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09/02/2009 - 04:00

Como lidar com clientes difíceis

Trabalho há cerca de 15 anos com design e webdevelopment. É uma das melhores profissões para domar o ego, porque você precisa aprender a fazer exatamente o que o cliente quer / deseja. Ele o procura para ter soluções, ideias e opiniões de “um profissional”, mas, no fundo, quer dar a palavra final, por mais desinformada que seja.

Depois que passa sua adolescência criativa, fazer o que os outros querem não é exatamente um problema. Você se acostuma a não levar cada trabalho para o lado pessoal. Se tem uma necessidade muito grande de autoria, sempre pode criar seus próprios sites e projetos experimentais. A dificuldade é outra: boa parte das pessoas não sabe o que quer. Ou será que sabe? Leia mais »

Autor: Eduf - Categoria(s): comportamento, mão na massa Tags: ,
19/12/2008 - 12:07

Manipulando a atenção do chefe

Encurtando a conversa, estou me tornando um daqueles chefes malucos que aprovam coisas e depois ficam putos quando os funcionários as executam. Isso continua acontecendo. E deve deixar as pessoas doidas. Em minha defesa, posso dizer que geralmente as coisas me são explicadas de modo geral, em termos vagos que soam bem. E eu digo: “soam bem!” Então passo a vê-las de mais perto. E ficam horríveis. Dessa vez esqueço o que disse antes. Apenas pense que eu tenho amnésia ou algo assim. Não consigo formar novas memórias.

, que acabou de inaugurar (um questionável) design para o tradicional .

Já assisti a esse fenômeno descrito na citação ocorrer inúmeras vezes. Chamo a prática de tentativa de manipulação da falta de atenção do chefe. Imagine quantas leis são aprovadas dessa maneira.

Modo de usar: o funcionário acha que vai conseguir uma aprovação rápida e indolor de algum projeto se explicá-lo vagamente (ou hiperdetalhadamente) para o chefe, que está sem tempo, sobrecarregado, ou que conhece pouco o assunto. Para se livrar do empregado mala e voltar às suas prioridades, o chefe também responde de maneira genérica, mas com algum entusiasmo simpático. Ou seja: teatrinho básico.

O funcionário sai da sala achando que deu o golpe. Pura ilusão. Provoca apenas retrabalhos posteriores. Cedo ou tarde o big boss acorda e milagrosamente esquece tudo o que havia dito.

Moral da história: melhor um não preciso do que um sim vago. Desagrada no começo, mas não atrapalha o fim de semana.

Autor: Eduf - Categoria(s): comportamento, gtd e produtividade Tags: , ,
11/12/2008 - 05:16

Puxaram seu tapete?

Duas carasJá perdi a conta de quantas vezes vi trabalhos incríveis e equipes criativas se dissolverem por conta de melindres.

Um exemplo que assisti há algum tempo: um amigo levou anos para criar um determinado programa de TV. Teve que desenvolver o formato do zero, sem equipamento ou dinheiro. Precisou convencer chefes e enfrentar inúmeros graus de ceticismo por parte dos seus parceiros.

Aos poucos, as condições apareceram e ele conseguiu mostrar o trabalho, que foi muito bem recebido. Assim, o que era marginal virou promissor – e surgiram vários donos para o projeto. O dinheiro milagrosamente apareceu, foram contratados profissionais caros e compradas câmeras antes inacessíveis. Por outro lado, a pessoa que criou o projeto foi ficando cada vez mais isolada, até que se decepcionou e “deixou-se demitir”.

Qual justiça?

Nesses momentos, é extremamente fácil querer dar o troco, sentir-se vítima ou procurar “justiça”. Mas eu passaria o dia todo colocando aspas nessa palavra. Na área de mídia, é comum encontrar pessoas com os objetivos mais nobres inconscientemente (ou não) puxando os tapetes de outras. De modo geral, todas acham que estão corretas, que fazem o melhor possível.

Por vezes não é útil e nem prático buscar algo tão vago quanto justiça. Nem mesmo há tempo para ressentimentos. É mais fácil dar um passo adiante e criar outras coisas. Como Steve Jobs, que, depois de ser demitido da Apple (que ele fundou), resolveu inventar a . E hoje sabemos onde está Jobs e com que poderes.

Caindo na real

Você já sabe, mas não custa repetir: não há projeto coletivo sem algum grau de politicagem. Ser ingênuo em relação a isso só pode levar ao sofrimento.

Não podemos confiar, nem desconfiar das pessoas e situações. Precisamos lidar com o que aparecer, sem se aproximar demais, nem deixar de se comprometer. Criar uma certa alegria de sambar no meio fio, na ponta dos pés.

É claro que muitas pessoas só gostam de você enquanto tem alguma utilidade, quando sorri e concorda com os seus procedimentos. Provavelmente, também fazemos isso o tempo todo. É um velho hábito da espécie. Não pense que isso mudará de uma hora para a outra.

Deu certo?

Pergunto-me o que seria “sucesso” no caso desse amigo. Ganhar dinheiro? Ele ganhou algum, mais do que precisava, até. Fazer portfólio? Fez. Conseguir melhores trabalhos? Conseguiu, dentro do que se pode esperar desse tipo de mercado no Brasil.

A questão então é ser reconhecido? Por quem? Por quais motivos? Por quanto tempo a satisfação duraria antes de virar tédio ou medo de perder espaço ou de decepcionar?

Processos e objetivos

Nossas agendas pessoais são impermanentes, biodegradáveis. Mas a experiência que ganhamos durante o processo criativo do trabalho é algo que ninguém nos tira.

A política, o melindre, as expectativas e os medos estão ali, fazendo o papel deles: incomodar, desagregar. Vamos nos sentir injustiçados e teremos que fazer o que nos parecer melhor na ocasião. Gritar, aquiescer, seja lá o que for, não há uma saída segura. E nem precisamos que haja.

Enquanto precisarmos de manuais, seremos medrosos e fracos.

Assim, ao longo dos anos, venho achando mais inteligente não encarar todo projeto profissional como uma questão de vida e morte. Cedo ou tarde, ele vai se dissolver. Ou pode até virar um problema. Talvez eu esteja ficando velho, mas cada vez mais venho preferindo o caminho em vez do destino final.

Autor: Eduf - Categoria(s): comportamento Tags: , ,
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