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29/08/2008 - 19:03

“As notícias sobre a minha morte são exageradas” II – O dia em que Zuenir Ventura “morreu”

A propósito do post sobre a publicação precipitada do obituário de Steve Jobs, um amigo, o jornalista e músico Claudio Henrique, me lembra do dia em que nós dois estávamos na redação da “Época”, 1999 ou 2000, e um site de notícias publicou a informação que Zuenir Ventura, então colunista da revista, havia morrido. Sexta-feira, final do expediente, a revista já estava fechada, quase não havia mais ninguém na redação. Claudio era o chefe da sucursal do Rio e eu era o editor de Cultura. Foi um Deus nos acuda. Eis o relato do Claudio:

“Eu trabalhava como chefe da sucursal da Época no Rio, e naquela noite, quase 22h, estava sozinho na redação. Todo mundo já tinha ido embora, tanto repórteres como o pessoal do administrativo. Eu aguardava o fechamento da revista em SP, quando tocou o telefone e era o aviso: alguém dizendo que estava no site do ‘Estadão’ que o Zuenir tinha falecido. ‘Você precisa apurar se é verdade rápido’, a voz ordenou. Poxa, só há uma coisa pior do que receber uma bomba dessas às 10 da noite de uma sexta-feira… É quando esta notícia refere-se a um amigo querido, o Zu, que fora um dos meus gurus no início de carreira no JB – tendo feito, inclusive, a entrevista de seleção para minha entrada –, e ainda por cima pai do Mauro, um amigo próximo, parceiro. A primeira coisa que pensei foi ligar para ‘O Globo’ – o que fiz, mas lá ninguém sabia de nada. Tomei então mais coragem e liguei logo pra casa do Zuenir, em Ipanema. Atendeu a empregada e ela me disse que não havia ninguém em casa, que Zuenir e a mulher, Mary, tinham ido para um coquetel no Instituto Moreira Salles. Respirei fundo e, com uma voz meio de idiota, certamente, ainda perguntei a ela algo como:

- E está tudo bem?

A moça, provavelmente, achou ser uma cantada do amigo do patrão.

Como a pulguinha ainda permanecia ali, atrás da orelha, e o chefe lá, em Sampa, esperando uma resposta, tive que buscar alternativas – menos ligar para o Mauro, essa eu me negava a fazer, ao menos até o segundo derradeiro do deadline. Pegar o carro e ir até o Instituto, na Gávea, seria inviável, pois o trânsito me faria publicar a notícia apenas na edição da semana seguinte. Ocorreu-me então que Alexandre Sant’Anna, grande fotógrafo e coração, e que fazia parte da nossa equipe, morava nos arredores da festa. Não tive dúvidas: telefonei a ele pedindo que se dirigisse a pé até a festa e que só me ligasse de lá depois que avistasse, com aquele par de olhos azuis dele, a careca do nosso querido Zu. E foi o que Sant’Anna fez. Hoje ambos podemos incluir nos nossos currículos este anti-furo jornalístico. Descobrimos que Zuenir não tinha morrido antes de todo mundo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags:

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