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Arquivo de novembro, 2008

20/11/2008 - 16:40

Casablancas: “Gisele nos jogou no lixo” e outras frases fortes

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John Casablancas, o criador da agência Elite, responsável por lançar Cindy Crawford e Gisele Bundchen, entre outras modelos, está publicando um livro de memórias. Com título irônico, “Vida Modelo” conta a trajetória atribulada de Casablancas num mundo de glamour, festas, drogas e muita intriga.

Casablancas fala abertamente deste universo em entrevista ao Ultimo Segundo, publicada nesta quinta-feira. Abaixo, reproduzo alguns trechos do livro que complementam a entrevista:

“O padrão da época (anos 70) era o tipo aristocrático, escandinavo, anglo-saxão, protestante, de cabelo loiro, sem peito, sem bunda, comprido, olhos azuis. Estilo Grace Kelly”.

“Editores de moda, por razões obscuras que eu nunca entendi, normalmente desenvolvem uma agressividade em relação a todas as agências de modelos… Nesse mundo egocêntrico, a revista de moda é o epicentro do egocentrismo… Os editores de moda são, muitas vezes, justamente acusados de serem insuportáveis.”

“Ali estava minha graduação: o aprendizado da traição. O universo das agências é incrivelmente competitivo, e a lealdade é um tesouro raro, que está sempre em falta, não porque as pessoas sejam naturalmente traiçoeiras, e sim por este ser um mundo dominado pelo ego”.

“Durante a minha carreira, ganhei e perdi uma multidão de top models. Graças a Deus, ganhei muito mais do que perdi. O único caso que me surpreendeu, pela sua frieza calculista e que, reconheço, nunca engoli, foi o de Gisele Bündchen. Todo o resto era só business. Eu entendia. Até porque, na hora em que eu estava pronto para a resposta, ataquei sem piedade, roubei direto. Aproveitei.”

“Eu trabalhava muito bem as colunas sociais, as matérias, sabia dar respostas provocantes, sinceras, atrevidas e que divertiam os jornalistas”.

“Uma coisa eu havia aprendido com o fracasso da Elysée 3 (sua primeira agência): se você não consegue vender algo por cinco francos, venda-o por dez.”

“Naquela época, não tinha jeito, a única maneira de uma agência nova ganhar aquele primeiro dólar era fazer caixa dois.”

“Seria impossível negar, com a cara séria, que a essência do nosso business é o sexo. Sexo vende. A imagem de homens e mulheres jovens, bonitos e sensuais, vende qualquer produto.”

“Sempre misturei negócios e prazer, e organizar festas era uma função que vinha para mim naturalmente… Entendi rapidamente a sinergia que existe entre a vida noturna e o que nós fazíamos”

“(Nas festas) criava-se espontaneamente essa sinergia em que os VIPs me traziam glamour e eu trazia a beleza das meninas. Era uma coisa informal, natural. Não tinha nada de cafetinagem. Não tinha: ‘Venha cá, menina, vou apresentá-la ao Robert De Niro para você transar com ele.’ Não era nada assim, nada vulgar ou barato.”

“O auge da Elite em Nova York foi também o auge das drogas. Todo mundo usava: modelos, fotógrafos, clientes, editores, mas também advogados, doutores e banqueiros. Era uma epidemias generalizada. Nos estúdios fotográficos era cocaína por todos os cantos.”

“O grande desafio (no Brasil) foi o de conter uma das características que eu acho mais atraentes na mulher daqui: a brasileira é uma namoradeira eterna. O amor é o centro da sua vida. No início eu vivia tendo esse problema de maneira aguda – ou as meninas saíam do país loucas para achar um cara rico, ou ficavam com saudades, entristeciam, invariavelmente engordavam e queria desistir.”

“Outro fator complicador no início da minha experiência com modelos daqui, nos anos 1990, foi um dos personagens mais temidos pelas agências internacionais da época: A Mãe da Modelo Brasileira”.

“Seguimos atentamente todo o seu (de Gisele) desenvolvimento – inclusive nos namoros, acompanhando de perto quando ela finalmente teve o seu primeiro caso, com um belo modelo brasileiro, Douglas Rasmussen”.

“Numa carreira na qual eu conhecera a traição em todas as suas formas, a de Gisele foi especialmente fria e egoísta (…) Ela nos jogou no lixo justamente no momento em que tínhamos conseguido levá-la ao auge, ao topo absoluto”.

“Foi um comportamento revoltante que até hoje me causa esta tremenda mágoa, que durará para sempre, a não ser que Gisele diga: ‘Desculpe, você merece pelo menos um obrigada’. Mas é claro que isso nunca vai acontecer, e eu continuarei sendo o único blasfemador no coro submisso dos deificadores de Gisele Bündchen

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Memória Tags: , , ,
19/11/2008 - 15:15

Leitora envia a prova: é proibido escovar os dentes no banheiro do shopping

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O mundo da Internet, além de divertido, é muito instrutivo. No dia 4 de novembro publiquei aqui no blog que o Conjunto Nacional, em São Paulo, havia afixado placas com instruções para os usuários do elevador. A placa diz: “Antes de entrar no elevador, espere as pessoas saírem. Isso agiliza o tráfego. Colabore. Respeite os demais usuários do elevador”.

Como uma notícia leva a outra, três dias depois informei que o banheiro do cinema Unibanco Artplex, no shopping Frei Caneca, também estava fazendo um esforço de comunicação no sentido de educar os seus usuários. A placa no banheiro informa: “A prática de ato obsceno em lugar público, ou aberto, ou exposto ao público, é passível de pena de detenção de três meses a um ano”.

Em resposta a este post, um leitor anônimo comentou que conhecia uma placa mais “bizarra” do que a do cinema. Tratava-se, informava ele, de uma placa colocada no banheiro do shopping Iguatemi, proibindo os usuários de escovar os dentes no local. Pedi ao leitor que enviasse uma foto da placa.

Eis que hoje, 12 dias depois, a leitora que assina Capitu, a quem agradeço, envia um registro da placa ao blog. Diz o seguinte: “Prezados clientes. Com o objetivo de garantir conforto a todos os nossos clientes e usuários neste ambiente é proibido realizar atos de asseio pessoal, tais como escovar os dentes, lavar-se na pia e secar o cabelo. Grato pela compreensão. Administração”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , ,
19/11/2008 - 10:21

Qual é o sentido de uma Mostra de Arte Mineira em SP?

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Realiza-se desde quarta-feira, e até domingo, no Sesc Pompéia, em São Paulo, a Mostra Contemporânea de Arte Mineira. Confesso que tenho alguma dificuldade de compreender um evento dessa natureza em 2008. Um show de Lô Borges e Samuel Rosa foi atração principal do primeiro dia. É preciso realizar um evento deste tamanho, ao custo de R$ 800 mil, com apoio da Lei Rouanet, para ouvir o vocalista do Skank? Lô Borges e Samuel Rosa são “músicos mineiros”? O que é isso?

Faz sentido falar em “arte mineira” no mundo de hoje? As manifestações culturais (música, teatro, cinema, artes visuais) de artistas que vivem em Minas são diferentes daquelas realizadas por artistas que vivem no Rio Grande do Sul, no Ceará ou em São Paulo? Antes disso: existe algo em comum aos chamados “artistas mineiros”? O que seria a “arte paulista”? Ou a “arte carioca”?

Enfim, tenho a sensação que a realização deste evento parte de uma compreensão ultrapassada sobre arte. Pode-se argumentar que esta mostra é uma forma de chamar a atenção, na maior cidade do país, para produções culturais que estão “escondidas” em Minas Gerais. Isso é realmente necessário hoje?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
18/11/2008 - 10:12

A Província de São Paulo

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Uma loja paulistana convida para um evento em torno da coleção de uma estilista inglesa. O texto do convite diz:

nk invites you for cocktails and to preview the Stella McCartney 2009 collection in a photography exhibit by Sean Thomas

November 18th from 7pm to 11pm

Exhibit will run from November 18th to December 13th
Monday to Friday 10 am to 8pm

nk Rua Haddock Lobo 1592 Jardins Sao Paulo Brazil

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , ,
18/11/2008 - 09:47

Histórias inacreditáveis de Adolpho Bloch

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Dois livros recém-lançados contam histórias inacreditáveis sobre Adolpho Bloch e o grupo editorial que ele dirigiu por quase 50 anos, revista “Manchete” à frente. Como se sabe, a empresa faliu em 2000, deixando centenas de funcionários na mão. Como escrevi no Último Segundo, os livros tentam explicar como Bloch ergueu e ajudou a destruir o próprio império. Algumas histórias que não couberam na extensa reportagem, vou contar aqui no blog:

Roberto Muggiati, que dirigiu “Manchete” por muitos anos, relata inúmeros causos saborosos no depoimento que escreveu para “Aconteceu na Manchete” (editora Desiderata). Um deles diz respeito a Ronaldo Bôscoli, célebre músico, que trabalhou na revista, mas aprontava todas. Certa vez, sua mãe ligou para a redação informando que Bôscoli não iria trabalhar porque estava com muita febre. Jaquito Kapeller, sobrinho de Bloch, não entendeu nada, já que Bôscoli estava à sua frente. Sem perder a pose, conta Muggiati, Bôscoli pegou o telefone e disse: “Pô, mãe! Essa desculpa era pra amanhã…”

Ainda Muggiati, sobre a célebre coleção de obras de arte hospedada no edifício Manchete: “Adolpho Bloch não dava reportagens de graça para pintores, mas permutava as páginas de Manchete por telas ou esculturas. Manabu Mabe viu sua cotação subir astronomicamente depois das primeiras fotos publicadas em cores. E Adolpho construiu uma fabulosa pinacoteca de arte brasileira sem pagar um tostão”.

Marília Campos, que dirigiu “Carinho”, revela que, no seu segundo dia de trabalho, descobriu a existência de um funcionário que controlava o horário de entrada e saída dos jornalistas. “Paulinho do DP”, como era conhecido, “de manhã, fazia plantão na portaria, anotando mentalmente os nomes de todos os que chegavam. Mais tarde, fazia a ronda nas redações. Ao notar uma mesa vazia, batia no tampo e perguntava, arrogante: ‘Cadê o dono da mesa?’”

Outra de Marília: “Contava-se que Adolpho Bloch, eventualmente, ia até a sala das telefonistas e elegia, aleatoriamente, um ramal, para ouvir a conversa. Nunca soube se era verdade, mas certamente não era improvável”.

O fotógrafo Frederico Mendes descreve um Adolpho Bloch desbocado e safo: “Quando eu estava indo para a Alemanha, em 1974, para cobrir a Copa do Mundo, passei na sala de Adolpho para me despedir. E perguntei: ‘Titio, tem alguma recomendação?’ Ele olhou para mim bem sério e disse: ‘Tenho sim, Mendes: fode muito por lá!’ Quando voltei, a primeira coisa que ele perguntou foi isso”.

Na mesma linha, Arnaldo Bloch, no retrato que pinta de Adolpho em seu livro, “Os Irmãos Karamabloch” (Companhia das Letras), não deixa de notar esse aspecto do líder do clã: “Entre a sala da presidência e a de Manchete, trocas heterodoxas ocorriam, e até um livre-comércio de favores se instaurou, tendo por objeto mulheres de vida leve que se candidatavam a um espaço na revista”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , ,
17/11/2008 - 14:28

Entidades querem subsídio do governo para meia-entrada

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Um grupo de entidades ligadas a diferentes ramos da indústria cultural divulgou nesta segunda-feira um manifesto em apoio a um projeto de lei que regulamenta a meia-entrada em cinemas, teatros e shows, entre outros. No ponto mais polêmico da carta-aberta, o grupo reivindica que o governo ofereça um ressarcimento às empresas que oferecem a meia-entrada – como é oferecido, argumentam, às montadoras que vendem carros com descontos para taxistas. Abaixo, o manifesto:

CARTA ABERTA DOS ARTISTAS E ENTIDADES – MEIA ENTRADA .

Tendo em vista a questão que se estabeleceu recentemente em torno da meia-entrada e a votação no Senado do PL 188/07 que pela primeira vez fará a regulamentação desta prática em nível nacional, vimos a público esclarecer e defender nossas posições sobre o assunto.

A prática da meia-entrada é antiga no Brasil, tendo se iniciado nos anos 50 / 60 não por força de lei e sim em ação promocional dos cinemas como política de incentivo.

Nos anos 90 começaram a surgir as leis regionais (estaduais e municipais) dando o direito à meia-entrada aos estudantes sem, contudo, contemplar a fonte pagadora do subsídio, transferindo o ônus da política pública aos artistas, produtores, exibidores e especialmente ao cidadão comum, já que para cobrir o benefício de alguns, houve aumento proporcional nos preços dos ingressos da inteira.
 
Estas leis, muitas delas conflitantes entre si, trouxeram grande desordem ao mercado de cultura e entretenimento, responsável pela qualidade de vida e cidadania da população, além de agente importante na geração de emprego e renda – como informação: em pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro em 1998, constatou-se que o setor gerava 53% mais postos de trabalho que a indústria automobilística, e mais que o dobro da indústria eletroeletrônica (Fonte – Jornal Gazeta Mercantil – 05/08/98). Atualmente, esses números certamente são ainda maiores.
 
Em 2001 foi editada a Media Provisória 2.208 que abriu a possibilidade da confecção do documento que dá acesso ao desconto – a carteirinha – a toda e qualquer entidade estudantil, tendo como conseqüência o surgimento de inúmeras entidades sem nenhuma representatividade sendo meras vendedoras de carteirinhas.

A desordem então se tornou incontrolável, com os espetáculos atingindo 80% ou mais de meia-entrada e o que na aparência seria um benefício deixou de existir: a meia teve o preço dobrado, e a inteira se tornou inviável ao poder aquisitivo do cidadão comum.

O Estatuto do Idoso incorporou mais um contingente entre os beneficiários assim como algumas leis regionais abrem o desconto para doadores de sangue, professores e outras categorias, novamente sem que o Estado arque com os custos desta política pública.

Em 2005 com a preocupação de regulamentar e moralizar estas questões, foi elaborado um Manifesto pela Regulamentação da Meia-Entrada, documento firmado pelas entidades estudantis como Une e Ubes, e as nossas entidades.

Neste ano foi proposto pelo então Deputado Eduardo Paes o primeiro Projeto de Lei, que já continha os prontos fundamentais discutidos e apoiados pelas entidades signatárias do Manifesto.

Com o fim do mandado do Dep. Eduardo Paes o projeto foi arquivado, cabendo aos Senadores Eduardo Azeredo e Flávio Arns retomá-lo na forma do PL 188/07 .

Em resumo os pontos essenciais em nossa visão são:

• Somos a favor  da meia entrada , o que é urgente e necessário é sua regulamentação .
• Moralização da emissão das carteiras com controle pelo Estado  e a criação de um Conselho formado por entidades da Sociedade Civil e Governo .
• Estabelecimento de uma porcentagem de 30% das lotações como limite para o benefício – este modelo já funciona com sucesso em Minas Gerais e Sta Catarina .
•  Ressarcimento pelo Estado do subsídio dado pelos artistas produtores e exibidores , pois em nenhum outro setor da economia existe prática semelhante – como exemplo, para que o taxista possa adquirir seu veículo a preço mais baixo,  o Estado oferece a isenção dos impostos , não cabendo ônus à montadora.
 

As conseqüências desta regulamentação trarão benefícios a toda a sociedade:

•        Aos artistas e profissionais de cultura e entretenimento que não mais terão sucateada sua principal fonte de custeio , as bilheterias .
•        Aos beneficiários da meia-entrada tendo em vista que a redução do preço dos ingressos se tornará REAL.
•        Ao cidadão comum que terá a redução do valor dos ingressos permitindo assim seu acesso à cultura e lazer , hoje inviabilizado pelas situação reinante.

“ Não nos peçam para dar a única coisa que temos para vender “ ( Cacilda Becker )

Rio de janeiro 16 de novembro de 2008

ABEART- Associação Brasileira dos Empresários Artísticos
ABRAPE – Associação Brasileira dos Promotores de Eventos
SATED – Sindicato dos Artistas e Trabalhadores em Espetáculos de Diversão
SINPARC – Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de MG
APTR – ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES DE TEATRO DO RIO DE JANEIRO
APTI – Associação de Produtores Teatrais Independentes de São Paulo
ABRAPLEX – ASSOCIACAO BRASILEIRA DE OPERADORES DE MULTIPLEX
ABRACINE- ASSOCIACAO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE CINEMA
FENEEC – FEDERACAO NACIONAL DE EMPRESAS EXIBIDORAS CINEMATOGRAFICAS
Associação das Empresas Promotoras e Produtoras de Eventos Artísticos e Esportivos do Estado de São Paulo,
SEECESP – Sindicato das Empresas Exibidoras Cinematográficas de São Paulo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
16/11/2008 - 17:29

“Leonera” e “Vicky Cristina Barcelona”: dois bons programas nos cinemas

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Em exibição em São Paulo, “Leonera”, do argentino Pablo Trapero, e “Vicky Cristina Barcelona”, do americano Woody Allen, foram apresentados em Cannes, este ano, com repercussões muito diferentes.

Ambientado quase integralmente dentro de uma prisão de segurança máxima, “Leonera” conta a história das transformações na vida de uma mulher, Julia Zarate (a ótima Martina Gusmán), ao longo de cinco anos. Acusada de assassinar o namorado, numa noite da qual ela não se lembra dos detalhes, Julia entra na prisão grávida de um menino, o qual será rejeitado ainda na barriga e nos primeiros meses de vida, mas que acabará se transformando no motivo principal da vida da mãe, que lutará por ele como uma leoa.

Mais impactante que a história, é o olhar delicado de Trapero na descrição da vida de Julia dentro de uma área do presídio ocupada apenas por mulheres grávidas ou com filhos. Matina Gusmán chegou a ser citada como forte candidata a um prêmio em Cannes por sua interpretação – prêmio ao final conquistado por Sandra Corveloni, a protagonista de “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas. Salles, por sinal, é co-produtor de “Leonera”, que conta com Rodrigo Santoro no elenco, em uma pequena participação.

Quatro personagens marcantes dão o ritmo a “Vicky Cristina Barcelona”, o quarto filme seguido (depois de “O Sonho de Cassandra”, “Scoop” e “Match Point”) de Woody Allen ambientado fora dos Estados Unidos. De um lado, duas amigas americanas, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), chegam à capital da Catalunha para dois meses de férias. Vão conhecer primeiro Juan Antonio (Javier Barden) e, na seqüência, sua ex-mulher, Maria Elena (Penolope Cruz), e ambos vão aplicar uma espécie de “choque cultural” nas americanas.

Vicky e Cristina vão extrair lições diferentes desta viagem iniciática, narrada em tom de fábula moral por Allen. Parece natural, neste percurso, que tanto o cenário (uma Barcelona de cartão postal) quanto as dúvidas e inquietações das personagens tenham cara de clichê, mas é desse repetição de lugares-comuns que o cineasta extrai a graça e a leveza de sua história – para não falar das três lindas intérpretes e do galã da história. Ainda que não tenha comovido a séria platéia de Cannes, “Vicky Cristina Barcelona” transborda bom humor e juventude – qualidades de tirar o chapéu para um cineasta de 72 anos e mais de 40 longas-metragens.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
16/11/2008 - 09:53

Por que há 26 pessoas na foto oficial do G20?

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crédito da foto: Ricardo Stuckert

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Mundo Tags: ,
14/11/2008 - 09:15

“Cama de Gato” e os jovens estupradores de classe média

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O caso dos três jovens de classe média de Joaçaba (SC) que estupraram uma menina de 15 anos, filmaram a cena e a distribuíram pela internet lembra um filme pouco visto e comentado, mas marcante. Trata-se de “Cama de Gato”, dirigido por Alexandre Stockler, com Caio Blatt no elenco.

Produzido com R$ 13 mil, “Cama de Gato” conta a história de três adolescentes de classe média, em São Paulo, em busca de diversão pela cidade, que terminam por estuprar uma jovem. O filme enfrentou dificuldades para ser lançado comercialmente em parte por conta da violência de algumas cenas. Nem mesmo o fato de ter vencido o prêmio do público de melhor filme brasileiro da Mostra de Cinema de São Paulo em 2002 ajudou na carreira comercial de “Cama de Gato”. Ainda que um pouco tosco na sua abordagem, o longa de Stockler coloca o dedo numa ferida visível e, por isso, merece ser visto. O filme está disponível em DVD desde 2005.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , , , ,
13/11/2008 - 10:26

O Botafogo é uma ópera!

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Tenho evitado escrever sobre futebol e, especialmente, sobre o Botafogo neste blog. Não bastasse o iG contar com um time altamente qualificado de jornalistas e comentaristas esportivos, meu time vinha, até aqui, cumprindo um roteiro absolutamente previsível no Campeonato Brasileiro, motivo pelo qual não sentia a menor necessidade de falar sobre ele.

Mas eis que em uma semana a vocação dramática, operística, do Botafogo ressurge em cena. Primeiro, o zagueiro André Luis arranca o cartão amarelo do juiz e o adverte, no meio do gramado, num gesto tragicômico. Em seguida, o técnico Ney Franco informa que não se pensa em punir o jogador com uma multa já que os salários do time estão três meses atrasados – como descontar parte de um salário que não está sendo pago?

Dias depois, em campo contra o Flamengo, o reserva Eduardo jogou apenas dois minutos antes de ser expulso por um golpe violento em Sambueza. O Botafogo, enfim, lidera uma estatística no campeonato: o cartão vermelho do jovem Eduardo foi o décimo do time no Brasileiro. Dez cartões vermelhos e 100 amarelos: esse é o saldo, até o momento, do time.

Carlos Alberto, com dois vermelhos, o mesmo número de Andre Luis, é o jogador mais indisciplinado do campeonato. Não é mais. Decidiu abandonar o Botafogo nesta quarta-feira, por conta dos salários atrasados. Mais um gesto dramático – seguido por outro, tipicamente Botafogo: a direção do clube emitiu uma nota apoiando a decisão do jogador.

Para completar o enredo, o presidente Bebeto de Freitas dá uma entrevista à rádio Globo e declara, mais do que dramático, quase suicida: “Não vejo luz no fim do túnel.” O argumento do dirigente é que a crise financeira enxugou o crédito nos bancos e, mesmo com receitas de 2009 a oferecer, nenhum banqueiro parece mais acreditar no Fogão.

O que dizer disso tudo? Ainda este mês devem ocorrer eleições no Botafogo. Está na cara que o clube vive um momento especialmente crítico e precisa de sangue novo – gente com vontade de enfrentar esta crise de forma criativa e menos dramática. Ao menos, espero que exista gente assim. Não gostaria de assistir o final desta ópera!

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , ,
12/11/2008 - 16:31

Pechinchas na USP e bronca de uma leitora da Geografia

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Estive hoje na Festa do Livro da USP, no prédio da Geografia e da História. É realmente uma festa. Por três dias, 120 editores vendem lançamentos e livros de catálogo por 50% do preço cobrado nas livrarias. A feira começou hoje e vai até sexta-feira, das 9h às 21hs.

Menos de dez minutos depois da publicação da reportagem que fiz sobre o assunto, recebi um e-mail de uma leitora, muito chateada comigo. Não vou identificá-la pois não pedi autorização para isso. Depois de me dar os parabéns por falar do evento, ela lamentava “alguns erros” que cometi. O primeiro, chamar de feira um evento intitulado “Festa do Livro”. Mais grave, ela indignou-se com o fato de eu ter informado que a festa estava sendo realizada no prédio da História. Escreveu ela:

Se você se deslocou até a USP para realizar a reportagem com certeza passou pela entrada principal do prédio onde ocorre o evento, e com certeza via uma placa enorme com o seguinte escrito “Geografia e História” ou seja, apesar de você dizer que o evento ocorre no prédio da História, aquele prédio abriga também o curso de Geografia, e recebe o nome de “Geografia e História”, portanto, não exclua o curso que detém a maior parte dos laboratórios e pesquisadores do local.

Ao final do e-mail, a leitora ainda me deu uma lição. “Aprenda a pesquisar antes de colocar a notícia”. Coisas da Internet – tanto a bronca quanto as possibilidades que ela oferece. Imediatamente, pedi aos editores no iG que corrigissem os erros apontados no e-mail. Em outra mídia, quanto tempo demoraria para ser feita a retificação?

Como estou num blog, aproveito o post, também, para colocar relação dos livros que comprei antes de fazer a reportagem

“Antigos e Soltos” (2008), a compilação da chamada “pasta rosa” de Ana Cristina Cesar, organizada por Viviana Bosi. Um catatau de 480 páginas, belíssimo, com reproduções em fac-símile, edição do Instituto Moreira Salles. De R$ 70 por R$ 35.

“Causos do Doutor Osmar” (2008), histórias do mundo do futebol relatadas pelo comentarista esportivo Osmar de Oliveira. Lançamento da veteraníssima Companhia Editora Nacional, fundada por Monteiro Lobato, hoje pertencente ao grupo Ibep. De R$ 23 por R$ 10.

“A Madona de Cedro” (2007), de Antonio Callado, edição comemorativa dos 50 anos da primeira edição do romance, com apresentação de Tizuka Yamasaki. Edição em capa dura da Nova Fronteira. De R$ 45 por R$ 22,50.

“Futebol e Sociedade” (2005), organizado por Martha Lovisaro e Lecy Consuelo Neves, uma coletânea de artigos nascidos de debates na UERJ e na Universidade do Porto. Publicado pela EdUERJ. Por R$ 10.  

“Dicionário Brasileiro de Insultos” (2002), de Altair J. Aranha, uma coletânea de nomes feios, em formato quase de bolso. Do Ateliê Editorial. Por R$ 25.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags:
12/11/2008 - 08:08

Cultura inútil: a idade em que as pessoas fizeram coisas

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Eis um livro que não serve para nada, mas é muito divertido: “A Book of Ages” (Harmony Books, 312 págs. US$ 19,95), uma coletânea de fatos extraordinários e absurdos vividos por pessoas famosas entre 1 e 100 anos de idade.

Por uma década, o escritor e ilustrador Eric Hanson recolheu referências em biografias, obituários, dicionários biográficos etc. Sua preocupação não é analisar a cronologia de vida de uma pessoa, saber se ela fez coisas ou deixou de fazer, alcançou sucesso ou fracassou, viveu muito ou morreu jovem. A graça da pesquisa é, num primeiro momento, ver o que cada pessoa fez (ou deixou de fazer) em determinada idade. Mais que isso, o que fascina Hanson é observar simultaneamente o que diferentes pessoas realizaram na mesma idade, em diferentes épocas. “Como se todo mundo fosse contemporâneo e vivesse junto”, explica.

Alguns exemplos tirados de “A Book of Ages”.
 
1 ano (ou menos)
- Isaac Newton nasce prematuro em quase morre no dia do Natal (1642).
- O pai de Alfred Nobel decreta falência (1933).
- O pai de Humphrey Bogart é um cirurgião em Nova York secretamente viciado em ópio (1900).
- Keith Richards é retirado de Londres durante um ataque aéreo (1944).

2 anos
- Edgar Allan Poe fica órfão de pai e mãe, vítimas da tuberculose (1811), e passa a ser criado por um rico comerciante, John Allan.
- O pai de Stephen King abandona a família, deixando para trás uma caixa com livros de ficção científica (1949).  

3 anos
- Sigmund Freud vê sua mãe nua (1859).
- Albert Einstein aprende a falar (1882).
- A família de Adolf Hitler se muda para a Alemanha (1892).

4 anos
- O poeta William Blake vê Deus olhando para ele na janela de sua casa, em Londres (1762).
- Mick Jagger conhece Keith Richards (1947).

5 anos
- Mozart começa a compor (1761).
- A mãe de John Lennon vai morar com o namorado, que não gosta de crianças. Lennon fica morando com a tia Mimi e é expulso do jardim de infância (1946).

6 anos
- O pai de Alfred Hitchcock envia o filho a uma delegacia de polícia com um bilhete instruindo o delegado de plantão a deixá-lo dentro de uma cela por dez minutos (1906).
- Frida Kahlo é vítima de poliomielite (1913).
- Ray Charles perde a visão (1937).

7 anos
- O pai e o professor de Thomas Edison avaliam que ele é muito burro para frequentar a escola, então sua mãe começa a dar aulas para ele em casa (1854).
- Shirley Temple ganha o Oscar (1935). No ano seguinte ele assina um contrato para ganhar US$ 50 mil por filme.

8 anos
- Mozart toca piano para o rei George III (1764).
- Hitler sonha em ser pastor (1896).
- John Updike escreve um conto (1940).

9 anos
- Marcel Proust tem o seu primeiro ataque de asma (1881).
- Serge Prokofiev compõe a sua primeira ópera (1900).
- Os pais de Kurt Cobain se divorciam e ele vai morar num trailer com o pai (1976).

10 anos
- Cole Porter compõe “The Song of the Birds”, sua primeira música (1901).
- Ingmar Bergman troca uma centena de soldadinhos de brinquedo por uma câmera, que era o presente de Natal que seu irmão Dag iria dar para a tia Anna (1929).
- Martin Luther King canta num coral na premiere de “E o Vento Levou” em Atlanta (1939).

11 anos
- A família de Charles Schulz ganha um cachorro novo, preto e branco. Seu nome não é Snoopy (1934).
- Elizabeth Taylor assina um contrato com a MGM que a manterá presa ao estúdio de 1943 até 1960.
- Elvis Presley pede uma bicicleta de Natal, mas, como custa muito caro, ele ganha um violão, no lugar (1946).

12 anos
- Louis Armstrong é preso por atirar com um revólver na noite do Ano Novo de 1913 e é reenviado para um orfanato de meninos negros em Nova Orleans, onde vai integrar uma banda.
- Paul McCartney conhece George Harrison, 11 anos, num ônibus, em Liverpool (1954).
- Depois que sua bicicleta é roubada, Cassius Clay faz aulas de boxe numa academia em Louisville, Kentucky (1954).
- Steven Spielberg ganha a sua primeira câmera (1959).

 
13 anos
- Gandhi se casa (1883).
- Malcolm X diz a uma professora que seu objetivo na vida é ser um advogado e ela responde que esse não é um objetivo realista para um “crioulo” (1939).
- Anne Frank ganha um diário de presente no seu aniversário (1942).

14 anos
- Salvador Dali destrói o violino de um colega de escola para demonstrar a superioridade da pintura sobre a música (1918).
- Paul McCartney ganha um trompete do pai de aniversário, leva o instrumento na loja e o troca por um violão (1956).
- Kurt Cobain abandona sua casa e arruma emprego como faxineiro num hotel, mas é demitido por dormir nos quartos (1984).

15 anos
- W. H. Auden decide ser poeta (1922).
- Billie Holliday canta numa casa noturna no Brooklyn, Nova York (1930).
- Jimi Hendrix começa a tocar guitarra (1958).

16 anos
- Henry Ford abandona a escola e vai para Detroit em busca de trabalho (1879).
- Marlon Brando é enviado para uma escola militar, de onde será depois expulso por insubordinação (1940).
- John Lennon se encontra pela primeira vez com Paul McCartney, numa igreja, em Liverpool (1957).

17 anos
- Hans Christian Andersen entra na escola e é colocado numa classe de garotos de 11 anos (1822).
- Adolf Hitler não é aceito na escola de arte em Viena (1907).
- Os desenhos de Charles Schultz são recusados pelo editor do livro do ano da sua escola (1940).

18 anos
- Arthur Rimbaud leva um tiro do amigo Paul Verlaine (1873). Na seqüência, escreverá “Uma Temporada no Inferno”.
- Allen Ginsberg conhece Jack Kerouac (1944).
- Woody Allen tira nota D num curso de cinema na New York University e, depois de um semestre, abandona a faculdade (1953).
- Elvis Presley paga US$ 4 para gravar o seu primeiro compacto em Memphis (1953).

19 anos
- James Dean ganha U$ 30 para cantar num comercial de Pepsi-Cola (1950).
- Robert Zimmerman, então estudante na Universidade de Minnesota, adota o nome artístico de Bob Dylan (1960).
- Steve Jobs consegue um trabalho no Atari (1974).

20 anos
- Freud publica seu primeiro artigo, sobre os órgãos sexuais das enguias (1876).
- Picasso começa a sua fase azul (1901).
- Norma Jean Baker assina um contrato de US$ 125 por semana com a 20th Century Fox e muda seu nome para Marilyn Monroe (1946).
- Rudolf Nureyev é convidado a integrar o balé Kirov (1958).
- Bob Dylan compõe “Blowin´in the Wind” (1960).
- Bill Gates abandona Harvard para se dedicar à pequena empresa que criou com seu amigo Paul Allen, a Microsoft (1976).
- Kurt Cobain forma uma banda com seu colega de escola Krist Novaselic e a batizam de Nirvana (1987).
 

Eric Hanson lista curiosidades deste tipo até os 100 anos de idade (com essa idade, por exemplo, Elizabeth, a rainha-mãe, em 2000, passeava diariamente com seus cachorros por 20 minutos). Mas vou parando por aqui, aos 20 anos, para não torrar a paciência do leitor mais do que já torrei.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: , ,
11/11/2008 - 10:22

Pontos positivos e negativos do show de uma banda que promete e cumpre

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Ao final das quase duas horas de show, já na madrugada de terça-feira, me dei conta da cilada em que me meti ao fazer a pergunta que dá título ao post publicado na manhã de segunda-feira: “Será que o R.E.M. consegue superar o show de 2001?” Cilada porque, como já relatado pelo iG Música logo depois da apresentação, o grupo beirou a perfeição no seu primeiro show em São Paulo.

Mas vou encarar a tarefa. Primeiro, alguns pontos negativos, na minha visão. Uma lata de cerveja Itaipava por R$ 6 é um abuso. Um copinho de água mineral por R$ 4 é um escândalo. O absurdo preço dos ingressos, como escrevi aqui antes, teve como conseqüência um show do R.E.M. com ingressos disponíveis até o último minuto e cambistas oferecendo descontos na rua. O som, em ótimo volume, parecia abafado, porém, para quem assistiu na área da platéia abaixo do mezanino.

O R.E.M. levou ao Via Funchal gente na casa dos 20, dos 30 e dos 40 anos. Sinal da sua popularidade e abrangência. O repertório, como já observado, incluiu sucessos de todas as fases da carreira da banda. Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck exibem o prazer de iniciantes no palco. O vocalista ensaia alguns passinhos no palco que poderiam ser vistos como ridículos, mas expressam a sua alegria de estar ali e provocam total simpatia.

Stipe falou bem de Obama e mal de Bush, mas está longe de ser um oportunista: tem criticado o presidente americano há anos. Falou da sua alegria de tocar em São Paulo pela primeira vez – e parecia sincero. Pediu apoio à Anistia Internacional, e não soou demagógico. Enfim, esbanjando carisma, Stipe levou a platéia ao delírio. O R.E.M. promete e cumpre.

Não diria que a apresentação conseguiu superar a do Rock in Rio de 2001, pois aquela foi ao ar livre e tinha o sabor da novidade, mas quem nunca havia assistido a banda ao vivo saiu do Via Funchal com a sensação de ter visto o melhor show de suas vidas. Com razão.

 

Crédito da foto: Luciano Trevisan/AGNews

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
10/11/2008 - 09:13

Será que o R.E.M. consegue superar o show de 2001?

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Rob Fleming, o personagem do saboroso romance “Alta Fidelidade”, de Nick Hornby, celebrou um tipo de comportamento bem pop, o de elaborar listas dos “5 mais” – desde as “cinco piores separações” da sua vida, que é o ponto de partida do livro, até “as cinco melhores primeiras faixas de lado B de LP”, entre outras maluquices.   

Bem diferente de Fleming, não faço lista de nada. Em parte, porque não vejo tanta graça na brincadeira, em parte porque a (falta de) memória não ajuda muito. Em todo caso, eu tenho uma lista – a lista dos melhores shows que já vi. É uma lista pequena. Na verdade, é uma lista de um show só. Das centenas que já assisti, até hoje, só um mereceu entrar na lista: o show do R.E.M. no Rock in Rio, em 13 de janeiro de 2001.

Foi a primeira vez que a banda tocou no Brasil. Falam que havia 200 mil pessoas no local armado para a apresentação. O R.E.M. fez um show tipo “maiores sucessos”, com direito a todos os hits da banda. Não bastasse, Michael Stipe estava inspiradíssimo, movido a caipirinha (fato que ele citou) e numa alegria só. Conversou com a platéia, falou da alegria de fazer aquele show (o maior público da história do R.E.M.) e da noite linda que estava fazendo no Rio. Enfim, foi um show perfeito, histórico.

Pelos relatos disponíveis sobre os shows já realizados em Porto Alegre e no Rio, na semana passada, a apresentação do R.E.M. nesta segunda-feira em São Paulo promete ser de primeira. Planejo estar lá para conferir. Não deveria, já que acho impossível este show superar o do Rock in Rio de 2001. Mas tudo é possível…

Com quase 30 anos de estrada, a banda americana ainda acha energia para se renovar e se divertir. Gostei muito de ler, no blog de Jamari França, que o sempre bem-humorado Stipe fez propaganda da cerveja brasileira Itaipava no show no Rio (“E pensar que tem banda brasileira que pede cerveja importada no camarim”, escreve Jamari). O repertório do show, como já havia antecipado Marcelo Costa em seu blog, inclui os principais sucessos da banda, além de algumas novidades. Tudo indica, em suma, que será mais um grande show. Será que a lista dos melhores shows que já vi sofrerá alteração? Prometo contar aqui…

 

Crédito da foto: Camila Domingues/Opinião Produtora

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
07/11/2008 - 14:56

ABC para usar o banheiro no cinema do shopping

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Depois da aula sobre como andar de elevador no Conjunto Nacional, este blog transmite uma nova lição que aprendeu hoje, no Unibanco Artplex, um dos melhores cinemas de São Paulo, localizado no Shopping Frei Caneca. “A prática de ato obsceno em lugar público, ou aberto, ou exposto ao público, é passível de pena de detenção de três meses a um ano”, informa uma placa na parede do banheiro masculino.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , ,
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