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Arquivo de janeiro, 2009

31/01/2009 - 10:00

FHC diz que Osesp corria “risco” com Neschling

A demissão do maestro John Neschling do comando da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, tema de longa reportagem  publicada na sexta-feira no Último Segundo, continua repercutindo. Em entrevista  ao jornal “O Estado de S.Paulo” neste sábado, Fernando Henrique Cardoso, presidente do Conselho de Administração da Fundação Osesp, falou que a permanência de Neschling colocava a orquestra em risco:

Nós precipitamos a saída do maestro porque uma orquestra para funcionar precisa de harmonia. Ele quebrou essa harmonia e não só com o conselho, mas em todas as instâncias. Uma orquestra que, como ele diz, está em um momento delicado de sua trajetória, não pode ser sujeita a isso. O risco para a orquestra seria maior sem a substituição.

FHC também comentou o histórico de desavenças entre Neschling e o governador José Serra, a quem o maestro atribui pressões pela sua demissão. O presidente dá a entender que houve, sim, pressões no início da gestão Serra à frente do governo do Estado (2007), mas que o conselho protegeu o maestro:

Se o governador fez pressão no início, nunca mais fez. Se houve qualquer movimento, fizemos uma barreira. A relação com o governo precisa ser harmoniosa e isso significa ouvir e ser ouvido, de acordo com as obrigações de cada um.

Por fim, FHC nega, como publicado no Último Segundo, que a demissão de Neschling tenha ocorrido por comunicação via e-mail. Segundo ele, o embaixador Rubens Barbosa, membro do Conselho da Osesp, comunicou Neschling da demissão por telefone:

Mas ele não foi afastado por e-mail. Avisei por e-mail que o embaixador Rubens Barbosa (membro do conselho da Osesp) iria comunicar a ele por telefone a natureza do assunto importante que precisávamos tratar. Depois disso, mandei por correio a carta de demissão e, a pedido dele, uma cópia por e-mail. E, também, convenhamos que hoje em dia o e-mail é uma forma natural de correspondência.

PS. Este blog acolhe comentários sobre os temas discutidos, e não faz qualquer tipo de restrição às opiniões emitidas, desde que respeitados os princípios da boa educação. Em atenção aos leitores que aqui entram para dialogar sobre os temas tratados, não publico comentários sobre assuntos sem nenhuma relação com o que é discutido.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , , , ,
30/01/2009 - 08:28

Brasil enfrenta os Estados Unidos em desafio de… curling

Começa hoje na cidade de Bismarck, na Dakota do Norte, um inédito desafio esportivo. De um lado, os Estados Unidos; de outro, o Brasil. A melhor de cinco partidas vale uma vaga no próximo Campeonato Mundial… de curling. Sim, curling. Trata-se daquele esporte que junta, numa pista de gelo, quatro homens agasalhados de cada lado, cada um com uma espécie de rodo na mão, e um disco pesado de granito no meio.

O time brasileiro é visto nos Estados Unidos como a equipe jamaicana de bobsled, famosa por sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1988 – um evento tão surpreendente que rendeu até um filme, “Jamaica Abaixo de Zero”, com John Candy no papel de técnico da equipe.

Os quatro atletas (foto) que formam a seleção brasileira de curling (Celso Kossaka, Marcelo Mello, Cesar Santos e Luis Augusto Silva) moram em Quebec, Canadá. Três estudam na Universidade de Sherbrooke, e o quarto trabalha no mesmo local. Conheceram-se em 2006 e nunca haviam praticado o esporte antes. Os primeiros contatos do quarteto com o disco de granito datam de 2007.

Apenas quatro países das Américas são filiados à Federação Mundial de curling: Estados Unidos, Canadá, Ilhas Virgens americanas e, não me pergunte por quê, o Brasil. A federação concede duas vagas no campeonato mundial para o lado de cá do mundo – vagas que nos últimos 50 anos sempre foram preenchidas por EUA e Canadá. Este ano, os canadenses asseguraram a sua automaticamente, por serem o país-sede do mundial, e o time brasileiro resolveu desafiar os americanos.

Segundo reportagem publicada sobre o desafio hoje no “New York Times”, não existe nenhuma quadra de curling no Brasil. Eric Maleson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, informa que há planos de erguer uma quadra num centro esportivo dedicado a esportes de inverno, a ser construído em Campos do Jordão.

O desafio começa hoje e vai até domingo. Qualquer resultado diferente de um massacre americano será notícia mundial.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , ,
29/01/2009 - 15:44

Autor da versão comenta polêmica sobre “Mr. do Pandeiro”

Um post sobre o novo disco de Zé Ramalho, no qual ele canta versões de músicas de Bob Dylan, provocou uma interessante discussão aqui no blog. Escrevi especificamente sobre como me agradou a versão de “Mr. Tambourine Man”, realizada pelo poeta e escritor Bráulio Tavares, que transformou o personagem-título da canção em “Mr. do Pandeiro” e, num segundo verso, em “Jackson do Pandeiro”.

Rodolfo Tornesi, em seu comentário, realçou algo que também me chamou a atenção – que o esforço de tradução das músicas de Dylan resulta igualmente numa adaptação à cultura brasileira e ao universo de Zé Ramalho. Tornesi cita a menção ao filme “Tropa de Elite” na adaptação de “Rock Feelingood”.

Houve também, é claro, leitores que discordaram totalmente dos meus elogios. Beto, por exemplo, que se disse autoridade em matéria de Bob Dylan, escreveu: “Afirmar que o sr. Ramalho tem algo a ver com Bob é o mesmo que afirmar que Che Guevara tem algo a ver com São Francisco de Assis.”

O músico Claudio Henrique, que é autor de uma versão de Dylan (“Just Like a Woman”, que virou “Apenas Uma Mulher” no seu CD de estréia, em 2002), avaliou que a versão de Bráulio Tavares para “Mr. Tambourine Man” comprometeu a sonoridade da letra original. “Numa versão, é fundamental que a sonoridade da palavra seja respeitada, e não seu sentido literal”, escreveu. Também registrou o seu “desconforto” com o fato de a versão manter a palavra “Mr”. “Se era pra ficar regional, como se supõe, de onde vem este Mister?????”, protestou.

Jairnumo contribuiu no post com uma lista de músicos brasileiros que já gravaram versões de músicas de Dylan, lembrando da ótima versão do Skank para “I Want You”. Malaquias reconheceu que “a questão da tradução sempre é questionável, e ninguém precisa gostar da tradução, mas que as músicas tiveram novo fôlego, e dos bons isso é indiscutível.”

Por fim, para alegria deste blogueiro, o criador da versão de “Mr. Tambourine Man”, Bráulio Tavares, em pessoa, entrou no blog . Em seu comentário, Bráulio reconhece as dificuldades envolvidas na sua versão, acolhe as críticas recebidas e dá uma aula de boa educação ao dialogar com as opiniões dos leitores. Reproduzo neste post o seu comentário:

Obrigado a Maurício e a todos pelos comentários. Fazer versão é uma tarefa ingrata, e para mim toda versão é uma perda em relação ao original. Paciência. É um quebra-cabeças poético, e quando a gente encontra alguma solução que se encaixa bem o prazer supera o desânimo de todas as vezes em que só se acha uma solução insatisfatória. Manter a sonoridade é tão importante quanto acompanhar o sentido. Só que na maioria das vezes não dá. Mais até do que na poesia impressa, a sonoridade das palavras é importante numa canção, mas nem sempre dá para manter. O que a gente perde de um lado procura compensar do outro. É preciso ter humildade e tentar fazer o melhor possível. Se a gente for esperar atingir a versão ideal, não grava nunca…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , ,
28/01/2009 - 11:06

Toda revista de moda manipula foto. Só falta avisar o leitor

Um filme documentário sobre a revista “Vogue” americana  e sua editora, a famosa Anna Wintour, está causando escândalo no mundo da mídia. “The September Issue”, de R.J. Cutler, exibido no Festival Sundance, revela que a foto da capa da edição de setembro da revista, com Sienna Miller, é resultado da manipulação de duas imagens – uma da cabeça e uma do corpo da atriz britânica.

Pintada como a bruxa Miranda Priestly em “O Diabo Veste Prada”, Wintour também lamenta, no filme, que Sienna seja “dentuça” e tenha muitas obturações nos dentes – o que exigiu ainda mais trabalho no Photoshop, o programa de computador usado para manipulação de imagens.

Conversei com um editor de arte de revistas de moda e estilo e ele confirmou algo que eu já suspeitava: não há novidade alguma nessa revelação do documentário sobre a “Vogue”. É muito comum o uso de mais de uma foto de uma mesma modelo para compor uma única imagem em revistas. Há casos, até, mais graves, de uso do rosto de uma modelo no corpo de outra. O Photoshop não apenas elimina imperfeições, mas ajuda alterar as formas – modelos com pés ou mãos muito grandes, por exemplo, aparecem nas revistas com formas perfeitas.

As fotos que serviram à montagem da “Vogue” são obra de Mario Testino – um dos mais famosos fotógrafos de moda do mundo. Não há grande nome nesse ramo, o que inclui Annie Leibovitz, por exemplo, que não tenha foto manipulada ou montada em revista. 

A novidade do filme “The September Issue” é tornar pública a manipulação. As revistas de moda, estilo e beleza não têm o habito de informar a seus leitores que as imagens que eles estão vendo passaram por radical processo de “melhoramento”. Deveriam fazer isso. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , ,
28/01/2009 - 10:18

BBB9 – O que o futuro reserva ao “vovô” Norberto?

Além de valer um prêmio de R$ 1 milhão ao vencedor, como se sabe, o reality show da Globo tem como grande atrativo as oportunidades que oferece aos perdedores. São ensaios para revistas masculinas, convites (pagos) para comparecer a eventos, festas e camarotes, participações em publicidades etc. Pensando nisso, escrevi um texto no site do BBB especulando sobre o que o futuro reserva a Norberto, o “vovô” do programa, eliminado nesta terça-feira.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , ,
27/01/2009 - 10:15

Vídeo expõe o inglês ridículo de Anderson. E daí?

A exportação de jogadores de futebol, ramo de atividade no qual o Brasil é um dos líderes mundiais, é um fenômeno ainda pouco avaliado. Ainda não vi um bom estudo sobre o impacto que representa na vida desses jovens uma mudança do interior de São Paulo para Moscou, ou do sertão de Pernambuco para a Malásia.

Entrou para o folclore, por exemplo, uma reportagem da TV Globo com Viola, pouco depois de o jogador ter se mudado para Valência, na Espanha, na qual ele reclamava da comida local e informava que estava vivendo a base de bolachas.

No livro “Futebol Exportação” (Senac, 2006), os jornalistas Claudia Silva Jacobs e Fernando Duarte relatam algumas histórias, tanto de sucesso quanto de fracasso, de jovens que aceitaram o desafio de jogar em qualquer canto do mundo na esperança de melhorar um pouco – ou muito – de vida.

Também são conhecidas as dificuldades de comunicação dos atletas brasileiros no exterior. Vindos, quase sempre, de famílias de baixa renda, não tiveram a oportunidade de estudar – muito menos uma segunda língua. Em muitas situações, dependem de tradutores, da boa vontade dos colegas e de muita mímica para conseguir se virar.

Na Itália, onde morei entre 1991 e 92, ouvia as entrevistas dos jogadores brasileiros e ficava impressionado como eles conseguiam se fazer entender sem falar italiano e se expressando num português capenga. Em 1994, na Copa dos Estados Unidos, tive a oportunidade de entrevistar Aldair – o zagueiro baiano, revelado no Flamengo, que jogou na Roma entre 1990 e 2003. Aldair praticamente inventou uma língua própria, falando mal o português, salpicado por palavras de italiano, com uma pronúncia indescritível.

Lembro disso tudo ao assistir a um vídeo que está fazendo um sucesso danado no You Tube (veja abaixo). Ele traz uma entrevista com Anderson, jogador do Manchester United, na qual ele fala em um inglês mais do que capenga. Quem colocou o vídeo no ar deu-se ao trabalho de adicionar legendas, reproduzindo literalmente as suas palavras, para realçar ainda mais as dificuldades do jogador em falar o inglês.

O efeito é muito engraçado, mas me faz pensar que Anderson começou no Grêmio ainda criança. Assinou o seu primeiro contrato profissional aos 16, mas desde os 14 já garantia a principal fonte de recursos de sua família. Aos 17 anos, estava no Porto e dois anos depois foi contratado pelo Manchester. É uma história gloriosa, dessas que só o futebol permite – mesmo que o seu inglês seja motivo de piada.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , , ,
26/01/2009 - 15:43

Técnico é demitido depois de vitória por 100 a 0

Uma notícia surpreendente sacudiu o mundo dos esportes nos Estados Unidos neste final de semana. Micah Grimes, técnico do time feminino de basquete da Covenant School, de Dallas, foi demitido depois que o time que dirige venceu uma partida por 100 a 0. A demissão ocorreu neste domingo, depois que Grimes tornou público que não vê razões para se desculpar pela vitória das suas meninas diante da Dallas Academy, no último dia 13 de janeiro.

A escola, ao contrário, lamentou a vitória humilhante. “É uma vergonha e é constrangedor o que aconteceu”, diz o texto de uma nota oficial da Covenant. “Isso (o placar) claramente não reflete uma atitude cristã” diante de uma competição, defendeu a escola.

“Eu discordo do pedido de desculpas, especialmente da noção que as garotas da Covenant Scholl devem se sentir ‘envergonhadas’ ou ‘constrangidas’”, disse Grimes, antes de ser demitido.

O Dallas Academy não ganhou nenhuma partida nas últimas quatro temporadas. É uma escola com turmas pequenas e especializada em crianças que enfrentam “dificuldades de aprendizado”, como déficit de atenção e dislexia. 

Mais detalhes sobre a história podem ser lidos no “New York Times”, aqui. No blog Highscore, especializado em esportes americanos, aqui no iG, há um link para uma reportagem da ABC News, no qual as garotas do Dallas Academy falam que não desistem fácil e vão continuar treinando. 

Atualizado às 18h.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
26/01/2009 - 10:14

Chiquinha, grafite, bolo virtual, fotografia e cartazes em SP

Em meio a um Pelé, um Ronaldinho Gaúcho, um Chacrinha e um Silvio Santos, quem seria aquela menina feinha, de óculos e um dente preto?  Tive que perguntar para a própria. “Você está imitando quem?” Ela me olhou meio brava, como que não acreditando na minha ignorância, e disse: “A Chiquinha, né? A Chiquinha do Chaves”. Quase pedi desculpas pela pergunta. “Certo”, eu disse.

Toda essa turma de imitadores e sósias compareceu, domingo de manhã, à festa pelos 455 anos da cidade de São Paulo, no Bixiga. A atração principal seria um bolo gigante, de 455 metros, mas os patrocinadores desistiram de ajudar – e o bolo não foi feito. Em seu lugar, Walter Taverna, o organizador da festa, convidou grafiteiros da cidade a pintarem um “bolo virtual” de 455 metros no asfalto da rua Rui Barbosa. Como relatei em reportagem no Último Segundo, foi uma festa divertida, em que não faltaram estrelas – a começar por Sandrinha Sargentelli, que comandou o show.

Mas não foi a única atração do aniversário de São Paulo. No Centro Cultural São Paulo, como escrevi no sábado, foi inaugurada uma exposição de fotos primorosas de Aurélio Becherini, considerado o primeiro repórter fotográfico da imprensa paulista.

No domingo de manhã, no Centro Universitário Maria Antônia, 20 artistas gráficos apresentaram suas respostas ao desafio de criarem cartazes sobre São Paulo, com o tema “(In)sustentabilidade urbana”.  Como sempre ocorre em mostras coletivas, os resultados são irregulares. Destaco aqui alguns dos trabalhos que me chamaram mais a atenção. Da esquerda para a direita, os cartazes de Rodrigo Sommer, Vinicius Marson e Paulo Moretto:

               

Alguém poderia perguntar: há motivos para comemorar o aniversário de uma cidade com tantos problemas quanto São Paulo? A festa no Bixiga e essas duas exposições mostram que sim, na minha opinião. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , , , ,
26/01/2009 - 09:45

BBB9 – Primeiros golpes e intrigas. Finalmente

Depois de quase duas semanas, finalmente, os participantes do BBB começam a fazer o que se espera deles: intrigas, conspiração, golpes baixos, acusações de deslealdade, brigas – além dos beijos e algo mais embaixo dos edredons. A última frase que ouvimos no domingo foi: “Não me enche o saco”. Foi dita por Ana Carolina para Newton.  Uau! Como escrevi no site especial do BBB9, Pedro Bial continua com as suas piadas, mas já não é mais a única atração do programa. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, televisão Tags: , ,
25/01/2009 - 11:31

Notícia boa também existe: avião sai antes da hora marcada

Jornalista leva a fama de só gostar de notícia ruim. É verdade, mas é natural que seja assim. Notícia ruim, quase sempre, é mais interessante, atrai mais curiosidade, chama mais atenção do que notícia boa. A “Folha de S.Paulo” tentou, durante algum tempo, publicar diariamente ao menos uma “boa notícia”. Ela vinha com esse selo (“boa notícia”) justamente para chamar a atenção do leitor. A iniciativa não durou muito tempo. 

Recentemente, em meio a uma notícia péssima, a queda de um avião, acabou sobressaindo-se uma notícia boa – o piloto teve a habilidade de pousar o avião no rio Hudson, em Nova York, salvando todos que estavam a bordo. Fato raro no noticiário, mas acontece.

A notícia boa que eu tenho para dar é que, em meio ao costumeiro festival de atrasos nos vôos pelo Brasil, neste sábado peguei um avião que partiu dez minutos antes do horário previsto. O vôo 3110, da TAM, de Florianópolis para São Paulo, estava programado para as 19h50. Às 19h30, as portas do avião foram fechadas e os passageiros orientados a desligar os seus celulares. Fiquei até assustado e perguntei para uma das aeromoças: “Por que o avião está saindo tão cedo? Algum problema”. Ela fez cara de espanto e respondeu: “Nem reparei”. Dez minutos depois, às 19h40, já estávamos no ar, rumo a São Paulo. Incrível…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: ,
24/01/2009 - 04:55

“Mr. do Pandeiro”: Zé Ramalho reinventa Bob Dylan

Procuro desde dezembro do ano passado, mas só recentemente consegui comprar “Tá Tudo Mudando”, o CD em que Zé Ramalho canta versões de músicas de Bob Dylan (as informações básicas sobre o disco você encontra aqui, em reportagem publicada no Último Segundo).

O que me motiva a fazer esse comentário com atraso é a versão que Zé Ramalho canta de “Mr. Tambourine Man”, um dos clássicos de Dylan (ouça a versão original aqui, no excelente site oficial do músico americano).

Os primeiros quatro versos da canção são mais que conhecidos:

Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I’m not sleepy and there is no place I’m going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jangle morning I’ll come followin’ you

A ótima versão cantada por Zé Ramalho é de autoria do escritor Bráulio Tavares. Ele a intitulou “Mr. do Pandeiro” (aqui, uma gravação encontrada no You Tube). Veja como ele resolveu os primeiros quatro versos:

Hey! My Mister do Pandeiro, toque para mim
Não estou com sono e não tenho onde ir.
Hey, Jackson do Pandeiro, toque para mim
E entre as canções desta manhã eu poderei te seguir.

É uma tradução quase literal da música, mas com dois achados tão simples quanto geniais. O primeiro, a inclusão da contração “do” entre “mister” e “pandeiro”. Introduz uma coloquialidade muito brasileira, uma coisa meio Trapalhões (“ô, do pandeiro”) na música. O segundo achado é “Mister do Pandeiro” virar “Jackson do Pandeiro” no terceiro verso. É o toque que deixa a canção de Bob Dylan com a marca de Zé Ramalho. Xeque-mate!!!

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , ,
23/01/2009 - 09:54

Ronaldo já é nome de prato em restaurante paulista

Principal contratação do futebol brasileiro em 2009, o Fenômeno ainda não vestiu a camisa do Corinthians, nem se sabe com certeza quando isso vai acontecer. Os inimigos o chamam de “Ronalducho”, ou “Fofucho”, por conta dos nítidos quilos em excesso que carrega. Além de um forte programa de treinamentos, Ronaldo segue uma rígida dieta em seu esforço de entrar em forma.

Não deve, por esse motivo, passar perto do restaurante Esquina Grill, de Fuad Sallum, em Santa Cecília. Há poucas semanas, Fuad criou um novo prato em homenagem ao jogador, a calórica “Picanha a La Ronaldo”, servida com mandioca crocante e agrião. O número de referência do prato, para controle dos garçons, é nove, o número da camisa do craque, e o preço da porção é R$ 29,99.

Fuad é presidente da Associação dos Moradores e Comerciantes de Higienópolis e pensou na homenagem quando ouviu dizer que Ronaldo ia se instalar no bairro – o que ainda não aconteceu. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , , ,
22/01/2009 - 12:49

Faltou coragem para indicar “Wall-E” como melhor filme

Ainda não assisti vários dos filmes indicados ao Oscar – até porque, como escrevi no Último Segundo, a maioria dos distribuidores estava aguardando a divulgação da lista de indicados para começar, então, a pensar na estratégia de lançamento de vários títulos.

Ainda assim, posso afirmar com segurança que um filme merecia estar – e, infelizmente, não está – entre os cinco indicados a melhor filme de 2008. Falo de “Wall-E”, que compete, no dia 22 de fevereiro, nas categorias melhor animação, trilha sonora original, roteiro original, canção, edição de som e mixagem de som. Ou seja, a Academia indicou um filme de animação em seis categorias, competindo ao lado de “filmes adultos” em cinco, mas não teve a coragem de indicá-lo a melhor filme.

Uma pena. A animação da Pixar foi uma das melhores surpresas do ano passado. Filme delicado, com argumento excelente, desenhos geniais e uma “mensagem” bacana – contra o desenvolvimento urbano caótico, o consumo desenfreado e a poluição nas grandes cidades. Enfim, um raro filmaço, para crianças de todas as idades.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
22/01/2009 - 09:02

A modelo não quer falar. Palmas pra ela

De todas as reportagens que já saí para fazer e dei com os burros n´água, talvez a mais curiosa tenha sido a tentativa de entrevistar a modelo Agyness Deyn. Principal atração do desfile da Ellus, nesta quarta-feira, a inglesinha não estava nem aí para o grupo de mais de 50 jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas que a aguardavam no camarim.

Esperamos três horas, dentro do backstage, pela oportunidade de trocar algumas palavras com ela. O máximo que Agyness concedeu foi um minuto para os fotógrafos. E disse um “hi!”, em resposta ao pedido que desse um “hello for Brazil”. Só isso. Nada mais.

Achei engraçada a situação que se criou. Embora seja muito famosa na Inglaterra, a ponto de ter sido eleita a celebridade mais irritante de 2008 pela BBC Three, Agyness é pouco conhecida no Brasil. Com exceção das jornalistas de moda, que ficaram furiosas com a sua atitude, a maioria dos colegas nem se chateou muito.

Devo confessar, talvez porque não tivesse expectativa alguma, que admirei a atitude da modelo. Ela foi contratada para vir ao São Paulo Fashion Week e desfilar. Fez isso com competência, e se mandou. Se ela não tem nada para dizer, por que dar entrevistas? Não é melhor ficar quieta?

Em tempo: a minha “não-matéria” sobre Agyness foi publicada no iG Moda, aqui. A foto da modelo aqui no blog é de Tiago Lima. A foto menor, dos fotógrafos se espremendo para fotografá-la, é minha mesmo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: , ,
21/01/2009 - 09:25

BBB9 – Torrão de Açúcar briga com Princesa e é eliminada

Escrevo no site especial do BBB sobre a incrível disputa entre Torrão de Açúcar (Michele) e Princesa (Priscila), assim batizadas por Pedro Bial. “Ela não é princesa nem aqui, nem na China”, protestou Michele, magoada, antes de ser eliminada do programa. Também comento no texto sobre a bizarra cena de merchandising protagonizada por Zezé di Camargo, anunciando em pleno BBB o seu show no Rio. Parecia que estava assistindo uma mesa-redonda de futebol na Gazeta.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , ,
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