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01/12/2008 - 15:23

Não deixe “Terra Vermelha” passar em branco

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Um amigo que assistiu “Terra Vermelha” neste domingo à noite, em São Paulo, me conta que a sessão estava às moscas. Uma pena. Sei que, para muita gente, a idéia de sair de casa para ver “filme de índio” ainda pode assustar, mas recomendo arquivar o preconceito – ao menos momentaneamente.

Dirigido pelo italiano Marco Bechis, “Terra Vermelha” abriu a 32ª Mostra de Cinema de São Paulo. Escrevi, na ocasião, que é uma espécie de filme-manifesto sobre a situação de índios guarani-kaiowá na região de Dourados, no Mato Grosso do Sul. A cena de abertura, por si, já vale uma ida ao cinema (mas não vou contá-la, pode ficar tranqüilo).

Um dos temas abordados por “Terra Vermelha” é o da “epidemia” de suicídios de jovens índios dessa tribo. Já há mais de 500 casos relatados entre os guarani-kaiowás, a maioria jovens do sexo masculino. Bechis trata do assunto de forma aberta, sem apresentar respostas prontas ao drama. Também mostra a complicada relação destes índios com a “civilização”, representada por fazendeiros, comerciantes e exploradores de uma mão de obra barata e pouco esclarecida.

Na sessão de abertura da mostra, o cacique Ambrósio Vilhalva, ator no filme, no papel do líder indígena Nádio, falou ao público: “Os índios estavam embaixo do tapete. Eles (a equipe de filmagem) vieram e colocaram em cima da mesa. Agora tem que continuar esse trabalho”. Reitero o recado: não deixe “Terra Vermelha” passar em branco.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,

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13 comentários para “Não deixe “Terra Vermelha” passar em branco”

  1. josé marcos r soares disse:

    acho que além de esclarecer os indios tem que passar tecnicas de sobrevivência , plantio, criação de animais, e aprimoramentos e conservação de remedios naturais que conhecem e usam.
    Ainda importante eliminar a palavra nação indigena (território sim) , pois que nação é independente e podem ser explorados e como já são por ( missões ) que estão levando amostras e sementes de plantas medicinais e frutiferas, e todo território demarcado´ser de propriedade do governo federal.

  2. zezao disse:

    O governador do estado, italiano naturalizado brasileiro, e quem atiça os sentimentos anti-indigenistas dos latifundiarios e grileiros que dominam a politica local, a imprensa nacional e as entidades de de defesa direitos humanos deveriam começar a monitorar as atitudes desse arremedo de mussolini pantaneiro.

  3. Walquiria Domingues disse:

    Vamos sim assistir! É a nossa cultura, nossas raízes… está na hora de parar com essa apatia contra tudo que se mostra diferente, os índios são um retrato vivo da nossa riqueza cultural. Não vamos deixar acontecer o mesmo triste fim dos demais povos espalhados pelo mundo, que caminharam para a extinção! Eu faço a minha parte e vc??

  4. Deusdedit R Morais disse:

    Arquivar momentâneamente o PRECONCEITO?
    Maurício, que tal se abolíssemos todo e qualquer preconceito?

    Os nossos “intelectuais” de jornal não se emendam; e isto explica este país.

    Melhoras.

    Resposta do Mauricio
    Isso seria o ideal, claro.

  5. Lilian disse:

    Achei interessante o comentário sobre o filme. Espero que também ache…

  6. Aide disse:

    Assistirei com certeza.
    Sou filha de paraguaios, falo guarani e muito me interessa o tema. Além de ser cinéfila.
    Imagino que muitas pessoas sabendo da situação dos indígenas imaginem que vai o filme vai “incomodar”.
    A maioria das pessoas querem ir ao cinema como entrenimento, dar boas risadas, botar pra fora seu lado mais agressivo. Acredito que por isso os filmes hollywoodianos façam tanto sucesso. Imagino que no inconsciente das pessoas tenha algo como “vou ver um filme e depois me sentir culpado por não estar fazendo nada”. “Índio, eu não sou indio, cadê os índios, eu não tenho nada com isso”…
    Colocando um paralelo. O documentário sobre a velha guarda da portela só teve “um pouco mais de público” porque nela atuou a Marisa Monte.
    Parece que tem que colocar um chamariz, um estímulo, para tentar despertar nas pessoas o interesse.
    Portanto, antes de qualquer coisa, precisa de estímulo(educação)para que as pessoas tenham interesse em ir ao cinema e ver coisas “boas”.

  7. Murilo Assis disse:

    A questão não é só ” PRÉconceito” é um racismo mal disfarçado que grande parte da população brasileira tem contra índigenas, negros, nordestinos, mestiços e até pessoas de origem oriental.

    Para se comprovar isto, basta observar por alguns minutos a programação das novelas, os jornalistas dos telejornais, as pessoas nos comerciais em nossas TV’s….não se vêem pessoas com traços indígenas, negros, gordos, mestiços, orientais ou pessoas que não se enquadrem no padrão ocidental de “beleza”, isto é, de aparência européia.

    Se isto não bastar, observe onde você trabalha e faça uma estatística sobre a origem e aparência externa (fenótipo) das pessoas que estão bem colocadas profissionalmente e nos nos mais bem remunerados postos…, 99,99999% são de aparência caucasiana européia, por outro lado observe aqueles que estão na base da pirâmide social, a maioria é de origem aparência indígena, negra, nordestina, idosos e mestiços.

    É sintomático isto não?!!! Não existe racismo?

    Vivemos em um “aparthaid” não oficial mas que prejudica e atrasa o nosso país, por mais que o Brasil cresça economicamente se não mudarmos a nossa mentalidade e o nosso espirito vamos continuar um eterno país do 3º mundo e desigual.

    Imagine como deve ficar a cabeça de nossas crianças que não têem a aparência “apropriada”, imagine a auto-estima destes pequenos seres sendo bombardeados dia e noite com propagandas mostrando crianças de aparência nórdica e que nunca mostram alguém com sua aparência, desde o início estamos criando gerações de pessoas que crescem com o famoso complexo de “vira-lata” admirando tudo o que vem dos EUA e Europa, desde artistas, filmes, modo de pensar, vestir, cultura em geral e a menospresar o que é genuinamente nosso ou que venha de algum país do 3º Mundo”.

    Bom este é o meu recado…um bom dia a todos e pensem a respeito!!!!!

  8. max antonio souza morais disse:

    Conhecer a verdade liberta, já disse Jesus, mas a questão indígena demora para ser conhecida, não é bom gente como zezão, que nunca viu um grileiro nem um latifundiário de perto desancar nosso governador eleito, como se fossem os culpados pela difícil situação das gentes brasileiras, como também os índios. Sou vizinho de guaranis, nesta semana um deles assassinou uma velha senhora, que morava com sua filha e neto em sítio vizinho, os vizinhos brancos estão apavorados. E aí?

  9. Murilo Assis disse:

    Estimado Max Antonio,

    Não é necessário ver um grileiro ou latifundiário prá saber que eles existem e como funciona e sempre funcionou o “modus operandi” deste tipo de gente para serem o que são.

    Por outro lado não é porque “1″ único índio guarani matou uma senhora “branca” que vamos “PRÉconceber” que todos os índios guaranis são assassinos em potencial e que todos os brancos correm sério perigo de serem massacrados …se nos basearmos nisto eu diria que o contrário é verdadeiro…eles devem nos temer.

    E como você mesmo diz: A Verdade liberta eu digo que “O Medo afasta e aprisiona”

    Estranha é a vida né? uma pessoa branca vê uma pessoa de aparência diferente da sua (indigena, nordestina, negra) e logo pensa que sofrerá algum tipo de violência, porém, desde os tempos do descobrimento do Brasil são estas mesmas pessoas que foram violentadas física e metalmente, saqueadas de tudo até a alma…acho é que eles é que deveriam temer!!!
    tirara…

  10. zezao disse:

    Adesivo que circula em campo grande/mato grosso do sul: ao fundo a bandeira do estado e os dizeres “aqui nâo” em relação a demarcaçao de terras legitimas dos indigenas. Aqui no mato grosso do sul um italiano se acha no direito de confrontar a historia dos primeiros brasileiros da regiao e que lutaram para manter nossas fronteiras, seria comico se nao fosse tragico.

  11. sonia disse:

    sou de Dourados e fiquei decepcionada com o povo de dourados, o cinema no dia que assisti tinha 08 pessoas

  12. [...] – neste caso, dirigido por um italiano, Marco Bechis. Apesar do apelo feito por este blog (Não deixe “Terra Vermelha” passar em branco) o filme foi visto até hoje por apenas 4.502 espectadores, segundo o Filme B, empresa [...]

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