“Já foi dito de Marcus Weill que ele está principalmente preocupado com a virtude e com a morte nos filmes que faz, mas a verdade é que seu mais comum tema é que não somos capazes de virtude porque tememos a morte. Ele nos fez acreditar que fugimos da lógica e da ordem porque elas nos lembram que vamos morrer.”
A francesa Françoise Hardy foi um desses sonhos dos anos 60. Bela, sensível, talentosa, encantadora e secreta. Hardy conseguiu se manter discreta sobre seu pensamento ou emoções por décadas. Ela ama astrologia, é casada com o incrível Jacques Dutronc, outro pop star dos 60’s, as informações não passavam muito disso. Hoje, ela lança na França uma surpreendente autobiografia, “Le Désespoir des Singes” . Um esperado “tudo o que você sempre quis saber da vida amorosa de Françoise Hardy” em 416 páginas. Aos 64 anos, ela fala que no livro se apresenta como é: “Uma mulher sentimental e emotiva”. Fofocas, claro, muitas.
“Quando pessoas se encontram em eventos públicos costumam se sentar em cadeiras arranjadas em fileiras. Eu pensei: como seria se as pessoas estivem sentadas em cadeiras arranjadas de modo determinado para reproduzir símbolos muito conhecidos, que foram usados por eras. Nesse contexto, quando alguém escolhe uma determinada formação, a escolha fica visível. E alguém pode sentar-se com um símbolo com o qual não se identifica.”
A recriação de obras, movimentos artísticos e fatos históricos vai tomar conta da Sala Paulo Figueiredo do MAM-SP de 09 de outubro a 21 de dezembro na exposição “Cover = Reencenação + Repetição”, com curadoria de Fernando Oliva. No Auditório Lina Bo Bardi e na marquise, além de outros pontos da cidade, será realizada uma programação paralela repleta de atrações que reúnem performances, happenings, discotecagem e cinema. Entre os destaques da mostra, estão a holandesa Barbara Visser, o coletivo argentino Bumbumbox, os britânicos Jeremy Deller e Mike Figgis e os dinamarqueses Jorgen Leth e Lars von Trier, além de nomes conceituados da arte brasileira, como Dora Longo Bahia, Regina Silveira e Leonilson. A mostra procura investigar o fenômeno da reencenação na produção contemporânea por meio de trabalhos que adotam uma postura crítica diante dos elementos que os inspiram. Fatos históricos, obras emblemáticas, movimentos artísticos, questões políticas, tudo vale como ponto inicial para a criação de novos significados e diferentes pontos de vista no resgate ao passado.
“Você me disse que não poderia acreditar em alguém que não acreditou em você. Eu acreditei em você. Sempre acreditei em você eu apenas não acreditei em mim.”
Andrew McCarthy (como Blane McDonough) em “A Garota de Rosa Shocking”.
Os vereadores da cidade de Dunedin, cansados de sessões sem fim na câmara sobre o melhor lugar para construir um banheiro, aceitaram que não poderiam chegar a um acordo e votaram a construção na região de Lorne Street. A saga sobre onde construir um banheiro público em Dunedin é dura já três anos.
Uma cooperativa de rostos. Um site oferece retratos feitos por diferentes fotógrafos pelo mundo. São pessoas célebres, mas muitas vezes apresentadas em situações raras (como Chiara Mastroianni, acima). Há um sério Pedro Almodóvar ou Ásia Argento vestida de espanhola. No Faces, o espírito é todo esse.
“E então ela se virou para olhá-lo, tinha uma expressão que, de novo, mostrava com uma franqueza desconcertante que percebia qual era o verdadeiro motivo de sua preocupação. Às vezes podemos reconhecer num rosto moderno um olhar do século anterior, mas nunca do século que está por vir. Após um momento a moça foi para junto do pinheiro. Charles continuava no meio da pequena arena”.
Marcelo Rezende é escritor (”Arno Schmidt”; “Ciência do sonho: A imaginação sem fim do diretor Michel Gondry”), curador (”Comunismo da Forma”/SP; “À la Chinoise”/Hong Kong; “Estado de Exceção”/SP) e editor do projeto de publicações da 28a Bienal de Arte de São Paulo: “Em Vivo Contato”.