Abrace uma árvore. Mas leve seu Blackberry
Cansado da tecnologia? Depressivo porque só vê o mundo por meio de telas? Talvez você precise abraçar umas árvores. Pelo menos é no que acreditam Richard Mitchell e Frank Popham, pesquisadores de duas das mais importantes universidades da Escócia.
Em matéria publicada no site da BBC, eles afirmam que mesmo pequenos jardins em quintais podem melhorar sua saúde emocional. Testes realizados com voluntários demonstraram que a exposição regular a ambientes fora de cidades podem ajudar a reduzir a pressão sanguínia, baixar os níveis de estresse e até acelerar a recuperação pós-cirúrgica.
Meus sensores de obviedade já estão apitando.
Já no site Mental Floss, há um post sobre o bom e velho Theodore Roszak, ativista da contra-cultura nos anos 60, considerado o pai da ecopsicologia. Ele acredita que muitas crianças que vivem nas grandes cidades urbanas desenvolvidas sofrem de desordem por déficit de natureza. Uau. É como um mal-estar derivado do que ele chama de repressão dos instintos de contato com a natureza.
Os conceitos fazem sentido e merecem ser investigados mais a fundo. Afinal, não é preciso ser especialista para perceber que realmente precisamos de uma noção de ambiente um pouco mais profunda do que os wallpapers de paisagem do Windows.
Posso desligar a natureza quando cansar?
Mas também não podemos esquecer que, durante a história da humanidade, a chamada natureza foi considerada nossa principal fonte de estresse. Algum teórico do passado deve ter escrito sobre o quanto as cidades poderiam melhorar a nossa saúde e nos livrar de ser comidos por animais.
Onde eu quero chegar? No medo do estresse. Esse é o problema que precisamos atacar. Estejamos no Edifício Copam ou em Jeriquaquara.
Você pode até ir viver no meio da Serra Gaúcha, como eu mesmo fiz. Mas quando começar a chover a cada dois dias, quando houver tanta neblina que você é capaz de enxergar sua sombra no ar, quando ouvir uma orquestra de sapos e grilos todas as noites, certamente o grande monstro da atualidade reaparecerá: o descontentamento.
Trata-se daquele estado emocional que não é nem dor extrema e nem tranquilidade. É um sentimento de se estar permanentemente de saco cheio, precisando reclamar de algo. Que pode evoluir para duas coisas: o estresse e o desejo social de ser acolhido, de conseguir atenção por meio do rabugentismo (uma praga que se alastra especialmente em ambientes como o Twitter).
Este cenário, na verdade, é uma atualização de um bug humano mais antigo. O hábito de levar a sério todas as dores, conceitualizá-las e superdimensioná-las. Não conseguimos apenas parar e experimentar a situação. Antes mesmo de saber direito o que acontece, temos que correr para algum canto, tentando “ser felizes”. Não damos tempo para que o estresse se dissolva por si mesmo. Nem que nos ensine algo. Temos que lutar ou fugir.
Podemos nos trancar numa reserva ecológica. Mas, enquanto continuarmos a solidificar o descontentamento, só vamos conseguir destruir mais um ambiente. Ou, no mínimo tentar pendurar cabos e fios por todo lugar. Novamente.
Autor: Eduf - Categoria(s): comportamento Tags: ecopsicologia, estresse, natureza, tecnologia