“Não gosto da caminhada assim, por nada. Pelo prazer de caminhar. Caminho apenas se tenho uma razão particular para fazer isso. Uma razão intensa, existencial. Quando caminho, vejo de fato o mundo e as pessoas, suas histórias, seus sonhos. É um pouco difícil de explicar. Na verdade, posso verdadeiramente falar disso apenas com alguém que viaja assim, caminhando. Isso cria um tipo de conexão profunda. Mas eu diria, em substância, que o mundo se revela para aqueles que viajam a pé. Um homem se revela, a natureza, as paisagens…O mundo se revela assim de um modo verdadeiramente profundo. Nada do que você pode aprender na escola o ensinará tanto quanto viajar a pé”.
“Peço desculpas a Carolina por não ter protestado, em minha recente palestra na Bienal, em sua defesa e contra esse estado brutal de condução da vida institucional. Eu pensava que já estivesse solta. Quem salva o Brasil e a Bienal não é cadeia, é Mário Pedrosa ao dizer que a arte é o exercício experimental da liberdade. E dirigir a Fundação Bienal de São Paulo ou fazer curadoria não pode perder isto de vista.”
“Eu vim para Tijuana para esse ótimo hotel, não pude resistir…” A frase é do sujeito abaixo, um dos participantes do “Bed Jump.com”, que recebe fotos de pessoas que fazem de pular em camas de quarto de hotel uma atividade entre esportiva, recreativa e francamente insana. Há cenas geniais.
No caso de acusação de plágio feita pelo guitarrista Joe Satriani, apontando para a banda Coldplay (Satriani gravou uma composição em 2004, e ela reaparece travestida na canção “Viva la Vida” do grupo britânico), o que mais há de espetacular é uma real ausência de culpados. O Coldplay canta suas angústias adolescentes da classe média inglesa em torno de baixo, guitarra e bateria, cordas e agudos, e uma infalível ausência de genialidade. Roubar uma música? Talvez sim, mas o mais provável é a melodia ter ficado na memória de alguém, perdeu sua origem, e é por isso que o Coldplay alega “coincidência”, porque podem mesmo nem saber que copiaram a obra de outro. Simplesmente esqueceram, não se deram conta no mar de referências onde a cultura se banha. Legalmente podem possivelmente ser culpados, mas amnésia criativa os possibilita verem a si mesmos como inocentes. Música (e cultura) pop tem suas armadilhas…
Late Of The Pier colocando alguma energia nesse cenário com “Heartbeat”.
O sujeito acima é Mickael Vendetta. Ele parece ser francês, e é um caso para a internet européia. Se apresentando como personagem de alguma versão “b” de um filme sobre o agente 007, ele é um sucesso. Atualmente, são 5 milhões de visitantes por mês. Vendetta se define assim: “Físico de Brat Pitt, ambição de Napoleão, Colombo pela conquista. Mickael Vendetta pertence a elite da sociedade. Um produto de marketing que agrada não apenas quem o adora, mas também aos que o detestam”. O texto é em francês, mas as imagens são universais… http://mickavendeta.skyrock.com/
Essa era uma profecia esperando no canto ao lado: os artistas chineses estão sendo as primeiras vítimas do “crash econômico” no mercado de arte. Os preços de obras de artistas chineses tinham se valorizado em mais de mil % desde 2006. Agora, as casas de leilão anunciam que estão encalhando, os preços já perderam 57% do valor, e a coisa ainda parece não ter terminado. Na última semana, 40 galerias de arte fecharam as portas em Pequim.
A Ala dos Namorados deu por concluída a sua carreira. De acordo com o seu manager, em declarações ao Correio da Manhã, o grupo «acaba naturalmente». Já no início de 2009, o vocalista Nuno Guerreiro irá realizar uma digressão com temas seus e êxitos da Ala dos Namorados, recorrendo a «novos músicos e outra sonoridade». Nuno Guerreiro, planeia gravar um segundo disco em nome próprio «mais soul e dançável». Já Manuel Paulo, está em estúdio com o companheiro da Ala dos Namorados, João Monge, a gravar «Pássaro Cego», «um disco conceptual» marcado pela música portuguesa e africana e cantado por Nancy Vieira, acrescenta o Correio da Manhã.
Marcelo Rezende é escritor (“Arno Schmidt”; “Ciência do sonho: A imaginação sem fim do diretor Michel Gondry”), curador (“Comunismo da Forma”/SP; “À la Chinoise”/Hong Kong; “Estado de Exceção”/SP) e editor do projeto de publicações da 28a Bienal de Arte de São Paulo: “Em Vivo Contato”.