iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

Arquivo de setembro, 2008

30/09/2008 - 17:23

Montenegro diz não à presidência do Botafogo, mas cogita um dia dirigir a CBF

Ricardo Kotscho é craque, mestre de várias gerações, mas sou obrigado a dizer que, nesta entrevista com Carlos Augusto Montenegro, ele ficou prestando atenção ao que o presidente do Ibope falou sobre Lula, Serra, Kassab, Marta e eleições pelo Brasil afora, mas deixou escapar as duas notícias mais importantes do almoço.

Atenção, nação alvinegra: apesar das muitas especulações a respeito, Montenegro garante que, definitivamente, não será candidato à presidência do Botafogo no final do ano. O cartola que deu ao clube o seu único título, até hoje, de Brasileiro (1995), prefere continuar como está, interferindo e dando palpites à sombra do poder, mas sem ter que assinar o seu nome em documentos e se envolver diretamente em outros pepinos administrativos.

Quem sonha em vê-lo de volta ao mundo da política do futebol pode, porém, anotar uma data na agenda: 2014. É quando Ricardo Teixeira promete deixar o comando da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), após a realização da Copa do Mundo no Brasil. Eis uma função que Montenegro vê com muito bons olhos.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
30/09/2008 - 16:21

Adam Sun e a arte da checagem

Acabo de saber da morte de Adam Sun. Tinha 55 anos. Foi um jornalista especial, dedicado a um ofício sobre o qual ninguém ouve falar e, menos ainda, almeja realizar. Aliás, a palavra que designa a função que realizava com inigualável talento, a de checador, nem está dicionarizada.

 “Aurélio” e “Houaiss” registram o verbo checar como sinônimo de conferir, e o trabalho de checagem como o ato de checar, mas ignoram a nobre função que Adam ocupou nas revistas “Veja” (1992-1998), “Época” (1998-2002) e “Piauí” (desde o lançamento, há dois anos).

Conheci-o bem na “Época”, onde montou a equipe de checagem da revista. Toda reportagem era enviada aos checadores antes de ser publicada. Adam e sua equipe passavam a madrugada conferindo grafias de nomes, datas, informações, tudo que pudesse ser alvo de erros. Para facilitar o trabalho, deveríamos deixar com eles todo o material que havíamos utilizado ao longo da apuração da matéria. No início, muitos jornalistas faziam isso a contragosto, mas com o tempo não houve quem não percebesse que o trabalho de Adam e sua equipe só melhorava os textos.

Mais que isso, fui percebendo que Adam era o co-autor invisível de muitas matérias. E não apenas daquelas que ele salvou do ridículo, apontando erros grosseiros antes da publicação. Quando um texto que eu escrevia passava incólume pelo seu crivo (coisa rara de acontecer, aliás, pois ele sempre achava alguma coisa errada), eu podia dormir tranqüilo, certo que aquela reportagem estava “redonda”. 

Se o ceticismo já é uma qualidade importante a qualquer jornalista, a um checador é objeto de primeira necessidade. Adam era um cético radical. Não acreditava em nada que lesse até checar com os próprios olhos se a informação estava correta. No ano passado, na Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), fez uma ótima palestra cujo teor está disponível na Internet. Ensina ele:

Por que erros desse tipo ocorrem? Além da ignorância, desinformação e incompetência, contribuem também a desatenção e a ausência de releitura para conferir os dados, em função do prazo apertado de fechamento. Outro agravante para a ocorrência de erros é a falta de certo ceticismo do jornalista em relação à informação dada pelo entrevistado

Nascido em Taiwan, Adam fez uma nova tradução, diretamente do chinês, do clássico “A Arte da Guerra”, do general chinês Sun Tzu, publicado em 2006 pela Conrad.

 

Atualizado em 11 de novembro de 2008, depois da leitura do obituário de Adam na revista “Piauí”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , ,
29/09/2008 - 12:23

Ruth Slinger celebra a experiência da ONG Saúde e Alegria

A videomaker Ruth Slinger é figura conhecida e muito querida em São Paulo. Desde a década de 80, vem realizando trabalhos artísticos, documentais e de publicidade na área de moda e na noite paulistana. Ruth tem o espírito e a postura dos artistas independentes – consegue deixar a sua marca mesmo em trabalhos de caráter comercial, feitos por encomenda de clientes.

Conheci Ruth mais de perto no final do ano passado. A convite de Joyce Pascowitch, ela inaugurou a TV Glamurama, um espaço no qual fazia o registro em vídeo de festas, vernissages, desfiles de moda, jantares, enfim, colunismo social eletrônico, mas de um jeito absolutamente pessoal e, com freqüência, inesperado. Foi, para mim, que supervisionei o trabalho, uma lição ver o jeito como Ruth conciliava profissionalismo com a busca por um registro autoral, novo, de eventos eventualmente sem graça, como o lançamento de um livro ou de uma nova marca de roupas.

O mais recente trabalho de Ruth vai surpreender quem acompanha a sua carreira. “Saúde e Alegria” é um documentário filmado nas margens do rio Tapajós, junto a comunidades ribeirinhas do município de Santarém. O nome do filme é o mesmo do projeto desenvolvido pelo médico Eugenio Scannavino Netto desde a década de 80. O que, inicialmente, era um trabalho de assistência médica ganhou corpo e dezenas de ramificações, nas áreas de educação, arte, comunicação, qualificação profissional – um trabalho que alcança 30 mil pessoas em 150 comunidades (veja mais aqui).

Ruth fez duas viagens ao Pará, entre fevereiro e maio de 2008, quando ainda realizava os vídeos da TV Glamurama, para registrar o trabalho de Eugenio e seus assistentes, bem como o impacto prático na vida dos ribeirinhos. Talvez seja o filme mais convencional de Ruth – uma maneira dela mostrar, assim eu entendi, sua reverência ao belíssimo trabalho comunitário realizado pelo Saúde e Alegria.

O filme foi um dos 11 projetos selecionados, entre 682 inscritos, no Prêmio Avon Cultura de Vida. Não será comercializado, apenas distribuído pelo patrocinador, pela ONG e pela equipe de Ruth.

A videomaker conta que planeja fazer outros dois documentários. O que está mais engatilhado chama-se “Todo mundo dança”, dedicado a mostrar gente de todas as idades e de todos os lugares praticando diferentes tipo de dança. “Minha idéia é falar de saúde e equilíbrio, mostrando que o ser humano tem por natureza ser feliz”, conta Ruth.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: ,
27/09/2008 - 17:54

Saio, apareço e minha foto cai na rede – I

Hoje em dia não basta sair à noite, ser visto e fotografado. É preciso que a foto seja publicada no dia seguinte em alguma coluna social na Internet. A concorrência é grande: muita gente disputando espaço e um número de eventos que desafia o fôlego.

Este blog inaugura hoje o que pretende ser uma seção semanal, o ranking de quem mais apareceu de segunda à sexta nos sites que acompanham a vida social em São Paulo.

É um trabalho difícil, por causa do volume de festas, jantares, inaugurações e eventos incompreensíveis que acontecem. Ocorrerão, com certeza, inúmeras omissões. O internauta está, por isso, convidado a colaborar, apontando as falhas deste levantamento.

E o vencedor da semana é…

1. O casal Roberto Justus e Ticiane Pinheiro. Na terça-feira, 23, a dupla marcou presença no coquetel de reinauguração da joalheria Frattina na Villa Daslu. Na quarta, 24, Justus e Ticiane conseguiram se destacar num dos eventos mais concorridos da semana, a estréia do espetáculo “Fuerza Bruta”, no Parque Villa-Lobos. Na quinta, 25, o casal compareceu ao casamento da decoradora de festas infantis Andréa Guimarães com o executivo Adriano Bavaresco, da Samsung, no bufê La Luna. Na sexta-feira, 26, finalmente, o compromisso social de Justus e Ticiane foi a festa de aniversário de Fabiana Justus, filha do publicitário, numa casa noturna na Vila Olímpia.

2. Rosangela Lyra, sogra do jogador Kaká e diretora da Dior no Brasil, ficou em segundo lugar esta semana. Na segunda-feira, 22, Rosangela esteve no jantar que o casal Adriana e Romeu Trussardi Neto ofereceu para o arquiteto David Bastos no Baretto. Na quarta, 24, foi à estréia do “Fuerza Bruta” e na quinta, 25, não perdeu a festa de lançamento do iPhone da Claro, no Terraço Daslu.

3. O bronze ficou com o medalhista de ouro Cesar Cielo. Na quinta-feira, 25, ele também esteve na festa da Claro e na sexta, 26, apareceu no camarote que a Veuve Cliquot armou no clube Royal.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , , ,
26/09/2008 - 18:52

Grupo discute a pintura e sua “reinvenção” em São Paulo

“Moinho”, de Rodrigo Bivar

“Landscape I”, de Renata de Bonis

“Pedalinho”, de Marina Rheingantz

A boa prática do jornalismo cultural recomenda que falemos das novidades, das estréias, das inaugurações. Como este blog ainda engatinhava quando a exposição “2000 e oito” foi aberta, vou tratar do assunto com atraso, quando ela se aproxima do seu encerramento, programado para o domingo 5 de outubro.

A mostra, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, apresenta trabalhos de oito jovens artistas plásticos, reunidos num grupo, em torno da idéia de que a pintura está mais viva do que nunca – ao contrário do que pensam e defendem diferentes especialistas. “O que esses jovens artistas têm em comum é o desejo de atualizar a pintura, isto é, tanto a sua produção quanto o debate sobre ela”, escreve o artista Paulo Pasta, curador da mostra, no catálogo.

A julgar pelo que pesquisei, os artistas não alcançaram plenamente o objetivo de, como diz Pasta, “produzir uma ‘conversa’ sobre as novas possibilidades da pintura, ou de sua reinvenção”. Em todo caso, ainda dá tempo de conhecer o trabalho desse grupo e, eventualmente, aceitar o desafio que eles propõem. Como diz o curador: “Não é toda hora que vemos artistas se proporem o cumprimento de tarefas dessa relevância. De minha parte, acredito que sua pinturas já apontam para essa direção”.

 

 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , , ,
25/09/2008 - 16:01

O público quer comédia, mas é preciso saber fazer

A crise de público do cinema brasileiro, tema de uma reportagem especial que fiz para o Último Segundo, tem tirado o sono de toda a cadeia produtiva, de cineastas a exibidores, passando por produtores e distribuidores. Dito de forma simples, a questão central que atormenta esta turma é a seguinte: o que o público quer ver? Uma detalhada pesquisa encomendada pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Rio de Janeiro (disponível no site da entidade) traz uma curiosa resposta a esta pergunta.

Se estamos falando de filmes estrangeiros, o brasileiro prefere ver filmes de ação (43%), seguido de comédias (16%), suspense (9%), romance (7%), terror (6%), drama (6%), ficção (3%), policial (2%), infantil (1%), desenho animado (1%) e guerra (1%).

Quando se pergunta em relação a filmes brasileiros, a preferência por gêneros muda: o espectador prefere ver comédias (37%), seguido por filmes de ação (22%), romance (9%), drama (8%), suspense (3%), policial (3%), documentário (3%), terror (1%), ficção (1%), infantil (1%), desenho animado (1%) e guerra (1%).

 A comédia, portanto, é o gênero de filme brasileiro que o espectador prefere encontrar nos cinemas. Isso explica muito do foco que parte da produção tem dedicado ao gênero – nem sempre com bons resultados. Digo isso a propósito de “Casa da Mãe Joana”, uma superprodução, com apoio da Globo Filmes e elenco repleto de estrelas da tevê (José Wilker, Paulo Betti, Pedro Cardoso, Juliana Paes, Malu Mader, Antonio Pedro, Laura Cardoso, Fernanda de Freitas, Agildo Ribeiro). Foi o grande lançamento brasileiro do último final de semana, distribuído com 150 cópias nas principais capitais, mas alcançou resultados apenas medianos (87 mil espectadores).

Em homenagem a Hugo Carvana, figura querida no meio, e com bons serviços prestados ao cinema brasileiro (“Vai Trabalhar Vagabundo”), creio que a crítica cinematográfica foi generosa com seu mais recente filme, preferindo chamar a atenção mais para a biografia do cineasta do que para as qualidades (inexistentes, a rigor) da obra. Quase todo ele passado dentro de um apartamento, “Casa da Mãe Joana” tenta ser uma versão cinematográfica do seriado global  “A Grande Família”, mas não chega perto nem de “Zorra Total”. É um filme, em várias passagens, constrangedor, que busca a qualquer preço – mas sem nunca alcançar – o riso do espectador. Com comédias desse tipo, o chamado grande público vai continuar longe dos cinemas.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
24/09/2008 - 11:31

Guggenheim escolhe um curador, não um showman

O título deste post é o mesmo da reportagem publicada nesta quarta-feira pelo “New York Times” com o anúncio da confirmação do nome de Richard Armstrong no cargo de novo diretor do Guggenheim. A procura durou sete meses, desde o fim do polêmico reinado de quase 20 anos de Thomas Krens. As declarações da presidente do conselho do museu, Jennifer Blei Stockman, dizem muito a respeito do perfil procurado – e do perfil rejeitado para a função.

“Estávamos procurando alguém apaixonado por arte que entendesse que o museu de Nova York é o centro do nosso universo”, disse Blei Stockman ao jornal. “Nós entrevistamos vários diretores de museus de vanguarda europeus e americanos e pensamos: queremos uma outra figura independente que imprima a sua marca ao museu ou um especialista experiente que seja maduro e inteligente e que colocará as necessidade do museu e de seu pessoal em primeiro plano?”

Para muita gente, Krens é o modelo de gestor de museus dos tempos modernos. Foi ele quem transformou o Guggenheim numa marca, “exportando” o museu para o exterior (Bilbao, Berlim, Veneza), e abriu as portas da instituição para exposições de cunho explicitamente comerciais, como uma dedicada ao estilista Giorgio Armani e outra à “arte da motocicleta”.

Krens também ficou conhecido, lembra o “New York Times”, por promover exposições tão abrangentes que, com freqüência, não tinham foco – casos de mostras famosas como “Africa: The Art of a Continent” (1996), “China: 5,000 Years” (1998) e “Brazil: Body & Soul” (2001).

Esta última, sobre o Brasil, foi promovida na época em que Krens, com a ajuda do prefeito carioca Cesar Maia e do então banqueiro Edemar Cid Ferreira, fez um esforço no sentido de instalar uma filial do Guggenheim no Rio de Janeiro. A idéia terminou rechaçada pelos altos custos públicos envolvidos.

A escolha de Armstrong para suceder Krens, mostra o jornal, aponta para um novo caminho. Pé no chão, preocupado com educação artística, parece entender que o museu é mais uma forma de promover enriquecimento cultural do que bons negócios. “Nós temos uma geração que sabe tudo sobre Paris Hilton, mas nada sobre Paris”, disse ele ao jornal. “Isso precisa ser enriquecido e colocado de volta na linha”. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
23/09/2008 - 13:31

Gretchen, Caroline, Thamy, Sula: a saga da família Miranda

Uma notícia no Babado me chamou a atenção nesta terça-feira. Dizia assim: “Carol Miranda fará pornô sem perder a virgindade”. Extraordinário, pensei. E comecei a navegar.

Minha primeira surpresa está ligada ao fato de que nunca havia ouvido falar de Caroline Miranda. A segunda surpresa foi ter descoberto que ela é superfamosa. Caroline já apareceu em dois ensaios. Na edição de junho da “Vip”, ela surge em fotos “sensuais”, seminua, fazendo a faxina de um apartamento, cozinhando e bebendo água da bica. Ela é apresentada como “sobrinha de Gretchen” e um titulo bombástico: “É a nova rainha do bumbum”. Na “Sexy”, que a colocou na capa da edição de agosto, ela aparece peladona, mostrando tudo (ou quase tudo) que é possível mostrar num ensaio desses. O título, na capa, é idêntico ao da “Vip”.

Com base nesta rápida consulta ao Google e ao You Tube, descobri, então, que Caroline Miranda é sobrinha da Gretchen. Hoje candidata a prefeita de Itamaracá (PE), pelo PPS, Gretchen dispensa apresentações, mesmo para os leitores deste blog desinformado. Apenas lembro que, graças ao seu talento como cantora (“Freak Le Boom Boom”, “Conga Conga Conga” e o “Melô do Piripipi”, entre outros clássicos), Maria Odete Brito de Miranda (seu nome de batismo) ficou merecidamente conhecida na década de 80 como a Rainha do Bumbum.

Pois eis que o título que um dia foi de Gretchen hoje pertence a uma moça chamada Mulher Melancia. Não vou aqui entrar em detalhes, mas achei na internet um vídeo em que o repórter explica a razão do apelido ao exibir as curvas da moça, numa tomada de perfil, chamando a atenção dos espectadores que estamos vendo apenas a metade do volume.

Sobrinha da rainha original, Caroline Miranda veio a público, nos últimos meses, exigir que o título seja seu, e não da Mulher Melancia. Os sites de celebridades estão repletos de notícias sobre essa rusga entre as duas mulheres, ambas a disputar a coroa que um dia pertenceu a Gretchen.

Ah! Já ia me esquecendo. Gretchen resolveu passar a coroa para Caroline depois de enfrentar uma grande decepção com a filha, Thamy, originalmente destinada ao posto. Há coisa de um ano, Thamy apareceu num ensaio na “Sexy” em fotos sensuais, ousadas, com a sua namorada, a também famosíssima modelo Julia Paes. Em várias entrevistas, Thamy deixou claro, por motivos óbvios, que não tinha o menor interesse em ser a Rainha do Bumbum.

Foi aí que Gretchen resolveu se voltar para a sobrinha Caroline, transmitindo-lhe um cetro que sempre pertenceu a ela, de direito, mas que a Mulher Melancia julga ser seu, de fato. O bate-boca entre Caroline e Mulher Melancia rendeu muitos programas de tevê, notícias bombásticas em vários sites, uma verdadeira polêmica… Até que ocorreu uma reviravolta na história.

Apareceu Sula Miranda, irmã de Gretchen. As duas começaram juntas, no grupo As Mirandas, mas o destino quis que seguissem carreiras separadas. Enquanto Gretchen tornava-se a Rainha do Bumbum, Sula voltou-se para a música sertaneja e foi coroada Rainha dos Caminhoneiros na década de 80. No início deste século, depois de uma longa trajetória, de muitos discos e programas de tevê, Sula anunciou que não iria mais cantar. Logo, porém, converteu-se a uma igreja evangélica e gravou, no ano passado, um disco com canções religiosas.

Sula estava quieta no seu canto quando viu surgir Caroline Miranda. E pensou: se Caroline é sobrinha de Gretchen, também é minha sobrinha. Revirou o passado em busca desta ancestralidade, mas nada encontrou. Foi obrigada, então, a vir à público e denunciar a fraude: Caroline Miranda não é sobrinha de Gretchen. Confrontada com a denúncia da irmã, a ex-Rainha do Bumbum não tinha como argumentar. Saiu-se, então, com essa: Caroline é sobrinha do meu atual marido e, por extensão, também é minha sobrinha.

É neste momento em que, percebendo que a situação pode se complicar para o seu lado, Caroline saca a sua nova arma. Caroline declara-se virgem. Sempre haverá quem diga que é uma jogada de marketing. Imagina… As ousadas fotos que fez mostram uma mulher bem, digamos assim, desinibida, com prótese de silicone nos seios, mas e daí? Não pode ser virgem? E uma produtora de filmes pornográficos nota neste enredo uma chance de ouro: um filme pornô com uma virgem – com a promessa de, ao final da fita, ela permanecer virgem. Extraordinário.

Num segundo filme, anunciam os produtores, ela finalmente perderá a virgindade. Ou, “o selinho”, como Caroline gosta de cantar, ao lado do MC Lip, num funk com letra finíssima, também disponível no You Tube.

Encerrei a leitura dessas páginas achadas no Google e no You Tube com a certeza de que a saga da família Miranda rende um belíssimo filme.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , , ,
23/09/2008 - 10:21

Jornalismo esportivo vive onda inédita

Alguma coisa acontece no jornalismo esportivo brasileiro – e, tudo indica, parece coisa boa! No período de um mês, duas novas revistas dedicadas ao universo do futebol chegaram às bancas. Isso significa dizer que, da noite para o dia, houve um aumento de 100% na oferta. Para quem sempre ouviu dizer que futebol não vende revista no Brasil, trata-se de uma onda impressionante.

No final de agosto estreou o que podemos chamar de uma revista de futebol “popular”. “Gol F.C.” apresenta o Corinthians na capa, com um título bem apelativo (“Não pára! Não pára! Não pára!”). Também tem uma coluna chamada “Maria Chuteira”, com notícias sobre mulheres do universo futebolístico, uma coluna assinada por Ana Paula Oliveira (“Boa assistente ou assistente boa?”) e reportagens tão variadas quanto leves sobre diferentes times brasileiros. A revista estreou destacando o seu preço no alto da capa (“só R$ 5,90″), com 60 páginas (15% de publicidade). 

Esta semana chegou às bancas “Fut!”, um ambicioso projeto da empresa que edita o diário “Lance!”. A matéria de capa, um perfil do craque argentino Messi, com a pergunta “Por que o Brasil ama esse cara”, já diz muito das intenções de “Fut!”. A revista tem um olho no futebol internacional, com várias matérias e seções dedicadas a este universo, mas também busca complementar a cobertura oferecida pelo jornal diário em outras áreas, como consumo, moda e beleza (!!!). Parecem iscas dedicadas a conquistar, também, um leitor de cabeça mais aberta que o boleiro tradicional e, quem sabe (sonhar não custa) o universo feminino. Com projeto gráfico de Antoni Cases, o mesmo designer catalão que criou o jornal em 1997, “Fut!” é vendida por R$ 8,90 e tem 100 páginas (14% de publicidade).

Essas duas novas revistas chegam dispostas a enfrentar uma verdadeira instituição (”Placar”) e uma aposta atrevida (”Trivela”) do jornalismo esportivo.

Nascida no final de março de 1970, pouco antes da Copa do Mundo no México, “Placar” reinou soberana por três décadas. Várias gerações de jornalistas esportivos se formaram nas páginas da revista, para não falar dos inúmeros prêmios que ela conquistou por conta de históricas reportagens investigativas, da famosa máfia da loteria ao doping de Mazolinha. Na Europa, Placar seria uma lenda jornalística; aqui, enfrenta os altos e baixos de um mercado instável. Começou como revista semanal, virou mensal, voltou a ser semanal e hoje, mais uma vez, sai a cada 30 dias. Com 108 páginas (20% de publicidade), a revista custa R$ 9,99 e traz em sua mais recente edição uma capa com Rogerio Ceni e Marcos, indagando qual é o melhor goleiro do Brasil, e uma capa alternativa, dedicada ao Grêmio, o líder do Brasileiro.

Em setembro de 2006, chegou “Trivela”. A edição de estréia tinha na capa o número 7; as seis primeiras edições se chamaram “Copa 06”. Com ênfase em futebol internacional e um olhar crítico sobre as mazelas nacionais, a revista comemora dois anos com uma reforma no projeto gráfico e uma capa sobre Vanderlei Luxemburgo: “Empresas e relacionamentos – como funciona a vida do treinador do Palmeiras fora do campo”. Esta edição, que custa R$ 8,90, tem 68 páginas (7% de publicidade).

Aguardemos os próximos meses para ver como esse mercado, agora altamente competitivo, vai se comportar. Não dá para dizer se estamos vivendo uma espécie de “bolha” do jornalismo esportivo, que vai estourar em breve, ou se este é um fenômeno que veio para ficar. Torço que seja algo mais do que passageiro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , ,
22/09/2008 - 10:14

MTV detona floresta no Panamá

Como tantas outras empresas cujo público-alvo é o jovem, a MTV tem se mostrado sensível aos problemas do meio-ambiente, procurando apoiar as causas ligadas à sustentabilidade do planeta. Um dos programas recentes da emissora americana, o reality show “Real World/Road Rules Challenge: The Island”, uma espécie de “No Limite”, foi promovido justamente dentro da lógica “verde”, ao oferecer a um grupo de participantes a chance de sobreviver, sem os recursos urbanos, em um ambiente inóspito e selvagem – uma suposta ilha em local desconhecido.

Não fosse a aventura de férias do ambientalista Michael Drake, tudo teria dado certo. Em visita a Boca del Drago, no Panamá, para praticar o seu esporte favorito, escalar árvores, Drake notou uma movimentação estranha no paraíso verde que esperava encontrar. Resolveu dar uma de reporter e descobriu que a MTV estava no local para gravar o reality show “The Island”. O resultado, ele mostra em fotos e texto (em inglês), não tem nada de ecológico, muito pelo contrário. O programa provocou um pequeno tsunami no local.  

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: ,
21/09/2008 - 11:09

Eumir Deodato e o clichê: Nova York = trabalho; Los Angeles = folga

Na ótima entrevista que o arranjador Eumir Deodato concedeu a Jotabê Medeiros, na edição deste domingo do Estadão, reaparece um tema divertido, pelas discussões calorosas que provoca e os vários clichês envolvidos: a rivalidade entre Nova York e Los Angeles. Estabelecido nos Estados Unidos desde a década de 60, Deodato enxerga Nova York como a cidade do trabalho e Los Angeles como um lugar de diversão e dolce far niente. Essa visão aparece claramente quando é indagado sobre a carreira do músico Moacir Santos nos Estados Unidos. Depois de um tempo em Nova York, Santos mudou-se para Los Angeles. Diz Deodato:

- Eu achei que ele devia ter ficado em Nova York, eu o aconselhei. Mas tem muita gente que, quando dá aquele ventinho de novembro, todos vão para a Califórnia. Para ir ao churrasco do Sérgio Mendes. Porque a vida na Califórnia é assim, não é? Você acorda às 3 horas da tarde, vai na piscininha, toma um banhozinho. É fácil, toda casa tem. Sai, seca, senta ao telefone, mas aí já passou das 5 horas, não tem mais ninguém no escritório. Então, vai tentar descobrir onde é que é a feijoada hoje. Muita gente foi assim. Tiveram de voltar, porque o dinheiro acaba.
 
Deodato dá a entender, sem falar de forma explícita, que também enxerga uma oposição semelhante entre São Paulo e Rio de Janeiro. A capital paulistana seria o lugar do trabalho e a capital fluminense, do lazer – reza o clichê que ele parece evocar. O músico Roberto Menescal, radicado no Rio, escapou dessa armadilha, diz Deodato:

- Esses acervos assim, tipo o que o Menescal fez com o Albatroz, isso aí vale muito dinheiro. Mas ele é muito safo, sempre foi. Enquanto todo mundo fica pensando que ele está andando de barquinho, está lá no escritório dando telefonemas.
 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
19/09/2008 - 16:58

Diálogo com um marronzinho sobre “sinalização horizontal”

Para dar mais fluidez ao trânsito, a Companhia de Engenharia do Tráfego de São Paulo eliminou uma faixa de estacionamento numa rua aqui perto de casa. Com a mudança, em vez de duas, a rua passou a ter, em tese, três faixas para os carros. Digo “em tese” porque, até agora, o efeito foi zero. Graças à fiscalização, nenhum veículo estaciona mais nesta faixa, porém os carros continuam passando apenas em duas faixas pela rua. Pelo que eu observo, isso acontece porque a rua não foi repintada, indicando que existe agora uma terceira faixa.

Muito bem. Conto tudo isso só para dizer que, outro dia, caminhando no bairro, ao ver um marronzinho multando carros na rua, resolvi indagá-lo sobre o problema da terceira faixa. Alguém poderá observar, com toda razão: “Muita falta do que fazer da sua parte, não?” É verdade. Mas a curiosidade falou mais alto. Nosso diálogo foi mais ou menos assim:

- O sr. já reparou que os carros não ocuparam a terceira faixa, onde era permitido estacionar? Por que não repintam a rua?

- A sinalização vertical já foi colocada, falta a sinalização horizontal.

- Certo. Ninguém estaciona mais na faixa. Mas se ela não for repintada os motoristas não vão entender que têm uma terceira faixa para passar com o carro.

- Exato. A sinalização vertical já foi instalada. A sinalização horizontal ainda vai ser feita.

- Mas não dá para repintar a rua, e marcar três faixas no asfalto?

- Exato. Já tem a sinalização vertical. Brevemente será feita a sinalização horizontal.

Agradeci e segui o meu caminho pensando que, com algumas pessoas, não dá pra conversar. Até que, eureka, me dei conta que, na língua do fiscal do trânsito, “sinalização horizontal” quer dizer exatamente a mesma coisa que eu dizia, na minha língua, com “repintar a rua”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , , ,
19/09/2008 - 07:44

Como diria uma amiga, “é a glória!”

No início do mês, cansado de receber convites para participar das mais diversas redes sociais (Plaxo, hi5, Linkedin etc), usei este blog para me dirigir à Glória Kalil, maior autoridade em etiqueta do país. Minha dúvida era a seguinte: como os convites sempre partem de algum amigo ou conhecido, eu devo aceitá-los, mesmo sem disposição para participar? Posso ignorar o convite? Devo avisar quem está me convidando que não tenho interesse? E ainda escrevi: “Sou um pobre coitado em matéria de redes sociais – nem no Orkut eu estou!  Me ajude, Glória.”

Eis que, duas semanas depois, para honra deste blog, Glória respondeu em um e-mail muito gentil e didático. “É um tema complexo”, ela ensina. “E novo”, acrescenta. Depois de sair a campo e ouvir diversos internautas a respeito, Gloria dá a resposta definitiva: ao receber um convite desses, “você não só deve esquecer o assunto como qualquer tentativa de ser gentil e responder pode colocá-lo no incômodo papel de otário”. E disse mais:

- Estamos num outro mundo, caro Maurício. Na vida real o RSVP é uma obrigação. No virtual, ele é substituído por rituais mais velozes e menos formais. É bom, portanto, você se livrar logo de qualquer tipo de pudor, e adotar este moderno desprezo aos convites indesejados. Ainda por cima porque muito outros chegarão.

Para finalizar, Glória ainda disse:

- Como você vê, a amolação é democrática e ataca todo mundo. Sinta-se, portanto, livre para acionar o delete com delícia e tranqüilidade.

Então, estamos combinados assim: fique à vontade se quiser me convidar para participar de uma rede social, mas não espere resposta. Muito obrigado, Glória.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Internet Tags: , ,
18/09/2008 - 10:33

O ser humano é viável?

A história do ladrão de Passo Fundo é, de longe, a melhor do dia. Indignado, ao descobrir um menino de cinco anos dormindo dentro do carro que ele planejava roubar, o ladrão desistiu da empreitada, telefonou para a polícia e pediu para darem um recado ao pai:

- Fala pro filha da puta do pai dele pegar ele e levar pra casa o piazinho… E diz pro filho da puta do pai dele que a próxima vez que eu pegar aquele auto e tiver um piá eu vou matar ele.

Recado ouvido, a delegada que investiga o caso, Claudia Crusius, mostrou-se sensibilizada:

- Ouvi dizer que o tom era de indignação. É por isso que não se pode perder a esperança na humanidade.

Não sei, não… Continuo achando, como Millôr Fernandes sempre disse, que “o ser humano é inviável”. Pessimista diplomado, Millôr é autor de outras preciosidades sobre o tema, que reproduzo abaixo, em homenagem ao ladrão de Passo Fundo e à delegada que cuida do caso:
 

O otimista não sabe o que o espera.

Brasil, condenado à esperança.

Canalhas melhoram com o passar do tempo (ficam mais canalhas.)

O brasileiro é o único ser humano que acredita que pode se aperfeiçoar.

Um otimista é uma pessoa que não tem certeza sobre o futuro desse país.

No Brasil o otimista dorme com medo de acordar pessimista.

Nunca ninguém perdeu dinheiro apostando na desonestidade.

Um pessimista é o único que está preparado para ser otimista quando seu pessimismo der certo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: ,
17/09/2008 - 18:51

Existe algo mais importante do que isso?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , , , ,
Voltar ao topo