Arquivo de dezembro, 2008
29/12/2008 - 05:16
Depois de cinco meses de atualização diária, este blog anuncia uma breve pausa, de uma semana. Agradeço a atenção dos que me visitaram, em particular, dos que dedicaram seu tempo escrevendo críticas, apontando erros e fazendo sugestões. Também agradeço muito aos 15 blogueiros, muitos dos quais não conheço pessoalmente, que, neste período, incluíram links deste espaço em seus blogs. É uma honra saber que o trabalho feito aqui interessa a outros colegas.
A inédita experiência de fazer um blog foi uma das grandes alegrias de 2008. Espero conseguir, em 2009, aproveitar o conhecimento adquirido neste período e melhorar a qualidade do material publicado neste espaço.
Feliz 2009 a todos os leitores!
Este blogueiro estará de volta em 5 de janeiro – ou, caso seja necessário, em atualização extraordinária.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog
Tags: 2009
28/12/2008 - 14:26
Escrevi na semana passada sobre o lançamento do álbum “No País dos Sovietes”, até então inédito no Brasil. Trata-se da primeira aventura de Tintim, escrita por Hergé em 1929. Somente depois de publicado o post no blog , tive a oportunidade de ler a ótima reportagem sobre Tintim na edição especial de final de ano da “Economist”.
Por conta justamente da data – os 80 anos da publicação de “No País dos Sovietes” – 2009 promete ser uma espécie de “ano Tintim”. Na Bélgica, deve ser inaugurado um museu dedicado ao trabalho de Hergé (1907-1983). Quem visitou as obras ficou impressionado com a ambição do projeto do museu. “A seriedade da arquitetura embute uma mensagem. Este não é um parque temático, mas uma galeria de arte”, escreve a “Economist”.
A revista fala também do projeto de Steven Spielberg de realizar um filme de ação baseado em Tintim. Já em pré-produção, o filme transformará o personagem, hoje mal conhecido nos Estados Unidos, numa franquia mundial. Spielberg, segundo um assessor de Hergé que negociou com ele, enxerga Tintim como “um Indiana Jones para crianças”. Em tempo: o nome verdadeiro do criador de Tintim era Georges Remi; suas iniciais, lidas ao contrário, RG, formam o som Hergé em francês.
O artigo da “Economist” lembra que, diferentemente de Tintim, um repórter que nunca escreveu uma reportagem e não tinha preocupação alguma com valores materiais, Hergé sempre cuidou muito bem de seu patrimônio, hoje administrado pela viúva Fanny e seu segundo marido. Mais de 200 milhões de álbuns já foram vendidos, e o personagem ilustra diferentes produtos licenciados – jogos, quebra-cabeças e livros para colorir, entre outros.
Além do racismo, da defesa da política colonial belga e do anti-comunismo tacanho, expressos em diferentes álbuns, Hergé também manifestou um claro anti-semitismo em alguns momentos de seu trabalho, em particular durante a ocupação nazista na Bélgica, lembra a “Economist”. “Há uma relação entre Hergé, este homem decepcionante, e sua criação, Tintim, que luta contra os déspotas com tanta bravura. Está na racionalização da impotência: uma preocupação bem européia”, escreve o autor do texto.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags: 1929, 80 anos, Hergé, museu, No País dos Sovietes, Steven Spielberg, Tintim
27/12/2008 - 20:54
Duas cenas cariocas neste sábado, dia 27, entre o Natal e o Ano Novo.
São 20h e o Shopping Leblon está lotado. Em frente da loja Armani Exchange forma-se uma longa fila. Contei 47 pessoas. Todos aguardam para entrar. O segurança só permite a entrada depois que alguém sai. A loja está em liquidação. Oferece tudo com 50% de desconto. Pergunto ao terceiro colocado na fila há quanto tempo ele aguarda para entrar: “Uns 40 minutos”. Ele me chama a atenção para o fato de que Nalbert, jogador de vôlei, está dentro da loja. Olho lá dentro e só vejo Tande, outro jogador. Pergunto ao segurança o que se passa: “A loja está cheia”, ele responde.
Às 20h30 já estou no Bracarense. O boteco está lotado. Muita gente no balcão, nas mesas na calçada e em pé. Um grupo, orgulhoso, começa a cantar gritos de guerra do Vasco. Da outra ponta do bar, a resposta é clássica: “Ão, ão, ão, segunda divisão!!!”
Um cliente se aproxima do balcão e pede:
- Me dá a champagne baby que eu botei para gelar. Os caras acabam de anunciar o casamento!!!
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica
Tags: Bracarense, Leblon, Shopping Leblon
26/12/2008 - 15:46
Para quem é fã de telenovela – ou tem curiosidade acadêmica sobre esse gênero – acaba de sair um livro muito interessante. “Autores – Histórias da Teledramaturgia” (editora Globo, R$ 72) reúne, em dois volumes de 482 páginas cada, entrevistas com 16 autores da Rede Globo. O livro foi feito dentro da emissora, no contexto do projeto Memória Globo, mas está longe de ser “chapa-branca”, como escrevi no Último Segundo.
A entrevista mais divertida, de longe, é a que foi concedida por Benedito Ruy Barbosa. Exímio contador de “causos”, o autor de “Pantanal”, “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra”, entre outras, descreve no livro a origem de diversos enredos e personagens que criou. Um dos mais impressionantes é “seu” Visita, um matador que Barbosa conheceu na Bahia e que serviu de inspiração para criar o personagem Damião, vivido pelo ator Jackson Antunes em “Renascer”. Eis um trechinho da longa – e saborosa – história contada pelo autor da novela:
Então eu disse: “Seu Visita, ainda que mal lhe pergunte, é verdade que o senhor tem mais de 30 mortes nas costas?” Ele fez que não ouviu: “Quantas?”. “Trinta”, eu respondi. “É o que contam por aí?”, ele perguntou, emendando: “Tenho não. Minha mesmo, por causa de assunto pessoal, desavença ou acerto, foram quatro. O resto foi tudo de mando. Tenho nada que ver com isso. Quando eu for para o céu ou para o inferno, se perguntarem, não vou dar conta disso, não.” E acrescentou: “Quando eu era moço, era gatilho de covarde”. Coloquei essa frase na novela, na boca do Damião que, para mim, era o próprio seu Visita.
Foto: Cícero Rodrigues
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão
Tags: Autores Histórias da Teledramaturgia, Benedito Ruy Barbosa, Damião, Jackson Antunes, Memória Globo, Renascer
25/12/2008 - 14:23
Quando morei em Roma, entre 1991 e 1992, houve uma polêmica interessante a respeito da restauração do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Como se sabe, antes mesmo da conclusão do trabalho, algumas das cenas pintadas por Michelangelo chocaram a Igreja, que encomendou a outro artista pintar véus e ramos de árvores sobre o sexo de figuras retratadas. A questão que surgiu durante os trabalhos de restauro é se os “tapa-sexos” acrescentados à obra-prima deveriam ser mantidos ou removidos.
Venceu a idéia de que a restauração deveria recuperar a imagem da obra tal como fora concebida. Mas me chamou a atenção, na ocasião, a tese de alguns historiadores da arte, defensores da proposta que manter os “tapa-sexos” seria importante como forma de lembrar um episódio clássico de censura.
Lembro disso a propósito do lançamento de “No País dos Sovietes”, primeira aventura que o cartunista belga Hergé (1907-1983) escreveu com o repórter Tintim e seu cãozinho Milu como protagonistas. Como é notório, o personagem nasceu, em 1929, por encomenda do abade Norbert Wallez, diretor do “Século XX”, um jornal de inspiração católica e de direita, e sofreu críticas por reproduzir uma visão de mundo colonialista e, em alguns casos, racista.
Várias das histórias escritas para o “Petit Vingtième”, o suplemento infantil do jornal, foram posteriormente adaptadas por Hergé – ganharam novas formas, cores e tons. A única aventura jamais reformulada foi justamente a primeira, “No País dos Sovietes”, que permaneceu na versão original, em preto-e-branco, e deixou de circular na década de 30. Em 1973, Hergé autorizou a reedição de “No País dos Sovietes”, tal como a concebeu em 1929. É esta a história que ganha a sua primeira edição no Brasil (Companhia das Letras, 144 págs., R$ 42).
Lendo, entende-se o constrangimento que deve ter causado a Hergé, explica-se o fato de o cartunista ter tirado a história de circulação por mais de 40 anos e jamais ter dado nova forma a elas. As aventuras de Tintim “No País dos Sovietes” expõem um preconceito primário contra o regime comunista, que vigorava na então União Soviética. Tintim é chamado de “pequeno burguês nojento” pelo policial encarregado de matá-lo. O repórter é caçado ao longo de toda a história no esforço que não revele “a verdade” sobre os “bolcheviques” para o mundo ocidental (clique na imagem acima para ampliá-la).
Mesmo para os fãs, “No País dos Sovietes” não deve entusiasmar. Mas a publicação da história, dentro das obras completas de Tintim, acrescenta algo importante à compreensão do trabalho de Hergé. É um retrato interessante não apenas da época em que ele vivia, mas também da sua trajetória como criador. É uma peça histórica, que tem muito mais interesse sendo contemplada e apreciada do que escondida num arquivo.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags: Hergé, No País dos Sovietes, Tintim
24/12/2008 - 11:13
Um dos mais importantes romancistas americanos contemporâneos, Philip Roth expõe, no recém-lançado “Entre Nós” (Companhia das Letras, 176 págs., R$ 36), a sua curiosidade pela vida e pelo trabalho de colegas seus de ofício. O livro, publicado originalmente em 2001, com o título de “Shop Talk” (algo como “conversa de trabalho”), traz uma dezena de textos de Roth sobre as obras de nove escritores e um artista plástico.
Roth “conversa” (palavra sua) com Milan Kundera, Isaac Bashevis Singer, Edna O´Brien, e escreve também sobre Mary McCarthy, Saul Below e Bernard Malamud. O capítulo de abertura do livro, o seu encontro com Primo Levi, em Turim, é o meu favorito. Para além do fato de serem dois escritores que admiro, o texto de Roth é exemplar pelo que ele ensina sobre a arte de escrever um “retrato”, um perfil, de uma personalidade.
Primo Levi (1919-1987) era formado em química e exerceu essa profissão até se aposentar. Ao mesmo tempo, depois de sobreviver a uma temporada de um ano no campo de concentração de Auschwitz, desenvolveu uma carreira literária singular. Escreveu inicialmente um livro de memórias sobre a sua experiência, “É Isto um Homem?”, que é uma das obras-primas do século XX. Também publicou o não menos impactante “A Trégua”, adaptado para o cinema por Francesco Rossi, com John Turturro no papel do autor, no qual relata a longa viagem de volta, de Auschwitz para Turim, passando pela União Soviética.
Escreveu, ainda, novelas, poemas, contos e ensaios. Morreu em 11 de abril de 1987, ao cair do terceiro andar do prédio onde morou toda a sua vida – tudo indica que se suicidou, embora alguns biógrafos atribuam a queda a um acidente, em conseqüência de remédios que o escritor tomava.
Roth encontrou-se com Levi em setembro de 1986. Como ele conta, a conversa seria a continuação de um encontro ocorrido no ano anterior, em Londres. A primeira coisa que o escritor americano manifesta interesse em fazer é uma visita à fábrica onde o colega italiano trabalhou até se aposentar. Ao descrever a visita, em companhia de Levi, Roth cita um personagem de uma novela do escritor italiano:
Por mais distante que ela esteja do espírito de sua prosa, fica claro que a fábrica está muito próxima de seu coração; assimilando o que pude assimilar do barulho, do fedor, do mosaico de canos, tonéis, tanques e mostradores, pensei em Faussone, o aparelhador de A chave-estrela, e disse a Levi, que se refere a Faussone como “meu alter ego”: “Devo lhe dizer que me dá prazer ficar num lugar onde se trabalha”.
Em outro trecho da conversa, Roth mostra toda a sua argúcia ao descrever Levi – qualidade também necessária ao trabalho do jornalista:
Ao contrário do que pode parecer de saída, não causa surpresa a constatação de que os escritores, tal como o resto da humanidade, se dividem em duas categorias: os que sabem ouvir e os que não sabem. Levi sabe ouvir, com o rosto inteiro, um rosto modelado com precisão que, terminando na barbicha branca, aos 67 anos parece juvenil, lembrando o deus Pã, e ao mesmo tempo tem um ar de professor, a expressão de curiosidade irreprimível do estimado dottore.
Por fim, gostaria de chamar a atenção para uma passagem que expõe o preparo prévio de Roth para o seu encontro com Levi. O escritor americano observa:
Há um número impressionante de escritores que praticaram a medicina enquanto escreviam livros, e de escritores que foram membros do clero. T. S. Eliot era editor, e todo mundo sabe que Wallace Stevens e Franz Kafka trabalhavam em grandes empresas de seguros. Que eu saiba, apenas dois escritores importantes foram diretores de fábricas de tintas: você em Turim, na Itália, e Sherwood Anderson em Elyria, no Ohio. Anderson teve que largar a fábrica (e a família) para se tornar escritor; você, ao que parece, tornou-se o escritor que é ficando na fábrica e levando adiante a sua carreira lá.
E indaga:
Eu me pergunto se você se considera na verdade mais afortunado – até mesmo mais bem equipado como escritor – do que aqueles que nunca trabalharam numa fábrica de tintas e que, portanto, nunca tiveram as experiências que esse tipo de trabalho proporciona.
A resposta de Levi fala muito a respeito da sua personalidade:
Como já disse, entrei para a indústria de tintas por acaso, nunca tive muito a ver com a fabricação de tintas, vernizes e lacas. Nossa companhia, assim que abriu, se especializou na produção de esmaltes para fios, isolantes para condutores elétricos de cobre. No auge da minha carreira, eu era um dos trinta ou quarenta especialistas nisso em todo o mundo. Esses bichos pendurados aqui na parede são feitos de fio esmaltado.
Para ser sincero, eu não sabia nada a respeito de Sherwood Anderson até você mencioná-lo. Não, jamais me teria ocorrido a idéia de largar a família e a fábrica para me dedicar exclusivamente à literatura, como ele fez. Eu teria medo de dar esse salto no escuro, e teria perdido minha aposentadoria.
Mas tenho de acrescentar um terceiro nome à sua lista de escritores fabricantes de tinta: Italo Svevo, um judeu convertido de Trieste, autor de A consciência de Zeno, que viveu de 1861 a 1928. Svevo foi por muito tempo diretor comercial de uma companhia de tintas de Trieste, a Società Venziani, que pertenceu a seu sogro e que deixou de existir alguns anos atrás.
A íntegra do texto de Roth sobre Levi, em tradução de Paulo Henriques Britto, pode ser lida no site da editora Companhia das Letras, dentro da página (em “lançamentos”) com a descrição do livro “Entre Nós”.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura
Tags: A Trégua, É Isto um Homem?, Entre Nós, Philip Roth, Primo Levi, Turim
23/12/2008 - 13:35
Antes, eu tinha uma câmera fotográfica básica, que fazia fotos básicas. Agora, ganhei uma câmera moderna, cheia de recursos, que não apenas fotografa como também faz vídeos e fotos incríveis. Só falta eu aprender a usar a máquina.
Na segunda-feira à noite, saí para fazer uma reportagem sobre as atrações de Natal em São Paulo. Fiz várias fotos dos diferentes programas que enfrentei, a saber: a lama em volta do lago Ibirapuera, onde ocorria um show de luzes; a gigantesca árvore de Natal do parque apagada por causa do temporal; a enorme fila para entrar em um presépio na avenida Paulista às 22h30; e a quantidade de gente disparando o flash de suas câmeras fotográficas.
O problema é que, em vez de fazer fotos, acionei o dispositivo que faz vídeos. Não saiu uma coisa nem outra. Moral da história: a reportagem está publicada sem as minhas fotos, mas com imagens de arquivos. Espero, ainda assim, que esteja divertida.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo
Tags: avenida Paulista, Ibirapuera, Natal, São Paulo
23/12/2008 - 12:27


Esse blog não costuma apelar para este tipo de efeito especial, mas nesta terça-feira informo que a trilha sonora do dia é o CD “Quelqu´un m´a dit”, de Carla Bruni. Como todos devem saber, a primeira-dama da França comemora 41 anos neste 23 de dezembro. Em visita ao Brasil, ao lado do marido, o presidente Nicolas Sarkozy, Carla dá mais uma vez um show de beleza e simpatia. Como cantora, devo dizer, não é isso tudo, mas não faz feio. Não bastasse os conhecidos talentos, a moça escreve as letras e compõe as próprias músicas…
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Mundo
Tags: Carla Bruni, Quelqu´un m´a dit
22/12/2008 - 08:48
Domingo de compras nos Jardins, em São Paulo. Na alameda Lorena, a mulher passeia com o seu Yorkshire em meio ao movimento. Sem coleira, o cachorrinho sai correndo e entra numa loja. Sem graça, a mulher tenta explicar o que houve para o sujeito que assiste a cena sentado num banco, na calçada:
- Não sei o que ele tem. Ele sente alguma coisa quando passa em algumas lojas, e aí ele tem que entrar.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo
Tags: Jardins, Natal, São Paulo, Yorkshire
20/12/2008 - 09:40

O lançamento quase simultâneo de três livros com o objetivo de festejar a volta do Corinthians à Série A recoloca em pauta um tema muito sussurrado há um ano, quando da queda para a segunda divisão, mas jamais esclarecido: houve alguma “armação” ou “acerto” a favor ou contra o time na última rodada do Brasileiro de 2007?
Vamos recordar. O Corinthians enfrentou o Grêmio, em Porto Alegre. O Goiás, que também lutava para não cair, jogou contra o Internacional, em Goiânia. O Grêmio sonhava com uma difícil vaga para a Libertadores; o Inter não tinha interesse algum na sua partida, mas muitos jogadores guardavam um ressentimento do Corinthians. Na antepenúltima rodada do Brasileiro de 2005, no Pacaembu, o Inter perdeu as chances de chegar ao título por obra de um erro clamoroso de Marcio Resende de Freitas, que não deu um pênalti do goleiro corintiano Fabio Costa em Tinga e ainda expulsou o jogador do time gaúcho.
Em “A reconstrução do Timão” (Lance! Publicações, 234 págs., R$ 30), Maurício Oliveira e Rodrigo Vessoni asseguram que um dirigente do Corinthians ofereceu R$ 10 mil a cada jogador do Inter por vitória contra o Goiás. O atacante Gil, ex-Corinthians e na ocasião no Inter, foi o intermediário da proposta. “O nome do dirigente ficou mantido em sigilo a pedido das três fontes que confirmaram a proposta”, escrevem.
O atacante Fernandão, um dos mais irritados com o jogo de 2005, conversou com o goleiro Clemer, líder do grupo, e convocaram uma reunião da equipe colorada na véspera da partida com o Goiás para discutir a proposta levada por Gil. “Todos foram avisados sobre a grana oferecida pelo Corinthians. Fernandão citou o episódio de 2005, falou com mágoa do Timão, mas também sobre honra e dignidade. Depois da reunião, já à noite, Gil informou os amigos corintianos sobre a conversa”, relatam Oliveira e Vessoni.
Luis Augusto Simon, em “A saga corintiana”, já comentado por este repórter, afirma que Andrés Sanches, presidente do Corinthians, tem convicção que a queda do time “só se concretizou porque o Inter havia entregue o jogo contra o Goiás”. Menon, como Simon é conhecido, afirma em seu livro que Fernandão liderou o grupo dentro do Inter favorável à idéia de perder a partida, enquanto Clemer e Gil eram contra.
Escreve Menon: “Nada foi e nem será provado, mas se um dia Andrés puder escolher entre pagar R$ 1 mil para ter Fernandão por um ano ou R$ 10 mil para ter Fernandinho das Couves pelo mesmo período, não terá dúvidas sobre o que fazer.”
Outro fato curioso relacionado a este episódio: no intervalo do jogo entre Inter e Goiás, que estava 1 a 1, Abel Braga tirou Fernandão e Gil do time.
Oliveira e Vessoni contam ainda outra história cabeluda relativa à última rodada do Brasileiro de 2007. Na manhã de sábado, véspera dos jogos, Andrés Sanches deixou o hotel do Corinthians em Porto Alegre e sumiu. Só reapareceu no final da tarde. A um dos conselheiros do clube que questionaram a sua ausência, Andrés disse, segundo os autores: “Fui resolver uns negócios aí. Depois explico. Mas pode avisar que não vamos ter problemas amanhã”.
Escrevem Oliveira e Vessoni: “A promessa que haviam feito ao presidente do Corinthians e repassada à diretoria foi direta: se o Cruzeiro e o Palmeiras estivessem ganhando de America-RN e Atlético-MG, respectivamente, o que acabava com as chances de o Grêmio conquistar uma vaga na Libertadores-2008, o Corinthians teria a vida facilitada no Olímpico”.
O Goiás ganhou do Inter por 2 a 1, com um gol de pênalti, defendido duas vezes por Clemer e só convertido na terceira tentativa (o goleiro se adiantou nas três vezes) e terminou o campeonato em 16º lugar, com 45 pontos. Grêmio e Corinthians empataram em 1 a 1, resultado que deixou a equipe paulista com 44 pontos em 17º e a gaúcha em 6º, com vaga para a Sul Americana. O Cruzeiro venceu o América-RN por 2 a 0 e se classificou para a Libertadores. O Palmeiras perdeu do Atlético-MG por 3 a 1, em casa, e ficou sem vaga para a Libertadores.

Em tempo: o terceiro livro sobre a volta do Corinthians à Série A intitula-se justamente “Eu voltei!” (editora Gutemberg, R$ 57), de Daniel Augusto Jr., fotógrafo oficial do clube. É um álbum com belos registros de bastidores, aos quais só Daniel teve acesso, ao longo do ano, recheado com depoimentos de corintianos famosos. As duas magníficas fotos que ilustram este post fazem partem do livro e foram gentilmente cedidas por Daniel. A primeira (no alto) mostra a discreta comemoração, com um cartaz, dentro do vestiário, da volta do time à Série A e a segunda (ao lado) flagra um momento de devoção do zagueiro Chicão antes de uma partida, na campanha do time, em 2008, na Segundona.
Atualizado no dia 20, às 14h40: Alertado por vários internautas, corrigi o ano da partida entre Corinthians e Inter no Pacaembu. Foi em 2005, não em 2006. Obrigado a todos que avisaram. E atualizado no dia 21, às 10h, com a inclusão das duas fotos de Daniel Augusto Jr.
Atualizado mais uma vez no dia 22, às 15h. Alertado por um leitor, me dei conta que copiei errado uma palavra do livro dos jornalistas do “Lance!”, o que afeta a compreensão de uma frase: “Todos foram avisados sobre a grana oferecida pelo Corinthians. Fernandão citou o episódio de 2005, falou com mágoa do Timão, mas também sobre honra e dignidade”. Na versão original, escrevi que Fernandão falou com mágoa “do Tinga”, o que não fazia sentido. Desculpe a todos.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte
Tags: A reconstrução do Timão, A saga corintiana, Daniel Augusto Jr., Eu Voltei!, Luis Augusto Simon, Mauricio Oliveira, Rodrigo Vessoni
19/12/2008 - 10:37
“Gomorra”, de Matteo Garrone, um dos grandes filmes de 2009, estréia nesta sexta-feira no Brasil. Escrevi no blog em outubro, quando foi exibido na Mostra de Cinema de São Paulo, comparando-o com outro filme impactante, “O Silêncio de Lorna”, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, que também está entre os melhores do ano.
Indicado ao Globo de Ouro e candidato ao Oscar, na categoria filme estrangeiro, “Gomorra” é uma adaptação do livro de Roberto Saviano, jovem escritor, de 29 anos, ameaçado de morte pela Camorra, a máfia de Nápoles, desde que a obra foi publicada. Segundo Saviano, a Camorra movimenta 150 milhões de euros por ano e é responsável por cerca de 10 mil mortes anuais. Em entrevista a Rodrigo Fonseca, na edição desta sexta-feira de “O Globo”, o escritor e co-roteirista compara os dois produtos (livro e filme):
“Ambos são marcados pela ausência de juízos morais e pelo desejo de catapultar nosso leitor ou espectador para o centro de um turbilhão de eventos que eles não gostariam de testemunhar. Uma morbidez sã cerca ‘Gomorra’ em seu desejo de expor aquilo que, de cara, qualquer um repudia.”
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags: Gomorra, Matteo Garrone, Roberto Saviano
18/12/2008 - 14:58
O autor de “Feliz Ano Velho” lançou no final de novembro seu sexto romance, “A segunda vez que te conheci” (Objetiva, 196 págs., R$ 29,90), no qual narra o reencontro, depois de anos de separação, do jornalista Raul com a filósofa Ariela. Entre o abandono e o reencontro, Raul casou e separou de Fabi, melhor amiga de Ariela, perdeu o emprego na importante revista em que trabalhava (substituído por um talento mais jovem) e enveredou pelo ramo do agenciamento de garotas de programa.
Quase um roteiro de cinema pronto (ou uma peça de teatro), tal o predomínio dos diálogos, rápidos e bem construídos, “A segunda vez que te conheci” é também um retrato, ainda que inacabado, de um certo ambiente jornalístico que o autor conhece bem. Aos 49 anos, Marcelo Rubens Paiva freqüenta redações desde a década de 80 e deixa escapar no novo romance algumas reflexões, pouco edificantes, sobre este mundo. Reproduzo abaixo, o texto que ilustra o quadro “A Maldição do Jornalista”, que Fabi encontra preso na geladeira de Raul:
1. Não terá vida pessoal, familiar ou sentimental.
2. Não verá o filho crescer.
3. Não terá feriado, fins de semana ou outro tipo de folga.
4. Terá gastrite, se tiver sorte. Se for como os demais, terá úlcera.
5. A pressa será o único amigo, e as refeições principais serão sanduíches, pizzas e pães de queijo.
6. Os cabelos ficarão brancos antes do tempo. Se sobrarem cabelos.
7. Sua sanidade mental será posta em xeque antes que complete cinco anos de trabalho.
8. Dormir será considerado período de folga; logo, não dormirá.
9. Trabalho será o assunto preferido, talvez o único.
10. As pessoas serão divididas em dois tipos: as que entendem de comunicação e as que não.
11. A máquina de café será a melhor colega de trabalho, porém, a cafeína não fará mais efeito.
12. Happy hours serão excelentes oportunidades de ter algum tipo de contato com outras pessoas loucas como você.
13. Sonhará com sua matéria. E não raramente mudará o titulo dela e algumas palavras enquanto dorme.
14. Exibirá olheiras como troféu de guerra.
15. E, o pior, inexplicavelmente, gostará disso tudo.
Será que Paiva exagerou? Você conhece algum jornalista assim?
Em tempo: aproveito este post para lamentar publicamente que a crônica semanal de Marcelo Rubens Paiva, aos sábados, no Estadão, agora só é publicada a cada duas semanas.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags: A segunda vez que te conheci, maldição do jornalista, Marcelo Rubens Paiva
17/12/2008 - 17:30
Ninguém pediu a minha opinião, mas uma das vantagens de manter um blog é essa: você dá a sua opinião na hora que quiser sobre os assuntos que bem entender. Então ai vai: na minha visão, o melhor filme brasileiro de 2008 foi “Estômago”, longa de estréia do diretor Marcos Jorge, com o excelente ator João Miguel, no papel de um cozinheiro que conta a sua história em retrospectiva, de dentro da cadeia.
Narrado em ritmo de fábula, sem grandes pretensões, mas com bom humor e ironia, além de um ótimo elenco de apoio, “Estômago” é um filme cativante. Como a maioria dos filmes brasileiros em 2008, porém, alcançou um público modesto, pouco mais de 90 mil espectadores até hoje.
No meu top 3 do cinema brasileiro eu coloco em segundo lugar “Terra Vermelha”, filme que retrata com grande força a situação dos índios guarani-kaiowá no Mato Grosso do Sul. Como “Estômago”, é uma co-produção entre Brasil e Itália – neste caso, dirigido por um italiano, Marco Bechis. Apesar do apelo feito por este blog (Não deixe “Terra Vermelha” passar em branco) o filme foi visto até hoje por apenas 4.502 espectadores, segundo o Filme B, empresa especializada em números do mercado de cinema.
O filme que fecha a minha lista é “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas. Retrato documental, mas delicado, de uma família na periferia de São Paulo, apresenta um elenco impressionante, em especial Sandra Corveloni, no papel de mãe de quatro garotos. A atriz foi premiada em Cannes por seu desempenho no filme. Dos longas apreciados pelo blog, “Linha de Passe” foi o mais bem-sucedido, segundo o Filme B: 159.309 espectadores até o momento.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags: Daniela Thomas, Estômago, João Miguel, Linha de Passe, Marco Bechis, Marcos Jorge, Terra Vermelha, Walter Salles
16/12/2008 - 16:23
O jornalista Claudio Henrique, músico talentoso e de ouvido apurado, me alertou para uma discussão que começa a ganhar corpo no You Tube. Várias pessoas que viram o vídeo com a queda de Madonna ficaram com a impressão que ela está cantando com a ajuda de playback, ou seja, em versão gravada previamente. Afinal, durante o tombo a voz da cantora não dá nem uma tremida. “Vantagens e perigos do playback”, diz Claudio Henrique.
Nesta versão do vídeo, postada na Internet, a tese do playback já ganhou várias adesões. Será que Madonna imitou sua discípula Britney Spears, que foi vaiada ao fazer show com playback no Rock in Rio 3, em 2001?
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags: Brasil, Britney Spears, Madonna, Maracanã, playback, Rio
16/12/2008 - 15:59
“Na linguagem oficial do futebol, juiz falha, técnico comete erros e time perde a concentração. Nas mesas de bar, onde estão as discussões menos politicamente corretas, a conversa é outra: juiz é ladrão, técnico é burro e time entra de salto alto”. Esse é o estilo de Menon – apelido com o qual o repórter esportivo Luis Augusto Simon é conhecido no meio. Com esta verve e um olhar sensível para aqueles que ele chama de “loosers” (perdedores), Menon acaba de publicar o ótimo “A saga corintiana”, livro em que relata, jogo a jogo, a trajetória do Corinthians na Série B, em 2008. Escrevi uma resenha sobre o livro para o Último Segundo.
O livro terá três lançamentos em São Paulo: na quarta, 17, às 19h, no Bar Boleiros, na Vila Madalena; na quinta, às 16h, na loja Poderoso Timão, no Shopping Aricanduva; e na sexta, 19, às 16h, na Poderoso Timão do Shopping Metrô Itaquera.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte
Tags: A saga corintiana, Corinthians, Luis Augusto Simon, Menon, Série B
Voltar ao topo