Uma “bicicleta fantasma” por mais humanidade no trânsito
Eles parecem loucos, mas são, de certa forma, heróis. São ativistas do ciclismo, em São Paulo – uma cidade cuja política de transporte sempre privilegiou os carros. Promovem passeios, fazem campanhas de conscientização, pintam bicicletas no asfalto, em grandes avenidas, a sinalizar que ônibus e carros devem dividir espaço com as bicicletas.
Encontrei-os pela primeira vez em setembro do ano passado, no Dia Mundial sem Carro. O protesto que promoveram não reuniu tantos ciclistas quanto esperavam, mas chamou a atenção pelo bom humor e a criatividade.
Menos de quatro meses depois, voltei a encontrá-los, no mesmo local, uma área que eles chamam de “Praça do Ciclista”, na confluência da avenida Paulista com a rua da Consolação. O bom humor havia dado lugar ao luto pela morte de Márcia Regina de Andrade Prado, ciclista do grupo, atropelada e morta por um ônibus no último dia 14, por volta de meio-dia, na avenida Paulista.
O protesto que organizaram, na noite de sexta-feira, 16, foi emocionante. Eram cerca de 300 amigos e colegas de Márcia. Saíram no ponto de sempre e rumaram em direção ao local do acidente, entre a rua Pamplona e a alameda Campinas. Em silêncio, levando as bikes nas mãos, ocuparam duas faixas da Paulista. Carregavam rosas brancas, distribuídas a quem parava para olhar o protesto.
No meio da marcha, começou a chover forte, como escrevi no Último Segundo, mas o protesto prosseguiu impávido. No ponto da avenida em que Márcia foi atropelada, os ciclistas instalaram uma bicicleta pintada de branco, uma “bicicleta fantasma”, para servir como marco da luta por mais humanidade no trânsito. Um símbolo forte – espero que eficaz.



