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25/08/2008 - 11:16

Jornalismo colaborativo II – A Missão

Uma das revoluções promovidas pela Internet é a possibilidade real de interação entre produtor e consumidor de informação. O internauta, se quiser, dispõe de instrumentos e canais para participar ativamente da produção da informação. A idéia de uma web 2.0 aprofundou o desenvolvimento de projetos com o objetivo de promover e facilitar a interação com os internautas. O iG, por exemplo, desenvolveu várias ferramentas nesse sentido. Além de publicar todas as suas notas e reportagens abertas para comentários, mantém um espaço para o internauta enviar perguntas aos políticos e também oferece uma área para o usuário trazer informações para o portal.

Surge, nos Estados Unidos, um projeto que pode inaugurar uma nova etapa no mundo da interação. Chama-se Spot Us e define-se como “jornalismo financiado pela comunidade”. Digamos que você tenha informações que, no seu bairro, certa empresa, ligada a determinado vereador, é sempre a escolhida para fazer as obras de recapeamento das ruas e, para piorar, utiliza material de má qualidade. Você gostaria de ver uma reportagem denunciando esse esquema, mas não sabe como fazer? Sugira o assunto ao Spot Us. E, passo dois, ajude a levantar os recursos necessários para a organização contratar os jornalistas e arcar com os custos da reportagem. Realizado o trabalho, a Spot Us vai se esforçar para divulgar o trabalho no maior número possível de veículos de comunicação.

A Spot Us é uma organização sem fins lucrativos, fundada por jovens jornalistas. No momento, o projeto de jornalismo financiado pela comunidade passa por uma fase piloto, de teste, na região de São Francisco, na Califórnia. Contam com uma bolsa da Knight Foundation, no valor de US$ 340 mil.

Uma reportagem publicada na edição de domingo do The New York Times (acesso mediante registro) descreve o projeto com simpatia, mas não deixa de lembrar os problemas que podem advir desse tipo de jornalismo. Por exemplo, a pessoa que financiou determinada reportagem pode ter interesses pessoais, não revelados, na sua denúncia. A Spot Us já pensou nisso e, para se proteger de lobistas, aceita de cada doador no máximo 20% do custo da reportagem.

Eis uma experiência a se acompanhar com atenção.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags:

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