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Arquivo de outubro, 2008

19/10/2008 - 14:00

O blog vai à Mostra IV: Entre silêncios e longos planos, a poesia de “Liverpool”

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O argentino Lisandro Alonso foi, por alguns anos, por conta de seus dois primeiros filmes, “La Liberdad” e “Los Muertos”, um dos queridinhos da crítica cinematográfica mundial. “Liverpool”, seu terceiro filme, marca o momento em que os especialistas se desapontaram com Alonso e apontam um impasse em sua obra.

Para este blogueiro, que não conhece os filmes anteriores, “Liverpool” causou boa impressão. Econômico nos diálogos e generoso nos planos longos e silenciosos, o filme de Alonso conta a história de Farrel, um homem na casa dos 40 anos, que trabalha em um navio cargueiro e decide, numa parada em Ushuaia, visitar a sua mãe. Solitário, Farrel tem por companhia uma garrafa de vodca e uma bolsa mal ajambrada, que ele abre e fecha com o maior zelo. Na paisagem inóspita deste extremo do mundo, o personagem chega, finalmente, à aldeia onde vive a mãe, mas ela, muito velha e doente, não o reconhece. Depois de uma breve visita, Farrel vai embora, mas a câmera de Alonso, para espanto de muitos críticos, permanece na aldeia, descrevendo a vida de outra personagem – uma moça que, ao final, vai esclarecer porque o filme se chama “Liverpool”.   

“Liverpool” será exibido neste domingo, dia 19, às 19h50, na Cinemateca, sala Bndes; e na quinta-feira, 30, às 14h50, no Unibanco Artplex.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
19/10/2008 - 12:17

O blog vai à Mostra III: O lado B da Europa em dois grandes filmes

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Temáticas, formas de filmar, sensibilidades: há muito pouco em comum entre “Gomorra” e “O Silêncio de Lorna”, salvo o fato que ambos foram premiados em Cannes em 2008 e expõem a permanência de problemas graves na porção mais próspera do Ocidente.

Adaptação de uma obra do escritor Roberto Saviano, o filme dirigido por Matteo Garrone é um assustador mergulho no mundo da Camorra, a máfia estabelecida na região de Nápoles, no sul da Itália. O registro de Garrone é quase documental. Em poucos minutos, o espectador entenderá a brincadeira de Saviano com o título – “Gomorra” em lugar de “Camorra”. Estamos próximos do inferno. O espectador é levado a passear pelos conjuntos habitacionais da periferia de Nápoles, onde gangues impõem o respeito à base de violência, coação e suborno. Os negócios da Camorra, mostra o filme, vão além de tráfico de drogas, exploração do jogo e comércio de armas: eles se estendem também à indústria do lixo e à estocagem irregular de dejetos químicos poluidores.

Falado quase integralmente em dialeto, “Gomorra” foi exibido com sucesso em Cannes este ano, onde ganhou o Grande Prêmio, o segundo mais importante do festival. Esta semana, na Feira do Livro, em Frankfurt, Saviano e Garrone receberam o prêmio Hessische Filmpreis, entregue desde 2004 à melhor adaptação cinematográfica de uma obra literária. Pela primeira vez, o prêmio não foi dado apenas ao cineasta, mas também ao escritor – uma forma de homenagear Saviano, que desde a publicação do livro vive sob proteção policial.

“O Silêncio de Lorna”, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, trata de outro tipo de violência, a luta de imigrantes do Leste europeu pela sobrevivência na zona mais próspera do continente. O filme se passa na Bélgica e retrata o esforço de uma imigrante albanesa em se estabelecer no país. Para isso, veremos como ela se envolve com a máfia russa em busca da cidadania belga. Mal o filme começa, entendemos que, para obter o documento, ela teve que se casar com um viciado em drogas e, em seguida, precisa se livrar dele para poder ser oferecida como uma “legítima” belga a um outro imigrante.

Como outros filmes dos irmãos Dardenne (“Rosetta”, “A Criança”, ambos vencedores da Palma de Ouro, em Cannes), a força de “O Silêncio de Lorna” vem da forma sutil e delicada com que os cineastas registram as fraquezas humanas e as emoções dos personagens. O filme ganhou o prêmio de melhor roteiro em Cannes, este ano. A quase estreante Arta Dobroshi, atriz que encarna Lorna, é um trunfo e tanto deste filme.

“Gomorra” será exibido neste domingo, dia 19, às 20h50, no Reserva Cultural; no sábado, 25, às 16h, no Espaço Unibanco Pompéia; e no domingo, 26, no Espaço Unibanco Pompéia.

 “O Silêncio de Lorna” ainda será exibido na segunda-feira, dia 20, às 21h, no Cine TAM; na sexta-feira, 24, às 17h10, no Espaço Unibanco Augusta; e no domingo, 26, às 22h, no Espaço Unibanco Pompéia.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , , ,
18/10/2008 - 17:54

Saio, apareço e minha foto cai na rede – III

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Telefonemas, e-mails, mensagens postadas no blog: deu para perceber a ansiedade dos fãs por causa
da ausência deste ranking na última semana. Para alegria deste blogueiro, em pouco tempo, esta iniciativa pioneira, que procura elencar as celebridades mais fotografadas pelas colunas sociais da Internet, se tornou um sucesso.

Sigamos em frente, então. Esta semana, vamos dedicar o ranking a uma seleção de mulheres bonitas e sorridentes. Para efeitos de competição, vamos considerar a bilionária grega Athina Onassis hors-concours. Desde a quarta-feira, 15, ela aparece todo dia, de todos os ângulos possíveis – em pé, sentada, montando cavalo –, em todos os sites que acompanham a vida dos famosos. Motivo: Athina organiza e batiza uma importante competição de hipismo que ocorre esta semana em São Paulo, motivo pelo qual os melhores fotógrafos da cidade se mantêm em estado de plantão permanente na Sociedade Hípica Paulista.

Depois de Malu Mader e Roberto Justus, e excluída Athina Onassis, as vencedoras da semana são duas:

1. Priscila Fantin: A atriz global cumpriu agenda intensa em São Paulo. Na terça-feira, 14, compareceu à pré-estréia do filme “Orquestra dos Meninos”, no Kinoplex Itaim. No dia 16, Priscila deu o ar da sua graça num evento concorrido, mas difícil de entender, no restaurante 3X4, no mesmo bairro. E na sexta-feira 17, a atriz viajou a Campinas para assistir o casamento da modelo Schynaider com Mario Bernardo Garnero.

1. Eliza Joenck: A modelo agitou em São Paulo nos últimos sete dias. Seu rosto brilhou na festa que a marca de jeans Diesel deu, na dia 11, em um galpão na Barra Funda. Na quinta-feira, 16, Eliza cumpriu agenda dupla. Ela esteve no mesmo 3X4 que Priscila Fantin e de lá, com o mesmo modelito, foi para a festa de inauguração de uma nova casa noturna, o Clube Wish.

2. Cássia Ávila: A modelo e jornalista também circulou bem esta semana. Na terça-feira 14, ela compareceu à noite de autógrafos de Andre Midani, que lançou o livro “Música, Ídolos e Poder”, na Livraria Cultura. No dia seguinte, Cássia participou de um evento muito comum em São Paulo, uma festa de lançamento de coleção de jóias, no caso de Ara Vartanian, irmão do namorado da modelo, o também joalheiro Jack Vartanian.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , , , ,
18/10/2008 - 12:12

O blog vai à Mostra II: os irmãos Coen na hora do recreio

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“Queime Depois de Ler” é uma espécie de recreio após o violento e absurdo “Onde os Fracos Não Têm Vez”, o grande vencedor do Oscar 2008 (melhor filme, direção, ator coadjuvante e roteiro adaptado). Com elenco, como sempre, afinado (George Clooney, Frances McDormand, Brad Pitt, John Malkovich, Tilda Swinton, todos ótimos), o novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen é uma comédia de erros passada em Washington, apimentada por uma série infinita de casos de adultério e trapalhadas da CIA.

É um daqueles filmes que, com certeza, vão estrear em circuito comercial no Brasil. Mas, se você não agüenta esperar, encare as filas na Mostra. Ainda há três sessões programadas. A diversão é garantida.
 
“Queime Depois de Ler” será exibido nesta sábado, às 21h50, no Espaço Unibanco Pompéia 1; no domingo, dia 19, às 21h10, no Espaço Unibanco Augusta 3; na segunda-feira, dia 20, às 14hs, no HSBC Belas Artes 2;  e na sexta-feira, 24, às 22h50, no CineSesc.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , ,
18/10/2008 - 10:40

O blog vai à Mostra: Wajda detalha o massacre de “Katyn”

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Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Dezessete dias depois, vindo do leste, o exército russo também invadiu o país, dividindo-o ao meio com os nazistas. O drama dos poloneses, oprimidos entre dois invasores, um de cada lado da ponte, é exibido logo na cena de abertura de “Katyn”, o mais recente e talvez mais impressionante filme de Andrzej Wajda (“Danton, o Processso da Revolução”, “O Homem de Ferro”).

As conseqüências da ocupação nazista são bem conhecidas, sobretudo o extermínio de milhões de judeus em campos de concentração. Já as marcas da ocupação soviética são menos notórias. O seu ato mais bárbaro ocorreu em meados de 1940, quando 15 mil oficiais do Exército polonês foram assassinados a céu aberto com tiros na cabeça e enterrados em valas comuns em Katyn, no interior da União Soviética.

Além dos dramas resultantes de um massacre que exterminou parte da elite polonesa (havia engenheiros, advogados, médicos etc entre os reservistas assassinados), o país conviveu por décadas com a proibição de falar desta atrocidade, já que a Polônia se tornou aliada da União Soviética a partir de 1945 – e o que ocorreu em Katyn virou um tabu.

Wajda sonhou por anos em levar a história deste massacre às telas, mas só conseguiu fazer isso em 2007. O pai do cineasta estava entre os mortos em Katyn, ele conta. Aos 81 anos, o mais famoso cineasta polonês fez um filme que é um acerto de contas pessoal, mas também de todo um povo com a sua história e a de seus inimigos. Cerca de 2 milhões de poloneses, em uma população de 38 milhões, assistiram a “Katyn” no ano passado. Candidato ao Oscar de filme estrangeiro em 2008, perdeu a estatueta para o tcheco “Os Falsários”, de Stefan Ruzowitzky. 

Para um brasileiro, pode haver algumas dificuldades em acompanhar detalhes da história, mas o essencial não se perde (Um excelente artigo sobre o filme, no “New York Review of Books, pode ser lido, em inglês, aqui). “Katyn” trata de uma atrocidade sem tamanho, daquelas que nos deixam perplexos e sem esperança. A propósito, os últimos 15 minutos do filme, ao longo dos quais Wajda recria de forma realista o massacre, são muito difíceis de assistir. Esteja preparado, caso deseje encarar.

“Katyn” será exibido neste sábado, dia 18, às 21hs, na Cinemateca, sala BNDES, e no domingo, dia 19, às 19h30, no Cinemark do Shopping Eldorado.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
17/10/2008 - 08:34

Air guitar e simulação de orgasmos: tudo a ver

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Fiz certa vez uma reportagem, para a CartaCapital, sobre um concurso de air guitar. É uma invenção de americanos, trazida pela cá, que premia o sujeito que melhor finge tocar uma guitarra. A brincadeira começou a partir da observação que muito marmanjo ouve rock fingindo tocar a guitarra do seu ídolo. O concurso, promovido pelo Sesc, foi engrçadíssimo. Minha reportagem, publicada na edição 215, de novembro de 2002, começava assim:

O cabelo é de roqueiro. A roupa, também. Até a idade, 42 anos, faz sentido. Só o nome – Nildo Ferreira de Brito – não combina, mas o cidadão que sobe ao palco, apresentado como “um verdadeiro deus”, é conhecido por um apelido bem mais apropriado para a situação: Blackmore.

Trata-se de uma homenagem a Ritchie Blackmore, guitarrista de 57 anos, fundador do Deep Purple, uma das bandas mais lendárias da história do rock. “Imito ele desde 1977”, avisa Nildo. Imita, uma vírgula. Nildo finge tocar guitarra como Blackmore, mas sem usar uma guitarra. Nildo pratica air guitar, esporte inventado para homenagear pessoas que, como ele, gostam de ouvir rock´n´roll fazendo mímica com as mãos, como se estivessem tocando o instrumento.

Não me surpreendeu, portanto, a referência feita por Evaldo Shiroma a um concurso de air guitar quando ele tentava me explicar o que inventara: o 1º Campeonato de Simulação de Orgasmos já realizado no país. O concurso é uma das atrações da Erotika Fair, criada por Shirona, que ocorre neste final de semana em São Paulo. Quem melhor fingir fatura R$ 1 mil, além de duas passagens para o Rio de Janeiro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , ,
16/10/2008 - 00:44

A importância de chamar as coisas pelo nome

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Outro dia comentei aqui sobre a dificuldade em que Cleber Machado se meteu ao ter que narrar um jogo do Corinthians ao mesmo tempo em que três dos quatros principais times da Série A disputavam partidas do campeonato. Na noite desta quarta-feira, dia de Brasil e Colômbia no Maracanã, Cleber deu um banho na transmissão da Globo. Sóbrio, logo aos 20 minutos do primeiro tempo, teve a coragem de dizer: “A Colômbia está mandando no jogo. Parece até que a partida é em Bogotá, não no Rio de Janeiro”.

No SporTV, a diversão coube a Muller. O ex-atacante estava inspirado. Aos 9 minutos do segundo tempo, depois de Elano errar uma jogada pela enésima vez, ele se soltou: “Será que eu vou ter que ir lá bater a falta? Eu e o Júnior?” No final do jogo, sobrou para Gilberto Silva: “ Esperava o que do Gilberto Silva? É um jogador limitado”.

Já Cleber, na Globo, ousou criticar até Robinho – uma espécie de Pelé para certa crônica esportiva. “(Se) está num dia em que o drible não está saindo, deveria mudar o repertório”.

Irritado, Junior, no SporTV, fez coro: “A seleção brasileira jogou assim: chutão para cima”.

Até Falcão, o mais vaselina de todos os comentaristas, foi sincero esta noite: “O grande Kaká está fazendo falta, porque hoje não está tão grande assim”. No fim do jogo, também disse: “O Brasil não teve competência para ganhar”.

Seria bom se fosse sempre assim, não apenas quando a seleção joga como o Olaria.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , , ,
15/10/2008 - 16:26

É casada? Não, separada

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Não é possível ainda avaliar o impacto que essa notícia teve nas bolsas, novamente em queda nesta quarta-feira, mas o anúncio da separação de Madonna e Guy Ritchie foi destacado até na Bloomberg, a célebre agência especializada em notícias de economia em tempo real. O divórcio, na ótima observação do texto, representa o fim do “sonho dos tablóides de um casal de celebridades trans-atlântico”.

Em nota, um assessor pediu à mídia que respeite a privacidade da dupla neste momento difícil. Imagine se algum meio de comunicação – tablóide ou não – vai atender esse pedido. Madonna e Ritchie tem um patrimônio estimado de 300 milhões de libras (mais de R$ 1 bilhão), segundo levantamento do “Sunday Times”. E começa agora a especulação sobre quem vai ficar com quanto. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , ,
14/10/2008 - 15:57

Nem tudo é espontâneo: “CQC” também ensaia piadas

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Ainda é cedo para balanços, mas é possível dizer, sem medo de errar, que o “CQC” foi a grande novidade na tevê brasileira em 2008. Isso não quer dizer muita coisa, diante do nível médio da produção nacional, mas o programa, indiscutivelmente, trouxe bom humor, inteligência e irreverência a um gênero, do qual o “Pânico” é seu mais famoso representante, caracterizado pela baixaria e o mau gosto.

Neste domingo, tive a oportunidade de ver dois repórteres do “CQC” em ação, Felipe Andreoli e Rafael Cortez, nos estúdios da Band, antes, durante e depois do debate que opôs Marta Suplicy a Gilberto Kassab. Talvez porque estivessem “em casa”, na emissora que exibe o seu programa, a turma do CQC estava mais contida do que costumamos ver na tevê. Mas o que realmente me surpreendeu foi constatar que parte da irreverência e da audácia dos repórteres da turma não é tão espontânea quanto sugere a edição final. Quem estava no estúdio da Band teve a oportunidade de ver a dupla Andreoli e Cortez ensaiar, gravar e regravar uma cena, antes de uma entrevista com o deputado Rui Falcão. A cena mostrava os dois repórteres conversando e, de repente, ambos tinham a mesma idéia: entrevistar Rui Falcão – que, “por acaso”, estava atrás deles. Na edição final, que foi ao ar nesta segunda-feira, a cena nem foi incluída – possivelmente porque ficou sem graça. Apenas a entrevista com Falcão foi exibida.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , ,
13/10/2008 - 14:47

Ao se acusarem de mentirosos, Marta e Kassab parecem falar a verdade

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Em todos os debates no primeiro turno, em São Paulo, tanto Marta Suplicy quanto Gilberto Kassab inflaram as próprias realizações, omitiram informações desfavoráveis de suas gestões e diminuíram os feitos do adversário. A novidade no debate desde domingo é que Marta e Kassab resolveram qualificar esse pequeno truque pelo seu nome verdadeiro. “Kassab é mentiroso”, disse Marta, a certa altura. “Marta está mentindo”, disse Kassab, em outro momento. Foi o maior qüiproquó.

Na política, mentir é um procedimento considerado “normal”. Em todo o mundo. O democrata Adlai Stevenson, que disputou duas vezes a presidência dos Estados Unidos contra o republicano Dwight Eisenhower, em 1952 e 1956, disse certa vez: “Vou propor um acordo com os republicanos: se eles pararem de falar mentiras sobre os democratas, nós paramos de falar a verdade sobre eles.” Não adiantou nada. Stevenson perdeu as duas eleições.

Algumas outras boas frases sobre políticos e debates eleitorais:

Durante um tempo eu fiquei de um lado do balcão e vendi uísque para o Sr. Douglas, mas a diferença entre nós é essa. Eu deixei o meu lado no balcão, mas o Sr. Douglas permanece firme no seu lado, com a tenacidade de sempre.
(Abraham Lincoln, candidato do Partido Republicano, ao lembrar de sua infância humilde, ao mesmo tempo em que evocava um hábito pessoal de seu adversário, o democrata Stephen A. Douglas, na eleição presidencial americana de 1860)

                                                                * * *

Pergunta: Quais são as qualificações necessárias para um jovem que deseja seguir carreira na política?
Winston Churchill: É a habilidade de prever o que vai acontecer amanhã, semana que vem, mês que vem e ano que vem. E ter a habilidade, depois, de explicar porque as coisas não aconteceram
.

                                                                        * * *

Na era da televisão, devemos manter distância de presidentes que não sabem interpretar o papel de presidente. Ao contrário, devemos buscar o melhor ator disponível para o trabalho, aquele que possa ler com plausibilidade os comerciais que foram escritos para ele. (Gore Vidal)

                                                                           * * *

Debates eleitorais se baseiam numa fantasia da razão: a de que governa melhor aquele que discute melhor. (Otavio Frias Filho)

                                                                         * * *

Um bom político é quase tão impensável quanto um assaltante honesto. (H.L. Mencken)

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Política Tags: , ,
11/10/2008 - 19:40

Saio, apareço e minha foto cai na rede: explicação aos leitores

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Para tristeza dos muitos fãs que conquistou em suas duas primeiras edições, este semana, excepcionalmente, a coluna não será publicada. O blogueiro se penitencia por frustrar a expectativa dos internautas, mas promete voltar com força total na semana que vem.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , ,
10/10/2008 - 18:59

O bom gosto musical de Lula

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O presidente Lula confessou em entrevista que navega na internet menos do que gostaria. “Quando eu deixar a presidência da República, vou acessar tudo que não tive direito agora”, ele disse. Na sequência, falou do seu esforço para baixar três músicas na internet. Ainda que não seja o suficiente para traçar o perfil do gosto musical do presidente, dá para ter uma idéia do que ele gosta por essa descrição.

A primeira música, que Lula baixou por interesse próprio, é “Viola Enluarada”, dos irmãos Marcos e Paulo Sergio Valle. Primeiro ponto para o presidente. A música é um clássico dos anos 60, com sua mensagem política embutida em melodia suave. Não há roda de violão em que não se cante “Viola Enluarada”.

A segunda música, Lula baixou para Cid Gomes, governador do Ceará. Trata-se de “Pau de Arara”, também conhecida como “Comedor de Gilete”, canção de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, incluída no musical “Pobre Menina Rica” e gravada por Ari Toledo, na década de 60. O hoje comediante, para quem não sabe, começou a carreira como cantor e ator. O gosto de Lula ainda está no terreno da música de protesto. Como se sabe, esta canção foi inspirada na saga de um retirante cearense em São Paulo, que passa fome e resolve, para melhorar de vida, comer gilete. “Eu juro que eu tinha saudades da fome, da fome que eu tinha no meu Ceará”, diz a letra.

A terceira música que Lula baixou foi em homenagem ao governador da Bahia, Jacques Wagner. O presidente não lembrava o nome da música, mas citou um trecho de cabeça. Trata-se do divertido baião “Baiano burro nasce morto”, do compositor baiano Gordurinha, cuja primeira gravação é de 1959. A música é uma delícia e seu título inspirou um famoso bordão em programas de tevê. Outro ponto para o presidente.

O gosto musical de Lula, por essa pequena amostra, está mais do que aprovado.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , , , , , ,
09/10/2008 - 09:16

“Economist” reúne seus clássicos obituários em livro

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O obituário é um gênero jornalístico cada vez mais valorizado. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, especialmente, é tratado como uma forma nobre de jornalismo, quase uma arte. A publicação no Brasil, no início deste ano, de “O Livro das Vidas” (Companhia das Letras), uma antologia de obituários publicados no “New York Times”, alcançou surpreendente sucesso, mostrando que, também aqui, há interesse por textos de qualidade – pequenas jóias literárias capazes de, ao falar da morte de alguém, fazer uma ode à vida.

Na aula que dá sobre o assunto, no posfácio de “O Livro das Vidas”, Matinas Suzuki Jr. faz um histórico sobre a difusão do hábito de publicar obituários na imprensa de qualidade ao redor do mundo. Ele lembra que a revista “Economist” fez uma reportagem de três páginas em 1994 chamando a atenção para o alto nível dos obituários publicados então – “de longe, mais bem escritos do que as outras páginas dos jornais”. Um ano depois, a própria “Economist” instituiu um espaço semanal para os seus obituários – uma maneira de “trazer gente – ainda que morta – para a revista”, explicou o editor Bill Emmott (citado por Matinas).

Eis que, uma década depois, a “Economist” reúne em livro 200 dos seus formidáveis e surpreendentes obituários. Não está lá o famoso texto sobre Jesus Cristo, mas a antologia inclui, por exemplo, o obituário do papagaio Alex, morto aos 31 anos, em 6 de setembro de 2007, depois de anos de serviços prestados aos estudos sobre a fala dos animais. Sem preconceitos, a sóbria “Economist” publicou obituários sobre rebeldes do naipe de Syd Barret, do Pink Floyd, ou Hunter Thompson, o famoso jornalista gonzo, ou ainda do poeta beat Allen Ginsberg, mas também de gente séria, como o fundador da Sony, Akio Morita, ou o papa João Paulo II. A lista é enorme e pode ser acessada no site da Amazon UK, clicando-se na capa do livro, à venda lá.

“Book of Obituaries” foi editado por Ann Wroe, atual responsável pela seção da revista, e por Keith Colquhoun, o primeiro editor, que escreveu os obituários da “Economist” por oito anos. O livro acabou de ser lançado na Inglaterra (352 páginas, 20 libras) e sai nos Estados Unidos em novembro. Se você, por acaso, está com viagem marcada para Nova York e se interessa pelo assunto, saiba que a revista está anunciando a realização de um debate na cidade, no dia 31 de outubro, intitulado “A arte do obituário”, com a presença da editora Ann Wroe.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: ,
08/10/2008 - 19:53

Madonna xinga Sarah Palin e apoia Obama

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Ligia Mesquita, enviada especial do blog, fez essas fotos e me contou como foi o show que Madonna fez nesta terça-feira no Madison Square Garden, em Nova York.

 

A rainha do pop mostrou que aos 50 está mais comportada, sim, mas nem por isso menos polêmica. Ela disse em alto e bom som para a platéia que todos eram bem-vindos na festa dela, exceto Sarah Palin, candidata a vice de McCain.

 

Ontem, segundo dia de show, depois de mais de uma hora e meia de performance – sim, porque ela cantou, dançou, tocou guitarra, pulou, trocou várias vezes de roupa -, Madonna começou a dar os seus recados.

 

O primeiro veio em forma de clipe: um vídeo que falava que é a hora de salvar o mundo e mostrava fotos de guerras, miséria, personagens para serem “esquecidos” da História. Apareceu uma foto de Hitler e, na sequência, uma de McCain. Depois, começaram a aparecer imagens de pessoas que, para a cantora, fizeram/fazem algo por um mundo melhor: madre Teresa, Al Gore, Oprah Winfrey, John Lennon, Bono Vox, Gandhi e Barak Obama. É a cantora declarando seu voto.

 

Ela volta ao palco, canta mais um pouco, toca, e aí começa a conversar com o público. Diz o quanto é bom estar “em casa, estar em Nova York” e começa a cantar alguns versos de sua música “I love New York”, pedindo para o público acompanhá-la. Quando canta o verso “If you can’t stand the heat, then get off my street”, pára e diz: “Vocês sabem quem eu quero que dê o fora da minha rua? Sarah Palin. Eu vou dar um pé na bunda dela se ela não sair da minha rua”. E, irônica, diz. “Não é pessoal, eu adoro a alma dela”.

 

E depois tira mais um sarro. “Esse é o som do snowmobile do marido de Sarah Palin quando ele tenta dar a partida no inverno e não funciona”, e solta um rife de guitarra estridente…  

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
08/10/2008 - 17:39

Universidades privadas na mira da literatura policial

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Depois de inúmeros estudos na área da comunicação, Felipe Pena resolveu arriscar-se pelo terreno da ficção. Sua estréia, o romance policial “O Analfabeto que Passou no Vestibular” é, na verdade, instrumento para uma séria denúncia sobre a precariedade do ensino nas universidades privadas brasileiras. Como ele conta em entrevista ao Ultimo Segundo, publicada nesta quarta-feira, o seu alvo é “a mercantilização do ensino, que se intensificou absurdamente nos últimos anos com essa abertura de capital das universidades, que agora lançam ações na Bolsa de Valores”.

Em todo caso, quem se interessa apenas por literatura policial, vai encontrar em “O Analfabeto que Passou no Vestibular” um esforço sério, ainda que irregular, de prender o leitor com uma trama divertida e criativa. Pena paga tributos explícitos a Rubem Fonseca e Luiz Alfredo Garcia Rosa, entre outros, mas consegue deixar a sua marca, na naturalidade com que seus personagens transitam pelo ambiente universitário, que o autor parece conhecer muito bem.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: ,
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