Usuário é a sua mãe
Ontem o colunista do New York Times, David Pogue, postou em seu blog um texto sobre os jargões da tecnologia. Fez uma lista de termos que poderiam ser substituídos por outros mais claros e precisos. Mas, lendo o post, me ocorreu que certos termos técnicos têm, afinal, um propósito. Servem para mascarar significados.
Por exemplo, Pogue cita “caixas de diálgo”, jargão usado por desenvolvedores de internet. Para ele, o correto seria usar “caixa de mensagens”. O que o termo original esconde é que não há exatamente um diálogo ali. Você deixa uma mensagem e espera uma possível resposta. Isso está bem longe da dinâmica de uma conversa direta.
Outro termo é “usuário”, que já vem sendo usado até como eufemismo para “consumidor de drogas”. É uma palavra um tanto desumanizante. Muito mais fácil e completo dizer “pessoa”. Pelo menos para lembrar de que tratamos de seres com de desejos, necessidades e especificidades.
Mas o termo é sim revelador. Se você usa serviço de bancos via internet, sabe que muitos deles parecem mesmo ser feitos para “usuários” e não para gente. De qualquer forma, não quero saber de “experiência de usuário”. A palavra “experiência” já é suficiente. E chama atenção para o lado psicológico da relação entre pessoas e computadores.
O mesmo vale para “mídia social”. É como se só depois da chamada web 2.0 a mídia tivesse se tornado social. O uso do termo mascara várias concepções ideológicas e políticas. Quem está em que posição desse tal jogo “social”?
Se fomos acreditar no que diz a pesquisadora Danah Boyd, nossa comunicação via internet é um tanto parecida com a dos autistas. Se você lê inglês, confira o argumento aqui. Se não lê, peça nos comentários que, se houver interesse, podemos desenvolver o assunto.
Use a caixa de diálogos para deixar sua experiência de usuário.
Autor: Eduf - Categoria(s): tecnologia Tags: experiência de usuário, jargões, user experience