27/04/2009 - 09:35

Há quem acredite que precisa ter os modelos mais recentes de cada aparelho que surge no mercado. Isso nem sempre é vantajoso. Ainda assim, muitas vezes temos vontade de aderir à moda da atualização burra. Mas acaba de surgir um site que pode ajudar a não cair nessa. Chama-se Last Year’s Models (Modelos dos anos anteriores) e pretende estimular uma atitude bem desvalorizada hoje em dia: estar feliz com aquilo que se tem. No site, há depoimentos de gente como Kevin Rose (do Digg), entre outras celebridades dos blogs sobre tecnologia. Gente que ganha a vida analisando gadgets, que vive no Vale do Silício, que respira informática, abre o coração: “se está funcionando, para que mudar?” Se eles dizem isso, quem sou eu para discordar?
Via Smarterware.
PS- Isso só não vale para o Internet Explorer 6, ok? Se você ainda usa esse navegador, atualize já.
Autor: Eduf - Categoria(s): comportamento, tecnologia
Tags: consumismo, gadgets
17/12/2008 - 14:44
Nesses dias que antecedem aos feriados de fim de ano, muitos de nós, que escrevemos sobre tecnologia, ficamos parecidos com aqueles apresentadores de canais de propaganda (Shop Tour, Polishop etc). Falamos sobre características de produtos como se soubéssemos muito sobre o assunto, desencaixotamos, filmamos, fazemos piadinhas e bancamos os espertos.
O objetivo, claro, é despertar desejo. O suficiente para fazer uma pessoa clicar, ver uma foto e passar para o gadget seguinte. Audiência, cliques. Vendemos conteúdo, certo? Há quem saiba fazer esse tipo de coisa muito bem. Por exemplo, o colunista do New York Times, David Pogue. Mas desde criança detesto me sentir como um vendedor num balcão. Não que a profissão tenha problemas. Pelo contrário: eu é que não tenho nem vocação, nem paciência para exercê-la.
Cadê suas listas?
Tudo isso para dizer que não consegui me empolgar para fazer nenhuma lista de fim de ano. Nem de compras, nem de melhores produtos.
Primeiro porque não tenho vontade de comprar nada. Nem celular, nem roupas, nem eletrônicos.
Segundo porque só consigo pensar em “melhores” dependendo de contextos, não de datas. Se você precisa trocar um pneu, não vai necessariamente precisar dos gadgets matadores lançados neste ano. Vai preferir algo confiável, testado ao longo do tempo.
Muitas vezes, o que ajuda mesmo é uma técnica, um conhecimento, nada que se possa exatamente comprar. Uma linha num fórum pode ser mais útil do que todo pano vendido numa loja da Forum.
Descontentamento e ansiedade
Sei que sou um dinossauro. Mas respeito meu leitor. Não vou vender para vocês o que não consumiria. Em especial porque, ao longo do tempo, venho tentando desarmar em mim a mentalidade do descontentamento ansioso. Explico.
Eu me irritava com situações, produtos e pessoas antes mesmo de experimentá-los adequadamente. Era uma máquina de expectativas. Tão automática que nem enxergava o que efetivamente já possuia.
Por exemplo: para que comprar um iPhone se eu tenho um Nokia n95? Tecnicamente, ele é muito melhor (bluetooth decente, câmera de 5.1 megapixels, não precisa brincar de gato e rato com a Apple para mantê-lo destravado). Ok, o software do iPhone é imbatível até o momento. E há o touchscreen. Mas, sinceramente, não preciso de nada disso. Prefiro usar o dinheiro numa boa viagem para outro Estado ou país.
Compre relevância, não modas
Por isso, antes de comprar, é bom se perguntar: será que, ao menos, você tem noção do que já possui?
O planeta e a economia mundial já não estão muito mais nesse ritmo de sucessões de hypes burros e destrutivos. Quer meu dinheiro? Ofereça-me algo realmente relevante e responsável.
Autor: Eduf - Categoria(s): comportamento
Tags: compras, fim de ano, gadgets
21/10/2008 - 13:43
Acabei de ler que um dos mais conhecidos cientistas da atualidade, Richard Dawkins (autor de Deus: Um Delírio, entre outros livros), acumulou alguns milhares de euros para uma campanha antiteísta. Ao mesmo tempo, hoje tive que enfrentar alguns protestos de fãs de uma empresa de computadores. Foi impossível deixar de ligar uma coisa à outra. Podemos fazer da tecnologia uma espécie de religião?
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Autor: Eduf - Categoria(s): comportamento
Tags: campanhas, gadgets, religião, richard dawkins
13/10/2008 - 17:49
Provavelmente você conhece o Boing Boing, um dos blogs mais visitados do mundo. Ele tem um canal especializado em gadgets, que acaba de passar por uma revolução. Tornou-se parte de um conglomerado futurista, completamente baseado em modismos tecnológicos caros e inúteis. Estranho? Os editores explicam:
Bem-vindos ao Infomercia, um super conglomerado transformado em governo numa Terra alternativa na qual o consumo tecnológico indiscriminado e parcerias corporativas promíscuas se tornaram a base de sustentação de uma distopia Orwelliana opressiva.
Por distopia Orwelliana, entenda-se um mundo aparentemente paranóico, cheio de repressão, conspirações políticas, governos tirânicos e paternalistas. Algo na linha do livro 1984.
Você já deve ter captado a mensagem. Os editores do Boing Boing Gadjets resolveram usar o humor e posts com um tom de ironia e ficção científica para denunciar algo que nos últimos anos vem tomando proporções assustadoras, o deslumbre tecnológico.
Cada vez mais compramos aparelhos inúteis, caros e às vezes escravizantes, só porque supostamente eles acrescentam estilo ou estão na moda. E isso vale não só para objetos eletrônicos, mas também redes sociais e serviços na web. É uma espécie de novo riquismo tech.
Na brincadeira do Boing Boing Gadgets a coisa parece tomar um tom mais político:
Em Infomercia, o consumismo manipulado pela propaganda é o método pelo qual as massas são entorpecidas e subjulgadas pelo encorajamento que o governo dá para a corrida cega por tecnologias aprimoradas e a acumulação de crapgadgets (algo como “aparelhos-porcaria”).
Considerando que os EUA passam por uma das crises econômicas mais sérias das últimas décadas, parece que Infomercia está prestes a sofrer ajustes de curso. De qualquer forma, se você quer aderir à brincadeira, confira o manifesto do Boing Boing Gadgets.
Autor: Eduf - Categoria(s): criatividade
Tags: blogs, boingboing, ficção científica, gadgets, infomercia