03/07/2009 - 18:07
Como outras festas literárias, a de Paraty é um local mais para divulgaçäo e promoçäo de livros e escritores do que propriamente para debates profundos e confrontos de idéias. A natureza do evento é festiva – e essa é uma das suas principais atraçöes. A outra é o cenário da festa – a encantadora Paraty.
De certa forma, a mesa que abrigou o escritor afegäo Atiq Rahimi e o brasileiro Bernardo Carvalho acrescentou uma pimenta a este clima festivo. Intitulado “O Avesso do Realismo”, e mediado pela crítica Beatriz Resende, o encontro propiciou o confronto de duas visöes muitos opostas sobre literatura.
Educado em francês e radicado na França, Rahimi defendeu a idéia de que a literatura é universal. Contou do seu encanto, na infância, no Afeganistäo, ao ler os clássicos franceses e defendeu: “O escritor está condenado a ultrapassar fronteiras, a ser errante.”
Carvalho imediatamente rebateu, falando da resistência de diferentes culturas nacionais hegemônicas em aceitarem literaturas de outros países. Também defendeu a posiçäo que a literatura que interessa näo é a universal, mas a particular, que surpreende. “Na arte tem coisas mais interessantes que os bons sentimentos”, disse, arrancando aplausos.
O afegäo sentiu o golpe e recorreu ao francês Roland Barthes, para quem “sempre há um desastre pessoal que nos leva a desastres universais”. Em seguida, disse: “Näo é uma questäo de bons sentimentos, mas projetar-se na sociedade. Falo das minhas próprias feridas.”
Beatriz Resende propôs entäo uma questäo sobre o tema da guerra, presente tanto nos romances de Rahimi quanto no mais recente de Carvalho, “O Filho da Mäe”, passado na Rússia e na Tchechênia. O brasileiro contou que sempre se impressionou com uma frase do cineasta Jean-Luc Godard, para quem “se o mundo fosse governado pelas mulheres, näo haveria guerra”. “Náo é verdade”, disse Carvalho. “O amor incondicional é a origem das guerras. Quem ama também mata. Defendendo os seus filhos”.
Rahimi contou de seu retorno ao Afeganistäo, em 2002, procurando as suas “pegadas”, sem encontrar nada. “Tudo acaba. Descobri essa energia quando voltei. É essa idéia que dá energia às pessoas para viver.”
Carvalho falou da descoberta, em suas viagens, do medo. “Descobri que o medo é um motor importante da minha literatura. O medo distorce a realidade”, explicou.
Um encontro, enfim, mais de desencontros do que encontros, mas interompido pelo tempo. A brevidade do evento näo permitiu que as divergências evoluíssem para um debate.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags relacionadas: Atiq Rahimi, Bernardo Carvalho, Flip, Paraty
02/07/2009 - 12:16
Como tenho andado muito pelo Twitter acabei achando o seu perfil, onde você se apresenta como “cantor, compositor, poeteiro, blogueiro e AGORA jornalista”. Acredito. Mas, lendo o texto que você postou nesta quinta-feira em seu blog, “Sarney VENCEU”, não posso deixar de pensar que essas qualificações todas não foram suficientes para te fazer entender o que aconteceu nos últimos dias. Nem te ajudaram a ter uma perspectiva histórica dos acontecimentos.
Escrevi há algumas semanas um longo texto contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista, no qual dizia, entre outras coisas:
1. O que é preciso saber e aprender para ser jornalista? É uma questão polêmica. Há alguns consensos: é preciso ter cultura geral e domínio total da língua portuguesa. Conhecer história é fundamental. Matemática e estatística são conhecimentos necessários. Ética. Direito. É preciso ter o hábito de ler jornais e revistas, ter gosto pela informação. Ter espírito crítico, ser capaz de compreender a realidade em que vive, é outro atributo obrigatório.
Tenho a impressão, lendo o seu blog, que te faltam todos esses atributos. Um sinal evidente disso é a sua idéia de que o movimento “Fora Sarney” começou e acabou na Internet no espaço de uma ou duas semanas. Quer dizer, você propõe uma manifestação contra um político que está aí, na estrada, há mais de 50 anos, só aparecem uns gatos pingados e você conclui que o movimento fracassou? Como assim?
Esse teu texto também me lembra aquele garoto que leva a bola para o playground, se irrita porque perdeu a primeira partida e vai embora, levando a bola e impedindo o jogo de continuar.
Neste caso, porém, nem isso é possível. Se você se preparar um pouco mais para os embates da política, verá que essa partida que você quis jogar – e acaba de de desistir – já está em andamento há muito tempo, e não tem data, ainda, para terminar.
Atualização às 13h: Tico Santa Cruz responde:
Cerca de 30 minutos depois de entrar no ar minha carta-aberta, Tico Santa Cruz manifestou-se sobre o texto por meio de curtas mensagens enviadas via Twitter. O músico disse, primeiro: “Caro jornalista, reconhecer uma derrota como PESSOAL, significa uma reflexão interna, não geral. A meu ver é 1 passo p mudar”. Em seguida, postou: “Reconhecer a derrota não significa DESISTIR, significa que sou capaz de mudar a estratégia, não me julgue sem conhecer.” E completou: “Caso o contrário estará repetindo o mesmo padrão dos TANTOS internautas que emitem opiniões sem se aprofundar nas ações”.
Ontem, Santa Cruz havia escrito no Twitter: “Vocês estão cobertos de razão. Desculpem. Estou me retirando. Reconheço quando perdi. Não consigo + argumentar.” Em seu texto, no blog, também escreve, dirigindo-se a Sarney: “devamos entender que eles e vossos pares estão certos e que por conseguinte o Senhor deve seguir as orientações do Querido Presidente LULA e permanecer presidindo a casa.”
Fica aqui, em todo caso, a posição oficial de Tico Santa Cruz: ele não desistiu do “Fora Sarney”. Ainda bem.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Brasil, Cultura, Internet
Tags relacionadas: Fora Sarney, Tico Santa Cruz, Twitter
02/07/2009 - 10:39
As cenas de fervor religioso exibidas pela seleção brasileira depois da conquista da Copa das Confederações ainda repercutem no mundo. Ao ver os jogadores brasileiros ajoelhados rezando no meio do gramado, comandados pelo zagueiro Lucio, um narrador da rede britânica BBC observou que o capitão da seleção “parecia um pregador evangélico pela emoção com que proferia cada palavra”. Em texto publicado em seu blog, no site da BBC, o jornalista Ricardo Acampora escreveu:
“Num lugar como a Grã-Bretanha, onde o povo está acostumado a conviver respeitosamente com diferentes religiões, surpreende o fato de atletas usarem a combinação entre um veículo de grande penetração como a televisão e a enorme capacidade de marketing da seleção brasileira, para divulgar mensagens ligadas a crenças, seitas ou religiões.”
E disse ainda:
“Se arriscam a serem confundidos com emissários de pregadores dispostos a aumentar o número de ovelhas de seus rebanhos às custas do escrete canarinho, como emissários evangélicos em missão. Para os críticos deste tipo de atitude, isso soa oportunismo inadequado e surpreende ver que a Fifa não se opõe a que jogadores se descubram do “manto sagrado” que os consagrou para exibir suas preferências religiosas.”
A repercussão negativa não se restringiu à Inglaterra. O jornal “O Estado de S.Paulo” informa nesta quinta-feira que a Fifa “mandou um alerta à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos”. Escreve o jornalista Jamil Chade:
“Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes europeus hoje. Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo. Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir a seleção brasileira.”
Ouvido pelo jornal, Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa, confirmou que pediu à Fifa que tome providências no sentido de reprimir manifestações como as realizadas pela seleção brasileira na África do Sul.
Como no domingo, depois de Brasil e Estados Unidos, nesta quarta-feira, ao final de Corinthians e Internacional, alguns jogadores da equipe paulista vestiram sobre o uniforme uma camiseta com as palavras “I Love Jesus”. Mas, diferentemente do que ocorreu na Copa das Confederações, foram manifestações isoladas, e não houve em campo nenhum ato religioso promovido pelo grupo corintiano.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte
Tags relacionadas: atletas de Cristo, fervor religioso, Fifa, I love Jesus, Lucio, reclamação, seleção brasileira
01/07/2009 - 11:38
Há dois dias, Ronaldo fez uma ótima observação sobre o excesso de concentração no Corinthians. Disse ele: “Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio venceria sempre. Temos que fazer o máximo para conseguir esse título e passar o resto do ano mais tranquilo, porque eu, particularmente, estou cansado”.
A frase teve muita repercussão, mas pouca discussão - e não lembro de ter lido nenhuma menção ao seu autor original, o jornalista João Saldanha (1917-1990), que disse: “Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão invicto.” Desde o final da década de 60, Saldanha defendia a idéia que os excessos da concentração eram desnecessários e que os jogadores de futebol, em sua maioria, tinham consciência que o desempenho em campo estava relacionado ao bom estado físico.
Saldanha foi um dos precursores no futebol da idéia de oferecer “liberdade com responsabilidade” aos atletas. Adotada em outros países a partir da década de 70, a proposta nunca encontrou eco no Brasil, salvo em raros episódios, como a Democracia Corintiana, liderada por Sócrates, na década de 80.
Mano Menezes evitou polemizar com Ronaldo, mas defendeu o rígido regime de concentração adotado pelo Corinthians: “É um sacrifício explicável num momento como esse”, disse, encerrando o assunto.
Como ocorreu com Saldanha, Ronaldo pregou no vazio. Creio que no ambiente do futebol brasileiro permanece forte a idéia que os jogadores, em sua maioria, são crianças irresponsáveis, que só pensam em se divertir, e que precisam ser tuteladas.
Estou com Saldanha e Ronaldo: acho que concentração não ganha jogo. O que você acha? Por que esse debate não prospera no Brasil?
Aproveito para recomendar duas leituras a quem se interessar em conhecer um pouco mais das idéias de João Saldanha. São duas ótimas biografias sobre o jornalista; “João Saldanha – Sobre nuvens de fantasia”, de João Maximo (Relume Dumará), e “João Saldanha – Uma vida em jogo”, de Andre Iki Siqueira (Companhia Editora Nacional).
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte
Tags relacionadas: Concentração, Futebol, João Saldanha, Mano Menezes, Ronaldo, Se concentração ganhasse jogo...
30/06/2009 - 16:01
Ashton Kutcher é conhecido no Brasil por três motivos principais: fazia o garotão mais bobão no seriado “That´s 70 Show”, casou-se com a atriz Demi Moore e é o perfil mais popular do Twitter, seguido por 2,5 milhões de pessoas.
Bem-humorado, no último domingo, provocou os brasileiros que o seguem no Twitter enquanto os Estados Unidos venciam o Brasil por 2 a 0 na Copa das Confederações. Encerrada a partida, foi alvo de um massacre virtual, aos gritos de “chupa!”. Aceitou a brincadeira com fair-play, tanto que postou a palavra “chupa” no seu Twitter, elevando-a, para orgulho nativo, à categoria de assunto mais quente da rede por algumas horas.
Embalados por essa ajudinha do boa-gente Kutcher, o apresentador Marcos Mion, o músico Junior Lima e o ator Bruno Gagliasso, entre outros, se juntaram num grupo chamado Os Piratas numa campanha para convencer o ator americano a postar as palavras “fora Sarney” no seu Twitter. A campanha transformou-se numa das maiores piadas da curta história do Twitter brasileiro.
Primeiro, enviaram uma mensagem para Kutcher, em inglês: “Hey, Ashton, por favor diga #forasarney e ajude o Brasil a afastar seu senador corrupto”. Como Kutcher não respondeu, o irmão da Sandy insistiu: “Estamos lutando pelo fim da corrupção no nosso governo! Precisamos da sua ajuda! Apenas escreva #forasarney”.
Depois foi a vez de Marcos Mion. Sua primeira mensagem dizia: “Ashton, sou um VJ da MTV Brasil. Veja um trecho do meu programa”. Em seguida, foi a vez de Junior, de novo: “Vamos lá, cara. É só para finalidades midiáticas. Você é importante para fazer nossa opinião importante. #forasarney”. Mion insistiu: “Ashton, o Brasil precisa da sua ajuda! Escreva #forasarney para nos ajudar a combater a corrupção no nosso país! Por favor! O Brasil te ama! Feijoada! Samba!”.
Até que Kutcher se encheu e respondeu: “Para os brasileiros; só VOCÊS têm o poder de afastar seu senador. É o SEU país. VOCÊS devem lutar pelo que acreditam. Eu não tenho voto”. Mion então escreveu: “Putz… O Ashton disse que não pode ajudar! Que nós temos que lutar pelo nosso país. Fuck…”
Minha sugestão, caso alguém se interesse em saber, é a seguinte: Marcos Mion, Junior Lima e companhia limitada deveriam, como prêmio por este desempenho no Twitter, ser convidados a participar da próxima edição de “A Fazenda”.
Hit no Twitter, um vídeo muito divertido, criado pelo blogueiro Carlos Cardoso, resume esta história aqui.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Colunismo social, Esporte
Tags relacionadas: Ashton Kutcher, Bruno Gagliasso, Fora Sarney, Junior Lima, Marcos Mion, Sandy, Twitter
30/06/2009 - 08:35
O sucesso do movimento que emplacou a palavra “chupa” como a mais mencionada no Twitter depois da partida entre Brasil e Estados Unidos me lembrou que usei exatamente esta palavra no esforço de explicar o sucesso do diário “Lance!”.
Em “História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo”, recém-publicado, uma das questões que enfrento diz respeito ao público do jornal, hoje o principal diário esportivo do país. Relato no livro que o objetivo inicial, em 1997, era atingir um público jovem, de classe média, mas o jornal alcançou sucesso junto a outros públicos também. Com base em dados estatísticos disponíveis, e analisando o conteúdo do jornal, bem como as cartas enviadas ao “Lance!” nos seus primórdios, eu escrevo:
“Imagino que um leitor do Lance! é o jovem de classe média abonada, que vai à janela do apartamento gritar “chupa!” quando seu time ganha e, dessa forma, mantém-se à distância, protegido, de um outro leitor do jornal, o jovem de origem humilde que passa embaixo, na calçada, e não pode alcançá-lo. A julgar pelas cartas enviadas ao jornal, esses dois universos comungam de vocabulário limitado e acreditam que o jornal não apenas é uma fonte de informação esportiva, mas um espaço para tripudiar dos colegas e, eventualmente, conseguir uma camisa autografada do seu ídolo.”
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte, jornalismo
Tags relacionadas: "chupa", Lance!, Twitter
29/06/2009 - 11:47
Além das restrições à liberdade e da perseguição feroz a opositores políticos, a ditadura brasileira mais recente (1964-1985) serviu para diferentes acertos de contas e caças às bruxas. Um dos episódios mais chocantes, muito conhecido, mas pouco documentado, ganhou luz extraordinária neste domingo, graças a uma reportagem de Bernardo Mello Franco, publicada no jornal “O Globo” (infelizmente, não disponível para leitura na Internet).
Com base em documentos do Arquivo Nacional, o repórter descreve as atividades de uma Comissão de Investigação Sumária, instalada dentro do Ministério das Relações Exteriores, que deu origem a 44 cassações em abril de 1969, no maior expurgo da história da diplomacia brasileira. Perderam o cargo 13 diplomatas, oito oficiais de chancelaria e 23 servidores administrativos.
Em vez de perseguir comunistas ou simpatizantes da esquerda, como fizeram diferentes órgãos públicos na época, incluindo várias universidades, o Itamaraty foi atrás de funcionários por conta de seus comportamentos na vida privada.
As principais vítimas da comissão foram os homossexuais. Também foram perseguidos diplomatas com vida “desregrada” ou pouco convencional – caso de Vinicius de Moraes, cassado por ser boêmio.
Criada pelo então ministro José de Magalhães Pinto (1909-1996) e chefiada por Antonio Cândido da Câmara Canto, a comissão manifestou publicamente sua homofobia na justificativa da demissão de 7 dos 15 pedidos de demissão de diplomatas: “Pela prática de homossexualismo, incontinência pública escandalosa”. Em três casos, relata Mello Franco, a justificativa da demissão foi “incontinência pública escandalosa, decorrente do vício de embriaguez”.
Outros dez diplomatas, “suspeitos de homossexualismo”, deveriam ser submetidos a “cuidadoso exame médico e psiquiátrico” – sugestão acatada também por Magalhães Pinto.
A reportagem descreve com mais detalhes o caso de Vinicius de Moraes – o mais famoso personagem da degola. O poeta conseguiu manter o bom humor mesmo neste momento negro. Ao saber que as demissões atingiram homossexuais e boêmios, apressou-se em dizer: “Eu sou alcoólatra!”
Por coincidência, a mesma edição de “O Globo” que traz esta importante reportagem publica, oito páginas adiante, um anúncio da família Magalhães Pinto, convidando para missa pelo centenário do nascimento do político mineiro, a ser realizada nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil
Tags relacionadas: Bernardo Mello Franco, homossexuais, Itamaraty, O Globo, Vinicius de Moraes
28/06/2009 - 11:09
Rubens Barrichello é um personagem fascinante, para o bem e para o mal. É alvo permanente de críticas e, sobretudo, de piadas por conta de seu desempenho algo errático, para não dizer frustrante, nas pistas. De um modo geral, o piloto reage com fleuma às ironias – o que conta muitos pontos a seu favor.
Rubinho estreou no Twitter na última terça-feira, 23 de junho, alguns dias depois de Nelsinho Piquet. No dia seguinte, passei 17 horas conectado na nova rede social com o objetivo de escrever uma reportagem para o Último Segundo, Um dia no Twitter, publicada neste domingo.
Fiquei impressionado com a quantidade de piadas dedicadas a Rubinho e seu perfil no Twitter. Cheguei a pensar em propor à turma do Casseta & Planeta a realização de um concurso de piadas sobre o piloto. Helio de la Peña, autor de um dos gracejos sobre o assunto, poderia organizar. Ou então Felipe Andreoli, do CQC, autor de outra piada. Reproduzo abaixo algumas que rolaram na rede na última quarta-feira e uma, a última, que li na sexta-feira:
@julianoromao: É impressão minha ou depois q o @rubarrichello entrou no Twitter….o Twitter ficou mais lento?!?!?! Hahaha
@pedrotourinho: Em ultimo lugar não fico mais, @rubarrichello no twitter!
@andreolifelipe: Parece: impossível, mas sim dá pra ficar atrás do Rubinho…é só segui-lo no twitter. Agora vai…(@rubarrichello).
@jaymefreitas: O Barrichello gosta do twitter porque pelo menos aqui alguém o segue
@renatacarolina: Meu computador está mais lento que o Barrichello na F1 ;(
@bernardoleitao: Rubens Barrichello se rende ao Twitter http://migre.me/2M8O Bem que eu notei o twitter esta mais lento
@rafaMONDINI: E olha que não é muito difícil seguir o Barrichello ein! Difícil é conseguir não ficar na frente dele! Hahahahaha
@nettaum86: Barrichello é o “segundo” piloto brasileiro a ter twitter… que sina hein.. eu tento segui-lo.. mas eu sempre o ultrapasso!.. =P
@RicaPerrone: Rubinho Barrichello - O segundo brasileiro na F-1 a ter um Twitter. É impressionante… hahahahahaha
@lapena: rubinho tá no twitter.(@rubarrichello).ele só segue uma pessoa. acho que é o piloto inglês jenson button
@Cardoso: Fora Sarney, Fora Gilmar, Fora reitora da USP… se sair todo mundo, o Rubinho chega em primeiro?
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet, televisão
Tags relacionadas: Casseta & Planeta, Helio de la Peña, piadas, Rubens Barrichello, Rubinho, Twitter
26/06/2009 - 00:03

Fui encarregado pela “Folha de S.Paulo”, em 15 de outubro de 1993, de escrever a matéria principal sobre o primeiro show de Michael Jackson em São Paulo, no estádio do Morumbi. No dia seguinte, o jornal publicou um caderno especial chamado “Megashows”, de quatro páginas, dedicado à cobertura do evento.
Relendo o texto, escrito na correria, em poucos minutos depois do encerramento do show, vejo que não guardei nenhuma lembrança especial do evento – sinal de que não gostei do espetáculo. Reproduzo-o abaixo:
Michael chora no palco e leva fãs à histeria
Uma megahisteria tomou conta do Morumbi, ontem, às 21h34, quando Michael Jackson deu finalmente início ao megashow mais esperado do ano no Brasil. Até que ele aparecesse no palco e começasse a cantar ainda se passaram quase dez minutos, período em que a platéia estimada entre 70 mil e 80 mil pessoas chegou ao delírio, como num jogo de futebol, gritando “Maicô”, “Maicô”.
Exatamente às 23h30, 115 minutos após essa apoteose – e aos gritos de “I love you”, “I love you” – Michael Jackson abandonou o megapalco armado no estádio, deixando a platéia entre perplexa e frustrada. Em Buenos Aires, há uma semana, o cantor se exibiu durante duas horas e vinte minutos e cantou um bis (“Man in the Mirror”).
A parafernália de efeitos – explosões de fogos, cascatas de luzes, fumaça colorida etc. e tal – precede a voz de Jackson em cada música e serve como senha para a histeria da platéia alcançar níveis beatlemaníacos. Antes de cantar pela primeira vez, Jackson chega a ficar três minutos estático no centro do palco, provocando delírio e desmaios entre o público.
Ao começar a cantar “Jam” – a música que abre “Dangerous” – o impacto causado pelo volume de som acaba escondendo a voz de Jackson. Entre a terceira e a quarta música (“Human Nature” e “Smooth Criminal”), a platéia colocada na arquibancada, a mais distante do palco, chega a ensaiar um corinho de “aumenta o som!”. Esse problema acompanhou todo o show.
Por alguns segundos, às 21h48, Jackson se dirige à platéia, perguntando em inglês: “Como vão vocês?”. Evidentemente, a resposta foi apenas um grunhido de milhares de vozes.
Às 21h30, quatro minutos antes do início do show, o capitão da Polícia Militar Flavio Jarí Depieri estimava o público no Morumbi em cerca de 70 mil pessoas (86 mil ingressos foram colocados à venda). No meio da música “I Just Can´t Stop Loving You”, como previsto, Michael puxa uma menina da platéia, ela balbucia um “I Love you” e se agarra firme no astro. Ao fim da canção, Jackson se ajoelha e demonstra estar chorando. Diz: “I love you”. Foi lindo.
Cerca de 50 pessoas desmaiaram entre a primeira e terceira música do show, somando-se às cerca de 250 pessoas que desmaiaram antes do início. A maioria dos atendidos pelo Unicor apresentavam os mesmos sintomas: falta de ar, fraqueza e crise de choro. Todos tomaram água com açúcar e voltaram para o gramado. Para chorar com Michael Jackson.
(Publicado na “Folha de S.Paulo” em 16 de outubro de 1993. Colaborou Luiz Carlos Duarte.)
Em tempo: A magnífica foto, prejudicada por meu scanner caseiro, é de Antonio Gaudério
Em tempo 2: Publiquei no Último Segundo, no final da noite de quinta-feira, o texto Michael Jackson não morreu, com minhas previsões sobre a transformação do músico em mito.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo
Tags relacionadas: 15 de outubro, 1993, Antonio Gaudério, Folha de S.Paulo, Michael Jackson, show em São Paulo
25/06/2009 - 14:42
No “New York Times” chama-se esta técnica de “cláusula Quem” e foi desenvolvida pelo “mestre” Robert McG Thomas Jr., um dos mais notáveis jornalistas que passaram pela seção de obituários do jornal. Trata-se do esforço de síntese de resumir numa única frase a vida de uma pessoa. Eis a frase, na minha visão perfeita, com a qual o jornal acaba de anunciar a morte de Farrah Fawcett.
Farrah Fawcett morre de câncer aos 62
Farrah Fawcett, atriz, estrela de televisão e fenômeno da cultura pop, cujo visual e penteado influenciaram uma geração de mulheres e, começando com um famoso pôster como pinup, enfeitiçou uma geração de homens, morreu na quinta-feira, em Santa Mônica, Califórnia, de acordo com Paul Bloch, seu porta-voz. Ela tinha 62 anos e estava lutando contra o câncer desde o final de 2006.
E aqui o texto na versão original (desculpe pela tradução apressada)
Farrah Fawcett Dies of Cancer at 62
Farrah Fawcett, an actress, television star and pop-culture phenomenon whose good looks and signature leonine hairstyle influenced a generation of women and, beginning with a celebrated pinup poster, bewitched a generation of men, died on Thursday in Santa Monica, California, according to Paul Bloch, her spokesman. She was 62 and had been battling câncer since late 2006.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo
Tags relacionadas: cláusula Quem, Farrah Fawcett, New York Times, obituários
25/06/2009 - 09:49
Três semanas depois de estrear, “A Fazenda” já escreveu seu nome na história da televisão brasileira, com lugar de destaque no capítulo sobre o que de pior, involuntariamente, já foi produzido em estúdios nacionais.
A discussão entre Dado Dolabella e Britto Jr., quarta-feira à noite, ao vivo, é desses momentos que renovam a esperança do espectador numa espécie de lei de Murphy da televisão, a saber: qualquer programa ruim sempre pode piorar – para alegria de quem se diverte com atrações capengas, mal feitas e mal dirigidas.
O chamado “trash” televisivo é um gênero que exige falta de recursos, falta de traquejo e falta de humor. O resultado dessa rara combinação é o humor involuntário, a graça inesperada, a diversão nas franjas.
Para quem não viu, já há cópias da cena no You Tube. Começa pela indicação de Dado para o paredão pelo ator Jonathan Haagensen. Indicação merecida, já que, de manhã, Dado havia chicoteado as costas de Miro Moreira, confundindo-o com a vaca que deveria colocar no curral. Dado, no vídeo, não reclama da indicação. Entende e aceita. Mas protesta contra a direção do programa.
Dado conta que havia combinado receber o remédio que toma contra insônia, mas fora informado, na véspera, que não receberia a dose combinada. Deixa implícito que o seu comportamento foi influenciado pela falta do tarja preta e de uma noite sem dormir. Britto Jr., com aquele seu admirável jogo de cintura, começa a discutir com Dado, acusa-o de dizer uma “meia verdade” e defende a direção, argumentando que o ator deveria fazer o seu pedido no confessionário (aqui chamado de “câmera do desabafo”), e não pelos cômodos da casa.
São cinco minutos históricos, que deveriam ensinar muita coisa à Globo. Aprendendo enquanto faz, a Record, depois de tanto copiar, finalmente inovou em matéria de reality show: roupa suja se lava em público. Acabou o confessionário! Boninho, que já deu muita bronca em candidato do BBB (lembra-se da Mirla?), deve estar se perguntando como superar esse “golpe”. Com “A Fazenda”, os “desabafos” são agora um direito do público. Parabéns.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão
Tags relacionadas: A Fazenda, BBB, Boninho, Britto Jr., Dado Dolabella, Globo, Record, tarja preta
23/06/2009 - 12:33
Cobrinha entrou no buteco e botando dois tista no balcão pediu pro coisa
– Dois de gozo
Coisada atendeu à la minuta Largou no copo talagada e pico de água-que-passarinho-não-topa e sem tirar a botuca da cara do cobrinha empurrou o getulinho
– Tou promovendo a bicada
Depois de enrustir o Nicolau e derramar gole pro santo cobrinha mandou o lubrificante guela abaixo Já o desguiava quando pulga mordeu ele atrás da orelha e ele falou pra dentro “Quero ser mico catar bagana e coisa e loisa se nessa coisa do coisa não tem coisa” Então voltou e falou pra fora
– Promovendo por que?
– Acertei um totó no veado…
– Que tem isso com o peixe?
– Por causa do mano
fez coisada que patolando um jornal mostrou pro cobra
Começa assim, de forma desconcertante, a novela “Desabrigo”, escrita por Antonio Fraga em 1942, publicada três anos depois e logo elevada à categoria de lenda literária. Escrita inteiramente em gíria, narra as aventuras de Cobrinha, um malandro carioca, e transformou seu autor num mito, elogiado por Oswald de Andrade, que observou, em 1947: “O Fraga foi um pioneiro. Hoje ele não é mais o único escritor que escreveu usando gíria, mas pode ser considerado o fundador deste estilo”.
Desde a primeira edição, “Desabrigo” se faz acompanhar por um glossário, que ajuda a decifrar algumas das gírias usadas pelo autor. Das citadas no texto acima, o glossário esclarece as seguintes: Getulinho: moeda cunhada com a efígie de Getulio Vargas; Nicolau: dinheiro; Patolando: pegando, apanhando; Tista: tostão; Totó: nota de Cr$ 5.
A trajetória de Fraga (1916-1993) é um grande mistério, em boa parte esclarecido por Maria Célia Barbosa Reis da Silva, que dedicou seu mestrado e doutorado ao estudo da obra e da vida do escritor. Em “Antonio Fraga, Personagem de Si Mesmo”, publicado no final de 2008, Maria Célia descreve Fraga como um intelectual de muitos recursos, mas pouco traquejo social. Era um autor capaz de transformar em literatura a voz dos miseráveis, mas estava, ao mesmo tempo, em permanente diálogo com grandes autores.
Autodidata, sem profissão (foi até lanterninha de cinema em momentos de apuro), Fraga era uma figura famosa no Rio das décadas de 40 e 50, mas a certa altura optou por isolar-se em Queimados, na Baixada Fluminense, onde viveu em dificuldades, e esquecido, até a morte.
Escreveu muito, mas publicou pouquíssimo. A primeira edição de “Desabrigo”, publicada pelo próprio Fraga em parceria com Antonio Olinto, teve grande repercussão, mas quase não vendeu. O mesmo se deu com a segunda edição (Mundo Livre, 1978) e a terceira (Secretaria Municipal de Cultura, RJ, 1990). Depois da morte de Fraga, houve mais uma tentativa de fazer conhecer a sua obra, por meio de “Desabrigo e Outros Trecos”, publicado em 1999 pela Relume Dumará.
O livro que acaba de ser publicado, “Desabrigo e Outras Narrativas” (José Olympio, 208 págs., R$ 30) é, portanto, o quinto esforço de levar a um público maior a obra de Fraga. Trata-se de uma edição caprichada, que conta com uma introdução de Maria Célia Barbosa Reis da Silva, bem como a republicação de várias novelas e contos de Fraga (como “Acalanto” e “O louva-a-deus”), incluindo um inédito (“Crepuscular”).
O volume reproduz, também, uma reportagem sobre Fraga, publicada em 1978 na revista “IstoÉ”, de autoria de Maria Amélia Mello, hoje editora da José Olympio, na qual o escritor é chamado de “Joyce do Mangue”. Sete anos depois, em 1985, ele viria a rejeitar este rótulo, em entrevista ao “Jornal do Brasil”, dada a Zuenir Ventura e a mim, também reproduzida no livro:
Em 1978, a revista IstoÉ me mostrou com o “Joyce do Mangue”, imagina. Eu não sou o James Joyce. Ele escreveu uma parte do livro dele em gíria, mas não viveu o que eu vivi. Foi um rapaz educado em igreja católica e nós não temos nada em comum.
Para quem tem interesse acadêmico no assunto, a nova edição também é de grande ajuda, ao trazer uma relação das obras publicadas sobre Fraga, além agrupar numa lista os principais estudos, reportagens e entrevistas que têm o escritor como objeto.
PS. Em outubro de 2008, à época do lançamento do livro de Maria Célia, escrevi no Último Segundo o texto Biografia e livro de inéditos tentam decifrar o enigma de Antonio Fraga. Na mesma ocasião, publiquei neste blog um texto mais pessoal, A solidão de um grande escritor, no qual relato como conheci Fraga, conto bastidores da reportagem que escrevi a seu respeito e o que ocorreu em conseqüência.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags relacionadas: Antônio Fraga, Desabrigo, IstoÉ, Jornal do Brasil, Maria Amélia Mello, Maria Célia Barbosa Reis da Silva, nova edição, outras narrativas, Zuenir Ventura
22/06/2009 - 12:52
Neste momento delicado que a imprensa escrita vive nos Estados Unidos, qualquer movimento diferente feito por algum jornal é acompanhado com lupa pelos demais. A situação da imprensa brasileira parece ser diferente, mas não deixa de ser instrutivo acompanhar os lances dessa crise americana, e como está se dando a transição da mídia impressa para a mídia online.
O “New York Times” desta segunda-feira dedica um bom espaço para discutir uma decisão editorial de um concorrente, o “Washington Post”. O que surpreendeu o “Times” foi o fato de o “Post” ter publicado apenas na sua edição online uma longa reportagem especial, sobre um misterioso caso policial não resolvido.
“A decisão de manter o texto fora da edição impressa enfureceu muitos leitores que ainda pagam pelo jornal. Também chamou a atenção para as espinhosas questões que os editores de jornais ainda enfrentam ao atender tanto aos leitores das edições impressas quanto online”, escreve o Times. “A maioria dos editores concorda que a edição impressa ainda é o lugar para publicar reportagens investigativas profundas, ao menos para dar a certos leitores uma razão de continuar pagando por notícias”.
Com 7 mil palavras (mais de 40 mil caracteres), a reportagem do “Post” se enquadrava claramente neste critério. O texto é tão longo para os padrões jornalísticos que, mesmo na Internet, foi publicado em duas partes.
Ao investigar as motivações do “Post”, o Times conclui que a decisão de publicar o texto online deveu-se a causas econômicas – economizar papel – e não a uma experiência com o jornalismo online. Editores do “Post” disseram que chegaram considerar a possibilidade de publicar o texto na edição impressa, mas concluíram que ele era muito longo num momento em que os gastos com papel estão entre os custos que devem ser cortados pela empresa.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Internet, jornalismo
Tags relacionadas: crise da imprensa, jornalismo online, New York Times, reportagem investigativa, Washington Post
22/06/2009 - 10:19
É muito tênue a linha que separa um programa “trash”, divertido de tão ruim, de uma atração que causa mal estar e provoca o efeito inverso, deprimindo o espectador. Três semanas depois de sua estreia, “A Fazenda” segue caminhando nesta corda bamba, oscilando entre lampejos de fantasia pop e momentos de puro baixo astral.
Theo Becker foi, até domingo, o tufão de alegria que moveu “A Fazenda”. Infelizmente, descobrimos, jogou dopado, como se diz no futebol. Estava sob efeitos da sibutramina, uma conhecida droga para emagrecer – mais utilizada por mulheres, que ficam à beira de um ataque de nervos, mas também receitada a homens.
“Andressa!”, gritou o ator, em diferentes momentos, na noite de domingo. Cheguei a ficar em dúvida se estava se referindo à ex-namorada, que avisou não ter interesse em reatar o romance, ou à égua, que batizou durante o programa. No final, ao lançar as suas últimas palavras, compreendi: “Andressa, eu te amo. Eu vou lutar por você até o ultimo dia da minha vida”. Muito pragmática, Andressa deu a deixa: “Theo não vai ter tempo de vir atrás de mim, a imprensa vai assediar muito ele”.
Becker fez um balanço muito positivo de sua participação no programa. Ajudou, por exemplo, a acabar com a imagem que a sua “gente” é gay. Britto Jr., coitado, não entendeu. “De quem você está falando? Dos artistas?”. Theo Becker é de Pelotas, Britto. Manja?
A edição mostrou, na sequência, as muitas brigas e confusões que Becker arrumou na fazenda. Também exibiu o ator, ao violão, cantando uma música de Renato Russo. Enquanto Pedro, filho de Leonardo, destruía de forma desafinada a letra, a câmera permanecia focada em Becker, dedilhando o violão e sugerindo que ele fosse o responsável por aquele desastre. Que injustiça!!!
Como escrevi há três semanas, “A Fazenda” tem tudo para se tornar um clássico do “trash” televisivo brasileiro. O mix de subcelebridades e gente estranha escolhida foi perfeito. O problema é como acomodar esse povo no formato que a Record está impondo ao programa.
A mis em scène do paredão da “Fazenda” é uma das coisas mais tristes que já vi na televisão brasileira. Britto Jr.,com todo respeito, mais parece um pastor do que um apresentador, inquirindo os candidatos à porta do Purgatório. Os três “emparedados” sentados sobre malas vintage, como se estivessem numa estação de trem de filme americano da década de 50, não combinam com o ambiente ao redor. Os pais dos candidatos, em pé, assistindo aquilo tudo, a iluminação, a música, o excesso de evocações a Deus, as intervenções de Britto (“Espero que vocês dois sejam homens de verdade”, disse para Theo e Miro), enfim, tudo aquilo dá uma tristeza…
Mas, voltando ao que “A Fazenda” tem de melhor, lanço aqui uma campanha: “Volta Theo Becker!”. Silvio Santos, tenho certeza, não hesitaria em arrumar um jeito de mandar o regulamento às favas e reenviar o ator ao programa, como fez com o lendário Alexandre Frota na “Casa dos Artistas”. Será que a Record encara uma dessas?
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão
Tags relacionadas: A Fazenda, Alexandre Frota, Britto Jr. Record, Casa dos Artistas, sibutramina, Silvio Santos, Theo Becker
20/06/2009 - 14:17
Provocou grande espanto e, mesmo, alguma revolta no ambiente da seleção brasileira uma declaração do goleiro Buffon, da Itália: “Podemos vencer o Brasil, depois a Espanha na semifinal e novamente o Brasil na final”. O que há de errado na frase deste campeão do mundo, titular da sua seleção há anos?
No mundo do futebol reina um código próprio, com regras, preceitos morais – e alguns clichês – muito peculiares. Um deles é a idéia de que deve-se sempre “respeitar o adversário”. Pode ser Brasil contra Nova Zelândia, Corinthians contra time de casados e solteiros, o blábláblá nas entrevistas é sempre o mesmo. “Temos que respeitar o adversário”.
O oposto de “respeitar o adversário”, na cabeça dos boleiros, é “menosprezar” o rival. Ou seja, falar que o seu time é favorito ou tem tudo para vencer implica, nesta lógica, considerar abertamente que o seu adversário é inferior a você.
Pior que isso, jogadores e técnicos acreditam que uma frase que “desrespeite” o adversário tem a força de servir como motivação em campo. Quantas vezes você já não ouviu, depois de uma partida em que o time “menor” venceu o “grande”, algum jogador dizer que encontrou forças para se superar em campo só porque o craque adversário disse, na véspera do jogo, que era favorito para vencer. Você acredita nessa bobagem?
Voltando a Buffon, o goleiro não disse que considera uma moleza a Itália ganhar do Brasil. Ele apenas deixou claro que vê o adversário como um igual e, mais que isso, sente-se em condições de vencê-lo. Por que a franqueza incomoda tanto no futebol?
PS. Falando em Copa das Confederações, compartilho com o leitor que ainda não viu uma entrevista de Joel Santana. técnico da África do Sul, que caiu no You Tube e está fazendo muito sucesso.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte
Tags relacionadas: "respeitar o adversário", Brasil, Buffon, clichês do futebol, Itália