2008
“Era necessário, segundo Juliette, para viver mais, viver mais rápido, para ter o tempo de atravessar as estradas, e nós a seguíamos, os dois, hipnotizados, Louis e eu, de hotel Ibis a bangalôs de aluguel, variando os modelos de nossos carros e abandonando um Chevrolet Beretta por uma Ferrari Testarossa nesse estado em que o cansaço cria a alucinação. Porque ela brincava com a gente, Juliette. Era preciso a ela apenas trocar os óculos de sol, mudar seu Balorama por um Bewitching, colocar uma nova fita K7 em seu walkman e pôr uma peruca para viver mil vidas em mil lugares diferentes; ela se ajeitava no fundo de aviões que cortavam o céu em sua impecável trajetória pelo puro prazer de se mover no espaço e conter, como conseqüência, o tempo que banhava todo o planeta”.
“Le Feu d’ Artífice” – Patrick Deville.
Ed Harcourt em desespero com “She Fell Into My Arms”.
Autor: marcelorezende - Categoria(s): Sem categoria Tags:
