O dia em que torci por Camarões
Enviado pela “Época” para acompanhar a seleção brasileira de futebol nos Jogos Olímpicos de 2000, aterrissei em Sydney no dia em que a revista chegava às bancas, no Brasil, com uma notícia exclusiva, produzida pela equipe do Rio de Janeiro: a denúncia que Wanderley Luxemburgo, então técnico da equipe, era três anos mais velho do que apregoava – fato que o beneficiou quando jogador de futebol. Na linguagem dos boleiros, Luxemburgo era “gato”.
A seleção estava hospedada em um resort de luxo na região de Gold Coast, a 800 km de Sydney. O ambiente era péssimo. Além dos problemas de Luxemburgo, acossado por diferentes denúncias no Brasil (sua ex-secretária também o havia acusado de diversos crimes), o clima entre os jogadores e o técnico também não era bom. Na estréia, a seleção de Ronaldinho e Alex penou para vencer a Eslováquia por 2 a 1 no belíssimo estádio de críquete na cidade de Brisbane. Na segunda partida, a situação desandou: a seleção tomou de 3 a 1 da África do Sul, no mesmo estádio. Uma derrota histórica, ao final da qual Luxemburgo responsabilizou dois jogadores (o zagueiro Bilica e o lateral Baiano) pelo segundo gol africano. O terceiro jogo, magra e sonolenta vitória sobre o Japão por 1 a 0, habilitou a seleção a disputar as oitavas de final, contra Camarões.
Enquanto acompanhava a monótona rotina de treinos e jogos de baixa qualidade da seleção, além do mau humor permanente de Luxemburgo, acontecia, em Sydney, a mais espetacular olimpíada dos tempos modernos. Acompanhava o noticiário e pensava: “O que eu estou fazendo aqui, em Gold Coast?”
A partida contra Camarões foi inesquecível, por diversos motivos.
A seleção entrou em campo, em 23 de setembro de 2000, com Helton, Baiano, Fábio Bilica, Álvaro e Athirson; Fábio Aurélio, Marcos Paulo, Fabiano e Alex; Lucas e Ronaldinho. Lúcio, Roger e Geovanni também participaram da partida. O Brasil havia levado apenas jogadores com idade inferior a 23 anos, embora tivesse o direito, como hoje, de selecionar até três atletas mais velhos. Camarões, por exemplo, contava em seu elenco com o veterano Mboma, então com 29 anos, jogador do Parma, da Itália.
O estádio de críquete de Brisbane reuniu 37.321 espectadores, o maior público até então, para assistir a um show particular de Mboma. O atacante não fez uma jogada convencional nos 63 minutos em que permaneceu em campo. Além do gol, deu mais de um drible por baixo da perna de brasileiros, passou bolas de letra, usou a canela para iludir os zagueiros, fez o diabo (como Zidane, na partida contra o Brasil na Copa de 2006, em que deu até chapéu em Ronaldo).
O outro inimigo do Brasil no jogo foi a torcida. Encarados como os “underdogs”, os camaroneses contaram com forte apoio da maioria do público – o que só aumentou a partir dos 30 minutos do segundo tempo, quando Njitap foi expulso por fazer cera na cobrança de um lateral. A partir deste momento, os torcedores não apenas apoiavam Camarões como começaram a vaiar os jogadores do Brasil. Nos últimos 15 minutos do tempo normal, o juiz alemão Herbert Fandel expulsou ainda um segundo jogador africano, Nguimbat, e marcou uma falta a favor do Brasil, quase dentro da área, já nos acréscimos. Antes da cobrança da falta, numa confusão nunca bem explicada, Lucio acertou uma cabeçada em Roger, que só não degenerou em pancadaria dentro do campo devido à intervenção de Alex. Ronaldinho empatou a partida aos 48 minutos do segundo tempo, levando o jogo para a prorrogação.
Enquanto aguardavam o início do tempo extra, os nove jogadores de Camarões que restaram em campo fizeram um círculo em torno de Fandel e começaram a bater palmas para o juiz. Um gesto forte, carregado de ironia, que afetou a atuação de Fandel durante a prorrogação. Aos 8 minutos, Fabiano fez o gol que classificaria o Brasil, mas o juiz o anulou alegando um impedimento que não ocorreu. Incapaz de resolver um jogo de 11 contra 9 jogadores, o Brasil foi finalmente castigado, aos 8 minutos do segundo tempo, com um contra-ataque de Camarões, concluído para o gol por Mbami.
E aqui preciso confessar algo. No momento do gol de ouro de Camarões, que assisti ao lado do meu amigo José Geraldo Couto, levantei os braços, sorri e pensei: “Finalmente, vou para Sydney”. Ainda faltava uma semana para o fim dos Jogos Olímpicos. Mas é isso é outra história.




Seguramente este capítulo foi apagado dos anais da historia espetacular do Sr. Wanderley Luxemburgo, assim como a épica sequencia de dez derrotas seguidas que teve como técnico do Corinthians, como o capítulo mal acabado da final da Copa do Brasil entre Corinthians e Gremio, das passagens desastrosas no Real Madrid, Palmeiras (início da queda para a Segundona) e Santos (outro início de queda para a Segundona?). E ainda dizem que é o melhor técnico do Brasil. Segue o Lobby porque ainda tem muito trouxa neste País para acreditar nisso.
Maurício, parabens pelo artigo, de alguma forma isto tem que ficar registrado na história do futebol deste país que só tem memória para conquistas passageiras.
Mauricio Srycer!
Que bom te rever por aqui….
LOVE
Gerald
JAJAJAJAJA
BRASIL TOMASTE EN LA REGION LOMBAR JAJAJA
se vc torceu para o camaroes, pq quando terminou as olimpiadas nao se mudou para camaroes e foi ser jornalista lá.
ficou triste com pessoas como vc, que vive desqualificando o brasil, mas mora, e vive no Brasil. vai para Africa morar lá, para ver vc vai ter essa vida boa que tem aqui no Brasil. torça pelo seu pais, ou deixe-o.
eh perdi meu tempo de ler isso.
Eu também torci pela Nigéria em 96. E nem por isso quis me mudar do Brasil.
Atualmente eu torço em tudo contra o Brasil . tomara que a gente não ganhe nenhuma medalha de ouro e que todos os atletas tenham distensão muscular , torções, quebra de ossos, lesões bem graves mesmo. Cansei desse país!
E antes que alguém aí.. me mande embora.. eu já estou indo.. ainda bem.. nada de ilegal não.. vou com tudo certo. Esse país é um lixo. Camarões é um lixo também, mas pelo menos lá ninguém se acha o melhor do mundo que nem os brasileiros se acham. Brasil = povo medíocre que não luta por nada. Eu teria o maior orgulho de ser Argentino, um povo que luta pelos seus ideais.
Aqui eu só volto pra passar férias e olhe lá… Se o Dunga não trouxer a medalha de ouro é bem provável que coloquem de novo o Luxemburgo no cargo… tchau Brasil
Não devemos torcer contra o nosso País, mas quem disse que aquela era a nossa seleção? Se era, os jogadores não sabiam, nem muito menos os cartolas que lá se encontravam. Se os garotos tiveram culpa do salto alto, não sei, porém, aonde não há comando não há resultado satisfatório. Parabéns pela honestidade de dizer (entre linhas) Aonde tiver um mau brasileiro, com certeza, não há como torcer por ele, já pelo País, sempre.
eu nem lembro direito desse jogo. por certo, talvez nem tenha assistido realmente. lembro com clareza somente que, enquanto a partida rolava, eu assistia alguma aula no colégio. dai, vez por outra, descia a escadaria pra acompanhar os lances na cantina.
a questão principal é que o brasil, como cê falou, jogava muito mal. não somente durante as olimpíadas. pra quem nao se lembra, esse período era aquele tenebroso pós-copa de 98, onde a seleção passou bom tempo levando revés nas eliminatórias, copa américa (com o felipão) e copa das confederações (com leão). não foi o pior momento da história da seleção, com certeza. mas de um tempo pra cá – nao sei bem com que exatidão – a seleção de futebol nao anima tanto assim. mesmo na copa de 2002 e na copa das confederações de 2005, o brasil cambaleava muito até chegar na final, perdendo pra equipes bastante inferiores e suando pra ganhar de equipes medianas. vez ou outra, ganhava bem. nunca cheguei a uma justificativa coerente por demais sobre esse assunto. alguns insistem em dizer que no futebol nao existe mais bobo ou coisa parecida.
é triste admitir, mas torcer pro brasil por esses dias tem sido muito chato. eu entendo quando o maurício fala que torceu pra camarões e tal. eu acho q senti o mesmo na copa de 2006 com a frança. embora fosse muito triste ver o brasil levando tromba dos blues de novo, eu assistia com bastante entusiasmo as jogadas de zidane (um dos melhores de todos os tempos). porque era um momento eterno. ele foi mágico. e isso era gratificante, ao contrário da seleção brasileira, que se arrastava.
no fim das contas, deve ser assim sempre pra quem curte realmente futebol. torcer é outra história.
Mas tinha que perder mesmo, Helton, Baiano, Fábio Bilica, Álvaro, o que é isso. O Time do Gama acho que ganhava esse jogo viu.
Mas mesmo assim eu ia torcer pro Brasil sil sil sil sil….
Tem mais é que torcer para Cameroon (Camarões) Togo, ou ainda qualquer outro país africano. Para um país onde os torcedores, pobres aliás, são treinados para dizer que copa do mundo é mais importante que Olimpíada???? É maus mesmo, dois mil anos de história ser menos importante que umas copinhas, só no Brasil! Daí o outro dizer perdeu tempo em ler o artigo.
Só faltou dizer que era o Galvão Bueno narrando. Aí é mais fácil ainda torcer contra o Brasil.
Agradeço muito os comentários. Este é um espaço democrático, o que inclui críticas ao que escrevi, mas não posso aprovar comentários com ofensas (injúrias) a pessoas citadas, nem textos com palavrões.
que isso gente, torço pelo BRASIL, POIS SOU BRASILEIRO, E NAO DEIXO DE TORCER TAMBÉM PELO SÃO PAULO SÓ PORQUE EM 1930 O TIME TAVA RUIM. ( AS VEZES DETESTO MEU TIME MAS AMO A MINHA (CAMIZA AMARELA)
Pena que neste pais e em qulquer outro tbem,nossa paixão por futebol ainda está aquem de nossos anceios.Torcer e alem de tudo mostrar sua preferencia.sou brasileiro e torço pelo Brasil mas tenho sim direito,se eu quiser,de torcer pra qualquer outro time ou seleção.pena que vc foi tao criticado por trorcer pro Camarões!!!!!
não sei se via lembrar de mim pois faz uns 2 anos ou mais mas foi bom te ver no ig, trabalhei no seu predio lembra.
Muito melancolico, um verdadeiro brasileiro nao desiste nunca e nunca torceria contra, nem que os jogadores brasileiros estivessem com as pernas quebradas deixaria de torcer por eles, é falta de patriotismo, acho que este comentario seu Sr Mauricio foi muito infeliz ou voce nao é brasileiro de verdade. um abraço
eu tb torci muito contra o brasil naquele dia.
Incrível como tem gente que não consegue ler nas entrelinhas e confunde futebol com patriotismo. como se algum daqueles jogadores fossem patriotas…