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Arquivo de outubro, 2008

30/10/2008 - 22:05

Rival pode rir do Atlético-PR. Forasteiro não

Em Curitiba, assisto Atlético Paranaense e Vasco pela televisão, no Bar do Alemão. O lugar está lotado. Os dois times, desesperados, lutam para não cair. O Atlético vai vencendo por 2 a 1. Quase no final, o Vasco empata. O garçom ao meu lado acha graça da tragédia alheia. Pergunto qual é o seu time. “Sou Coxa Branca”, diz. Ou seja, torce pelo arqui-rival Coritiba, que está bem no Campeonato. Ao perceber, pelo meu sotaque, que eu não sou da terra, o garçom muda imediatamente o discurso. “Não vai ser bom para o Paraná se o Atlético cair pra Série B”.

Me lembrei daquele anúncio das Havaianas. Lázaro Ramos e um outro sujeito estão falando mal do Brasil quando aparece um argentino e concorda com o que eles dizem. Como assim? – Lázaro pergunta. O Brasil não tem problema nenhum, ele diz. Estrangeiros não têm o direito de falar mal dos locais. Em Curitiba também é assim.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , ,
29/10/2008 - 15:45

Explosão no mercado de publicações esportivas

O blog vem acompanhando, desde setembro, o mercado de publicações esportivas. Foi notícia aqui o surgimento de duas novas revistas, “Gol F.C.” e “Fut!”, bem como o anúncio  de que “Placar” planeja lançar um jornal gratuito. Esta semana, diante de mais um título novo, a revista “FourFourTwo”, resolvi entrevistar todos os principais editores envolvidos nesse competitivo mercado. O resultado é uma extensa reportagem publicada nesta quarta-feira no Último Segundo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , , , ,
28/10/2008 - 16:30

Padre abençoa uniforme do Flamengo. E o do Vitória?

Já vi padre abençoando e pedindo ajuda para escola de samba antes de desfile e para time de futebol antes de jogo importante. Sempre acho isso estranho. E as outras escolas, não merecem a ajuda de Deus? E o time de adversário, não tem direito também a uma ajuda divina? Nesta segunda-feira, na ESPN Brasil, o repórter Cícero Mello mostrou trechos da missa que o padre Leandro Cury rezou na presença dos jogadores do Flamengo. Não bastasse o pedido de ajuda a Deus, o religioso ainda abençoou uma pilha enorme de calções e camisas, que os jogadores do Flamengo usarão nesta quarta-feira, contra o Vitória, em Salvador. Não é exagero?

Sem papas na língua, João Saldanha deu sua opinião sobre o assunto, com uma frase, como de hábito, politicamente incorreta, que ficou famosa: “Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado.” 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , ,
28/10/2008 - 15:26

O blog vai à Mostra VIII: Filme começa antes da hora

Essa eu nunca tinha visto num cinema: a sessão das 22h10 de segunda-feira, no HSBC Belas Artes, começou dez minutos antes do horário programado. Muita gente ainda não tinha entrado quando a exibição de “Mais Tarde Você Entenderá”, de Amos Gitai, teve início – e a confusão não foi pequena. Com a sala escura, e o filme rolando, os espectadores que entraram depois das 22h tiveram enorme dificuldade de achar lugares vazios. Hesitando dentro da sala, em busca de assento, acabaram atrapalhando quem já estava sentado. Só não ocorreu um tumulto porque o público compreendeu o absurdo da situação.

“Mais Tarde Você Entenderá” surpreende quem acompanha a carreira de Amos Gitai – o mais importante cineasta israelense em atividade, cuja popularidade, no Brasil, deve-se muito ao esforço de exibição
de sua obra na Mostra de Cinema de São Paulo.

Do Oriente Médio, onde suas histórias são ambientadas, normalmente, Gitai parte para a França, com o objetivo de contar o drama de Rivka (Jeanne Moreau), cujos pais foram deportados para um campo de concentração nazista na Segunda Guerra, mas que nunca falou abertamente do assunto com os filhos, criados na tradição católica. Gitai constrói o filme do confronto da memória reprimida de Rivka com a busca que seu filho Victor empreende, em busca do passado da mãe e dos avós. “Mais Tarde Você Entenderá” não exibe a mesma força que obras como “Kedma” ou “Kipur” ou mesmo como o mais convencional “Free Zone”, mas ainda assim é um filme delicado, que trata com alguma sutileza dos diferentes dramas enfrentados por judeus e não judeus na França ocupada pelos nazistas.

“Mais Tarde Você Entenderá” ainda será exibido na Mostra nesta quarta-feira, dia 29, às 18h, no Cine Bombril; e na quinta-feira, 30, às 13h, no Unibanco Artplex.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: ,
27/10/2008 - 09:53

Homens com barba: uma tendência musical

Faltou dizer uma coisa sobre a nova fase de Marcelo Camelo: ele continua acompanhado de homens com barba. Todos os sete integrantes da banda Hurtmold usam o acessório – cada um de um jeito, naturalmente, porque barba nunca cresce igual. O fenômeno remonta ao tempo do Los Hermanos. Houve um momento em que os quatro músicos do grupo cultivavam barba. E vários de seus fãs deixaram crescer as suas.

Na falta de assunto, como ocorre com este blog neste momento, o tema foi alvo de diferentes especulações e interpretações – para incômodo dos músicos. Em diferentes entrevistas, o grupo teve que responder sobre a moda barba. O baterista Rodrigo Barba (com apelido auto-explicativo) nunca precisou falar sobre tema tão candente. Mas a resposta, tanto de Camelo quanto do tecladista Bruno Medina, é que se sentiam desconfortáveis com os seus queixos. “Tenho um queixo meio Noel Rosa”, chegou a dizer Camelo. Noel Rosa, como as fotos mostram, foi um sem-queixo. Há quem entenda que a barba seja sinal de “amadurecimento”, mas há  quem prefira ver no conjunto de pelos um sinal de que os músicos, como seu público, ainda não saíram da universidade.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
26/10/2008 - 19:01

Prêmio de consolação: filha do embaixador americano votaria em Gabeira

A notícia não é capaz de mudar os rumos da eleição no Rio de Janeiro, decidida no detalhe em favor de Eduardo Paes. Mas não deixa de ser um prêmio de consolação para Fernando Gabeira saber que Valerie Elbrick, filha de Charles Elbrick, o embaixador americano sequestrado no Rio, em 1969, por um comando guerrilheiro do qual Gabeira fez parte, declarou apoio ao candidato do PV à Prefeitura.

“Ele é um homem encantador, e se eu não estivesse trabalhando pelo Obama provavelmente estaria trabalhando por Gabeira”, disse Valerie ao “New York Times” na sexta-feira, dois dias antes da eleição. A reportagem sobre o candidato – “Ex-estudante radical na disputa pela Prefeitura do Rio” – foi publicada na edição deste domingo.

O papel de Gabeira no seqüestro de Elbrick é minimizado por companheiros que participaram da ação, como Franklin Martins, hoje secretário de Imprensa do governo Lula, ou por pessoas que conhecem a operação em detalhes, como o jornalista Flavio Tavares. Em todo caso, Gabeira nunca conseguiu um visto de entrada para viajar aos Estados Unidos por conta do seu envolvimento no sequestro.

Elbrick morreu em 1983, aos 75 anos. Sua filha, na entrevista ao “New York Times”, disse que não condena os métodos usados contra seu pai, em 1969. “Eles eram pessoas idealistas. Meu pai se deu conta que não estava lidando com bandidos. Eram jovens inteligentes que, no fundo do coração, eram gente pacífica”. O Departamento de Estado americano, procurado pelo jornal, não se pronunciou sobre Gabeira.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , , , ,
25/10/2008 - 20:02

Rio não é São Paulo. Aqui a eleição está no ar

Desembarquei no aeroporto Santos Dumont no início da tarde. Ainda não tinha fechado a porta do táxi quando o motorista falou: “E aí doutor, veio votar no Gabeira?” Respondi com uma outra pergunta, se ele sabia onde ficava o endereço que eu procurava. Como ele não sabia, desci e entrei em outro táxi. “Gabeira ou Paes?”, me perguntou o segundo motorista. Respondi que não votava no Rio e segui em frente, rumo ao meu destino, que este taxista conhecia.

Almocei no Manolo, em Botafogo, e os assuntos ali eram dois: a eleição deste domingo e os jogos da rodada que envolviam os times cariocas – o Fluminense iria enfrentar o Palmeiras e o Botafogo, o Ipatinga. Andando pela rua Bambina, cruzei com uma mulher falando sozinha, acredite se quiser,  sobre o Gabeira. Como não há nada parecido com “cidade limpa” no Rio, a cidade está imunda, repleta de cartazes, folhetos, santinhos e adesivos dos dois candidatos.

Diferentemente de São Paulo, onde até os apoiadores de Kassab parecem desanimados, sente-se o clima da eleição nas ruas do Rio. Há muito tempo, a cidade não vivia momento tão emocionante. Este domingo tem tudo para ser histórico.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Política Tags: , ,
24/10/2008 - 07:03

“Vocês estão felizes?”, pergunta Marcelo Camelo

Pode ter sido o anúncio do cancelamento do show de Paul Weller, uma das atrações da noite. Pode ter sido a chuva fortíssima, que desabou sobre São Paulo duas horas antes do show. Pode ter sido o ambiente formal do Auditório Ibirapuera, que inibe os fãs. Pode ter sido qualquer coisa – arrisque a sua hipótese. O fato é que a estréia de Marcelo Camelo em São Paulo frustrou o público e o próprio artista. “Vocês estão felizes?”, perguntou Camelo, a certa altura. “Está todo mundo tão calado… É a chuva”, sugeriu.

A apresentação no TIM festival não foi nada parecida com os shows que Camelo tem feito pelo Brasil, conforme ele descreveu em entrevista exclusiva ao Ultimo Segundo. Muito pelo contrário. No lugar do público cantando as músicas novas junto com ele, sobrou reverência e silêncio.

Antes mesmo de perguntar se o público estava feliz, Camelo já havia manifestado seu estranhamento, como relatou Marco Tomazzoni no iG Música: “Estou com a sensação que falta um pouco de desordem”, disse. Sintomático do mal estar, Camelo e a ótima banda Hurtmold saíram do palco depois de 60 minutos de show sem conceder um bis. E não tocaram as duas canções mais solares de “Sou”, o seu disco de estréia: “Santa Chuva” e “Copacabana”. Fica pra próxima.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
23/10/2008 - 23:26

Bienal procura justificativas para o vazio do segundo andar

Criada em 1951 por Francisco Matarazzo, o Ciccillo, a Bienal de Arte de São Paulo ganhou em 1957 um ambiente definitivo para as exposições, projetado por Oscar Niemeyer, dentro do Parque Ibirapuera. Batizado, não por acaso, de Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o gigantesco espaço, com o tempo, viu-se subutilizado e passou a abrigar, no intervalo das bienais, exposições e eventos os mais variados, servindo também como fonte de recursos para a Fundação Bienal.

Causou surpresa, nesse sentido, a justificativa apresentada pelos curadores da 28ª Bienal, que abre ao público neste domingo, para deixarem o segundo andar do prédio completamente vazio. Depois de meses afirmando que o vazio era uma forma de expor a crise das bienais e discutir o papel da própria Bienal de São Paulo, Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen mudaram o discurso, em entrevista nesta quinta-feira, e defenderam a idéia que deixar o andar vazio é uma forma de exibir a exuberância arquitetônica do projeto de Niemeyer. Até rebatizaram o espaço, agora chamado de “planta livre”.

O problema do argumento, além de parecer ter sido apresentado para substituir uma idéia que não pegou bem, a da “Bienal do vazio”, é que o pavilhão criado por Niemeyer foi feito e pensado justamente para abrigar exposições. Logo, é natural que não seja apreciado vazio, e sim ocupado por obras de arte.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
23/10/2008 - 08:03

O blog vai à Mostra VII: Profissão: super-herói na calçada da fama

Eles não cobram por fotos ao lado dos turistas, mas aceitam gorjetas. Se cobrassem, seriam presos pelos policiais que acompanham seus passos e, às vezes, se disfarçam de turistas para testá-los. São mais de 70 pessoas que ganham a vida em Hollywood Boulevard, Los Angeles, encarnando personagens famosos do cinema e da televisão, em frente ao Teatro Chinês, na chamada “calçada da fama”.

Matt Ogens resolveu contar a vida de quatro deles, Super-Homem, Batman, Hulk e Mulher-Maravilha. O resultado é o curioso documentário “Confissões de Super-heróis”.

Engana-se quem for ao cinema em busca de uma crítica à Hollywood e à indústria que alimenta fama e celebridades. “Confissões de Super-heróis” não alimenta tantas ambições e se contenta em contar quatro histórias bizarras.

Ogens tem carinho por seus personagens e deixa o espectador entender a loucura e a miséria de cada um deles sem forçar muito a mão. Christopher Lloyd Dennis, o Super-Homem, se diz filho da atriz Sandy Dennis (1937-1992), ganhadora do Oscar por “Quem Tem Medo de Virginia Woolf”, mas os parentes da atriz desconfiam que seja mentira. Maxwell Allen, o Batman, afirma ter matado várias pessoas no passado, mas nem sua esposa acredita. Jennifer Gerht, a Mulher-Maravilha, foi líder de torcida no colégio, na infância passada numa cidadezinha de 2.500 habitantes, e sonha ser atriz, mas lhe falta o talento básico para a tarefa. E Joe McQueen, o Hulk negro, viveu quatro anos como sem-teto em Los Angeles, acha que nunca conseguirá um bom papel por causa de seus dentes tortos, mas, graças a seu tipo físico, já conseguiu duas pontas em filmes de ação e terror.

É verdade que Matt Ogens está longe de ser um Eduardo Coutinho, mas há algo de “Edifício Master” em algumas cenas de “Confissões de Super-heróis”, sobretudo aquelas filmadas em ambientes fechados, em que os personagens estão dentro de casa e encaram a câmara para falar das próprias trajetórias. Ao ver o Super-Homem sentado no sofá falando de sua mãe é inevitável lembrar de um incrível personagem de Coutinho – o aposentado que canta “My Way” para o cineasta dentro da sua quitinete em Copacabana. Para quem gosta do gênero, e encara um baixo astral desses numa boa, é um filme que vale a pena.

“Confissões de Super-heróis”  ainda tem duas sessões na Mostra: nesta quinta-feira, dia 23, às 16h10, no Espaço Unibanco Pompéia; e no domingo, 26, às 15h20, no Espaço Unibanco Augusta.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , , ,
22/10/2008 - 09:54

João Saldanha entra na disputa pela prefeitura do Rio

Eleição é realmente uma caixinha de surpresas. Não é que o candidato Eduardo Paes (PMDB) conseguiu colocar o falecido João Saldanha no meio da disputa e, de quebra, provocar a ira de um monte de gente?

Tudo começou na segunda-feira, 20, quando Paes disse, mais uma vez, que Fernando Gabeira (PV) não saberá o que fazer com o Rio de Janeiro caso seja eleito prefeito, que não tem propostas e que se limita a criticar as propostas do rival. “Ele virou um comentarista, o João Saldanha da política”, disse Paes.

Eu, pessoalmente, teria entendido o comentário como um elogio, mas a família Saldanha, com o apoio de Oscar Niemeyer, divulgou uma carta de repúdio à declaração. “O ex-secretário de Esporte do Estado do Rio de Janeiro parece não saber quem foi João”, começa o texto. E aproveita a oportunidade para elencar o brilhante currículo de Saldanha, tanto como jornalista, quanto homem do futebol (foi diretor e técnico), e ainda como articulador de inúmeras propostas para o desenvolvimento do esporte.

O texto termina com uma lição para o candidato Paes, que já exerceu função executiva na área de esportes:

João Saldanha acreditava que, em uma política de esporte e cidadania, o esporte social – o esporte cidadão, voltado ao atendimento das camadas mais pobres da população, praticado em escolas, clubes e bairros populares – e o esporte de alto-rendimento  – o que busca performance e conquista de medalhas e campeonatos – não são excludentes, ao contrário, se complementam. Defendia que o poder público em um país como o Brasil tinha obrigação de investir a maior parte de seus recursos no Esporte Social.

Paes podia dormir sem essa.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Política Tags: , , ,
21/10/2008 - 19:43

O blog vai à Mostra VI: Guy Ritchie se repete

Se você gostou de “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (1998) e/ou de “Snatch – Porcos e Diamantes” (2000), não perca tempo e garanta o seu ingresso: vem aí “RocknRolla – A Grande Roubada”, o novo filme do cineasta britânico Guy Ritchie.

Quem viu os dois filmes anteriores, nem precisa ler o que vou escrever, pois “RocknRolla” é uma cópia do anterior, que era muito parecido com o primeiro. Ou seja, há dez anos Guy Ritchie, recém-separado da cantora Madonna, vem fazendo um mesmo filme.

Para quem não viu os dois primeiros, Ritchie especializou-se num gênero “esperto”, o filme de gangster inglês em ritmo de comédia. Seus personagens são sempre bandidos e escroques de terceiro escalão, com nomes engraçados. Ingleses e imigrantes. Falam muita gíria com a língua enrolada (o título do filme é uma expressão inventada e diz respeito a um roqueiro doidão). São violentos, mas burros. Bem-humorados, mas com algum mistério a esconder. E se encontram e desencontram em trapaças, ardis e traições de todo o tipo. Os diálogos são rápidos e inteligentes, como em seriados de tevê.

Ritchie, autor também do roteiro, parece tão distante do mundo que descreve que temos a sensação de estar vendo uma história em quadrinhos. Não deixa de ser divertido, mas inconseqüente e com pouco a acrescentar.

Ainda restam três sessões de “RocknRolla”: na quinta-feira, 23, às 14h, no Espaço Unibanco Pompéia; no sábado, 25, às 22h30 no Unibanco Arteplex; e na quinta-feira, 30, às 17h20, no Espaço Unibanco Augusta.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
21/10/2008 - 19:02

O blog vai à Mostra V: Jennifer Lynch, vigiada pelo pai

A tentação de fazer piada com o nome do filme, “Surveillance” (ou vigilância, em português), é grande. Não bastasse ser filha de um dos mais importantes cineastas americanos vivos, Jennifer Lynch ainda escalou o pai no papel de produtor-executivo de seu filme. Mas é preciso dizer que “Sob Controle”, título escolhido pela tradução brasileira, embora seja um thriller onde se enxerga pitadas de Lynch pai, vai bem além dele.

Ainda inédito nos Estados Unidos, o filme de Jennifer Lynch tem percorrido o circuito de festivais internacionais, num sinal de que seus produtores esperam vida difícil no circuito comercial americano.  

“Sob Controle” trata da chegada de uma dupla de investigadores do FBI a uma cidade do interior dos Estados Unidos para apurar a ocorrência de uma série de crimes bárbaros. Julia Ormond e Bill Pullman, nos papéis dos agentes encarregados da investigação, vão lidar com três testemunhas do caso: um policial corrupto, uma viciada em drogas e uma criança. Jennifer Lynch constrói a narrativa a partir da descrição simultânea que os três fazem do que viram, combinando de forma engenhosa os flashbacks de cada um.

Por trás da brutalidade de algumas cenas, a cineasta deixa escapar um olhar mordaz, próximo do humor negro, sobre os seus personagens e, sobretudo, sobre o próprio filme que está fazendo. “Sob Controle”, nesse sentido, paga tributo a Lynch pai ao criar uma atmosfera que combina, sem explicitar distinções, delírio e realidade, mas vai além, no final, ao expor ao ridículo uma série de clichês cinematográficos.

“Sob Controle” ainda terá uma sessão na Mostra, no sábado, 25, às 14h, no Espaço Unibanco Pompéia.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , , ,
20/10/2008 - 11:24

Efeitos inusitados da crise nos EUA: menos desodorante, mais laxante

Ao afetar os bolsos dos cidadãos, a crise econômica acaba tendo reflexos também nos corpos e mentes das pessoas. Reportagem publicada neste domingo no New York Times ouve economistas, sociólogos e psicólogos para avaliar efeitos inusitados da situação econômica.

Um psicólogo analisou as listas de músicas mais tocadas e concluiu que, em tempos de crise, as pessoas preferem ouvir canções longas, lentas com temas mais profundos, enquanto em fase de bonança os hits preferidos são mais rápidos e animados.

Um estudioso dos hábitos de consumo contatou que, em tempos de prosperidade econômica, cresce, por exemplo, a venda de desodorantes, porque as pessoas saem mais de casa, e em tempos de recessão aumenta o consumo de laxantes – porque as pessoas, sob estresse, acabam sofrendo mais de prisão de ventre, explica o especialista.

Sem perder de vista a ironia, a reportagem observa que qualquer coisa pode servir de indicador econômico. Um estudo feito entre plantadores de café, na Colômbia, mostrou, por exemplo, que a queda abrupta do preço do produto tem efeitos na redução da mortalidade infantil. A explicação é que nessa situação os pais têm mais tempo para ficar em casa e cuidar dos filhos.

A saúde melhora em tempos de recessão, diz um economista. “A taxa de mortalidade cai, as pessoas fumam menos, bebem menos e se exercitam mais. Os acidentes de trânsito diminuem, o que não é uma surpresa, porque as pessoas dirigem menos. Ataques do coração diminuem, problemas nas costas diminuem. As pessoas têm mais tempo para preparar refeições saudáveis em casa. Quando a economia piora, a poluição diminui”, diz Christopher Ruhm.

Lembra o economista, porém: “As pessoas ficam mais saudáveis, mas não estão mais felizes. Aumentam as taxas de suicídio e a saúde mental pode piorar”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , ,
20/10/2008 - 10:19

Marta e a infeliz metáfora futebolística

A uma semana das eleições, as coisas não andam bem, para dizer o mínimo, na campanha de Marta Suplicy. Neste domingo, no debate da Record, ela adotou uma postura mais defensiva, pediu várias vezes desculpas pelos erros cometidos e se indignou com a ironia de Gilberto Kassab: “Mais respeito, candidato”, ela disse, interrompendo uma resposta do prefeito.

Ao final do debate, para os jornalistas, Marta apelou para uma metáfora futebolística no esforço de dizer que ainda é possível virar uma eleição que parece perdida. “Nós temos o exemplo do próprio jogo do São Paulo, que estava perdendo de 2 a 0 e no final empatou”. A ex-prefeita referia-se, naturalmente, ao Palmeiras, mas se confundiu. Eram os palmeirenses que perdiam a partida por 2 a 0, até os 33 minutos do segundo tempo. A metáfora também é infeliz porque sugere que a ambição de Marta, a esta altura, seja apenas a de empatar o jogo – não vencê-lo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Política Tags: , , ,
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