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08/01/2009 - 13:33

Juno e Junie: adolescentes de dois planetas distintos

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Inevitável não pensar no americano “Juno”, vencedor do Oscar de melhor roteiro de 2008, ao assistir ao francês “A Bela Junie” (“La Belle Personne”), recém-lançado no Brasil. Além das protagonistas terem nomes quase idênticos, os dois filmes se ambientam em universos semelhantes – escolas de ensino médio –, têm como tema central os mais variados conflitos adolescentes e fazem desfilar pela tela uma série de rostos lindos.

Falando assim, “Juno” e “A Bela Junie” até parecem filmes muito parecidos. Observados de perto, porém, ajudam a visualizar melhor o abismo entre França e Estados Unidos, tanto em relação a questões fundamentais, como educação, quanto a respeito da própria forma de pensar o cinema.

Na escola que Junie estuda, em Paris, os jovens têm aulas de inglês e de uma segunda língua – alguns estudam italiano, outros preferem russo. A relação entre aluno e professor é descrita como adulta e de bom nível. Isso aparece tanto nos questionamentos feitos pelos alunos em aula quanto na postura dos professores, apresentados como seres humanos normais, com virtudes e fraquezas(incluindo, até, a paixão platônica de um jovem professor por uma aluna).

Ainda que essa possa ser uma visão idealizada de uma escola de elite francesa, está longe da imagem que conhecemos, muito por conta do cinema (“Juno” incluído), da escola de ensino médio americana. Além do notório desinteresse dos americanos por outras culturas e línguas estrangeiras, os frequentadores do high school deixam transparecer, nas suas preferências e obsessões (esportes, jogos eletrônicos, conversas de corredor), infantilidade e alienação impressionantes.

Essa imaturidade reflete e ao mesmo tempo alimenta o cinema americano, cada vez mais infantilizado e incapaz de tratar, com alguma profundidade, de temas mais “adultos”. “Juno” surpreende, neste sentido, ao colocar como central o problema da gravidez na adolescência, o que é elogiável. Mas faz isso de uma forma tão leve e agradável, por meio de diálogos “espertos”, trilha sonora bacaninha e uma jovem atriz solar, que por vezes esquecemos o drama da menina.

“A Bela Junie”, por seu lado, mostra o esforço de um cineasta, Christophe Honoré, em dialogar não apenas com a cinematografia que o precedeu, mas também com a literatura. Transposição de um romance clássico do século XVII, “A Princesa de Clèves”, de Madame de La Fayette, o filme “conversa” com obras de referência da Nouvelle Vague francesa, num diálogo que cobra do espectador algo mais do que mero divertimento.

Pessoalmente, acho que Honoré pesa a mão em diversas sequências, mas o seu filme chama a atenção. “A Bela Junie” propõe um olhar mais adulto do que, por conta do fascínio do brasileiro pela cultura americana, estamos habituados a dedicar tanto ao cinema quanto ao mundo, de uma maneira geral.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: ,

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4 comentários para “Juno e Junie: adolescentes de dois planetas distintos”

  1. Marcos disse:

    Procurarei assistir a esse filme francês. Juno eu acho um bom filme, porém superestimado.

    abs

  2. [...] Quer ler mais sobre o filme antes de ir ao cinema? Dê uma olhadinha na crítica do Marcelo Hessel para o Omelete e na comparação entre esse filme e Juno do Maurício Stycer no blog dele. [...]

  3. Emily W. disse:

    Nossa, nada a ver a sua comparação. Chega até a ofender. Filme frances é uma coisa, americano é outra. Podem ser os mesmo temas (que não é o caso) mas nunca vão ser semelhantes.

    Juno é fraquinho, bobo e com a formula enjoadissima americana, já Bela Junie é intenso e cheio de drama. É bem mais real, e mais maduro.

    Vc comparou algo muito elaborado com um feijão com arroz, só quero te dar a dica de pensar e pesquisar mais antes de cometer uma gafe assim de novo :)

  4. sibele disse:

    Discordo do comentário anterior. O paralelo não foi feito somente em relação ao tema dos filmes, mas sim através do nível de maturidade apresentado tanto pelos personagens quanto por consumidores desse tipo de mídia.

    Bem, agora o meu comentário. Achei a comparação mais do que válida, surpreendente. A última coisa na qual eu iria pensar seria colocar lado a lado as salas de aula dos EUA e França, mesmo por que acredito que o “tato” de franceses (como são mostrados nos filmes) está muito distante dos norte-americanos.

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