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Arquivo de dezembro, 2008

15/12/2008 - 15:13

A queda de Madonna e um tombo no interior de SP

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Ver Madonna escorregar, levar um tombo, levantar-se numa boa e prosseguir o show, como se nada tivesse ocorrido, me lembra uma história deliciosa, contada nos meus tempos de “Folha” pela Renata Rangel, jornalista querida que não vejo há muito tempo.

A história se passa no interior de São Paulo, num tempo em que a elite local curtia longas temporadas na Europa e, na volta, promovia uma festa para contar as novidades e exibir as peças adquiridas na viagem.

Sala lotada, todos aguardam a presença da anfitriã, que está dando os últimos retoques, no quarto, no segundo andar da mansão. Eis que, vestindo o mais caro modelo comprado em Paris, a dona da casa começa a descer as escadas, causando suspiros de admiração nos convidados, que se viram para vê-la. Num dos últimos degraus, porém, ela escorrega e vai ao chão, numa queda espetacular. Ouve-se um “ah” coletivo, mas a madame não perde a pose. Levanta-se como se nada tivesse acontecido, ajeita o vestido e exclama:

- Cai-se tanto em Paris!

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
15/12/2008 - 10:57

Uma noite com o “maior ataque do mundo”

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Num domingo chuvoso, sem graça e sem futebol no Brasil, eis que a TV Gazeta marca um golaço. Sem muito alarde, a emissora paulista reuniu, para uma conversa, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Esses cinco, nesta ordem, estão agachados na foto que reúne o time brasileiro mais vencedor da história, formado também (em pé, da esquerda para direita) por Lima, Zito, Dalmo, Calvet, Gilmar e Mauro.

Reunidos na casa de Pelé, no Guarujá, e entrevistados por Flavio Prado, o quinteto relembrou histórias, cantou músicas e contou piadas. Ouvi pela primeira vez uma história famosa, sobre Tite, ex-ponta-esquerda, antecessor de Pepe. Num amistoso no México, já com 32 anos, Tite pediu para jogar, vislumbrando a possibilidade de ser contratado por um time local. Colocado para jogar apenas aos 40 minutos do segundo tempo, Tite viu Pelé driblar meio time adversário, inclusive o goleiro e recebeu a bola diante do gol vazio. Irritado, deu um bico para fora e disse a frase que virou lenda: “Gol de esmola eu não faço”.

Com esses cinco em campo, entre 1960 e 1965, o Santos ganhou 70% de seus jogos, informou Flavio Prado. “Devemos muito ao Santos, mas o Santos deve muito a nós”, observou Pepe.

Como sempre lamenta Pelé, é uma lástima que existam tão poucas imagens das proezas desses jogadores. Pelé também reclamou, com o endosso de seus companheiros do “maior ataque do mundo”, que até hoje a CBF não tenha reconhecido como títulos brasileiros, equivalentes aos atuais, as conquistas do Santos – e de outros times – da década de 60.

Uma reportagem com bastidores desse encontro está publicada no site da Gazeta Esportiva.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , ,
13/12/2008 - 09:32

Adoção no Brasil: uma semana de emoções fortes

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Como muitos jornalistas da minha geração, formado em redações que defendem uma espécie de ascetismo como postura necessária à prática profissional, não tenho o hábito de escrever na primeira pessoa e cultivo o máximo possível de distanciamento das fontes. Neste post, porém, vou escrever abertamente na primeira pessoa e vou confessar uma forte emoção que senti no meio da apuração de uma matéria.

No dia 1º de dezembro, se não me engano, minha editora no Último Segundo, a ligadíssima Mariana Castro, me provocou: “Você não gostaria de fazer uma matéria sobre adoção?” Pensei: “Adoção??? Por quê?” Ela me explicou que o Brasil começou a montar este ano um cadastro nacional de adoção, no esforço de tornar mais rápido e eficiente os processos no País. Era novidade para mim.

Achei a idéia interessante, mas não tinha a menor idéia por onde começar. Fiz, então, o que qualquer repórter faz nestas horas. Liguei para uma pessoa que entende do assunto. Por sorte, sou amigo há muitos anos da apresentadora Astrid Fontenelle e sabia que ela havia adotado uma criança recentemente. Telefonei pensando que ela poderia me dar algumas informações sobre o processo de adoção, mas ao ouvir a sua história fui imediatamente fisgado pela sua história – e resolvi incluí-la na reportagem.

Por conta de uma dica da Astrid, procurei a Vara de Infância de Santo Amaro, a maior de São Paulo. Telefonei para o local e pedi para falar com algum assessor. Para minha surpresa, em menos de um minuto já estava conversando com o juiz Iasin Issa Ahmed, que me convidou a visitá-lo no dia seguinte.

Cheguei à Vara de Infância 20 minutos antes da hora combinada, o que me permitiu acompanhar, da ante-sala do juiz, um caso dramático que se desenrolava ali, naquele instante. Um garoto de 7 anos aguardava, sentado no sofá, ao meu lado, enquanto o juiz, na outra sala, procurava convencer a sua avó, guardiã do garoto, a também cuidar de seus dois irmãos menores.

Jandira, a zelosa secretária do juiz, tentava ocupar o menino com bichos de pelúcia, material para desenho e balas, no esforço de evitar que ele ouvisse o que se discutia lá dentro. Na falta de pai, mãe ou outro responsável, os dois irmãos seriam dados para adoção. O juiz, ao final, conseguiu localizar um parente distante em Vitória da Conquista, que topou ficar com a guarda das duas crianças.

Por mais de três horas, em seguida, entrevistei o juiz Iasin, a psicóloga Célia Regina Cardoso e a assistente social Solange Rolo. Ouvi histórias inacreditáveis, de devolução de crianças rejeitadas pelos pais adotivos e que voltaram a morar em abrigos. De crianças conscientes da situação de abandono que vivem e que pedem para ser adotadas. De irmãos separados por falta de candidatos a adotá-los em conjunto. E muito mais tristeza…

Até que o juiz Iasin contou a história da menina de 6 anos, largada em um abrigo, depois de ter morado dentro de uma Kombi com a mãe viciada em drogas. Em uma visita ao abrigo, a menina perguntou ao juiz: “Eu vou para a Itália?” Iasin se encantou por ela e cuidou pessoalmente de achar candidatos a adotá-la. Mas antes lhe disse: “Eu vou escolher os pais para você, mas você tem o direito de dizer que não gostou”.

Nessa hora, me dei conta, estava com os olhos cheios de lágrimas. Tentei disfarçar, prossegui com as minhas perguntas, anotei as respostas e fomos em frente. Mas estava, definitivamente, fascinado pelo assunto. O resultado, a reportagem “Uma tarde na Vara de Infância: histórias de crianças adotadas, recusadas, devolvidas e obtidas ilegalmente”, acho que trai a emoção que senti lá. Publicada na segunda-feira, 8 de dezembro, acabou sendo uma das reportagens mais lidas da semana no iG.

Ao longo destes dias, publiquei outros quatro textos sobre o assunto. Para quem tenha interesse, mas não acompanhou, aqui vão os links:
1. Adoção a estrangeiros pode levar até dois anos 
2. Solteira, 47 anos, mãe de uma criança de 40 dias
3. “Criança não é televisão, que você compra, não gosta e depois devolve”, diz Marcelo Antony 
4. Leitores relatam dramas e alegrias do mundo da adoção

A série, longe de esgotar o assunto, foi uma oportunidade de tratar de um tema muito delicado, complexo e polêmico. Pelas reações dos leitores, mesmo os que manifestaram os seus preconceitos, pude observar que as reportagens contribuíram, de alguma forma, para desarmar alguns espíritos contra a adoção e expor as muitas dificuldades envolvidas no processo. E, particularmente, a série me ajudou a tomar contato com um mundo que eu conhecia pouco e que me tocou muito.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , ,
12/12/2008 - 14:04

Boleiros do Cerrado: antropólogo bate bola com os xavantes

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Ainda há quem repita que o futebol, pela importância que adquiriu na cultura brasileira, até hoje não mereceu estudos à altura. Trata-se de um clichê mais que gasto. Nas últimas duas décadas, historiadores, sociólogos, antropólogos, economistas, professores de literatura, de educação física e mesmo jornalistas vêm compondo um rico painel de estudos sobre diferentes aspectos do esporte.

O lançamento nesta sexta-feira, na Livraria Martins Fontes, em São Paulo, de “Boleiros do Cerrado”, de Fernando de Luiz Brito Vianna (Annablume, 336 págs., R$ 40), é exemplar do grau de aprofundamento e maturidade que já alcançaram os estudos sobre futebol no País.

Vianna é também conhecido como Fedola, apelido que adotou nos tempos (entre 1990 e 1994) em que atuou como lateral-esquerdo no Juventus, no Noroeste de Bauru, entre outros times de menor expressão. Ao abandonar o futebol e dedicar-se ao mestrado, no programa de Antropologia da USP, transformou-se, nas suas próprias palavras, num “pesquisador-futebolista”.

O interesse da pesquisa de Vianna recaiu sobre a relação dos índios xavantes com o futebol. O seu minucioso estudo mostra, em primeiro lugar, que o tema já havia atraído a atenção de outros pesquisadores, ainda que nenhum tenha ajustado o foco de seus trabalhos da forma que ele fez.

O futebol, aponta Vianna ao mergulhar no cotidiano dos xavantes, é uma forma de expressão que ajuda a compreendê-los melhor – a sua hierarquia, os seus hábitos, a sua relação com “estrangeiros” etc. Fedola chega a ser requisitado como técnico do time, e também os ajuda a resolver problemas de transporte para disputa de torneios entre tribos.

Vianna entende que a boa acolhida que recebe dos índios está ligada, de alguma forma, a um desejo de inserção dos xavantes em times de futebol profissionais. Como “pesquisador-futebolista” equilibra-se, com sucesso, entre a curiosidade de entender a forma como os índios reescrevem a prática do futebol entre eles e o desejo, quando possível, de ajudá-los.

Ao leitor não afeito aos temas e discussões da antropologia, “Boleiros do Cerrado” pode causar algumas dificuldades, em certas passagens, mas é um estudo com freqüência saboroso, para não dizer fascinante, a respeito de uma cultura tão próxima e ao mesmo tão distante de nós.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , ,
11/12/2008 - 17:12

Correspondentes internacionais preferem o Rio – II

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Antes de publicar a nota abaixo, procurei Paula Gobbi, que o site da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE) informa ser a presidente da entidade. A jornalista, que representa a rádio CBS News, respondeu meu e-mail agora há pouco. Está, neste momento, fora do Brasil. Não é mais, disse, presidente da ACIE desde agosto. O cargo agora é ocupado por Alicia Martinez Pardies, representante da agência Ansa.

A ACIE foi fundada em 1962.  O primeiro presidente eleito foi Jean-Jacques Faust, da agência France Presse. A associação foi fundada, contou Paula Gobbi, “para defender as condições necessárias para a coleta de noticias, sem fins lucrativos e estritamente profissionais”.

E essa preferência pelo Rio Janeiro? Eis a resposta da jornalista:

“O Rio de Janeiro continua sendo a cidade que tem maior atração entre os correspondentes por sua beleza geográfica, facilidade de acesso aéreo, cultura, historia, e importância política. Do Rio, os correspondentes podem viajar e cobrir outras regiões do Brasil, mantendo como sede a ‘Cidade Maravilhosa’.”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , ,
11/12/2008 - 14:20

Correspondentes internacionais preferem o Rio de Janeiro

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 No programa “Arena Sportv”, nesta quinta-feira, Cleber Machado perguntou ao ítalo-brasileiro Claudio Carsughi sobre a repercussão internacional da contratação de Ronaldo pelo Corinthians. Cleber achou curioso os jornais italianos, como mostrou o iG, darem mais destaque ao fato de Ronaldo não ter ido para o Flamengo do que para a notícia de que jogará no Corinthians.

Tranquilão, como sempre, e sem demonstrar ironia, Carsughi explicou: “É que tanto o correspondente da ‘Gazzetta dello Sport’ quanto do ‘Corriere della Sera’ moram no Rio”. É possível, sugeriu Carsughi, que esse fato tenha influenciado a forma pela qual os jornalistas italianos compreenderam a notícia do negócio.

Fiquei com uma pulga atrás da orelha e fui ao site da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE). Informa-se ali que há cerca de 200 profissionais de rádio, jornal e televisão atuando no Brasil. Na relação de sócios efetivos, encontrei os nomes de 108 correspondentes. Destes, 103 moram no Rio de Janeiro, três estão estabelecidos em São Paulo, um reside em Niterói e não consta o endereço de um deles. Impressionante.

PS. Depois de publicada esta nota, consegui contato com Paula Gobbi, ex-presidente da ACIE. Aqui, ela comenta a preferência dos correspondentes pelo Rio de Janeiro. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , , ,
11/12/2008 - 10:24

Qual é a cara de quem “chora sobre o leite derramado”?

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Everton Balardin e Marcelo Zocchio tiveram uma idéia tão despretensiosa quanto genial: fotografar expressões idiomáticas, forças de expressão e frases feitas. Todo mundo sabe que não adianta “chorar sobre o leite derramado”, mas qual é a cara de quem faz isso? E de quem precisa “descascar um abacaxi”? Ou de quem vê “pelo em ovo”? Ou de quem “engoliu um sapo”? Ou de quem está “com a corda no pescoço”?

“Pequeno dicionário ilustrado de expressões idiomáticas”, lançado originalmente em 1999, já vendeu 14 mil exemplares e ganha, no Natal de 2008, a sua quinta edição. Agora com o selo da Mandioca, a mesma editora da bela revista “Pororoca”, o livro será relançado nesta sexta-feira, 12, na Livraria da Vila, em São Paulo (alameda Lorena 1.731, das 19h às 22h). Custa R$ 30.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
10/12/2008 - 11:40

Garrincha e Ronaldo no Corinthians: semelhanças e diferenças

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Na biografia definitiva de Garrincha, “Estrela Solitária” (Companhia das Letras), Ruy Castro trata da passagem do jogador pelo Corinthians ao longo de dois capítulos. Há incríveis semelhanças – e muitas diferenças – entre a situação que o craque vivia no período de sua contratação pela equipe paulista, dezembro de 1965, e o momento de Ronaldo neste dezembro de 2008, quando acaba de acertar com o time.

Garrincha tinha, então, 32 anos – como Ronaldo hoje. Desprezado no Botafogo, onde virara reserva de Jairzinho, foi negociado com o Corinthians por 220 milhões de cruzeiros (100 mil dólares) – o craque ficou com 15%, pagos pelo Botafogo. No dia 14 de janeiro de 1966, assinou contrato de dois anos. Receberia salário de 200 mil cruzeiros mensais, mais luvas de 12 milhões parceladas em 24 prestações mensais de 500 mil. Ou seja, começaria ganhando 700 mil cruzeiros fixos – ou 300 dólares.

O técnico do Corinthians era Oswaldo Brandão, que teve papel fundamental na vinda de Garrincha. Devoto de pai-de-santo, ele sabia que o guru do jogador, o pai-de-santo Alberto, havia recomendado a Garrincha e Elza Soares que deixassem o Rio de Janeiro para fugir da energia negativa que estava afetando o craque. Ao chegar a São Paulo, Brandão levou “seu” Alberto ao Parque São Jorge, tarde da noite. O Corinthians não ganhava nada havia 12 anos. Brandão pediu a Alberto que encontrasse sapos enterrados no gramado – e o pai-de-santo logo “viu” um enterrado dentro de um dos gols.

Garrincha alugou um apartamento na rua Maranhão, em Higienópolis, bairro nobre da cidade. Os moradores logo reclamaram do barulho que o casal fazia de madrugada. Elza tentava controlar o ímpeto do craque pela bebida, mas a situação já estava incontrolável àquela altura, conta Castro.

“Certa manhã, o repórter José Maria de Aquino foi entrevistá-lo e percebeu seu bafo. Alertou-o:
“Começando cedo, Mané?”
Garrincha se traiu:
“Não é possível! O hortelã disfarça!”

Garrincha chegou a São Paulo com 79 quilos, oito acima de seu peso normal. Antes de contratá-lo, o Corinthians fez o ortopedista João de Vicenzo examinar o seu joelho. Ele não encontrou nada de anormal. Precisava apenas emagrecer e recuperar a potência da perna direita, disse o médico.

Estreou no dia 2 de março, contra o Vasco, no Pacaembu. “Na semana do jogo, Elza foi de bar em bar nas proximidades do parque São Jorge implorar aos seus donos que, se Garrincha aparecesse, não lhe vendessem bebida. Os empregados dos botequins acharam graça – Garrincha já se tornara um habituê”, escreve Castro.

Jogou 13 partidas em um ano – no meio, houve a Copa da Inglaterra, da qual participou. Em janeiro de 1967, sem clube, sem futuro e alcoólatra, voltou ao Rio de Janeiro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
09/12/2008 - 12:32

A bola de neve do “Pó pará com pó”

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Relatado na última quarta-feira, dia 3, com destaque no iG, o sucesso da cantora Jake virou uma bola de neve. No sábado, dia 6, em Natal, Ivete Sangalo chamou Jake para subir em seu trio e cantou com ela o axé católico contra cocaína, cujo refrão, “pó pará com pó”, gruda no ouvido feito chiclete. Já há algumas versões do encontro registradas no You Tube (uma delas é essa aqui). No mesmo dia, em seu blog, Caetano Veloso recomendou em caixa alta: QUERO “PÓ PARÁ COM O PÓ” CANTADO POR IVETE, DANIELA, CHICLETE, ASA, JAMIL E QUEM MAIS.

E em menos de uma semana, o número de acessos ao vídeo que revelou Jake para o mundo, cantando o hit na TV Aparecida, saltou de 240 mil para 325 mil. Ao mesmo tempo, apareceram no You Tube outras seis versões da mesma gravação. Vai ser difícil escapar de Jake no Carnaval.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
08/12/2008 - 16:29

25 anos de uma turma verdadeiramente iluminista

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Uma turma de colegas se reuniu neste sábado, no Rio, para festejar 25 anos de formados na Faculdade de Economia e Administração (FEA) da UFRJ. Isso é assunto deste blog porque, não por acaso, trata-se da minha turma. Foi uma festa muito simpática, que juntou quase três dezenas de economistas, muitos deles, como eu, que não se viam há muuuitos anos.

Entramos na faculdade num período especial. O país vivia o afrouxamento da ditadura, a UNE e os DCEs voltavam a funcionar de forma legalizada e a faculdade contava com a energia de um grande time de professores – Maria da Conceição Tavares e Carlos Lessa à frente – engajados num projeto educacional de alto nível.

Ao longo da nossa reunião de 25 anos, fui me dando conta da influência desse conjunto de fatores sobre a turma formada em 1983 – uma rara e elogiável vocação para o serviço público, no melhor sentido que essa expressão pode ter. Havia ali, entre nós, vários economistas que trabalham em instituições como BNDES, Eletrobrás, FMI, Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Dieese, ANP (Agência Nacional do Petróleo), Petrobras, governo do Espírito Santo, além de professores da UERJ e UFRJ. 

Mas não vou me alongar na descrição deste encontro. Publico abaixo, com a sua autorização, o relato de um de meus colegas, o economista Paulo Faveret, enviado na tarde desta segunda-feira a todos os que participaram da reunião:

Muito obrigado por palavras e gestos tão bonitos e generosos! A tarde foi muitíssimo agradável. Cumpriu exatamente o papel de dar espaço para as pessoas se reencontrarem, trocarem idéias, atualizarem as informações e, com sorte, até fofocarem um pouco.
 
O tempo da faculdade é sempre muito especial para todos. Fico com a ligeira impressão, e pode ser pretensão, mas há de ser pretensão modesta e gostosa, que esse tempo foi ainda mais especial para nós. Como em muitos outros casos, ali se forjaram amizades para toda a vida, amores, até casamentos, contatos profissionais cujo valor só cresce com os anos – bons frutos que evidenciam a solidez e a fertilidade da árvore de onde provêem.
 
O que torna nossa turma especial não é tampouco seu excepcional desempenho acadêmico e profissional. Se não foi a melhor, certamente está entre as melhores da FEA em todos os tempos, e, por que não dizer?, até mesmo do Brasil. O sucesso de vários integrantes não se mede apenas por dinheiro, posição, status, mas pelo respeito que merecem entre pares e não-economistas.
 
A verdadeira excepcionalidade de nossa turma parece residir sobretudo numa admirável conjugação de rigor acadêmico, paixão pelo conhecimento e dedicação ao interesse público. Uma turma verdadeiramente iluminista. Como alguém mencionou durante o almoço, raras vezes tantos de uma só turma seguiram dedicados a temas públicos, seja como parte de suas atividades acadêmicas, seja como integrantes de organizações com esse fim. Esse traço, se não é uma verdade estatisticamente comprovável, é sensível nas atitudes de todos, nas preocupações com o semelhante, no profundo respeito à divergência, na aceitação do debate como instrumento de aprimoramento das decisões coletivas e individuais.
 
Ao longo de minha vida pessoal e profissional, não têm sido poucas as oportunidades para exercer esses ensinamentos, tão enraizados em minha vivência graças aos anos intensos da faculdade. Embora o movimento estudantil já não fosse tão romântico e perigoso como o de alguns anos antes, o clima na FEA era excepcional. A qualidade das controvérsias, a forma franca e honesta como se fazia, tudo isso estava acima da média. E nada comprometia a amizade dos opostos, que sempre tomavam cerveja ao final de embates que pareciam raivosos, mas que, sabíamos todos, eram de idéias, não de pessoas.
 
Aqueles anos incutiram em muitos de nós um tipo raro de idealismo: sonhador, como deve ser, porém bem-informado, calçado em muito conhecimento, e sempre inspirado pelos exemplos práticos de mestres e colegas, com destaque para nossos convidados de honra. Predica e pratica. O terreno era fértil e a semente, boa. Por isso, é com felicidade que constato que a turma não sucumbiu nem ao ceticismo tão comum aos entrados em décadas, nem ao cinismo deslavado que campeia em nossos trópicos. Vinte e cinco anos depois, sinto que ainda guardamos aquela chama de colaborar com a construção de um mundo melhor. O couro é mais grosso do que antes, tomamos mais cuidados do que aos vinte anos, mas ainda há brilho no olhar.
 
Que Deus nos anime sempre a transmitir esse espírito para nossos filhos, familiares, amigos, alunos e colegas. Assim estaremos devolvendo ao menos parte do que recebemos durante aqueles anos iluminados.
 
Abraços e beijos a todos,
Paulo

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Memória Tags: , , ,
08/12/2008 - 06:58

A imprensa carioca de luto

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“O Globo”
Tragédia em São Januário
Vasco é rebaixado

“O Dia”
A FAIXA PRETA HOJE É DE LUTO

“Jornal do Brasil”
Fracasso carioca
Vasco é rebaixado para a Série B e
Flamengo fica fora da Libertadores

“Extra”
DÓI DEMAIS

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , ,
07/12/2008 - 18:42

Em Marte, na hora da decisão do campeonato

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Enquanto São Paulo e Goiás disputavam a partida mais importante do campeonato, a Globo e a Bandeirantes exibiam, no Rio de Janeiro, o jogo entre Vasco e Vitória, que confirmou o ticket da equipe carioca rumo à Série B do Brasileiro.

Desconfio que a lógica da audiência explique isso – devia haver, no Rio, muito mais gente interessada em conhecer o destino do Vasco no campeonato do que saber quem seria o campeão do torneio. Além dos próprios vascaínos, imagino, torcedores dos outros times do Rio também estariam de olho nessa partida, para secar ou para torcer pelo rival carioca.

Qualquer que seja a razão para esta transmissão, fiquei com a sensação de que estava em Marte, ou em uma cidade do interior, na tarde deste domingo, no Rio. Enquanto o campeonato era decidido em Brasília e em Porto Alegre, as emissoras da cidade mostravam um jogo que iria resolver se um time carioca permaneceria, ou não, na Série A.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , , ,
06/12/2008 - 07:15

Barata Obama e Romualdo caem na rede

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Numa segunda-feira à noite, pouco mais de uma semana antes da eleição americana, o redator publicitário André Romani teve um estalo: pensando em Barack Obama ocorreu-lhe um trocadilho – o nome Barata Obama. Daí à criação de um personagem em quadrinhos foi um pulo. Mas faltava algo, ainda – uma barata para trocar idéias com Barata Obama. Logo nasceu também a barata Romualdo.

Diariamente, já há 40 dias, André coloca no site que criou uma tirinha com os seus dois personagens (para ver melhor os dois exemplos reproduzidos nesta página basta clicar em cima dos desenhos). Obama diferencia-se de Romualdo pela cartola vermelha, azul e branca que usa. É também muito mais sábio que o discípulo. A graça das tirinhas resulta dos diálogos absurdos dos dois e das lições que Barata Obama dá a Romualdo.

“Nas tiras eu posso falar de qualquer assunto, dando caráter de humanos às baratas ou tratando as particularidades dos insetos, me dou essa liberdade”, conta André, localizado por e-mail. “Falo de política, futebol, fofoca, o que vier”.

Como outras iniciativas que caem na rede, o site de Barata Obama circula de e-mail em e-mail. Este blogueiro recebeu a dica de uma leitora, por exemplo. “As tirinhas são demais”, ela escreveu. Fui conferir e achei divertido.

Ajuda André, no caso, o fato de ser publicitário e contar com apoios importantes. Segundo ele, Washington Olivetto recomenda a sua criação. “Vi e gostei” – é a mensagem que estampa na abertura o site.

Aos 26 anos, o publicitário sonha conseguir faturar com Barata Obama. “Minha intenção agora é conseguir alguma parceria ou patrocínio para que eu possa melhorar o aspecto do site e melhorar a interação entre os leitores.”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Internet Tags: , ,
06/12/2008 - 06:49

Troféu sinceridade – II

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“Se dependesse de mim, entrava com o time juvenil contra o Palmeiras. Eu não gosto do Flamengo e todo mundo sabe disso. Não quero ajudar a equipe deles a classificá-los para Libertadores. Para mim, seria ideal que ambos terminassem com a vaga na Sul-Americana. O time deles não merece”.

Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo, no “Lance!”, sobre o jogo do seu time contra o Palmeiras, neste domingo, pela última rodada do Brasileiro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
05/12/2008 - 09:56

Saldo da 28ª Bienal: uma moça de 23 anos na penitenciária

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Termina neste sábado, 6 de dezembro, a 28ª Bienal de São Paulo – possivelmente a mais decepcionante da história. Por problemas de gestão e falta de recursos, a mostra foi extremamente reduzida. No afã de “denunciar” a crise do modelo de mega-exposições, deixou vazio um andar inteiro do prédio da Bienal. A maior atração do evento foi um escorrega, instalado no terceiro andar, que conduz os visitantes até o térreo. Também causou sensação a performance de um artista que chegou nu na Bienal e ali ficou por duas semanas, mantendo-se apenas com as doações dos visitantes.

Outro momento de alvoroço foi a invasão do segundo andar, aquele vazio, por um grupo de 40 pichadores agressivos, que deixou várias marcas no local. Durante o assalto, dois pichadores foram presos – um deles é uma moça de 23 anos, que já está encarcerada há 40 dias, por não ter conseguido provar um domicílio fixo. O outro, solto, responde a processo em liberdade.

Não que a Bienal tenha qualquer responsabilidade pela permanência da pichadora na prisão, mas a situação desta moça, num país em que a Justiça frequentemente não faz justiça, será sempre lembrada como símbolo desta melancólica exposição sobre o vazio.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
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