Arquivo de agosto, 2008
30/08/2008 - 17:58
Se navegou pela internet neste sábado, você já sabe: sexta-feira à noite, na comemoração dos seus 32 anos, Luana Piovani ganhou um carro importado de presente do namorado, o ator Dado Dolabella. Vi a notícia em sete sites especializados em celebridades. Algumas coisas me chamaram a atenção: a marca e o valor do carro aparecem em quase todas as noticias; Luana foi simpática com os paparazzi estrategicamente postados à sua espera e, ainda, esboçou lágrimas ao ganhar o presente; além do carro, a atriz também ganhou um anel de presente, mas nenhum site cita a marca deste mimo.
Por tudo isso, e mais um pouco, uma amiga me sugeriu uma maldade: tudo não passou de uma ação de marketing destinada a promover o veículo. Será? Não posso acreditar…
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social
Tags: Luana Piovani; paparazzi; celebridades;
29/08/2008 - 19:03
A propósito do post sobre a publicação precipitada do obituário de Steve Jobs, um amigo, o jornalista e músico Claudio Henrique, me lembra do dia em que nós dois estávamos na redação da “Época”, 1999 ou 2000, e um site de notícias publicou a informação que Zuenir Ventura, então colunista da revista, havia morrido. Sexta-feira, final do expediente, a revista já estava fechada, quase não havia mais ninguém na redação. Claudio era o chefe da sucursal do Rio e eu era o editor de Cultura. Foi um Deus nos acuda. Eis o relato do Claudio:
“Eu trabalhava como chefe da sucursal da Época no Rio, e naquela noite, quase 22h, estava sozinho na redação. Todo mundo já tinha ido embora, tanto repórteres como o pessoal do administrativo. Eu aguardava o fechamento da revista em SP, quando tocou o telefone e era o aviso: alguém dizendo que estava no site do ‘Estadão’ que o Zuenir tinha falecido. ‘Você precisa apurar se é verdade rápido’, a voz ordenou. Poxa, só há uma coisa pior do que receber uma bomba dessas às 10 da noite de uma sexta-feira… É quando esta notícia refere-se a um amigo querido, o Zu, que fora um dos meus gurus no início de carreira no JB – tendo feito, inclusive, a entrevista de seleção para minha entrada –, e ainda por cima pai do Mauro, um amigo próximo, parceiro. A primeira coisa que pensei foi ligar para ‘O Globo’ – o que fiz, mas lá ninguém sabia de nada. Tomei então mais coragem e liguei logo pra casa do Zuenir, em Ipanema. Atendeu a empregada e ela me disse que não havia ninguém em casa, que Zuenir e a mulher, Mary, tinham ido para um coquetel no Instituto Moreira Salles. Respirei fundo e, com uma voz meio de idiota, certamente, ainda perguntei a ela algo como:
- E está tudo bem?
A moça, provavelmente, achou ser uma cantada do amigo do patrão.
Como a pulguinha ainda permanecia ali, atrás da orelha, e o chefe lá, em Sampa, esperando uma resposta, tive que buscar alternativas – menos ligar para o Mauro, essa eu me negava a fazer, ao menos até o segundo derradeiro do deadline. Pegar o carro e ir até o Instituto, na Gávea, seria inviável, pois o trânsito me faria publicar a notícia apenas na edição da semana seguinte. Ocorreu-me então que Alexandre Sant’Anna, grande fotógrafo e coração, e que fazia parte da nossa equipe, morava nos arredores da festa. Não tive dúvidas: telefonei a ele pedindo que se dirigisse a pé até a festa e que só me ligasse de lá depois que avistasse, com aquele par de olhos azuis dele, a careca do nosso querido Zu. E foi o que Sant’Anna fez. Hoje ambos podemos incluir nos nossos currículos este anti-furo jornalístico. Descobrimos que Zuenir não tinha morrido antes de todo mundo.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo
Tags: Zuenir Ventura; obituário; Steve Jobs
29/08/2008 - 18:11
Este ano fez dez anos que o último episódio de “Seinfeld” foi exibido. Os verdadeiramente viciados, como eu, têm o estranho hábito de associar episódios de suas vidas – ou fatos que ocorrem ao redor – a histórias vividas por algum dos quatro personagens principais da série.
Veja, por exemplo, a notícia que uma fatia do bolo de casamento do príncipe Charles e Diana, em 1981, foi vendida em um leilão esta semana, em Londres, por mil libras. A grande fatia, que pertencia a uma faxineira da residência real, ostenta o brasão real na superfície. A pergunta que muita gente se fez é: quem compraria uma fatia de bolo, datado de 27 anos, e ainda pagaria cerca de R$ 3 mil por ela?
Tem louco pra tudo, já sabemos isso desde “Seinfeld”. Na última temporada, no episódio “The Frogger”, Elaine, sentindo falta de açúcar no sangue, descobre na geladeira do escritório onde trabalha uma fatia do bolo do casamento do rei Eduardo VIII, que ocorreu em 1937. O hilário Mr. Peterman, seu chefe, havia pago US$ 29 mil em um leilão pelo pedaço. Naturalmente, ela não resiste, come o bolo histórico e, em seguida, no esforço de corrigir o estrago, o substitui por uma fatia adquirida na delicatessen da esquina. O golpe teria dado certo se as câmeras de segurança do escritório não tivessem filmado a travessura de Elaine. Bem-humorado, na última cena do episódio, Mr. Peterman diz que a sua maior vingança será a digestão que Elaine fará de um bolo de 60 anos de idade.
Clique aqui e veja o momento em que Mr. Peterman, crente que está abafando com o seu bolo de US$ 29 mil, descobre que guarda na geladeira uma fatia que vale um pouco mais que dois dólares.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão
Tags: Seinfeld; Elaine; bolo de casamento; Charles e Diana
28/08/2008 - 16:51
Steve Jobs ainda não se manifestou sobre a publicação de seu obituário pela Bloomberg. Se serve como consolo, o presidente da Apple está longe de ser a primeira vítima de uma precipitação jornalística dessa natureza. Dentre os casos que conheço, o escritor Mark Twain foi quem deu a mais famosa resposta ao ser informado que havia “morrido”: “As notícias sobre a minha morte são exageradas”, disse ele. Twain, entre outras qualidades, foi um genial frasista, bem-humorado e irônico. Abaixo uma breve seleção de frases suas, em tradução livre deste blogueiro:
Clássico é um livro que as pessoas citam e não lêem.
Couve-flor não é nada além de repolho com uma educação universitária
Melhor ficar com a boca fechada e parecer burro do que abri-la e acabar com a dúvida.
Quando eu tinha 14 anos, meu pai era tão burro que eu não suportava a presença do velho perto de mim. Quando eu fiz 21, fiquei surpreso de ver o quanto o velho aprendeu em sete anos.
Somente presidentes, editorialistas e gente com verme têm o direito de usar o plural majestático.
Antigamente, este era um bom hotel, mas isso não prova nada. Antigamente, eu era um bom garoto.
Adão teve sorte. Quando ele dizia uma frase boa, ele sabia que ninguém havia dito isso antes.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo
Tags: Steve Jobs; Mark Twain; obituário
28/08/2008 - 10:23
É com justo orgulho que os produtores de “Mistério do Samba”, que estréia amanhã, informam que o filme fez parte da seleção oficial do Festival de Cannes em 2008. Mas como foi a participação do filme no mais importante festival de cinema do mundo? Se ninguém perguntar, eles não têm a obrigação de falar. Natural. “O que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”, ensinou o então ministro Ricúpero. O fato é que o filme não foi exibido no festival. “Mistério do Samba” havia sido selecionado para encerrar uma mostra paralela, não competitiva, chamada Cinema na Praia, mas a sessão foi cancelada devido ao mau tempo, no dia programado.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags: "Mistério do Samba"; Cannes; cinema
26/08/2008 - 18:21
Se a auto-estima do carioca anda em baixa, por conta dos problemas crônicos que o Rio de Janeiro não consegue resolver, eis mais um motivo para azedar o humor do pessoal: “Botequim de bêbado tem dono”, o delicioso livro de crônicas do sambista Moacyr Luz sobre os melhores bares da cidade, acaba de ser lançado. Em São Paulo.
A festa de lançamento se deu no Pirajá, um bar paulistano inspirado, é verdade, na cultura de boteco carioca. Teve roda de samba, croquete de carne seca com abóbora, pastel, muita cachaça e chope. O lançamento no Rio, desculpe informar, será somente no sábado, dia 30, na livraria Folha Seca, ao meio-dia, com direito a roda de samba, depois das 14hs.
“Botequim de bêbado tem dono” reúne 25 crônicas sobre bares cariocas, dos famosos Lamas, Capela e Bar Luiz, aos menos votados, porém mais curiosos cantinhos freqüentados pelo sambista – lugares como o Adonis, em Benfica, onde a fartura é tanta que oferece meia porção de bife a milanesa, ou o Momo, na Tijuca, que serve o melhor jiló no alho da cidade, ou ainda o A Paulistinha (ou será O Paulistinha?, pergunta o sambista), bar na rua Gomes Freire, cujo segredo da cozinha, entrega, é a cinza do cigarro que o cozinheiro fuma enquanto prepara um delicioso bolinho de bacalhau.
Lançamento da Desiderata, a mesma editora que lançou a antologia de textos do “Pasquim” e, no ano passado foi comprada pela Ediouro, o livro de Moacyr Luz é fartamente ilustrado por Chico Caruso e foi fruto de uma árdua pesquisa, in loco, da dupla, ao longo de seis meses. “A cada visita um encantamento rodeava nossas mesas, e a temporada de pinturas e biroscas durou quase um semestre”, escreve o sambista.
Bem humorado, Moacyr Luz contou ao blog, ontem, no lançamento, que tem o projeto de fazer uma série de livros sobre bares, em diferentes cidades brasileiras. A série se chamaria: “Quer beber? Bebe direito”. O sambista aguarda patrocínio – e descansa o fígado – antes de empreender essa viagem etílica.
Em tempo: a assessoria de imprensa da Desiderata informa que o lançamento do livro ocorreu antes em São Paulo por uma questão de adequação da agenda. Os paulistanos agradecem.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog
Tags: Botequim de bêbado, Moacyr Luz
25/08/2008 - 11:16
Uma das revoluções promovidas pela Internet é a possibilidade real de interação entre produtor e consumidor de informação. O internauta, se quiser, dispõe de instrumentos e canais para participar ativamente da produção da informação. A idéia de uma web 2.0 aprofundou o desenvolvimento de projetos com o objetivo de promover e facilitar a interação com os internautas. O iG, por exemplo, desenvolveu várias ferramentas nesse sentido. Além de publicar todas as suas notas e reportagens abertas para comentários, mantém um espaço para o internauta enviar perguntas aos políticos e também oferece uma área para o usuário trazer informações para o portal.
Surge, nos Estados Unidos, um projeto que pode inaugurar uma nova etapa no mundo da interação. Chama-se Spot Us e define-se como “jornalismo financiado pela comunidade”. Digamos que você tenha informações que, no seu bairro, certa empresa, ligada a determinado vereador, é sempre a escolhida para fazer as obras de recapeamento das ruas e, para piorar, utiliza material de má qualidade. Você gostaria de ver uma reportagem denunciando esse esquema, mas não sabe como fazer? Sugira o assunto ao Spot Us. E, passo dois, ajude a levantar os recursos necessários para a organização contratar os jornalistas e arcar com os custos da reportagem. Realizado o trabalho, a Spot Us vai se esforçar para divulgar o trabalho no maior número possível de veículos de comunicação.
A Spot Us é uma organização sem fins lucrativos, fundada por jovens jornalistas. No momento, o projeto de jornalismo financiado pela comunidade passa por uma fase piloto, de teste, na região de São Francisco, na Califórnia. Contam com uma bolsa da Knight Foundation, no valor de US$ 340 mil.
Uma reportagem publicada na edição de domingo do The New York Times (acesso mediante registro) descreve o projeto com simpatia, mas não deixa de lembrar os problemas que podem advir desse tipo de jornalismo. Por exemplo, a pessoa que financiou determinada reportagem pode ter interesses pessoais, não revelados, na sua denúncia. A Spot Us já pensou nisso e, para se proteger de lobistas, aceita de cada doador no máximo 20% do custo da reportagem.
Eis uma experiência a se acompanhar com atenção.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo
Tags: Internet 2.0; web 2.0; jornalismo colaborativo
23/08/2008 - 13:38
Tradicionalmente a mais bem-sucedida potência olímpica da América Latina, Cuba terá em Pequim o seu pior desempenho em décadas. O país disputa duas medalhas de ouro no boxe, neste domingo. Ainda que conquiste as duas, ficará muito longe dos resultados alcançados no passado. Neste sábado, os cubanos figuravam em 27º lugar, com duas medalhas de ouro, nove de prata e 11 de bronze. Em Atenas, o país ficou em 11º lugar na classificação geral com nove ouros, sete pratas e 11 bronzes. Quatro anos antes, em Sydney, Cuba foi nono, com 11 ouros, 11 pratas e sete bronzes.
O título de campeão da América Latina e Caribe, em Pequim, Cuba já perdeu para a Jamaica de Usain Bolt. E se não ganhar os dois ouros no boxe, possivelmente ficará atrás até do Brasil no quadro geral de medalhas – um desempenho pífio.
Uma série de deserções de boxeadores afetou o desempenho do país numa modalidade que Cuba dominava. Ainda que tenha chegado em oito semifinais em Pequim, não conquistou nenhum ouro até o momento. Ganhou quatro bronzes e duas pratas. Restam dois ouros em disputa no domingo. Em 2004, o país conquistou cinco medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze.
Outra decepção foi o time de beisebol. A equipe cubana perdeu a final olímpica – a última do beisebol em Jogos Olímpicos – para a Coréia do Sul, por 3 a 2. Em cinco disputas olímpicas, desde 1992, foram três ouros (Barcelona, Atlanta e Atenas) e duas pratas (Sydney e Pequim).
No vôlei feminino, Cuba deixou de ganhar uma medalha pela primeira vez, desde Seul. O país havia sido campeão em Barcelona, Atlanta e Sydney e bronze em Atenas. Este ano, a equipe perdeu a semifinal para os Estados Unidos e a medalha de bronze para China.
A saltadora Yargelis Savigne, esperança no salto triplo, ficou em quinto lugar, entre outras decepções. E para completar, Cuba ainda protagonizou um vexame, neste sábado. O lutador Angel Valodia Matos disputava o bronze na categoria até 80 kg no taekwondo quando foi desclassificado de maneira irregular. Irritado, atacou o árbitro do combate com um golpe espetacular. É uma das imagens que ficarão – infelizmente para Cuba – na história destes Jogos.
Atualização (domingo): Não vieram os ouros no boxe e Cuba terminou os Jogos em 29º lugar, atrás do Brasil. Foi o pior desempenho do país desde 1964, como mostrou o enviado especial do iG a Pequim.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte
Tags: Jogos Olímpicos; Cuba; medalhas
22/08/2008 - 11:20
A voz esportiva da Globo, finalmente, chegou lá. Foi dedicado publicamente a Galvão Bueno o primeiro agradecimento de Maurren Maggi, ao comentar “tudo que passou” antes da conquista da medalha de ouro. O secador-mór dos adversários do Brasil, o patriota entusiasmado, o palpiteiro irrefreável, ganhou esse prêmio da campeã olímpica, que agradeceu também à “Glenda” – seguramente, a apresentadora da Globo Glenda Kozlowski. Maurren, você não esqueceu de mais ninguém?
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte
Tags: Jogos Olímpicos; Galvão Bueno; Maurren Maggi
22/08/2008 - 09:12
Estou longe de ser um consumidor ecologicamente correto, mas restrinjo ao máximo o uso de sacos plásticos, esse vilão do meio ambiente, preferindo sacolas de pano ou papel. Já faz muito tempo que não aceito receber sacolas plásticas na banca de jornais. Esse “brinde” que o jornaleiro sempre oferece a quem compra uma revista ou jornal é, na verdade, uma “mídia” inteligente – destinada a fazer propaganda de algum produto – mas ecologicamente incorreta, por colaborar com a degradação do meio ambiente.
A novidade, ao menos para mim, foi descobrir que já há empresas buscando alternativas. Esta semana, depois de mais uma vez recusar a oferta de um saco plástico, o jornaleiro de uma banca que freqüento, nos Jardins, em São Paulo, me perguntou se eu queria uma sacola de papel – oferta de um restaurante italiano do bairro. Aceitei, satisfeito
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Meio ambiente
Tags: saco plástico; ecologicamente correto; sacola de papel
21/08/2008 - 12:39

João Saldanha é um dos meus heróis. O seu papel na denúncia das mazelas do futebol brasileiro, entre as décadas de 60 e 80, não encontra paralelo no jornalismo brasileiro. Enxergou muito à frente de seus colegas ao escrever insistentemente sobre os problemas estruturais do esporte – resultado de uma mistura de amadorismo, incompetência e má fé, de políticos, dirigentes esportivos e jornalistas.
Saldanha não teve visão, porém, para perceber o potencial do futebol feminino. Certa vez, numa palestra para estudantes universitários, o jornalista foi indagado sobre o que achava da modalidade. “Sou contra”, respondeu. A história é relatada por Sergio Cabral, na introdução de “Vida que Segue”, coletânea que reúne os textos de Saldanha sobre as Copas de 66 e 70. Escreve Cabral:
As moças manifestaram surpresa e decepção. João Saldanha, um cara sem preconceitos, como poderia ser contrário ao futebol feminino? Mas ele explicou: “O sujeito tem um filho, que leva a namorada para conhecê-lo. O pai faz a pergunta clássica: ´Você trabalha ou estuda?’ ‘Trabalho’, ela responde. ‘Em quê?’, quer saber o velho. ‘Sou zagueira do Bangu.’” Conclui Saldanha: “Pega mal, vocês não acham?”
Saldanha morreu em 1990, durante a cobertura da Copa na Itália. Não teve a oportunidade de assistir ao desenvolvimento do futebol feminino. Se tivesse assistido a disputa da medalha de ouro nos Jogos de Pequim, certamente, se envergonharia do que disse. A partida entre Brasil e Estados Unidos teve de tudo: estratégia, técnica, arte, emoção, acidentes, erros – tudo que faz do futebol um esporte especial, único.
Crédito da foto: AFP
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte
Tags: futebol feminino, João Saldanha, Jogos Olímpicos, Pequim
20/08/2008 - 16:26
Não bastassem os argentinos e uma parte dos jornalistas brasileiros, que ainda estão se divertindo com o fracasso da seleção na China, Ronaldinho e Dunga ainda vão ter que conviver com a piada pronta que chegou hoje às bancas: “As férias de Kaká”. De sunguinha preta e óculos escuros, o craque aparece na capa de “Caras”, ao lado da mulher, num daqueles “flagrantes” que parecem consentidos, curtindo o sol da Sardenha. Kaká e Caroline surgem em 14 fotos se beijando e namorando na piscina do Pitrizza Hotel, em Porto Cervo – “tida como uma das pérolas da Sardenha”. Tudo bem que você não foi aos Jogos Olímpicos, mas não precisava humilhar, né, Kaká?
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte
Tags: Jogos Olímpicos; seleção brasileira; Kaká; Ronaldinho
20/08/2008 - 11:33
Na sexta-feira, recebi um telefonema de um serviço bancário. “Sr. Mauricio José?” Sim, respondo. Quando, do outro lado da linha, a pessoa pergunta pelo “Sr. Mauricio José?”, já sei que é telemarketing. “Gostaria de oferecer novos serviços do banco X”, ela propõe. “Pois não”, digo, com excepcional bom humor. “Antes, preciso que o sr. confirme alguns dados pessoais”. O bom humor desaparece. “Se a sra. precisa confirmar dados, prefiro que envie a oferta por e-mail”. Ela se corrige: “Vamos fazer o seguinte: vou explicar quais são os novos serviços e, se o sr. tiver interesse, aí o sr. confirma os dados”. Ela, então, explica quais são os três novos serviços do banco e eu, prontamente, digo que não tenho interesse. Educada, ela agradece e desliga.
Segunda-feira. Toca o telefone: “Sr. Mauricio José?” “Pois não”, respondo. “Gostaria de oferecer novos serviços do banco X”. Interrompo a ligação. “Não tenho interesse. Obrigado”. Lembro que me perguntei: “Mas ela não sabia que eu recusei essa oferta dois dias atrás?”
Terça-feira, meio da tarde. Toca o telefone: “Sr. Mauricio José?” E eu, já meio grosso: “De onde é?” Ela: “Do banco X”. Eu: “Mas não é possível!!! É a terceira vez que me ligam em três dias! Você não pode anotar aí, no sistema, que eu não quero mais receber ligações do X?” E ela, educadamente: “Pois não. Vou registrar aqui.”
Acredite se quiser, mas uma hora depois desta ligação o telefone tocou novamente: “Sr. Mauricio Jose?” Pensei que era trote. “Gostaria de oferecer novos serviços do banco X”. Acho que demonstrei calma ao falar: “Mas acabei de receber uma ligação do banco X e pedi para não ser mais incomodado com ligações de vocês. Você não tem isso registrado no seu sistema?” Ela: “Um momento. Deixa eu consultar…”. Alguns segundos se passam e ela volta. “Acaba de entrar. É verdade. Está aqui: ´o sr. não foi receptivo´. Acabou de entrar.”
Tenho medo que essa informação (“o sr. não foi receptivo”) cole em mim, qual uma placa de advertência: “Indivíduo perigoso”, ou “Paciente contaminado”. Sei lá. Em um episódio de “Seinfeld”, o melhor seriado de todos os tempos, Elaine cria caso no consultório de um dermatologista e, a partir de então, em todo médico que vá, descobrirá que no seu prontuário consta o registro que é uma criadora de caso. Que medo!
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo
Tags: Telemarketing
19/08/2008 - 23:18
Dona Neném, viúva de Manacéa, compositor da Velha Guarda da Portela, faz uma revelação curiosa em “O Mistério do Samba”, documentário de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, que estréia no próximo dia 29. Ela afirma que, logo após a morte do marido, em 1995, foi procurada por “um repórter”, que perguntou se Manacéa havia deixado composições inéditas. Dona Neném revela aos cineastas que entregou um caderno, repleto de anotações, para o tal jornalista e nunca mais o viu.
Lula Buarque conta que pensou em lançar o filme com uma promoção – “Quem está com o caderno de Manacéa?”. Mas desistiu da empreitada, na esperança de que, com a estréia de “O Mistério do Samba”, esse outro mistério seja desvendado. A esperança é a última que morre… Você tem alguma informação sobre o caderno de Manacéa?
PS. Publiquei nesta quarta-feira uma reportagem no Ultimo Segundo sobre o filme.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags: O Mistério do Samba; Manacéa; samba
18/08/2008 - 10:18
O José Simão já disse que o Brasil é medalha de ouro em medalhas de bronze. Eu acrescentaria: somos medalha de ouro em choro. O mais recente era pule de 10. Assim que a câmera começasse a gravar, Fabiana Murer ia chorar. A vara dela sumiu momentos antes do salto. Fabiana reclamou, protestou, perdeu a concentração, não se classificou. Depois do fiasco, sentou, ficou olhando as concorrentes, pensou, refletiu… E, então, diante das câmeras, chorou.
Na ginástica, não custa lembrar, o Brasil ganhou várias medalhas. Disputou o título de campeão. Daiane dos Santos chegou a pedir, num dos momentos mais curiosos dos Jogos, captados pelas câmeras: “Sem choro, sem choro”. Na ocasião, comemorava-se a classificação para a fase final. Depois, consumada a derrota, mais choro. Diego Hipólito foi um medalhista inesperado – com o agravante de ainda pedir desculpas aos brasileiros pelo fracasso. Como disse o Flavio Gomes, também abro mão da parte que me diz respeito. Nenhum atleta precisa se desculpar comigo.
Por fim, gostaria de dar um pitaco sobre o choro do César Cielo. Já se passaram mais de 48 horas – o que, em termos de internet, significa dizer que já se passaram 48 dias – desde que ele chorou ao vencer a prova dos 50 metros livre nos Jogos de Pequim. Mas continuo com aquelas imagens na cabeça. Por que o choro de Cielo foi tão comovente? Cielo não chorou para as câmeras. Explodiu de alegria, e o choro veio junto. Uma emoção dele, só dele, extravasada diante do mundo.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte
Tags: Jogos Olímpicos; Brasil; choro
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