A área vip acabou com a “fila do gargarejo”
Houve um tempo, no século passado, que conseguir se posicionar naquele lugar conhecido como “fila do gargarejo” num grande show exigia muita paciência e esforço. Com o ingresso na mão, no dia do espetáculo, era necessário chegar bem cedo, horas antes da abertura das catracas, e encarar uma longa jornada de sacrifícios. O esforço incluía, muitas vezes, pegar chuva e sereno sentado na rua, enfrentar os espertinhos que tentavam furar a fila e batalhar por um lanche, para aguentar os longos momentos de espera. Para alguns, a jornada trazia a recompensa (ou o castigo) de ver a sua foto no jornal do dia seguinte, ou sua imagem no noticiário da tevê, naquelas reportagens sobre os heróis da primeira da fila. De qualquer forma, o esforço era premiado com um lugar colado ao palco, diante do ídolo, e a emoção de vê-lo em detalhes, realmente ao vivo (e não pelo telão). É verdade que sempre havia quem desmaiasse, não por causa da emoção, mas devido ao desconforto do aperto e da falta de ar. Mas valia a pena…
Até que demorou muito tempo para alguém ter a idéia de “repaginar” a fila do gargarejo. Era um espaço nobre demais para ser vendido como um ingresso comum, à disposição de jovens com energia para enfrentar a maratona acima descrita. Primeiro, inventaram um cercadinho para jornalistas assistirem os shows de um local privilegiado, próximo ao palco. Logo, então, alguém pensou: “Por que não vender lugares nesse cercadinho?” Hum… A idéia é boa, o chefe disse, mas como evitar a presença daqueles jovens esforçados, que fazem qualquer coisa para ficar na primeira fila? A solução desse problema foi a mais fácil: elevar exponencialmente o preço do ingresso nessa área, tornando-a acessível somente para pessoas com muitos recursos – ou celebridades, convidadas pelo patrocinador. O toque final foi rebatizar o espaço. Fila do gargarejo não dá, certo? Assim nasceu a “área vip”.
(Reflexões na fila para comprar ingresso para o show do R.E.M. em novembro, no Via Funchal, em São Paulo. A “pista VIP” custa R$ 500 e a pista comum, R$ 200.)





Desde que o mundo é mundo, o rio só corre pro mar.
R$ 200,00 já é muito mais que VIP.
É preciso ser muito idiota pa pagar uma nota para assistir shows de quaisquer artistas. Muitas vezes com o dinheiro gasto daria para comprar uma coleção completa dos discos do mesmo.Isso é uma paranóia. Não importa se é área vip ou não.
Eu tive que optar. Abri mão do Ben Harper para ir ao R.E.M.
Por que os shows ficaram tão caros? Antes toda a moçada ia. Agora é só quem tem grana – no bolso ou na poupança.
Área vip? Isso não existe. Deveria se chamar “área para os convidados do patrocinador”. Ou APCDP.
Esta forma elitista e burguesa de ‘dividir’ a pista é rídicula,isto não existe em nenhum lugar do mundo…..a pista é sim para as pessoas terem perseverança e lutar por um espaço , porra isto sempre foi assim…agora o filhinho de papai poser pode comprar o ingresso milionário e ficar na assistindo na frente a um show q muitas das vezes ele nem vai saber o que é, mas ele pode porque tem dinheiro, os organizadores são um bando de filhos da puta!
Mandei mails ao via funchal e nem me retornaram o mesmo….bando de cuzões!No show do REM vou sim mijar na pista cuspir no chão e fazer tudo de escroto ….PORCOS!
[...] abuso. Um copinho de água mineral por R$ 4 é um escândalo. O absurdo preço dos ingressos, como escrevi aqui antes, teve como conseqüência um show do R.E.M. com ingressos disponíveis até o último minuto [...]