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Arquivo de setembro, 2008

17/09/2008 - 09:41

Oscar Maroni e o DVD a um real

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Oscar Maroni, dono do Bahamas, é candidato a vereador em São Paulo. Figura polêmica, diz que não tem rabo preso com ninguém e parece, realmente, não se incomodar com o que dizem a seu respeito. Depois de ofender o prefeito Gilberto Kassab, a quem responsabilizou pelo fechamento de sua boate e de seu hotel, o Oscar´s, agora Maroni diz que votará nele. Vai entender… Também diz, sem nenhum pudor, que se eleito vai legislar em causa própria.

Encontrei o candidato a vereador para uma entrevista no viaduto Santa Ifigênia, centro de São Paulo. Enquanto o aguardava, fiquei observando um camelô, cujo discurso me pareceu tão autêntico quanto o de Maroni. Gritava ele:

- Lançamento bom, bonito e pirata é aqui! DVD a um real. Leva seis, paga cinco!

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags:
16/09/2008 - 16:56

Viva Jundiaí!!! É a capital nacional das estréias dos candidatos ao Oscar

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No país do jeitinho, não adianta estabelecer que um filme só pode se habilitar a disputar o Oscar se já tiver estreado comercialmente. É fácil resolver esse problema: “inventa-se” uma estréia em Jundiaí, por uma semana, e pronto, o filme já pode se candidatar.

O truque foi usado por “Tropa de Elite”, em 2007, e acaba de ser repetido por “Última Parada 174” este ano. Jundiaí torna-se assim uma cidade privilegiada, mas palco de uma encenação boba. Nada contra o filme de Bruno Barreto, que ainda não assisti. Lamento apenas que o regulamento criado pelo Ministério da Cultura seja “adaptado” assim, descaradamente, sem protestos do próprio Minc e da comissão – formada por representantes de ótimo nível, diga-se – que escolheu o filme nesta terça-feira.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
16/09/2008 - 11:37

A área vip acabou com a “fila do gargarejo”

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Houve um tempo, no século passado, que conseguir se posicionar naquele lugar conhecido como “fila do gargarejo” num grande show exigia muita paciência e esforço. Com o ingresso na mão, no dia do espetáculo, era necessário chegar bem cedo, horas antes da abertura das catracas, e encarar uma longa jornada de sacrifícios. O esforço incluía, muitas vezes, pegar chuva e sereno sentado na rua, enfrentar os espertinhos que tentavam furar a fila e batalhar por um lanche, para aguentar os longos momentos de espera. Para alguns, a jornada trazia a recompensa (ou o castigo) de ver a sua foto no jornal do dia seguinte, ou sua imagem no noticiário da tevê, naquelas reportagens sobre os heróis da primeira da fila. De qualquer forma, o esforço era premiado com um lugar colado ao palco, diante do ídolo, e a emoção de vê-lo em detalhes, realmente ao vivo (e não pelo telão). É verdade que sempre havia quem desmaiasse, não por causa da emoção, mas devido ao desconforto do aperto e da falta de ar. Mas valia a pena…

Até que demorou muito tempo para alguém ter a idéia de “repaginar” a fila do gargarejo. Era um espaço nobre demais para ser vendido como um ingresso comum, à disposição de jovens com energia para enfrentar a maratona acima descrita. Primeiro, inventaram um cercadinho para jornalistas assistirem os shows de um local privilegiado, próximo ao palco. Logo, então, alguém pensou: “Por que não vender lugares nesse cercadinho?” Hum… A idéia é boa, o chefe disse, mas como evitar a presença daqueles jovens esforçados, que fazem qualquer coisa para ficar na primeira fila? A solução desse problema foi a mais fácil: elevar exponencialmente o preço do ingresso nessa área, tornando-a acessível somente para pessoas com muitos recursos – ou celebridades, convidadas pelo patrocinador. O toque final foi rebatizar o espaço. Fila do gargarejo não dá, certo? Assim nasceu a “área vip”.

(Reflexões na fila para comprar ingresso para o show do R.E.M. em novembro, no Via Funchal, em São Paulo. A “pista VIP” custa R$ 500 e a pista comum, R$ 200.)

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags:
15/09/2008 - 10:07

A proposta absurda de um candidato a vereador carioca

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Todo mundo sabe que vale tudo em campanha eleitoral e que não dá para acreditar em boa parte das promessas dos candidatos. Ainda assim, há quem consiga surpreender pela ousadia de suas idéias bizarras. Na zona sul do Rio de Janeiro, o candidato a vereador que parece estar gastando mais dinheiro na campanha chama-se Cleilton Ferreira (PMDB), autodenominado “o homem do IPTU”. Vi passar, neste sábado, uma carreata de sua campanha pela orla, com mais de 20 veículos, e sua foto está estampada em dezenas de cartazes espalhados pela região.

Cleilton defende a idéia de que a arrecadação do IPTU seja gasta no bairro onde foi coletada. Ou seja, os bairros que arrecadam mais, porque seus imóveis são mais valorizados, teriam mais recursos para investir e os bairros mais pobres teriam cada vez menos. Trata-se, já apontaram vários especialistas, de proposta inconstitucional. A Constituição proíbe vinculação de receitas de impostos, como o IPTU, para despesas específicas. Além do mais, parece uma proposta de cunho separatista, destinada a isolar alguns bairros mais ricos, como a Barra da Tijuca, de Cleilton, de bairros mais pobres. Vamos ver o que as urnas dirão dessa idéia.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Política Tags: , ,
12/09/2008 - 08:17

Meirelles faz observação primária sobre a crítica

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Além de talentoso, Fernando Meirelles é um dos cineastas brasileiros mais esclarecidos. Articulado, inteligente, gentil, as suas intervenções públicas costumam ser exemplares num ambiente que prima pelo mau humor, pela grossura e, não raro, pela mediocridade. É por isso espantoso ler, na “Folha de S.Paulo”, nesta sexta-feira, que Meirelles decidiu não mais ler críticas aos seus filmes:

É aquela velha história: se a crítica é boa, você fica se achando. Se é ruim, fica mal, desanimado, desestimulado. Então decidi que leio críticas de outros filmes, dos meus, não.

Comentário tão primário não combina com o cineasta brasileiro mais bem-sucedido dos últimos tempos. Imagino que o insucesso de “Ensaio sobre a Cegueira” em Cannes tenha abalado Meirelles, mas ele deveria saber que isso é do jogo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags:
11/09/2008 - 12:31

Dois retratos do fotógrafo da Lapa

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Sergio Silveira, o Gaúcho, 75 anos, ganha a vida há décadas como fotógrafo da noite, na Lapa, no Rio. Não conhecia sua história até que o encontrei nas edições que estão nas bancas de duas revistas de qualidade, que leio sempre, “Piauí” e “Trip”. É o tipo de coincidência que só interessa, talvez, a professores de comunicação, dispostos a provocar seus alunos sobre “jornalismo comparado”. Sem avaliar o estilo, chamo a atenção aqui para as diferentes informações que embasam os textos.

Na “Piauí, Silveira cobra R$ 15 por foto; na “Trip”, que o chama de Gaúcho, R$ 20. Na “Piauí”, o fotógrafo é descrito como um sujeito que “usa o cabelo grisalho para trás, com fixador, e bigode com rigor geométrico”. Na “Trip”, que publica a sua foto, vemos um sujeito semi-calvo com o cabelo que resta levemente desarrumado.

Na “Piauí” somos informados que Silveira começou a trabalhar como fotógrafo depois de descobrir que sua mulher o traiu com um vendedor de livros de porta em porta, da mesma equipe que ele. Separou-se, mudou de casa e, ganhou, então, uma Yashica – além de “conhecer um espanhol capaz de consertar no laboratório qualquer erro que ele cometesse com a máquina”. Antes de adquirir a Polaroid, que revolucionou a sua carreira, por dispensar o trabalho de revelação das fotos, ainda teve uma Rolleiflex.

Na “Trip”, talvez por falta de espaço, a história corre mais rápida e perde o sentido. Depois de descobrir a traição, “amargando a dor-de-corno, Gaúcho ganhou de um amigo a velha máquina que o acompanha até hoje, esta fiel”. Aprendeu a utilizar a máquina sozinho, mas “contava com a ajuda de um laboratorista, ex-chefe da Kodak, em Madri, que fazia a revelação”.

A “Piauí” nos informa ainda que, graças ao trabalho com a Polaroid, Silveira conseguiu bancar os estudos do filho no Colégio Naval. Também sabemos que, em meados da década de 90, o fotógrafo sofreu descolamento da retina. Perdeu 100% da visão do olho direito e 40% do esquerdo. Mas, conta a revista, citando-o, aprendeu a fotografar “de canhota”. “Garante que, hoje, enxerga melhor através do visor do que sem ele”.

A “Trip” não faz menção a esse problema capital na vida de um fotógrafo, mas informa que Gaúcho quer publicar um livro, “Minha história da Lapa”. O seu objetivo é “contar os muitos causos que já viu e ouviu e mostrar os famosos que já retratou”, entre os quais “o lendário Madame Satã”. Esse detalhe nos permite estimar que Gaúcho está na Lapa há mais de 30 anos, já que Madame Satã morreu em 1976.

Publicado na última página, na seção fixa “Despedida”, o texto da “Piauí” gira em torno de uma questão central, a obsolescência do instrumento de trabalho de Silveira e, em conseqüência, da morte anunciada – e próxima – de seu ofício. Com o advento das câmeras digitais e dos celulares com câmera, “a Polaroid virou uma velharia”. Além de perder parte da clientela, o fotógrafo foi informado por carta, meses atrás, que a Polaroid Corporation só garantiria o fornecimento de filmes para os donos de suas máquinas até dezembro de 2007. Silveira, então, encomendou filmes em São Paulo, no Peru e na Colômbia, garantindo um estoque até o final do ano. Depois disso, “ainda não decidiu o que fará”.
 
Já a “Trip” quantifica o declínio de Gaúcho ao nos informar que, nos áureos tempos, ele chegava a tirar 600 fotos por mês e, hoje, mal passa de 150. Menciona que o fotógrafo está tendo dificuldades em achar filmes – “e precisa fazer estoque pra quando não forem mais fabricados”. E diz que, quando isso ocorrer, ele pretende seguir nova carreira – publicando o seu livro de memórias.

Uma matéria no “Boston Globe”, de fevereiro de 2008, informa que, naquele mês, a Polaroid fechou duas fábricas que produziam o filme para a máquina em Massachusetts e que todas as demais fábricas, inclusive fora dos Estados Unidos, seriam fechadas ainda em 2008.

 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, jornalismo Tags:
10/09/2008 - 18:31

As convidadas de Juliana Paes e o cinto de segurança

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Escrevi um texto de protesto. Ou melhor, um comentário em homenagem às dezenas de lindas meninas que se produziram com esmero para o casamento de Juliana Paes, mas foram fotografadas apenas da cintura pra cima, com o cinto de segurança à mostra. A dona da festa não deixou os fotógrafos entrarem no casamento e eles foram obrigados a fotografar as convidadas dentro dos carros. Uma lástima.

Thaila Ayala, Juliana Knust e Fernanda Rodrigues (alto), Angélica, Priscila Fantin: moças amarradas ao cinto de segurança

Fotos: AgNews

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Colunismo social Tags: , ,
10/09/2008 - 10:31

Morte também é cultura: variações sobre a frase de Mark Twain

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Há duas semanas, quando a agência Bloomberg publicou, por engano, o obituário de Steve Jobs, este blog, como muitos outros, lembrou da famosa frase dita por Mark Twain ao ser vítima de engano semelhante: “As notícias sobre a minha morte são exageradas”.

Nesta terça-feira, finalmente, Jobs se manifestou sobre a precipitação da Bloomberg. Ao anunciar um novo iPod da Apple, o executivo fez exibir num telão ao fundo do auditório a ironia de Twain – com uma pequena diferença em relação à citada pelo blog: “As notícias sobre a minha morte são muito exageradas”.

“The Oxford Dictionary of Humorous Quotations”, de Ned Sherrín, minha fonte na matéria, registra que a frase foi publicada no “New York Journal” em 2 de junho de 1897 (treze anos, portanto, antes da morte de Twain), mas em outro tempo verbal – no passado: “The report of my death was an exaggeration”. O dicionário informa, ainda, que a frase costuma ser mais citada com o advérbio que Jobs a usou ontem: “Reports of my death have been greatly exaggerated”. O executivo da Apple, porém, falou a frase no presente, como este blog a citou: “The reports of my death are greatly exaggerated”.

Foto: AP

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
09/09/2008 - 15:58

Walter Salles lidera campeonato de automobilismo

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Como relato em reportagem publicada no Último Segundo, “Linha de Passe” atraiu 33 mil espectadores em seu primeiro final de semana. Não foi um número tão bom quanto se esperava, mas não é desprezível, levando-se em conta os maus resultados alcançados pelo cinema brasileiro nas bilheterias em 2008.

Em todo caso, o final de semana de Walter Salles foi muito bom. Além das críticas positivas que o filme recebeu, o cineasta subiu no ponto mais alto do pódio, como dizem os narradores da tevê, neste domingo, 7 de setembro (foto acima). Salles, para quem não sabe, é piloto de corrida e está disputando, em parceria com Ricardo Rosset, a categoria GT3, inaugurada em 2007 no Brasil. É uma categoria que reúne marcas como Ferrari, Porsche, Lamborghini e Jaguar, entre outros. Neste domingo, ocorreram a nona e décima etapas, no autódromo Nelson Piquet, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Salles e Rosset, pilotando um Ford GT azul (foto abaixo), venceram a nona etapa e chegaram em segundo na décima corrida. Com os resultados, a dupla lidera o campeonato com 62 pontos, um a mais que Xandy Negrão e Andreas Mattheis (na foto acima, Mattheis ao lado de Salles). Também correm na GT3 os irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi, bem como Ingo Hoffman. As próximas etapas serão em 12 de outubro, em Santa Cruz, Rio Grande do Sul.

Fotos: Miguel Costa Jr./Divulgação

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags:
09/09/2008 - 11:40

Maysa: muita produção, mas pouco ensaio, reclama ator

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A Globo está caprichando na produção da minissérie dedicada a contar a trajetória da cantora Maysa (1936-1977). Dirigida por Jayme Monjardim, filho da rainha da fossa, e com estréia prevista para 2009, a minissérie busca recriar em detalhes os ambientes e figurinos de períodos-chave da vida de Maysa. O problema é que tanto apuro na produção assusta, como deixou escapar recentemente um ator do elenco: “Quanta futilidade: três horas para arrumar o cabelo, uma hora para ensaiar”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags:
08/09/2008 - 19:35

“Onde está Matt?”: 10 milhões de visitas

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“Where the hell is Matt?” foi colocado no You Tube em 20 de junho, há quase 80 dias. Em breve, vai completar o número de dez milhões de visitas. É bem provável que você já tenha visto, mas, enfim, se ainda não assistiu, vale a pena. É um vídeo intrigante. Mostra, ao longo de quatro minutos e meio, esse cidadão, o Matt, fazendo uma dancinha desengonçada em 42 países, ao som de uma música de melodia agradável, mas em língua incompreensível. Em alguns lugares, Matt dança sozinho; em outros, se faz acompanhar por gente do lugar.

Matt acha que os americanos precisam viajar mais ao exterior. Ele diz isso em seu site, no qual descreve a gênese do projeto. A volta ao mundo foi patrocinada por uma marca de chicletes americano, cuja logomarca só aparece no final. O vídeo foi pensado e produzido com o objetivo de ser exibido no You Tube – não na tevê ou no cinema.

O que faz este vídeo ser tão agradável de assistir? Em primeiro lugar, o jeito atrapalhado de Matt nos seduz. Depois, a alegria dele e, com freqüência, das pessoas que dançam com ele. É contagiante. Impossível assistir este vídeo sem sorrir. Mas, acima de tudo, talvez, seja o sonho por trás deste projeto, de uma ingenuidade comovente, que nos emociona.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Internet Tags:
07/09/2008 - 12:07

Uma história banal: a simpatia de Tamandaré

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Dentro do táxi, a caminho do aeroporto de Natal, onde estive nos últimos três dias para um congresso, Tamandaré abre o porta-luvas, retira um envelope e me mostra. Trata-se de uma carta em inglês, com fotos, de uma família, num ambiente inóspito, cercado de neve. Leio a carta e entendo. São noruegueses, de uma cidadezinha a uma hora de Oslo, e escreveram a Tamandaré para agradecer pelos dias maravilhosos que passaram em Natal graças à ajuda e companhia do taxista. “E eles não são os únicos”, me conta. “Tem um sueco, que vem todo ano, está amigo da minha família, já jantou lá em casa”.

Foi a segunda viagem que fiz com Tamandaré. Na primeira, recém-chegado, entre o hotel e a UFRN, ele me fez uma série de recomendações sobre lugares a conhecer na cidade. Observei que, com o chapéu branco que usava, ele se parecia com o ator Antônio Pitanga. Ele riu, mas acrescentou: “Dizem também que me pareço com o Alexandre Pires”. “Menos, por favor”, eu falei. Carioca, radicado em Natal há mais de 30 anos, Tamandaré tem muito orgulho do seu sonoro nome. “É nome de índio”, diz.

Ao me levar para o aeroporto, Tamandaré conferiu se eu tinha ido a todos os lugares que recomendou. Lamentou que eu não tivesse visitado um dos restaurantes indicados. Depois contou que, aos 57 anos, pai de três filhos, já é avô de um menino. “Mas não me sinto”. Também falou que gosta de música. “Qualquer música, menos funk”. E relatou inúmeras histórias sobre como os seus passageiros acabam se tornando seus amigos. “Eu sou assim”, tentou explicar. Difícil, realmente, explicar a simpatia e alegria de Tamandaré. Sei que, quando voltar a Natal, vou procurá-lo novamente, como muito de seus passageiros.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags:
04/09/2008 - 08:27

Sandra Corveloni ilumina “Linha de Passe”

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Entrevistei Sandra Corveloni na quarta-feira à noite. O trabalho da atriz vale o ingresso em “Linha de Passe”, o filme de Walter Salles e Daniela Thomas, que estréia nesta sexta-feira nos cinemas. No momento mais tocante da entrevista, Sandra fala do impacto que foi, no intervalo de 20 dias, perder um bebê de seis meses, saber que nunca mais poderá engravidar e ganhar a Palma de Ouro como melhor atriz no Festival de Cannes. Teve dificuldades, naturalmente, em aceitar a idéia que ganhou. Ela conta:

- Uma amiga minha, muito amiga, já me pagou muito aluguel, me escreveu uma carta. Ela dizia: “Não foi sorte, não foi acaso, foi merecimento. Aceite. Se você não aceitar, eu vou aí e te dou uns tapas”. Sou muito desconfiada. Demorei a aceitar.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
03/09/2008 - 21:49

Tradutor de declarações de Robinho

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Da bem-humorada newsletter “A Varzea”, distribuída por e-mail pelo site da revista “Trivela” para os seus assinantes cadastrados:

TRADUTOR A VÁRZEA DE DECLARAÇÕES DO ROBINHO

DISSE Robinho: “Joguei com Jô e Elano na seleção, são meus amigos e os conheço muito bem. O fato de o City já ter tão bons jogadores foi uma das razões para minha decisão de vir”.
 
QUIS DIZER Robinho: “Eu poderia jogar com Ballack, Drogba, Lampard e Deco. Agora, vou ter que ensinar esse bando de zé ruela a jogar futebol. Pelo menos meu empresário falou que agora eu vou ganhar mais dinheiro, não aquele salário mínimo que eu ganhava no Real Madrid e mal dava para comprar 50 mercedes por mês”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags:
02/09/2008 - 21:28

Jaguar e suas criaturas dos anos 70

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No remoto ano de 1972, o cartunista Jaguar bebia no Lamas, no Rio, quando foi abordado por um argentino que manifestou interesse em lançar uma coleção de livros de cartunistas da América Latina. Topou na hora e, no dia seguinte, entregou ao sujeito, do qual não lembra o nome, “um monte de desenhos” que pegou no arquivo da redação de “O Pasquim”. Dois meses depois, o argentino telefonou para marcar a data do lançamento do livro em Buenos Aires. Chamava-se “Nadie es Perfecto” e contou, na noite de autógrafos, com a presença de Quino, o criador da Mafalda.

O fato é que não houve outros volumes desta coleção, a editora fechou e o livro de Jaguar entrou para a mitologia – havia mesmo quem duvidasse da sua existência, já que nem o autor tinha uma cópia. Eis que a editora Desiderata acaba de publicar em português, 35 anos depois, “Ninguém É Perfeito”. Está tudo lá: o humor forte, sem muitas sutilezas de Jaguar, e algumas de suas “estranhas criaturas”, como Gastão, o vomitador, e Boris, o homem-toco. É um humor feito em reação a uma determinada situação política e econômica, que pode soar datado aos dias de hoje. Ou não.

 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags:
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