais escutemos que coisas desse tipo aconteceram em lugar nenhum em nossa cidade.
    Aos amigos e familiaresda ciclista nada do que se disser aliviará a dor de vcs e que o melhor que vcs podem fazer é ter com vcs os bons momentos pois essas são as lembranças que devem ser guardadas e preservadas.

  13. val disse:

    quem disse que o povo do Rio e mai civilizado?

    FALAM MAL, SE VESTEM MAL, DIVIDEM O ESTADO COM TRAFICANTES E AÍNDA SE DIZ MAIS SE VILIZADO.

    SENTIMENTOS A FAMÍLIA DA CICLISTA MORTA.

  14. Só uma correçãozinha. A praça chama-se mesmo Praça do Ciclista, de acordo com lei municipal Nº 14.530, de 17 de outubro de 2007. Nâo precisa aspas, nem é apelido. É oficial.

  15. Icthecat disse:

    Gente, que isso desse Ricardo????

    Freud deve explicar….o carro como grande falo…e ao que me parece ele deve adorar ficar sentado em um desses….hahahahaha

    Antes da falar de bicicletas estamos falando de respeito, respeito a uma vida, a um ser humano que tem o direito de escolher o meio de transporte que quer utilizar. Que tem o direito de “ir e vir” garantido em qualquer lugar do mundo.

    Falar em ciclovia sem educação e cultura ciclistica é loucura, antes das ciclovias temos coisas mais importantes para fazer, como incluir a pauta da bicicleta nas aulas de auto-escola, preparar melhor nossos motoristas de tranporte público, divulgar as reguras de circulação de bicicletas para motoristas e ciclistas e etc.

    Uma pena a morte da Márcia, mas tomara que no mínimo sirva para dar um gás na luta do pessoal não só de SP como de todo país por um trânsito mais humano.

  16. Cris disse:

    Nós, amigos da Márcia, queremos que sua luta pela liberdade na escolha no transporte e na doação de seu próprio corpo seja respeitada.
    Mauricio, porque usa seu blog com tantos comentários que não trazem nada de bom a população? Acredita ser este o seu papel como jornalista?

  17. Marcelo disse:

    A Diana disse tudo o que eu queria dizer! Apesar da tristeza do acontecimento, me deu uma alegria muito grande observar quantas pessoas também julgam que é chegado o tempo de abandonarmos os automóveis e escolhermos outros meios mais civilizados de transporte. Meus sentimentos por esta heroína, que acabou levantando mais alto esta bandeira…

  18. Tokinho disse:

    Ao Simas, estava lendo os comentários e realmente são incriveis, agora queria deixar bem claro para o Simas que a mocinha em questão era uma Mulher muito bem esclarecida, andava de moto, e trocou o motor pelo pedal fazia mais de um ano, ela andava na paulista na faixa do onibus e o motorista foi tentar ultrapasa-la, no CTB(código de trransito brasileiro) existe varios artigos que citam a bicicleta, o 58 por exemplo, diz que nas vias onde não possui ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento os ciclistas devem andar nos bordos da pista(nem determina se o bordo é o esquerdo ou direito) bordos da pista ou margem da pista se prefirir, era exatamente onde a mocinha que não esta aqui para se defender estava, o motorista de onibus tentou ultrapassa-la só que ´´alguma coisa aconteceu“ e as rodas traseiras passaram por cima da cabeça dela, o mais incrivel que onde aconteceu era guia rebaixada, e ela por ser macaca velha de pedal e moto, sairia tranquilamente pela calçada, mas não foi possivel, pois ´´alguma coisa“ a fez desiquilibrar e cair, a bicicleta ficou intacta, só a vida dela é que foi perdida e o motorista vendo tudo aquilo ainda estava tranquilo, palavras dele próprio, eu sou ciclista e seimuito bem o que acontece no transito de são paulo, Marcia era uma companheira de pedal e ela mesmo ja pedia que o artigo 201 do mesmo CTB fosse cumprido, pra quem não sabe, ele diz para ser respeitado a distancia de 1,5m ao ultrapassar ciclistas, ou seja se esse motorista tivesse respeitado esse artigo, ´´alguma coisa“ não teria derrubado ela e hoje não terias um monte de babaca falando o que não sabe, simplesmente por se sentir protegido atras de uma tela de computador ou dentro de uma lata de 3 toneladas, se o motorista do onibus conhece-se esse artigo, talves ele não estive-se tão tranquilo, fica meu pesar a todos esses seres que de humanos não tem nada.

  19. [...] da luta por mais humanidade no trânsito. Um símbolo forte – espero que eficaz. fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

  20. markus disse:

    Aqui no Brasil certas pessoas acham que o ciclista é alienado ou está sem dinheiro para comprar um carro, não conseguem ver que a bike te dá um bom preparo físico, e muito mais disposição para qualquer situação.

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