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Arquivo de novembro, 2008

30/11/2008 - 20:12

Crônica de uma jornada tricolor (carioca) no Morumbi

Como anunciei de manhã, assisti o jogo São Paulo e Fluminense na arquibancada do Morumbi enquanto postava alguns comentários no Blog da Redação da editoria de Esportes do iG. Abaixo, os posts que enviei do estádio, que entraram ao longo da tarde no blog, levemente revisados.

Vitória do Fluminense
Nelson Rodrigues falava que “se os fatos provam o contrário do que eu dizia, pior para os fatos”. O placar no Morumbi (1 a 1) mais o silêncio da torcida são-paulina ao final do jogo provam: o Fluminense ganhou esta partida.

Impaciência no ar
À espera de um gol que lhe dará o titulo, aos 35 do segundo tempo, a torcida são-paulina se irrita com a cera do Fluminense e, desde a saída de Dagoberto, só lhe resta vaiar o juiz.

Incentivo ao próprio time, muito pouco.

O Morumbi acorda
Na cabine de imprensa, um jornalista havia reclamado: a torcida do São Paulo parece platéia de teatro, excessivamente bem comportada. Depois do gol de empate, aos 12 minutos do segundo tempo, não dá mais pra dizer isso. O Morumbi voltou a aplaudir até lateral conquistado.

Silêncio ensurdecedor
Foram dez segundos daquilo que um cronista esportivo das antigas chamaria de silêncio ensurdecedor.
Após o gol do Fluminense, aos 4 do segundo tempo, o Morumbi se calou de um jeito assustador. Mas logo recomeçaram os gritos de incentivo. “Ó tricolor, ó tricolor…”

Primeiras vaias

Aos 46 do primeiro tempo, depois do enésimo erro, Dagoberto causou os primeiros protestos  da torcida sao-paulina. “Fora Dagoberto”, gritaram alguns torcedores na arquibancada.

Quanto tá o jogo do Grêmio?
O sistema de som do Morumbi não está informando o resultado dos demais jogos da rodada. Nem o placar eletrônico do estádio. Para saber sobre o resultado de Grêmio e Ipatinga, os torcedores recorrem ao velho radinho de pilha ou ao moderno celular. O sujeito ao meu lado, aqui no setor amarelo da arquibancada, acaba de ligar pra casa e me informou. Às 16h35 o Grêmio vencia por 3 a 1.

Sexo e futebol

Na véspera do Dia Mundial de Combate à Aids, a Prefeitura de São Paulo montou um esquema para distribuir 80 mil camisinhas no Morumbi. Preocupados exclusivamente com o jogo, muitos torcedores não estavam nem aí para as camisinhas.

Silêncio barulhento
Nelson Rodrigues, um dos mais ilustres torcedores do Fluminense, dizia que no Maracanã vaia-se até minuto de silêncio. No Morumbi não se vaia, mas o minuto de silêncio neste domingo, em homenagem ao ex-presidente do São Paulo Marcelo Portugal Gouvêia, foi comemorado aos gritos de “Vamos, São Paulo, vamos São Paulo, vamos ser campeão”.

O Fluminense no Morumbi
Expectativa no cantinho reservado ao Fluminense no estádio. Cícero Bezerra, dono de uma escolinha de futebol no Tucuruvi, em São Paulo, trouxe 14 crianças de 5 a 10 anos, todos vestidos com o uniforme do Flu. “Não sei se vão deixar a gente entrar em campo. Tenho todas autorizações. Vamos ver”, diz, ansioso, a meia hora do início da partida.

Entre os 100 torcedores do Flu, só gente que mora em São Paulo. Ninguém sabia, às 16h30, se chegariam os reforços do Rio de Janeiro. “Acho que dá pra ganhar”, diz Nelson Gennari, do nucleo paulistano da Young Flu.

A resposta da torcida são paulina é curta e grossa: “Ão ão ão, segunda divisão!!!”.

Em tempo: as crianças de Cícero Barbosa conseguiram entrar e ficaram com o time desde as escadas do vestiário até o gramado.

O São Paulo chega ao estádio
A polícia montada tenta abrir um corredor na entrada do Morumbi. São 15h40. Um camburão e duas motos se aproximam. Atrás, um ônibus. É o time do São Paulo chegando ao estádio. Na rua é como se tivesse sido um gol. Fogos, gritos de campeão e delírio.

O Fluminense chegou antes. Sob vaias.

A trilha do hexa

São 14h34 e dos alto-falantes do Morumbi o som que sai, em altissimo volume, é “Rehab”, o sucesso de Amy Winehouse sobre uma junkie que se recusa a se tratar. Fala sério!

Fora do Morumbi, o São Paulo já é hexa
Faltam três horas para começar a partida, mas no entorno do Morumbi o São Paulo já é hexacampeão brasileiro. Camisas com a inscrição 6-3-3 são vendidas por R$ 25. O “6″, não precisa dizer, são os títulos brasileiros, um deles ainda não conquistado. Três são as Libertadores e os Mundiais vencidos pelo Tricolor.
Faixas com a frase “São Paulo hexacampeão” custam R$ 5.

Para os supersticiosos, isso é sinal de mau agouro. Bate na madeira.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
30/11/2008 - 10:06

São Paulo e Fluminense no Blog da Redação de Esportes

Bem, amigos, fãs do esporte, neste domingo, a partir das 14h, a equipe que comanda este blog estará no Morumbi, acompanhando a partida entre São Paulo e Fluminense. O jogo, em caso de vitória são-paulina (ou de um tropeço do Grêmio diante do Ipatinga), pode dar ao São Paulo o seu sexto título nacional. Para não encher o saco de quem não se interessa pelo assunto, vou postar diretamente no Blog da Redação, o simpático e democrático blog da editoria de Esportes do iG. Até lá.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
29/11/2008 - 14:17

Bebeto de Freitas conduziu Botafogo no deserto, mas ficou no meio do caminho

Com a eleição de Maurício Assumpção para um mandato de três anos, a começar em 2 de janeiro de 2009, anuncia-se o fim a gestão de Bebeto de Freitas à frente do Botafogo. Trato deste assunto no blog por ter lido muito pouca coisa a respeito nos jornais editados em São Paulo, onde moro, e julgar que é um tema com alguma relevância para quem se interessa por futebol.

Bebeto conquistou a presidência no final de 2002, ano em que o Botafogo foi despachado para a Série B do Brasileiro. Afundado em dívidas e má gestão, a queda do time para a segunda divisão não chegou a surpreender. Ao contrário, o time esteve para cair várias vezes, antes de consumar o ato naquele ano ( a situação, diga-se, lembra a do Vasco em 2008, com Roberto Dinamite recém-eleito presidente).

Bebeto assumiu, portanto, num momento decisivo. Se o Botafogo não retornasse à Série A no seu primeiro ano de mandato, acredito, poderia ser o início do fim. Um time que já vinha ladeira abaixo, e ainda por cima com receitas diminutas, dificilmente agüentaria o tranco de permanecer dois anos na Segundona.

A campanha em 2003 não foi das mais brilhantes (11 vitórias, oito empates e quatro derrotas na primeira fase), mas o suficiente para o Botafogo terminar o campeonato em segundo lugar, atrás do Palmeiras. Eu diria que esta foi a conquista mais importante de Bebeto à frente do Botafogo.

Por sua trajetória e carreira, Bebeto trouxe para o futebol a imagem de um sujeito honrado, limpo, sem relações com a velha guarda da cartolagem. É verdade que, ao longo dos seis anos como presidente do Botafogo, nem sempre agiu como esperavam os que lutam pela modernização da estrutura arcaica do futebol (apoiou a Timemania, por exemplo), mas quase sempre esteve do lado certo.

Não conseguiu, porém, reerguer o Botafogo. Em termos de conquistas, a maior foi o título do Estadual em 2006 – pouco para seis anos como presidente. Do ponto de vista da gestão, ao que parece, não foi capaz de sanear as finanças do clube e deixa um legado pouco promissor para os que o sucedem.

Como quase todos os dirigentes de futebol, Bebeto assumiu muitas vezes posições que um torcedor adotaria (invadiu gramados, xingou juízes, ameaçou tirar o time de competições etc). Por um lado, chega a ser comovente o desespero do presidente do seu clube; por outro, assusta ver que nem ele é capaz de manter a serenidade em momentos decisivos.

Como torcedor, olhando meu time à distância, eu diria que Bebeto ajudou a reerguer a auto-estima de um clube combalido, conseguiu montar alguns times competitivos, que chegaram a dar algumas alegrias à torcida, mas fraquejaram em momentos decisivos. Bebeto comandou o Botafogo numa travessia pelo deserto – mas, infelizmente, não chegou a destino seguro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
29/11/2008 - 14:04

Virando a noite dentro da livraria

A Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, em São Paulo, abriu às 9h de sexta-feira e só vai fechar às 22h deste sábado. Ficará aberta por 37 horas – uma experiência inédita, batizada como Vira Cultura. Vários eventos foram programados para atrair o público durante a noite e madrugada – peças de teatro, shows, roda de samba e DJs (na foto, fila para ver a banda Vanguart, à 1h20 da manhã). A livraria lotou de gente, como escrevi no Último Segundo. A questão é saber se o esforço e o investimento valeram a pena. O evento envolveu mais de 500 pessoas, entre funcionários da livraria e gente ligada à produção dos eventos. Baita esforço.

 

Conversei com Pedro Herz, dono da Cultura, na madrugada de sábado e ele ainda não sabia avaliar o resultado. Prometeu, na pior das hipóteses, fazer o Vira Cultura uma vez por ano. Se o resultado for positivo, pode torná-lo até trimestral. Seria ótimo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
28/11/2008 - 11:49

Krajcberg em SP: ainda dá para ver a grande mostra do ano

Ainda não é tempo de retrospectivas sobre 2008, mas já me adianto – e por um motivo: a exposição de Frans Krajcberg em São Paulo, um dos grandes eventos artísticos do ano, talvez o mais importante, ainda está aberta. É um programa imperdível – e gratuito.

A mostra reúne 65 esculturas do artista, realizadas com pedaços de madeira retirados de queimadas e pigmentos extraídos da terra, além de 40 fotografias que documentam diferentes devastações ambientais. Também é exibido aos visitantes, no subsolo da Oca, no Parque Ibirapuera, o delicado documentário “Krajcberg, Poeta dos Vestígios”, realizado por Walter Salles em 1987 para a TV Manchete.

Espalhadas pelo salão da Oca, as esculturas de Krajcberg produzem um efeito impressionante. São belas e espantosamente assustadoras, nos chamando a atenção para o que a mão do homem é capaz de fazer – para o bem e para o mal.

Nascido na Polônia, em 1921, Krajcberg perdeu toda a família na Segunda Guerra Mundial. Chegou ao Brasil em 1948, naturalizou-se brasileiro alguns anos depois e, desde 1972, mora no sul da Bahia, num sítio em Nova Viçosa, onde mantém o seu ateliê.

A exposição, que comemora os 60 anos do Museu de Arte Moderna, é a maior reunião de obras de Krajcberg já montada na cidade. Até 14 de dezembro. De terça a domingo, das 10h às 18h.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , ,
28/11/2008 - 10:31

Mauricio de Sousa: “Hoje devo estar com uns 43 anos”

Tenho grande admiração por Mauricio de Sousa, o criador da Turma da Mônica. São raras as pessoas que conseguem aliar talento artístico com capacidade empreendedora. Mauricio de Sousa ergueu um mundo, a partir das historinhas de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. Aos 73 anos, não se cansa de inventar coisas – tanto do ponto de vista artístico quanto dos negócios.

Conversei com ele nesta quinta-feira, para falar do surpreendente beijo que Mônica dá em Cebolinha no final do quarto gibi da série “Turma da Mônica Jovem”. A entrevista rendeu. Mauricio de Sousa contou como pretende desenvolver as novas histórias – incluindo temas como sexo e drogas no universo da turma –, e também revelou os seus novos projetos, nas mais variadas áreas.

Ao final, surpreso com tamanha energia, perguntei se ele poderia me dizer a sua idade. A sua resposta é ótima:

Não gosto muito, mas posso falar. Estou com sete três, mas tem dia que estou com 18, tem dia que estou com 90, tem dia que estou com 40… Hoje devo estar com uns 43.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
27/11/2008 - 14:18

Por que Paola Oliveira saiu no meio do filme?

A notícia, surpreendente, está na homepage do Babado: Paola Oliveira saiu no meio da sessão para convidados de “Entre Lençóis”, filme que estrela ao lado de Reynaldo Gianecchini. O longa-metragem, cuja estréia está programada para 5 de dezembro, conta a história de um encontro casual entre os personagens dos dois atores e se passa, basicamente, dentro de um quarto de motel.

Segundo a notícia no Babado, Paola teria ficado com vergonha, diante dos convidados para a pré-estréia, das cenas em que aparece nua, ao lado de Gianecchini. A assessora da atriz apresentou outra versão para a saída à francesa: Paola tinha um compromisso muito cedo no dia seguinte e não queria dormir tarde. Seu companheiro de cena corroborou a versão.

Enquanto estratégia de marketing pode ser um duro golpe para “Entre Lençóis”.  Se nem a atriz principal conseguiu ficar até o final, quem vai aguentar assistir esse filme? Por outro lado, pode-se explorar uma idéia inversa: venha ver o filme que exibe cenas de Paola tão quentes que nem ela conseguiu assistir. Será que cola?

Fui ver o trailer do filme e levantei uma outra hipótese para Paola ter abandonado a sessão pela metade. Acho que ela não gostou da música…

Assista e tire as suas próprias conclusões.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , ,
26/11/2008 - 20:27

Ninguém casou, ninguém separou, ninguém brigou…

 

 

 

 

Por onde anda Luana para animar a festa?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Colunismo social Tags: , , , ,
26/11/2008 - 18:01

Sutiã masculino: mais uma invenção de “Seinfeld”

Não será a primeira nem a última vez que direi isso neste blog: o mundo real imita “Seinfeld”, o melhor seriado já feito. No final de agosto, lembrei que a história da venda de um pedaço de bolo de um casamento da família real inglesa havia sido antecipada em um episódio famoso, no qual Elaine come a fatia milionária que seu chefe havia adquirido em um leilão.

Esta semana, leio no blog de Sylvain Justum que há uma nova moda no Japão: sutiã masculino. “Piada, né?”, pergunta o blogueiro. Piada, sim, das boas, contada em um episódio da sexta temporada de “Seinfeld”, “The Doorman”, o porteiro, exibido pela primeira vez em 23 de fevereiro de 1995. No episódio, os pais de George, os doidos Frank e Stella Costanza, estão separados. O não menos doido Kramer apresenta a idéia de um sutiã masculino para Frank, que adora o objeto. Não vou contar mais da história para não estragar o prazer de quem ainda não assistiu.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: ,
26/11/2008 - 14:48

Sexo e política: as mulheres no governo Berlusconi

Como recebo a revista sempre com atraso, só faço agora este comentário sobre o artigo “Girls! Girls! Girls!”, de Alexander Stille, publicado na “New Yorker” com data de capa de 3 de novembro. Trata-se de um texto muito bem-humorado, mas devastador, sobre o que aconteceu com a Itália desde que o primeiro-ministro Silvio Berlusconi assumiu o poder pela primeira vez, há quase 15 anos (apenas um resumo está aberto no site da revista).

Stille descreve como Berlusconi cultiva, a seu favor, a imagem de bon-vivant, conquistador e cafajeste. Com piadas, gestos ambíguos e aquele famoso sorriso de estátua, fala abertamente sobre sexo e não esconde que já fez cirurgia plástica e implante de cabelos.

No artigo, Stille mostra como Berlusconi vem se cercando, no Parlamento e no governo, de mulheres que trabalharam em suas emissoras de tevê – algumas como garotas de palco. A mais famosa é Mara Carfagna (à esquerda), candidata derrotada a Miss Itália e ex-showgirl num programa de tevê, nomeada ministra da Igualdade das Oportunidades no novo governo. A humorista Sabina Guzzanti está sendo processada pela “mais bonita ministra do mundo”, nas palavras de um correligionário de Carfagna, depois de ter dito: “Não me importa a vida sexual do Berlusconi. Mas você não pode fazer alguém ministro da Igualdade das Oportunidades só porque ela chupou o seu pau”.

Outra beldade que passou pelos programas de tevê de Berlusconi e hoje está no governo é a ruiva Michela Vittoria Brambilla (acima). Também ex-candidata a Miss Itália, Michela apresentava um programa chamado “Mistérios da Noite”, focado na vida noturna de cidades ao redor do mundo. Hoje ela é vice-ministra do Turismo. Segundo Stille, este cargo era o segundo na sua preferência. Como gosta de animais, ela sonhava ter sido nomeada ministra do Meio Ambiente.

Stille livra a cara de uma única mulher que faz parte do governo Berlusconi. Mariastella Gelmini (à esquerda) não apenas nunca trabalhou nas emissoras do primeiro-ministro, como ainda tem alguma experiência política. Ela é a atual ministra da Educação.

Diferente é a situação de Deborah Bergamini. Assistente pessoal de Berlusconi no seu conglomerado de mídia, Bergamini (abaixo) foi nomeada diretora de marketing da RAI. O conflito de interesses nesse caso é óbvio, já que as emissoras de tevê estatais também são controladas por Berlusconi, enquanto primeiro-ministro. Gravações feitas há alguns anos mostraram que Bergamini, trabalhando na RAI, defendia os interesses da Mediaset, do patrão. Afastada da RAI, com uma gorda indenização, hoje ela é deputada da coalizão governamental.
 
Por fim, Stille conta a história de Virginia Sanjust di Teulada (abaixo), jornalista do grupo de mídia de Berlusconi. Há cinco anos, depois de assistir uma reportagem da moça, o patrão, encantado, mandou um buque de flores. Agradecida, ela respondeu com um cartão, no qual registrou o número de seu telefone. Convidada a almoçar com o primeiro-ministro, foi chamada a prestar uma consultoria, regiamente paga, ao governo.

O escândalo se tornou público graças às revelações do então marido, logo ex, de Sanjust di Teulada, Federico Armati. A jovem jornalista também ganhou um programa na RAI e Armati, que trabalhava para serviços de inteligência do governo, foi transferido e, posteriormente, demitido.

Stille encerra sua crônica sexual sobre a Itália de Berlusconi lembrando que, no início dos anos 90, o PIB da Itália era 15% superior ao da Grã-Bretanha. O fato era motivo de orgulho no país. Hoje, a economia italiana é 23% menor que a britânica.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Mundo Tags: , , , , , ,
25/11/2008 - 15:29

Qual é o futuro do jornalismo cultural?

Para comemorar meio século de vida do seu suplemento diário de cultura e entretenimento – o mais antigo da imprensa brasileira – a “Folha de S.Paulo” está lançando o livro “Pós-tudo – 50 anos de cultura na Ilustrada” (Publifolha, 368 págs., R$ 59,90). Escrito por Marcos Augusto Gonçalves, editor do caderno em dois momentos, na década de 80 e novamente nos dias de hoje, o livro reconstitui a trajetória da “Ilustrada” por meio de entrevistas com mais de 20 jornalistas, a reprodução de artigos e reportagens que ajudam a visualizar as diferentes fases (e faces) do suplemento, além de dados sobre o que aconteceu de importante no mundo cultural, apresentados em pílulas, ano a ano, entre 1958 e 2008.

O resultado é uma simpática – e fartamente ilustrada – celebração em torno de um dos mais importantes cadernos culturais da imprensa nacional, cujo alcance e influência, especialmente na década de 80, ajudaram a “Folha” a se consolidar como o maior jornal do país. “Pós-tudo” vai agradar a jornalistas e estudantes – especialmente aos que se especializaram em jornalismo cultural ou que sonham um dia trabalhar nesta área.

Ainda que o foco seja o percurso da cinqüentenária “Ilustrada”, Marcos Augusto Gonçalves enfrenta, no último capítulo, o desafio de olhar para frente. A pergunta não é feita no texto, mas podemos imaginá-la: Como serão os próximos 50 anos?

No texto, intitulado “O papel do jornal”, o autor resume alguns diagnósticos sobre o estado do jornalismo cultural impresso no início deste século XXI. Matinas Suzuki Jr lembra da dificuldade de falar de uma cultura padronizada para um universo de leitores com gosto cada vez mais difuso. Marcelo Coelho se pergunta qual é hoje o lugar do jornal, que não seja o da “cobertura exaustiva da cultura”. Mario Sergio Conti chama a atenção para a acomodação do jornalismo cultural praticado no Brasil a um modelo engessado, “de matéria de capa, colunona na última página, coluna social e um certo gosto pela polêmica”.

Cássio Starling Carlos fala do “choque de realidade” que sentiu ao constatar que os cadernos de cultura dos jornais se tornaram ponta-de-lança das estratégias de marketing da indústria cultural. “O efeito para o jornalista é que foi reduzida a quase zero a ambição de cavar pautas diferenciadas, pois elas caem no colo (entrevistas e viagens), mas são previsíveis e parecem muitas vezes irrelevantes para o público”, diz ele. “Sob a lógica implacável de consumo e descarte, são poucas e rarefeitas as tentativas de oferecer ao leitor abordagens estruturais e conjunturais, esforços de fôlego para revelar movimentos mais subterrâneos”, prossegue o jornalista. “Ao lado disso, os colunistas parecem, às vezes, oásis de perspicácia, às vezes resíduos de arcaísmo. E tal situação só se agrava com o inevitável atraso cronológico na oferta de informação do papel em relação às mídias eletrônicas”.

Sem esclarecer se concorda ou discorda de Starling Carlos, Marcos Augusto Gonçalves reconhece que essas observações “refletem o desconforto, as inquietudes e os desafios” a serem enfrentados nos dias de hoje. O livro sobre os 50 anos da “Ilustrada” termina por oferecer, enfim, uma boa oportunidade para discutir se, “pós-tudo”, o jornalismo cultural tem futuro. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , ,
24/11/2008 - 11:57

“O time deles é muito grande para cair” e outros novos clichês do futebol

Clichês e chavões são a tábua de salvação dos jogadores de futebol. Cercados por microfones, diariamente, antes, durante e depois das partidas, os craques preferem repetir os lugares comuns a arriscarem falar alguma frase polêmica ou uma grande besteira. Na dúvida, o mais garantido é falar: “futebol é momento”, “temos que respeitar o adversário”, “o grupo está unido”, “essa é uma partida de seis pontos”, “ainda não ganhamos nada”, “o importante é poder colaborar com o grupo” (quando está na reserva), “precisamos valorizar mais a posse de bola” (no intervalo da partida), “o professor pediu para eu ajudar na marcação” (à beira do campo, antes de substituir um colega), “o time teve muitas oportunidades, mas não soube aproveitar” (explicando a derrota) etc etc etc…

O campeonato por pontos corridos, que se realiza seguidamente desde 2003, introduziu alguns novos clichês no universo dos boleiros. O que eu mais gosto é quando o jogador de uma equipe bem colocada vai enfrentar um adversário que está nas últimas posições, próximo ao rebaixamento, e tenta ser politicamente correto. Tipo: “O time deles é muito grande para cair”. Ou “vai ser ruim para o futebol brasileiro se eles caírem”. Ou: “Um time com essa tradição não pode cair”. Virou um lugar comum. Antes do jogo de domingo contra o Vasco, Hugo, do São Paulo, falou uma variação dessa frase: “Não gosto quando uma equipe grande cai para a segunda divisão, pois desvaloriza muito o nosso campeonato”, disse.

Você lembra de novos clichês, criados por causa do campeonato por pontos corridos? Aceito sugestões.  

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
23/11/2008 - 12:59

Milton Santos e o “racismo cordial”

Em 1995, o Datafolha realizou uma grande pesquisa nacional sobre racismo no Brasil. Para esmiuçar os dados, a “Folha de S.Paulo” convocou uma equipe de jornalistas, que foi a campo produzir reportagens e entrevistas a partir dos dados levantados. O resultado foi a publicação do caderno especial “Racismo Cordial”.

A mim coube, entre outras tarefas, entrevistar o geógrafo Milton Santos (1926-2001), uma das mais respeitadas figuras de sua área no mundo. Santos recebeu uma cópia do relatório do Datafolha antes da entrevista e não gostou nada da pesquisa. Como eu estava há mais de um mês envolvido com os dados, não aceitei sem refutar vários dos questionamentos do geógrafo.

Na visão de Santos, o Datafolha havia formulado de forma errada inúmeras questões da pesquisa e definiu mal a idéia de preconceito. O geógrafo acusou o jornal de fazer marketing com o levantamento, entre outras críticas.

A entrevista foi duríssima, com críticas não apenas à pesquisa, mas também às minhas questões. Perguntei, por exemplo: “O senhor defende o chamado sistema de cotas?” Resposta: “Essa pergunta gera um bloqueio do debate. Porque você só tem duas formas de responder: sim ou não.” Indaguei então: “Qual seria a pergunta correta”. E Santos ensinou: “O que eu devo fazer para que o negro entre e permaneça na universidade?”

Em outro momento, depois que Santos acusou a pesquisa de ser um objeto de marketing, houve o seguinte diálogo:

- Constatar o racismo é marketing?
- Não. Marketing é fazer perguntas apenas sobre o discurso e não sobre o comportamento. Estou exagerando, porque há perguntas sobre comportamento. Já estou pensando na próxima, que eu sei que a “Folha” vai fazer.

De fato, 13 anos depois, neste domingo, o jornal refez as mesmas perguntas da pesquisa de 1995 e publicou o ótimo caderno especial “Racismo”. Desconfio que Santos fosse criticar, mais uma vez, o resultado do trabalho.

Em tempo: A entrevista com Milton Santos foi publicada, com a anuência do geógrafo, que a reviu, no livro “Racismo Cordial” (editora Ática, 1995). E foi republicada no livro “O País Distorcido” (Publifolha, 2002).

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , ,
21/11/2008 - 17:58

Acordo de Angelina com a “People” tem precedentes

O “New York Times” publicou nesta sexta-feira uma reportagem que detalha o acordo feito entre Angelina Jolie e a revista “People” para a divulgação, com exclusividade, das fotos do casal de gêmeos recém-nascidos. O jornal americano informa que, além do dinheiro que recebeu (US$ 14 milhões), Angelina negociou também com a revista uma promessa de cobertura positiva a seu respeito.

A reportagem do “New York Times” escancara, assim, um caso de relação promíscua entre um veículo de comunicação e sua fonte. Está longe, porém, de ser uma história inédita ou excepcional. São notórias as relações pouco ortodoxas entre a imprensa que cobre as celebridades, os assessores de imprensa, relações públicas e os astros de Hollywood.

Num livro que acaba de virar filme, “Como Fazer Inimigos e Alienar as Pessoas”, o jornalista inglês Toby Young relata a sua experiência de pouco mais de um ano na redação da “Vanity Fair”, em meados da década de 90. Young conta que fotos da atriz Meryl Streep que seriam publicadas na “Vanity Fair” foram enviadas para o escritório da sua relações públicas, Pat Kingsley, para que ela indicasse onde a imagem precisava ser retocada.

Young também conta que a mesma Kingsley só autorizou que Tom Cruise desse uma entrevista para a revista “Rolling Stone” se ela aprovasse o nome do autor da matéria. A RP rejeitou os nomes de 14 jornalistas ou escritores indicados pela revista antes de aprovar um que lhe pareceu “suficientemente reverente”, nas palavras de Young.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , , ,
21/11/2008 - 07:45

Selton Mello faz “homenagens” a Martel e Cassavettes

Uma família desagregada, em frangalhos. Muita bebida, agressões, discussões. Crianças alheias a tudo (ou não). Uma piscina meio suja, mal cuidada. O roteiro, hábil, privilegia mais as sensações do que os fatos. Não sabemos, mas imaginamos o passado dos personagens. A câmera na mão, trôpega, anda junto, se confunde com aqueles seres cambaleantes, meio perdidos. Os retalhos de histórias contados aos saltos vão se costurando aos poucos, sem aviso prévio. Cinema para sentir e pensar. Nada é dado de graça. Ao contrário, custa caro assistir “O Pântano” (2001), o filme de estréia da argentina Lucrecia Martel.

Ao assistir “Feliz Natal”, filme que marca a estréia do ótimo ator Selton Mello na direção, é impossível não pensar em “O Pântano”. Houvesse alguma dúvida sobre a dívida de um filme para com o outro, a atriz Darlene Glória, que faz um dos papéis principais em “Feliz Natal”, trata de esclarecer, numa entrevista realizada pela assessoria do filme com o objetivo de promover o lançamento. “E quando ele (Selton) mostrou qual era o papel, o que vocês fizeram?”, pergunta o entrevistador. “A gente ficou um tempo conversando sobre o personagem e ele me deu uma cópia do filme ‘O Pântano’ dizendo que aquela era a sua idéia sobre o filme”. Darlene ainda observa: “Mas aquela era uma visão argentina e nós, brasileiros, temos um humor que não estava ali. Nós somos Martinho da Vila! De alguma forma, viajei naquilo ali e fui além”.

Em outra entrevista promocional, Selton Mello preferiu destacar a influência que teve de John Cassavettes: “O fato de ser um ator dirigindo, de trabalhar com pessoas com quem ele tem intimidade, de dar margem ao improviso”. Nesta mesma entrevista, Selton sugere que “Feliz Natal” está longe de ser um filho único, a realização de um sonho de décadas, o projeto de sua vida. Ao contrário. Tudo indica que o ator encarou o projeto como o primeiro de uma nova fase de sua carreira. “Poucas vezes na minha profissão – e eu estou há mais de 25 anos nela! – eu tive tanto tesão quanto em dirigir o ‘Feliz Natal’. Tesão ao ponto de até me deixar um pouco em crise com a minha profissão de ator. Hoje, se me botarem dois projetos na frente – um para atuar, outro para dirigir – certamente eu vou dirigir.”

Generoso com seus atores (Leonardo Medeiros e Paulo Guarnieri em grandes momentos, Lucio Mauro surpreendente e Darlene Glória um pouco caricatural), Selton Mello demonstra ter uma boa mão para a direção. Resta saber se tem idéias próprias sobre como fazer um filme. Visto enquanto um exercício sobre “O Pântano” ou sobre Cassavettes (se ele prefere), “Feliz Natal” habilita Selton Mello a passar de ano e dirigir outros filmes.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , , , ,
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