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Arquivo de agosto, 2008

18/08/2008 - 08:54

A rua parou para beber espumante

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Noite de domingo. A rua que abriga o comércio de luxo em São Paulo, a Oscar Freire, está interditada para carros entre as ruas Bela Cintra e Consolação. Um tapete sintético verde, simulando grama, cobre o asfalto. Vasos com palmeiras decoram o ambiente. O gelo seco, disparado de aparelhos colocados no meio-fio, deixa a rua com aquela bruma típica de pista de dança. Das caixas de som espalhadas pela rua sai música francesa. Um artista, sentado num banquinho, desenha caricaturas dos pedestres. Pessoas arrumadas para festa bebericam espumante. Para qualquer vitrine que você olhe, garrafas da marca Chandon disputam espaço com roupas, jóias, bolsas e sapatos.

Alguém poderia imaginar estar em Paris, não fosse o português muito claro do segurança, na porta da loja, que perguntava a quem tentava entrar: “Você está com a pulseirinha?” O evento se chama Promenade. Para a minoria que não sabe francês, uma tradução: dar um passeio, pegar um ar, andar por aí. Trata-se basicamente disso: o passeio público decorado para o pessoal passear e, de vez em quando, mostrar a pulseirinha e entrar numa loja para beber um espumante. Um sucesso.

Alguém sem sensibilidade poderia, porém, se perguntar: qual o sentido de deslocar policiais, bombeiros e agentes do trânsito para zelar pelo Promenade? Qual o sentido de interditar duas quadras de uma rua importante da cidade para promover uma marca de espumante?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags:
15/08/2008 - 15:31

O carro do repórter em local proibido. Ainda bem que o marronzinho não viu

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Como é a rotina de um marronzinho? Para responder a esta pergunta, que me intrigava há muito tempo, acordei às quatro da manhã, na última quarta-feira, 13 de agosto. Uma hora depois, estava na base da CET em frente ao Parque D. Pedro, no centro de São Paulo. A partir daquele momento eu iria acompanhar a jornada de Nilton Cunha, agente de trânsito há 23 anos (eles não gostam do apelido “marronzinho”), cujo turno começa às 5h e se estende até 11h40.

Com a ajuda fundamental do motorista César Conti, saí pelo centro da cidade atrás da motocicleta de Nilton. Na reportagem, descrevo que o marronzinho não dá conta de todas as irregularidades. Enquanto está multando um carro que infringiu o rodízio, outros dois, em situação irregular, passam por ele. Só não contei um detalhe no texto: em algumas situações, para ver Nilton de perto, tivemos que estacionar o carro em local proibido. Para nossa sorte, o marronzinho não viu.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , , ,
15/08/2008 - 08:25

Quem ainda se espanta com o atraso de “João é João” Gilberto?

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Não sei quem falou isso pela primeira vez, mas a definição sobre João Gilberto que melhor ajuda a entender todo o barulho que existe em torno do silêncio dele cabe em três palavras: “João é João”. É uma maneira de dizer que o baiano de Juazeiro, inventor da Bossa Nova, é artista único, sem imitadores possíveis, sem competidores – tanto em sua capacidade artística quanto em suas excentricidades.

É impossível ser ludibriado em um show dele. Há muitos anos, todo mundo já sabe que “João é João” Gilberto sempre chega atrasado, canta praticamente as mesmas músicas em todos os seus poucos shows, veste-se da mesma forma (terno escuro), reclama do equipamento de som e quase não fala com a platéia.

Já assisti a três shows de João Gilberto. Acho muito bom, mas, por pura ignorância, sempre acho iguais. Não tenho ouvido musical bom o suficiente para captar as geniais sutilezas introduzidas em cada nova apresentação. Um colega notou, no mais recente espetáculo do músico, em Nova York, que “João é João” teve a ousadia de reinventar justamente a canção-símbolo da Bossa Nova, “Chega de Saudade”, esticando as pausas entre as frases da música e, também, ao apenas sussurrar as palavras “abraços e beijinhos”, em vez de cantá-las. Não consigo ouvir isso…

No show de ontem, em São Paulo, “João é João” submeteu a platéia a mais de uma hora e meia de espera. Na hora marcada para o início do show, ainda jantava no hotel que o hospeda, na cidade. Falta de respeito? Imagina. João é João. Sempre gentil e generoso com os amigos, agradeceu ao dono do hotel, durante o espetáculo, pela “hospitalidade” – qualidade que estendeu ao “povo” brasileiro, como um todo. É verdade.

No show de inauguração do Credicard Hall, em outubro de 1999, em São Paulo, “João é João” foi João, como sempre: reclamou do som, do “ventinho” do ar-condicionado, da acústica, do microfone… Reclamou tanto que foi vaiado pela platéia. Saiu-se com uma resposta que virou até música de Tom Zé: “Vaia de bêbado não vale”. Nunca mais, até onde eu sei, foi vaiado. Ainda bem. Ele não merece.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: ,
14/08/2008 - 12:20

O dia em que torci por Camarões

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Enviado pela “Época” para acompanhar a seleção brasileira de futebol nos Jogos Olímpicos de 2000, aterrissei em Sydney no dia em que a revista chegava às bancas, no Brasil, com uma notícia exclusiva, produzida pela equipe do Rio de Janeiro: a denúncia que Wanderley Luxemburgo, então técnico da equipe, era três anos mais velho do que apregoava – fato que o beneficiou quando jogador de futebol. Na linguagem dos boleiros, Luxemburgo era “gato”.

A seleção estava hospedada em um resort de luxo na região de Gold Coast, a 800 km de Sydney. O ambiente era péssimo. Além dos problemas de Luxemburgo, acossado por diferentes denúncias no Brasil (sua ex-secretária também o havia acusado de diversos crimes), o clima entre os jogadores e o técnico também não era bom. Na estréia, a seleção de Ronaldinho e Alex penou para vencer a Eslováquia por 2 a 1 no belíssimo estádio de críquete na cidade de Brisbane. Na segunda partida, a situação desandou: a seleção tomou de 3 a 1 da África do Sul, no mesmo estádio. Uma derrota histórica, ao final da qual Luxemburgo responsabilizou dois jogadores (o zagueiro Bilica e o lateral Baiano) pelo segundo gol africano. O terceiro jogo, magra e sonolenta vitória sobre o Japão por 1 a 0, habilitou a seleção a disputar as oitavas de final, contra Camarões.

Enquanto acompanhava a monótona rotina de treinos e jogos de baixa qualidade da seleção, além do mau humor permanente de Luxemburgo, acontecia, em Sydney, a mais espetacular olimpíada dos tempos modernos. Acompanhava o noticiário e pensava: “O que eu estou fazendo aqui, em Gold Coast?”

A partida contra Camarões foi inesquecível, por diversos motivos.

A seleção entrou em campo, em 23 de setembro de 2000, com Helton, Baiano, Fábio Bilica, Álvaro e Athirson; Fábio Aurélio, Marcos Paulo, Fabiano e Alex; Lucas e Ronaldinho. Lúcio, Roger e Geovanni também participaram da partida. O Brasil havia levado apenas jogadores com idade inferior a 23 anos, embora tivesse o direito, como hoje, de selecionar até três atletas mais velhos. Camarões, por exemplo, contava em seu elenco com o veterano Mboma, então com 29 anos, jogador do Parma, da Itália.

O estádio de críquete de Brisbane reuniu 37.321 espectadores, o maior público até então, para assistir a um show particular de Mboma. O atacante não fez uma jogada convencional nos 63 minutos em que permaneceu em campo. Além do gol, deu mais de um drible por baixo da perna de brasileiros, passou bolas de letra, usou a canela para iludir os zagueiros, fez o diabo (como Zidane, na partida contra o Brasil na Copa de 2006, em que deu até chapéu em Ronaldo).
 
O outro inimigo do Brasil no jogo foi a torcida. Encarados como os “underdogs”, os camaroneses contaram com forte apoio da maioria do público – o que só aumentou a partir dos 30 minutos do segundo tempo, quando Njitap foi expulso por fazer cera na cobrança de um lateral. A partir deste momento, os torcedores não apenas apoiavam Camarões como começaram a vaiar os jogadores do Brasil. Nos últimos 15 minutos do tempo normal, o juiz alemão Herbert Fandel expulsou ainda um segundo jogador africano, Nguimbat, e marcou uma falta a favor do Brasil, quase dentro da área, já nos acréscimos. Antes da cobrança da falta, numa confusão nunca bem explicada, Lucio acertou uma cabeçada em Roger, que só não degenerou em pancadaria dentro do campo devido à intervenção de Alex. Ronaldinho empatou a partida aos 48 minutos do segundo tempo, levando o jogo para a prorrogação.

Enquanto aguardavam o início do tempo extra, os nove jogadores de Camarões que restaram em campo fizeram um círculo em torno de Fandel e começaram a bater palmas para o juiz. Um gesto forte, carregado de ironia, que afetou a atuação de Fandel durante a prorrogação. Aos 8 minutos, Fabiano fez o gol que classificaria o Brasil, mas o juiz o anulou alegando um impedimento que não ocorreu. Incapaz de resolver um jogo de 11 contra 9 jogadores, o Brasil foi finalmente castigado, aos 8 minutos do segundo tempo, com um contra-ataque de Camarões, concluído para o gol por Mbami.

E aqui preciso confessar algo. No momento do gol de ouro de Camarões, que assisti ao lado do meu amigo José Geraldo Couto, levantei os braços, sorri e pensei: “Finalmente, vou para Sydney”. Ainda faltava uma semana para o fim dos Jogos Olímpicos. Mas é isso é outra história.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Memória Tags:
13/08/2008 - 15:07

O lançamento de um livro e a inauguração de uma loja na mesma noite. E daí?

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Tudo cabe em São Paulo – e essa é uma das grandes qualidades da cidade. Mas não deixa de ser espantoso notar alguns contrastes. Ontem à noite, estive em dois eventos, o lançamento de um livro e a inauguração de uma loja, que descrevo resumidamente a seguir.

Na Livraria da Vila, na Vila Madalena, cerca de 50 pessoas se reuniram para ouvir a jovem escritora Vanessa Bárbara, autora de “O livro amarelo do terminal”, debater a respeito de jornalismo literário com o cineasta João Moreira Salles e o jornalista Matinas Suzuki Jr. O debate foi promovido pela editora Cosac Naify, que está lançando o livro, uma reportagem sobre a maior rodoviária de São Paulo, e mediado por seu editor, Cassiano Elek Machado. Um evento quase espartano, salvo pelo invariável vinho branco servido nessas ocasiões, que atraiu uma platéia formada, basicamente, por jornalistas, editores e estudantes.

Um pouco mais tarde, nos Jardins, compareci a um tipo de acontecimento hoje comum em São Paulo: festa para comemorar a abertura de lojas. No caso, a maior loja do mundo da Diesel, uma marca italiana de jeans, com filiais espalhadas pelo planeta. Foram convidadas 600 pessoas, mas os organizadores avaliavam, no meio da noite, que umas mil pessoas já haviam passado pelo local. Uísque de qualidade, champanhe, cerveja, show de música entre araras de roupas e vários DJs entretinham os convidados – uma série de atores globais, modelos famosas, cabelereiros e gente que aparece em coluna social.

Colocados lado a lado, acho, esses dois eventos falam muito do mundo em que vivemos.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , ,
13/08/2008 - 08:55

No “coffee break” só tem chá

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Estive ontem no 1º Congresso Internacional de Yôga e Ayurveda, onde produzi uma reportagem para o iG. O momento mais engraçado ocorreu depois do almoço natural, segundo os preceitos da ayurveda. Desesperado por um café, tive que esperar o momento do “coffee break”, entre uma palestra e outra, para saciar a vontade. Para minha surpresa, no “intervalo do café” da ioga só se bebe chá. “Se fosse a nossa cozinha, tinha tudo”, justificou-se o funcionário do bufê que atendeu o congresso. “Mas eles trouxeram tudo da cozinha deles. Só tem chá”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog Tags: , ,
12/08/2008 - 10:37

As curvas nas areias da China

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O repórter da rádio anuncia que Renata e Talita acabam de vencer as austríacas Schwaiger e Schwaiger no vôlei de praia (só faltava perder…). Ouve-se ao fundo o barulho de músicas e torcida. Eis que o repórter dá os esclarecimentos: “A animação é grande aqui (na arena onde são disputadas as partidas). Está cheio de brasileiros. Têm também umas dançarinas – mas essas são chinesas. Não têm as curvas das brasileiras”. Menos, por favor.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: ,
12/08/2008 - 07:08

Revista boicota os Jogos

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Caso único no Brasil, talvez no mundo, “Trivela” é uma revista especializada em esportes que boicota a mais importante competição esportiva do planeta. Na edição de junho, o editor, Caio Maia, defendeu a idéia que a imprensa não deveria “contribuir para construir uma imagem mistificada de um regime que tortura, mata e censura”. Acrescentou, então, que não haveria na revista nenhuma menção aos Jogos com exceção de notícias sobre as partidas do torneio de futebol olímpico. “Nossa opção é de noticiar o esporte, mas não o evento”.

Maia chegou a pensar num boicote total, mas reviu a decisão depois de ser pressionado pelos jornalistas da redação e pelos leitores. Após publicar uma capa com o título “Dunga, pede pra sair”, o site da revista perguntou aos internautas se eles iriam acompanhar a seleção brasileira na China. Foi uma enquete levemente dirigida, que incluía as seguintes opções: a) “Torcer para o Brasil. Apesar do Dunga, é o título que falta”; b) “Torcer para o Brasil. O trabalho do Dunga é bem feito”; c) “Torcer contra o Brasil. Só assim para o Dunga cair”; d) “Torcer contra o Brasil. Senão fica difícil aturar o Galvão”; e) “Olimpíadas? Não é aquilo que tem no colégio?” Venceu a opção “a) com quase 50% dos votos.

Nesta semana, o tema reapareceu no blog da revista. Depois de um post com comentários sobre o desempenho da seleção brasileira na estréia, uma nota anunciava que “Trivela” se curvava aos leitores no empenho de mantê-los bem informados sobre os acontecimentos na China, mas condenava “categoricamente” o governo chinês e o Comitê Olímpico Internacional. Este último, “por se curvar à pressão econômica de uma ditadura que não respeita os direitos humanos, liberdade de imprensa e meio-ambiente”.

Os leitores, na área de comentários, se dividiram entre aprovação, repúdio e ironia. Um internauta observou que chegou a pensar em boicotar os Jogos, mas… “Olhei meu iPod, meus tênis e muitas outras coisas. Para ser coerente, teria que jogar tudo fora. Fico com minha crise de consciência, sem saber bem o que fazer”…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , ,
11/08/2008 - 15:01

Ganhou? Tem que chorar

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Ketleyn Quadros acabou de ganhar a medalha de bronze e o repórter da tevê a encontra na saída do tatame. Feliz, mas serena, a judoca fala com tranqüilidade do seu feito, a primeira medalha de uma brasileira em um esporte individual. “Foi tudo fruto de um trabalho realizado por todos, não só por mim”. Visivelmente insatisfeito por não conseguir tirar uma lágrima da judoca, o repórter emenda: “E o que você tem a dizer para sua mãe, que está aqui assistindo tudo?” Menos, por favor.

* * *

O repórter da tevê entrevista Larissa e Ana Paula após uma vitória suada no vôlei de praia. Referindo-se à sua parceira de longa data, Juliana, que foi cortada na véspera, e à parceira de Ana Paula, Shelda, medalha de prata em Sidney, que não conseguiu vaga este ano, uma emocionada Larissa diz: “Éramos quatro em campo”. Ao que o repórter completa: “O Brasil inteiro está em campo”. Menos, por favor…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
11/08/2008 - 14:56

O governador vai ao museu

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Concluída a reforma que o deixou fechado por oito meses, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo foi reinaugurado com a proposta de ser “um museu para a arte do século XXI”. Não sei bem o que é isso, mas ele está mais bonito. O governador José Serra, que visitou o MIS no sábado, também achou. Em companhia do secretário de Cultura, João Sayad, e da diretora do museu, Daniela Bousso, Serra conheceu todos os ambientes, incluindo o moderno laboratório, para artistas desenvolverem seus trabalhos in loco, um novo auditório, para shows, e várias exposições.

Um pequeno problema ocorreu diante de “Espelho”, obra dos artistas Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti. Serra parou, se aproximou, olhou, andou de lado, andou pra trás, voltou – e não entendeu. Cochichou algo para Daniela Bousso, que tentou explicar. A diretora começou a falar, gaguejou e pediu ajuda a uma assistente. “Chama a Rejane”, suplicou Daniela. Até que a autora da obra chegou e esclareceu que “Espelho” é um espelho acrescido de um dispositivo que o altera à medida que as pessoas se aproximam ou afastam dele, provocando distorções na percepção que temos de nós mesmos. Entendeu, Serra?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
11/08/2008 - 14:41

A pergunta que não quer calar

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David Lynch, de perto, é mais alto e mais normal que as imagens conhecidas dele podem sugerir. Ao final de uma entrevista para a revista “Homem Vogue”, gravador desligado, o repórter caminha ao lado do cineasta para assistir a sessão de fotos. Arrisco, então, uma pequena mentira: “Mr. Lynch, minha editora pediu que eu fizesse essa pergunta, mas fiquei com vergonha de falar na frente de outras pessoas.” E ele: “Compreendo. Vá em frente”. Faço então a pergunta que me intrigava já há algum tempo: “Mr. Lynch, e o seu cabelo? O que o sr. faz para ele ficar assim?” O diretor de “Veludo Azul”, “Mulholland Drive”,  “A Estrada Perdida”, e tantas outras jóias, me olha de alto a baixo, sorri com a boca quase fechada e explica, com toda a paciência do mundo: “Ele é meio que naturalmente assim. Me deixa mais alto”.

O encontro com Lynch ocorreu na sexta-feira, 8, quando o cineasta repetiu pela enésima vez o ritual que praticou em sua visita ao Brasil: divulgar a meditação transcendental. No caso, para uma platéia vip, de amigos da cantora Claudia Albuquerque, que mora numa mansão no Morumbi. Nem o engarrafamento, que deixou o cineasta e sua comitiva presos por uma hora dentro do carro, tiram o seu bom humor. “Estou adorando São Paulo. Adorei Belo Horizonte. E tenho certeza que vou adorar Porto Alegre”. No sábado, 10, esteve pela segunda vez no Rio, onde começou o seu périplo. Não é necessário dizer o que ele achou da cidade.

Crédito da foto: flickr.com/photos/samuelesteves

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
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