Adoção no Brasil: uma semana de emoções fortes
Como muitos jornalistas da minha geração, formado em redações que defendem uma espécie de ascetismo como postura necessária à prática profissional, não tenho o hábito de escrever na primeira pessoa e cultivo o máximo possível de distanciamento das fontes. Neste post, porém, vou escrever abertamente na primeira pessoa e vou confessar uma forte emoção que senti no meio da apuração de uma matéria.
No dia 1º de dezembro, se não me engano, minha editora no Último Segundo, a ligadíssima Mariana Castro, me provocou: “Você não gostaria de fazer uma matéria sobre adoção?” Pensei: “Adoção??? Por quê?” Ela me explicou que o Brasil começou a montar este ano um cadastro nacional de adoção, no esforço de tornar mais rápido e eficiente os processos no País. Era novidade para mim.
Achei a idéia interessante, mas não tinha a menor idéia por onde começar. Fiz, então, o que qualquer repórter faz nestas horas. Liguei para uma pessoa que entende do assunto. Por sorte, sou amigo há muitos anos da apresentadora Astrid Fontenelle e sabia que ela havia adotado uma criança recentemente. Telefonei pensando que ela poderia me dar algumas informações sobre o processo de adoção, mas ao ouvir a sua história fui imediatamente fisgado pela sua história – e resolvi incluí-la na reportagem.
Por conta de uma dica da Astrid, procurei a Vara de Infância de Santo Amaro, a maior de São Paulo. Telefonei para o local e pedi para falar com algum assessor. Para minha surpresa, em menos de um minuto já estava conversando com o juiz Iasin Issa Ahmed, que me convidou a visitá-lo no dia seguinte.
Cheguei à Vara de Infância 20 minutos antes da hora combinada, o que me permitiu acompanhar, da ante-sala do juiz, um caso dramático que se desenrolava ali, naquele instante. Um garoto de 7 anos aguardava, sentado no sofá, ao meu lado, enquanto o juiz, na outra sala, procurava convencer a sua avó, guardiã do garoto, a também cuidar de seus dois irmãos menores.
Jandira, a zelosa secretária do juiz, tentava ocupar o menino com bichos de pelúcia, material para desenho e balas, no esforço de evitar que ele ouvisse o que se discutia lá dentro. Na falta de pai, mãe ou outro responsável, os dois irmãos seriam dados para adoção. O juiz, ao final, conseguiu localizar um parente distante em Vitória da Conquista, que topou ficar com a guarda das duas crianças.
Por mais de três horas, em seguida, entrevistei o juiz Iasin, a psicóloga Célia Regina Cardoso e a assistente social Solange Rolo. Ouvi histórias inacreditáveis, de devolução de crianças rejeitadas pelos pais adotivos e que voltaram a morar em abrigos. De crianças conscientes da situação de abandono que vivem e que pedem para ser adotadas. De irmãos separados por falta de candidatos a adotá-los em conjunto. E muito mais tristeza…
Até que o juiz Iasin contou a história da menina de 6 anos, largada em um abrigo, depois de ter morado dentro de uma Kombi com a mãe viciada em drogas. Em uma visita ao abrigo, a menina perguntou ao juiz: “Eu vou para a Itália?” Iasin se encantou por ela e cuidou pessoalmente de achar candidatos a adotá-la. Mas antes lhe disse: “Eu vou escolher os pais para você, mas você tem o direito de dizer que não gostou”.
Nessa hora, me dei conta, estava com os olhos cheios de lágrimas. Tentei disfarçar, prossegui com as minhas perguntas, anotei as respostas e fomos em frente. Mas estava, definitivamente, fascinado pelo assunto. O resultado, a reportagem “Uma tarde na Vara de Infância: histórias de crianças adotadas, recusadas, devolvidas e obtidas ilegalmente”, acho que trai a emoção que senti lá. Publicada na segunda-feira, 8 de dezembro, acabou sendo uma das reportagens mais lidas da semana no iG.
Ao longo destes dias, publiquei outros quatro textos sobre o assunto. Para quem tenha interesse, mas não acompanhou, aqui vão os links:
1. Adoção a estrangeiros pode levar até dois anos
2. Solteira, 47 anos, mãe de uma criança de 40 dias
3. “Criança não é televisão, que você compra, não gosta e depois devolve”, diz Marcelo Antony
4. Leitores relatam dramas e alegrias do mundo da adoção
A série, longe de esgotar o assunto, foi uma oportunidade de tratar de um tema muito delicado, complexo e polêmico. Pelas reações dos leitores, mesmo os que manifestaram os seus preconceitos, pude observar que as reportagens contribuíram, de alguma forma, para desarmar alguns espíritos contra a adoção e expor as muitas dificuldades envolvidas no processo. E, particularmente, a série me ajudou a tomar contato com um mundo que eu conhecia pouco e que me tocou muito.




Oi Maurício, gostei muito desta série.Também sou candidata a adoção.Me cadastrei este ano, moro em Porto Alegre e estou aguardando com muita espectativa.gostaria de saber mais sobre adoção.Acho o ato de adoção algo muito prá lá de especial.
Estou tentando, mas é bem demorado pelo que soube.Ás vezes se opta pelo caminho mais curto, pois a necessidade de uma criança ter uma família é tão grande ,quanto a de uma família ter uma criança.Então por que não agilizar?
Quero saber mais sobre esse assunto.
Um grande abraço
Neli
Eu e meu marido estamos na fila de adoçao faz puco tempo, ja temos duas filhas bilogicas, mais estamos curtindo muito essa etapa na nossa vida e foi muito legal ler as reportagens sobre o assunto . Parabens .
Eu trabalho em um abrigo como educadora e sei como é sofrido para essas crianças não contarem com um pai ou mãe, nosso trabalho além de cuidarem delas é de resgatar a esperança perdida principalmente daquelas que são devolvidas,sem falar é claro da burocracia em se adotar uma criança especialmente em São Paulo,parabéns pela reportagem acredito que com a informação possamos mudar essa realidade.
Quem é pai de uma criança adotada,acredito que irá concordar comigo,a palavra adoção nem deveria existir para significar esta relação, pois amo tanto ou mais do que o biologico, não adotei ninguem, fui beneficiado, pois fui aceito por um ser especial,tive o privilegio de poder ser pai mais uma vez, acredito que minha filha sempre foi minha, mesmo antes de nascer,ela simplesmente veio ao mundo atravez de outra pessoa, por isto sou muito grato a ela por me perdoar e ter este trabalho todo para chegar até nos, não sou um pai que adotou, sou só um pai.
Amor de Pai
Que sentimento é este, que nos aquece, que nos faz sentir grande e importante.
Que sentimento é este, que é agradável, que ocupa cada pedacinho do nosso ser.
Que sentimento é este, que se pudéssemos coloca-lo em um lugar, jamais conseguiríamos achar algo tão grande e infinito.
Como é gostoso ouvir meus filhos dizerem pai ou papai, como é gostoso vê-los,como é delicioso sentir seus abraços e beijos, como é bom simplesmente sentar ao lado deles e poder vê-los crescendo.
Filhos, é o elo mais perto de Deus que temos.
Sobre a morte, o único medo que sinto, é sentir saudades deles, pois morreria infinitamente a cada dia afastado deles.
Filhos, eles nem imaginam o quanto são importantes, mesmo quando nos respondem, ou nos magoam, continuam sendo importantes e perdoados imediatamente.
Se fazem algo bom, nos sentimos imediatamente e eternamente orgulhoso.
Se erram ,somos capazes de assumir a culpa para protege-los e mesmo assim continuamos a ama-los do mesmo modo e intensidade.
Filhos, todos são lindos e maravilhosos.
Obrigado meus filhos, por me permitirem sentir isto tudo.
Obrigado senhor meu Deus por tão grande presente.
Papai Luiz.
Para meus queridos filhos. Luila e Eduardo.
meu esposo eu estamos entrando na fila da adoção, fico contete pelas reportagens q leio, acredito q é por aí, tem q divulgar, as pessoas tem que perder o medo , se quer um filho por que não adota-lo.
tenho 2 filha , e espero que essa criança q tanto amo, que ainda não aconheço chegue logo,é como gestação qualquer hora acontece e nós estamos esperando c/ muito amor e carinho.
parabéns pelas reportagens,não para pois o assunto edifica muito…
Eu e minha esposa, entramos na fila a dois anos, na minha cidade e em outras menores. Rezamos para Sta Rita de Cassia, para que Deus nos desse a graça de termos a felicidade de sermos aceito por uma criança, e que esta criança fosse de boa indole/alma.
Apos 2 anos, o telefonema, se saber nada, acreditando em Deus, aceitamos a criança recem-nascida. Depois, é que ficamos sabendo que era uma menina de cor parda. fomos busca-la.
Hoje minha filha, é uma linda menina, risonha, feliz, que demonstra um grande amor por nos. Da nossa parte, não preciso falar nada, ela é nossa vida, amamos ela incondicionalmente.
Ser PAI é maravilhoso, não existe pai adotivo, pai é pai, mãe é mãe, é quem dá amor e carinho, e recebe em troca amor e carinho.
Amo minha filha, que Deus a abençoe; pois a mim já abençoou com a chegada dela.
Mauricio, li e reli suas matérias várias vezes e todas as vezes me emociono.Desde o último comentário q eu deixei ( q ha 2 anos aguardo a guarda provisoria), resolvi ir ao forum e sair de lá somente após ser atendida por uma A.S e fui após horas de espera.Pelo menos minha entrevista com a AS e psicologa foi marcada para o final de Fevereiro, em vista de como estava já foi um grande passo.Gostaria muito de acreditar q esse cadastro nacional irá facilitar a busca de tantos pais e filhos, mas está muito longe disso….infelizmente…
abs
Resposta do Mauricio:
Desejo boa sorte a vc. E obrigado pela visita no blog
Maurício,
Li a sua matéria sobre adoção com muito interesse, pois estou na fila para adoção em São Paulo há dois anos, e com muito respeito pelo profissional que você é.
Há realmente algo de errado no sistema de adoçao neste país, pois como é que alguém famoso que está há apenas 1 ano e alguns meses na fila, conseguiu adotar uma criança (graças a Deus) extamanente como ela queria (recém-nascida, o que é MUITO DIFICIL segundo assistentes sociis, psicologas, etc… ) e MUITAS PESSOAS, MAS MUITAS MESMO ESTÃO NA FILA HÁ TANTOS ANOS COMO EU?
É PRECISO conhecer algum Juiz???? Quais são os mecanismos??? Quais são os critérios???????
Acho que estas respostas virão como consequência da sua matéria de da série Adoção no Brasil que o IG está fazendo.
um grande abraço!
Parabéns, Maurício!
As Varas da Infância e Juventude sempre são tratadas como “curva de rio” pelo Poder Judiciário. São poucos os juízes, promotores, servidores que se dedicam a essa área.
Fiz estágio no último ano de faculdade (1996) nessa vara em Ponta Grossa (PR). Além dos processos de adoção, havia diversas medidas previstas no ECA que tomávamos diariamente. Me lembro de uma delas. Uma recém nascida, filha de mãe aidética que havia morrido, não tinha nome, nem registro civil.
Minha tarefa de estagiário do Juiz era redigir os despachos e tinha de dar um nome pra essa criança, pois havia mais de 300 processos esperando despacho e o Juiz responsável pela Vara também atendia o Juizado Especial Criminal e a 2ª Vara Criminal e não poderia analisar aquele caso, só assinaria o despacho já redigido.
O caso chamou atenção entre os servidores do cartório. Nos reunimos e dedidimos chamá-la de Sofia.
Mauricio, Primeiro quero parabenizá-lo pela matéria. Todos os dias eu pesquiso na internet noticias sobre adoção e quando me deparei com sua reportagem, todos os dias eu ficava ansiosa pela matéria do dia.
Essa ansiedade é explicada pois estou na “fila” de adoção, é um sentimento muito dificil de sentir, uma ansiedade, às vezes dá vontade de chorar, como alguns dias tem acontecido, choro por quem ainda não está comigo.
Quando li a sua entrevista com o juiz do Fórum de Santo Amaro, fiquei muito emocionada em saber que ele se importa, ele trabalha arduamente para a colocação dessas crianças em uma família, eu fiquei muito feliz. Por outro lado, percebi que as outras notícias tratavam de histórias sobre adoção, sendo que as pessoas que querem adotar, segundo o cadastro mais de 12 mil pretendentes, entre eles a maioria casais, veja que esse número é ampliado quando consideramos as famílias envolvidas (pais, tios, irmãos, sobrinhos, amigos, etc..) esse número de pessoas interessadas é assombroso!!! Por isso, eu recomendaria que fizessem mais matérias, mas com foco único e exclusivo do que acontece nos fóruns e nas varas da família, a experiência dessas psicologas, assistentes, juizes e promotores… isso interessa muito!!!
Ainda, é muito importante sabermos como é o andamento desta fila, estatisticas de quantos adotam por mês em cada região, quantas crianças são adotadas (já que o cadastro nacional é um facilitador para divulgação desses dados). Nós que estamos na fila precisamos de um norte, dessas informações que são preciosas para sabermos o quanto ainda temos que esperar. Pois tudo que ouvimo é “depende das caracteristicas da criança”, sim, depende disso, mas todos nós temos o direito de saber estatisticamente quanto tempo temos que esperar, afinal nos deparamos com depoimentos de quem espera há 2, 3, 4 e até 5 anos. Não é possível!!!
Espero ter sua compreensão, pois trata de um desabafo de quem vai completar um ano na fila por uma criança, não tão pequena assim, afinal o meu pedido é de até dois anos….
Um grande abraço!!!
Anonimo
Maurício, fiz estágio na VIJ Central e acompanhei de perto muitos desses dramas…
É algo que realmente nos emociona, e mesmo como psicóloga, tive muita dificuldade em entender a cabeça de pessoas que abandonam seus filhos, de pessoas que adotam e os devolvem como se fossem mercadoria, e da venda de crianças…
Muitos absurdos acontecem por aqui, e temos que acabar com isso!
Um amigo meu me enviou este link, ele está tentando adotar uma criança, mas por uma série de motivos que não posso comentar aqui não está dando certo…
Ele vai entrar em contato com vc, e espero que vc possa ajudá-lo…
Se todos nós unirmos nossas forças, poderemos melhorar o mundo…
Parabéns pela matéria e pela sensibilidade!
Olá, eu estava muito chateada hoje, com o caso de um amigo meu, o mesmo que a Adriana escreve acima e meio que fuçando a respeito de adoção li sua matéria e enviei ao meu amigo, sabe, pode ser que eu esteja enganada ou não, mas pela sensibilidade que você teve na sua matéria e pelo faro investigativo de um reporter achei que você seria uma das pessoas que pode nos ajudar, nos acrescentar nessa batalha….
Abraços
Milena
Primeiro quero parabenizá-lo pela matéria,sou estudante do 2º periodo do curso de Direito em maceió-al,vou apresentar um seminário na faculdade cujo tema é “Adoção e Guarda”, confesso que eu também, assim como vc, não tinha a menor idéia por onde começar esta pesquisa, mas sua reportagem ajudou bastante.
olá , primeiro parabéns pela iniciativa .Meu sonho de ser pai e maior que tudo ,vc naõ pode nem imaginar,atrvés da reportagem ficarei sabendo mais como fazer uma adoção ou melhor como fazer para ser pai .Por favor mande por e-mail como fazer para casais de homosexual adotar uma criança,por que sou gay sou casado e temos um sonho muito grande de ser pai.Existe várias formas ilégais que conguecemos mas não queremos fazer assim ,por favor me ajude!!
Olá, sou Adriana mãe adotiva de gêmeos!É pessoal, gêmeos lindos de morrer que agora estão com 2 anos e 8 meses. A nossa história é verdadeiramente linda, onde o encontro de nossos espíritos já era escrito por Deus para nossas vidas! Se nosso maravilhoso repórter que se dedicou tanto a esta reportagem quiser conhece-lá estou á disposição para contar!O amor que uma pessoa dedica a um ser que não foi gerado por ela, que também não pode amamentá-lo não da pra descrever em palavras, mas de uma coisa tenho certeza eles nunca foram de ninguem, somente meus! E um aviso aos casais em filas de espera: NÃO DESISTAM DESTE SONHO, EU SEI QUE É DIFÍCIL, ÁS VEZES ACHAMOS QUE NUNCA VAI ACONTECER, MAS “ELES” ESTÃO LÁ ESPERANDO POR VOCÊS!NÃO DESISTAM “DELES”!!!!! Meus filhos me fizeram acreditar em milagres e na verdade quando dizem “que sorte eles tiveram”, eu sempre respondo: “Não, a grande sortuda sou eu, pois eles salvaram minha vida!!!!!!!!” Obrigada!
Sou solteira, 40 anos e tenho uma filha de 7 anos que adotei com 2 dias de vida. Confesso que não tenho nada a reclamar da justiça pois todo o processo correu com muita naturalidade. A minha queixa é quanto aos sitemas que dificultam o reconhecimento da adoçao. Por exemplo; uma creche não aceitou q eu fizesse a ficha da minha filha (na epoca com 8 meses) pois eu não era a mae e nao podia responder as perguntas da entrevista (quem a conhecia melhor do que eu?); sou funcionaria publica e meu plano de saude é pela prefeitura e nao pude incluir minha filha no plano ate que a certidao de nascimento fosse efetivada em meu nome (o que aconteceu depois de 1 ano e meio); o direito a licença maternidade tb so foi liberado com a conclusao total da adoção e minha filha desde os primeiros dias teve que ficar com babas. Acho que as autoridades judiciarias deveriam reconhecer os direitos das crianças e forçar os orgão publicos a reconhecer a guarda para fins de adoção.
oi pessoal, Tenho 23 anos e uma filha biologica de 4 aninhos tenho muita vontade de adotar uma criança, da mesma idade da minha, mais tenho medo por causa da idade ou de não conseguir trata-lá como eu trato a minha biologica, isso passou pela cabeça de vcs que ja adotarão?? Sera que realmente o amor é o mesmo?? obrigada
Tenho 42 anos, sou solteiro e tenho hoje uma vida de certa forma estável, eu consigo adotar uma criança? ou há restricões na lei para pessoas solteiras?
acompanho esta matéria a algum tempo, e percebi que a insistência da Juiza de direito da comarca de Baln. Camboriu ( vara da Familia) deu certo, ela é uma das pessoas que mais contribuiu ao Projeto de lei do Dep. federal João Matos de SC, autor da lei.
Os louros em queser dado a quem merece.
Se hoje a adoção fico mais fácil se deve a ela.