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18/10/2008 - 10:40

O blog vai à Mostra: Wajda detalha o massacre de “Katyn”

Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Dezessete dias depois, vindo do leste, o exército russo também invadiu o país, dividindo-o ao meio com os nazistas. O drama dos poloneses, oprimidos entre dois invasores, um de cada lado da ponte, é exibido logo na cena de abertura de “Katyn”, o mais recente e talvez mais impressionante filme de Andrzej Wajda (”Danton, o Processso da Revolução”, “O Homem de Ferro”).

As conseqüências da ocupação nazista são bem conhecidas, sobretudo o extermínio de milhões de judeus em campos de concentração. Já as marcas da ocupação soviética são menos notórias. O seu ato mais bárbaro ocorreu em meados de 1940, quando 15 mil oficiais do Exército polonês foram assassinados a céu aberto com tiros na cabeça e enterrados em valas comuns em Katyn, no interior da União Soviética.

Além dos dramas resultantes de um massacre que exterminou parte da elite polonesa (havia engenheiros, advogados, médicos etc entre os reservistas assassinados), o país conviveu por décadas com a proibição de falar desta atrocidade, já que a Polônia se tornou aliada da União Soviética a partir de 1945 – e o que ocorreu em Katyn virou um tabu.

Wajda sonhou por anos em levar a história deste massacre às telas, mas só conseguiu fazer isso em 2007. O pai do cineasta estava entre os mortos em Katyn, ele conta. Aos 81 anos, o mais famoso cineasta polonês fez um filme que é um acerto de contas pessoal, mas também de todo um povo com a sua história e a de seus inimigos. Cerca de 2 milhões de poloneses, em uma população de 38 milhões, assistiram a “Katyn” no ano passado. Candidato ao Oscar de filme estrangeiro em 2008, perdeu a estatueta para o tcheco “Os Falsários”, de Stefan Ruzowitzky. 

Para um brasileiro, pode haver algumas dificuldades em acompanhar detalhes da história, mas o essencial não se perde (Um excelente artigo sobre o filme, no “New York Review of Books, pode ser lido, em inglês, aqui). “Katyn” trata de uma atrocidade sem tamanho, daquelas que nos deixam perplexos e sem esperança. A propósito, os últimos 15 minutos do filme, ao longo dos quais Wajda recria de forma realista o massacre, são muito difíceis de assistir. Esteja preparado, caso deseje encarar.

“Katyn” será exibido neste sábado, dia 18, às 21hs, na Cinemateca, sala BNDES, e no domingo, dia 19, às 19h30, no Cinemark do Shopping Eldorado.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,

26 comentários para “O blog vai à Mostra: Wajda detalha o massacre de “Katyn””

  1. jairo severo disse:

    o massacre de katin, na russia, onde stalin mandou executar vinte dois mil cidadaos civis e militares poloneses e uma gota no oceano de sangue das quarenta milhoes de mortes ordenadas por stalin. andrej wajda consegue nos mostrar a intensidade e frieza do odio que os russos tinham pelos poloneses.os russos tentaram destruir a patria livre polonesa. esses metodos sao conhecidos na historia , quebrar as instituiçoes, tirar a terra de quem produz,destruir o amor pela patria, enfim… a historia se repete e o objetivo e a tomada do poder a qualquer preço efinalmente o povo todo pagara a conta.

  2. [...] de 90, Wajda dá sinais, aos 83 anos, de estar em plena forma. No ano passado, a 32ª Mostra exibiu “Katyn”, filme que reconstitui o massacre de milhares de oficiais do Exército polonês por ordens de [...]

  3. LUIZ disse:

    ASISTI AO FILME E GOSTEI DE ENTENDER MELHOR A HISTÓRIA DA HUMANIDADE.
    PENSO AGORA: NOS ÚLTIMOS MINUTOS DO FILME, OS ASSASSINATOS TÃO FRIAMENTE CONDUZIDOS FORAM DE UMA ANIMALIDADE TAMANHA QUE IMAGINO EU EXISTIREM PESSOAS TÃO SEM CORAÇÃO, OS EXECUTORES E SEUS MANDANTES, MUITOS MAIS DOS MANDANTES, QUEM DEU A ORDEM PARA EXTERMINAR COM AQUELES SERES HUMANOS, QUE PODERIAM ESTAR PRESOS, E DEPOIS COM O DESENROLAR DA GUERRA, PODERIAM ESTAR VIVOS, MAS NÃO, PREFERIRAM MATÁ-LOS TÃO COVARDEMENTE. SOU BUDISTA DE NITIREN DAISHONIN, E HOJE, APÓS VER O FILME, TENHO PENA DOS ENVILVIDOS EM ATO TÃO MISERÁVEL E SEM SENTIDO. TÃO FRIO QUANTO TANTOS OUTROS QUE A HISTÓRIA DESCREVE. CAUSA E EFEITO. QUEM SABE A VIDA DESSES PARTICIPANTES COMO PODE ESTAR? QUEM SABE COMO CACHORROS SARNENTOS A ROLAR LATAS DE LIXO PELO MUNDO A FORA… PAGA-SE AQUI COM ATOS TÃO (SEM ADJETIVOS PARA COLOCAR) , NÃO VIVERÃO PARA DEPOIS SOFRER NUM INFERNO “INVENTADO”, SOFRERÃO AQUI AS CONSEQUÊNCIAS DOS SEUS ATOS. SEM MAIS PALAVRAS.(DESCULPEM SE ERREI ALGUMA PALAVRA, MAS ESTOU ENOJADO E DESILUDIDO COM A RAÇA HUMANA). QUEM PARTICIPOU DESSEE OUTROS MASSACRES, PODE SER CONSIDERDO HUMANO?

  4. Mario Luiz Crespo Pereira disse:

    O que mais me intriga na 2ª guerra, e saber porque quando a URSS invadiu à Polônia junto com a Alemanha, os aliados não declararam guerra também a URSS, assim como fizeram com a Alemanha? Por que? Em nome do que ou de que, assim não procederam? Alguem sabe?

  5. Ismael Rezende disse:

    Enquanto o ser humano existir na Terra, a arte jamais o abandonará. O cinema, produto da Revolução Industrial,
    também não. Viva os cineastas que conseguem recontar com classe e verdade fatos históricos vergonhosamente omitidos pelos podres poderes!
    Seja nazismo ou comunismo, qualquer tipo de ditadura – inclusive a que se instalou aqui de 1964 a 1985 – sempre deverá ser demonizada, aniquilada. E para quem achava que Stálin era bonzinho, está aí a resposta: para um soldado nazista, seria melhor cair como prisioneiro nos exércitos do oeste do que nos do leste… Vejam o filme e reflitam.
    Parabéns ao cinema polonês!

  6. Elisabeth Oliveira disse:

    O filme deve ser passado nas universidades para que os estudantes vejam os fatos que ocorreram sob um regime comunista.

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