Mais duas ou três coisas sobre Tintim
Escrevi na semana passada sobre o lançamento do álbum “No País dos Sovietes”, até então inédito no Brasil. Trata-se da primeira aventura de Tintim, escrita por Hergé em 1929. Somente depois de publicado o post no blog , tive a oportunidade de ler a ótima reportagem sobre Tintim na edição especial de final de ano da “Economist”.
Por conta justamente da data – os 80 anos da publicação de “No País dos Sovietes” – 2009 promete ser uma espécie de “ano Tintim”. Na Bélgica, deve ser inaugurado um museu dedicado ao trabalho de Hergé (1907-1983). Quem visitou as obras ficou impressionado com a ambição do projeto do museu. “A seriedade da arquitetura embute uma mensagem. Este não é um parque temático, mas uma galeria de arte”, escreve a “Economist”.
A revista fala também do projeto de Steven Spielberg de realizar um filme de ação baseado em Tintim. Já em pré-produção, o filme transformará o personagem, hoje mal conhecido nos Estados Unidos, numa franquia mundial. Spielberg, segundo um assessor de Hergé que negociou com ele, enxerga Tintim como “um Indiana Jones para crianças”. Em tempo: o nome verdadeiro do criador de Tintim era Georges Remi; suas iniciais, lidas ao contrário, RG, formam o som Hergé em francês.
O artigo da “Economist” lembra que, diferentemente de Tintim, um repórter que nunca escreveu uma reportagem e não tinha preocupação alguma com valores materiais, Hergé sempre cuidou muito bem de seu patrimônio, hoje administrado pela viúva Fanny e seu segundo marido. Mais de 200 milhões de álbuns já foram vendidos, e o personagem ilustra diferentes produtos licenciados – jogos, quebra-cabeças e livros para colorir, entre outros.
Além do racismo, da defesa da política colonial belga e do anti-comunismo tacanho, expressos em diferentes álbuns, Hergé também manifestou um claro anti-semitismo em alguns momentos de seu trabalho, em particular durante a ocupação nazista na Bélgica, lembra a “Economist”. “Há uma relação entre Hergé, este homem decepcionante, e sua criação, Tintim, que luta contra os déspotas com tanta bravura. Está na racionalização da impotência: uma preocupação bem européia”, escreve o autor do texto.




com certeza este paulo sergio tem algo a ver com locadoras, primeiro vamos diminuir os preços dos dvds e cds, ai sim brigar contra a pirataria
PODE VIR QUALQUER FILME SE NAO ACABAR COM A PIRATARIA DE DVDS E CDS LOGO OS CIMEMAS IRAO ACABAR COMO AS LOCADORA ESTAO ACABANDO…. PAULO SERGIO
Sou socialista e afro-brasileiro (mulato, para os íntimos) e adoro os albuns do Tintim. É tudo uma questão de ler o cara no contexto da época. De outro modo, sempre haverá um senão que vai cortar o barato. Como ler Júlio Verne ou Ferdinando Buscapé? É (tentar) abrir um parenteses na mente e (tentar) curtir. Só um mané vai deixar de ler Monteiro Lobato por que Tia Nastácia isso, ou deixar de ler Jorge Amado desta ou daquela fase, por aquilo. As historinhas de Tintim eram racistas e preconceituosas mesmo. Vamos criar outras!
Comentário muito lúcido, o do Francisco. Também li e leio Tintin com essas ressalvas em mente. Do filme não espero muito.
Escrevo não para comentar o Tintim em si, mas a Economist. Os caras são, realmente, bons no que fazem! Primeiro, porque a pauta ideológica da revista não apenas existe, mas também é declarada (ao contrário do que ocorre com a maior parte das brasileiras) – pode ser meio conservadora demais, mas está lá e você sempre sabe com quem está discutindo. Ninguém vende uma coisa por outra. Segundo, porque eles sempre mostram, muito bem, o lado obscuro: sempre foram anti-comunistas, mas mostram ressalvas ao Hergé; sempre foram simpáticos a regimes mais à direita, mas no obituário do Pinochet sentaram a lenha nele; sempre foram mais simpáticos aos americanos e tal, mas não perdoam Guantanamo…