Bienal procura justificativas para o vazio do segundo andar
Criada em 1951 por Francisco Matarazzo, o Ciccillo, a Bienal de Arte de São Paulo ganhou em 1957 um ambiente definitivo para as exposições, projetado por Oscar Niemeyer, dentro do Parque Ibirapuera. Batizado, não por acaso, de Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o gigantesco espaço, com o tempo, viu-se subutilizado e passou a abrigar, no intervalo das bienais, exposições e eventos os mais variados, servindo também como fonte de recursos para a Fundação Bienal.
Causou surpresa, nesse sentido, a justificativa apresentada pelos curadores da 28ª Bienal, que abre ao público neste domingo, para deixarem o segundo andar do prédio completamente vazio. Depois de meses afirmando que o vazio era uma forma de expor a crise das bienais e discutir o papel da própria Bienal de São Paulo, Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen mudaram o discurso, em entrevista nesta quinta-feira, e defenderam a idéia que deixar o andar vazio é uma forma de exibir a exuberância arquitetônica do projeto de Niemeyer. Até rebatizaram o espaço, agora chamado de “planta livre”.
O problema do argumento, além de parecer ter sido apresentado para substituir uma idéia que não pegou bem, a da “Bienal do vazio”, é que o pavilhão criado por Niemeyer foi feito e pensado justamente para abrigar exposições. Logo, é natural que não seja apreciado vazio, e sim ocupado por obras de arte.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: Bienal de São Paulo, bienal do vazio, Ivo Mesquita


