Permitir a todos viver livremente o desejo de …ver um desconhecido sem roupas. Estudantes, professores, artistas, diferentes ocupações entre as 24 pessoas que aceitaram se exibir para o mundo no projeto do artista alemão Sebastian Kempa. Os usuários do site podem despir as pessoas com um click. O que interessa não é a aparência, mas a verdade, diz Kempa. http://www.naked-people.de
Tudo sempre é mais complicado do que parece, ao menos desse modo tem sido a realidade, e a realidade da inglesa Jade Goody, como se deve, é também assim. Jade tem 27 anos e é uma “ex-Big Brother”. Ela apareceu no programa em 2002, e há sete anos que vive em público, noticiando e divulgando tudo o que lhe acontece. Agora ela decidiu fazer o mesmo enquanto morre. Jade, doente de um câncer incurável, decidiu vender sua história, todos os seus dias, para o jornal The Sun, um tablóide. O show começou no domingo passado, com uma reportagem sobre seu casamento. E ela estará no The Sun todos os dias, até que seu destino a permita. Mas, quanto mais realidade, mais a sensação de que tudo parece uma fantasia, uma invenção, na qual o leitor continua querendo acreditar que tudo terminará bem. O que Jade espera, isso já é outro mistério.
Ele não parecia muito bem quando nos encontramos. Frágil, protegido por um colete de cashmere. Agora, apenas três meses depois, vitima da idade avançada, 17 anos, ou 119 em anos de cachorro, o chihuahua de Mickey Rourke está morto.
Pobre Mickey. Ele amava aquele cachorro. Ele possui até um espaço para cuidar de cachorros abandonados, a maioria Chihuahuas, mas Loki era filho de Beau Jack, o primeiro cachorro de Rourke, e que salvou sua vida (ele tomou uma overdose e foi Beau Jack que o acordou). Loki era seu “melhor amigo”. “Algumas vezes, quando um homem está sozinho, tudo o que ele tem é um cachorro”.
Carole Cadwalladr lembra no jornal The Observer seu encontro com Loki, o chihuahua de Mickey Rourke, morto na semana passada.
O publicitário francês Jacques Séguéia é um veterano. Foi ele quem organizou a campanha da vitória do presidente François Mitterrand na década de 80. Falando para a TV de seu pais sobre o comportamento do atual presidente, Sarkozy, e o gosto do chefe da nação por relógios Rolex, disse que é “um erro de avaliação dos jornalistas” criticar a coleção de relógios de Sarkozy. “Como é possível condenar um presidente da República por ter um Rolex? Enfim, todo mudo tem um Rolex. Se aos 50 anos não se tem um, é porque se fracassou na vida”. Pano rápido.
O ano 1969 não foi apenas erótico, foi também a data de uma alteração de percepção quanto a experiência de voar. Há quatro décadas chegava ao céu o primeiro Boeing 747. O Jumbo Jet. Enquanto conseguia transportar mais pessoas (logo, a possibilidade de popularização do avião), se aperfeiçoava em criar a imagem de viagens aéreas como momento inesquecível de luxo e glamour. O Boeing anunciava , ao mesmo instante, seu apogeu e sua decadência.
Joe Dassin e seu inacreditável “Et si tu n’existais pas”.
“Desde o começo estávamos preparados, sabíamos o que fazer, não tínhamos visto isso uma centena de vezes? – a boa gente da cidade levando a vida, então de repente os programas de TV são interrompidos, os rostos na multidão observam, a garotinha apontando para o ar, as bocas se abrindo, o cachorro latindo, o trânsito parado, a sacola de compras caindo na calçada e lá, no céu, chegando tão perto…E assim, quando finalmente aconteceu, porque estava prestes a acontecer, sabíamos que era uma questão de tempo, sentimos entre nossa curiosidade e terror uma certa calma, a calma da familiaridade.”
Por que o banal se comporta agora como algo extraordinário? As imagens mais comuns parecem sempre estar em volta de uma atmosfera misteriosa, evocativa. Como no trabalho do artista holandês Simon Hoegsbert. Durante 20 dias ele tirou fotos de pessoas atravessando um mesmo ponto em Berlim, na Warschauer Strasse. Em “Todos Vamos Morrer – 100 metros de existência”, ele expõe 178 retratos. E várias sensações. http://www.simonhoegsberg.com/we_are_all_gonna_die/slider.html
Marcelo Rezende é escritor (”Arno Schmidt”; “Ciência do sonho: A imaginação sem fim do diretor Michel Gondry”), curador (”Comunismo da Forma”/SP; “À la Chinoise”/Hong Kong; “Estado de Exceção”/SP) e editor do projeto de publicações da 28a Bienal de Arte de São Paulo: “Em Vivo Contato”.