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10/03/2009 - 12:04

Compra e venda de atenção

Mashup de textos sobre atenção, um do TechCrunch, outro do Conector.

(…) Por outro lado, todo sistema com abundância de um elemento leva a escassez de outro. No caso, a abundância de informação leva a escassez de atenção. Temos uma vasta oferta e uma fome interminável, porém uma capacidade cada vez mais limitada de prestar atenção e investir tempo no consumo de todo esse manancial que nos está sendo ofertado. Estamos à frente de um banquete, beliscando rapidamente um pedacinho de tudo que nos põem na frente, maravilhados com a variedade e quantidade de sabores, mas perigando perder lentamente a noção de desfrute.

, no Conector.

À medida em que a “web social” e novos serviços continuam a permear tudo o que fazemos on-line, a atenção se torna não-escalável. Muitos se referem a esse dilema como escassez de atenção ou atenção parcial contínua (CPA – continuous partial attention) – como um estado de atenção que está continuamente ficando mais estreito. Isso está afetando como e o que nós consumimos, quando e, mais importante, como reagimos, participamos e compartilhamos. É como se alguma coisa sempre estivesse competindo por atenção e severamente nos impulsionando para fazer mais, guiados por um medo onipresente de estar perdendo algo.

, no TechCrunch.

Vale conferir – fiz a tradução na correria. De qualquer forma, acho que sempre vivemos em estado de atenção parcial contínua. Você só se lembrou de que tem uma testa porque eu acabei de mencioná-la. Mas você sabe que tem.

Estamos assistindo a uma mudança econômica: nossos produtos estão cada vez menos materiais. Ou melhor: materializamos cada vez mais os produtos intelectuais. Compramos e vendemos atenção. Assim, também criamos uma para ela, a atenção. 5 segundos? 140 caracteres?

De quebra, criamos novas ideias a respeito do que seja “usufruir” de algo. Mini continua:

Até pouco tempo atrás, a palavra consumismo era associada a um comportamento compulsivo de compra. Entretanto, é hora de alargar essa convenção e começar a incluir também o que é absorvido ou adquirido sem pagar nada. Todas as páginas de internet. Seus vídeos. Os arquivos de MP3. As imagens. Quais são as reais diferenças entre um closet abarrotado de vestidos caros que pouco serão usados e HD’s inteiros de seriados, filmes e música que, da mesma forma, precisariam de algumas centenas de anos para serem desfrutados e não apenas consumidos rapidamente?

Está aí um bom assunto para os economistas enfrentarem: o jeito como a sociedade conectada dos anos 2000 separa o valor do uso. Ou a compra da fruição do serviço. Importa muito mais a sensação de ter algo do que de experimentar a coisa detalhadamente. Ainda assim, é um tipo de fruição. Boa ou ruim? Não sei. Eu não gosto. Mas é um velho fenômeno econômico se adaptando.

Se é que conseguimos prestar atenção nessa argumentação toda. :)

Autor: Eduf - Categoria(s): comportamento, meio dia Tags: ,
03/02/2009 - 08:38

Desemprego na era da internet

O que as pessoas fazem para combater a depressão psicológica quando perdem os empregos durante depressões econômicas? O Wall Street Journal que compara a crise dos anos 30 com a atual. Naquela época, o cinema e os quadrinhos eram a grande válvula de escape. Hoje são os games via web. Pesquisadores norte-americanos acreditam que os jogos on-line assumiram um papel parecido com o da chamada Indústria Cultural de massa, nos seu primórdios:

Isso acontece em parte porque é uma diversão relativamente barata comparada a pagar U$ 10 por uma entrada de cinema, por exemplo, para ter apenas algumas horas de entretenimento. ‘A internet, em particular, detonou tudo’, afirma Gary Handman, diretor de pesquisas da Universidade da Califórnia. ‘As pessoas estão obtendo diversão de graça onde quer que possam encontrá-la’.

Segundo o artigo, outras tendências também ganham destaque: os sites e blogs de a auto-ajuda, os de recolocação profissional (LinkedIn) e as redes sociais mais populares (como o Facebook, nos EUA). Mas a grande consumidora de tempo e atenção ainda parece ser a indústria do entretenimento on-line. A atual crise financeira pode significar uma popularização ainda maior da web. Vamos ver no que dá.

Autor: Eduf - Categoria(s): comportamento Tags: , ,
28/10/2008 - 10:29

Jason Calacanis: “empresas de tecnologia entraram na espiral da morte”

Jason Calacanis
Jason Calacanis, CEO do serviço de buscas Mahalo.

A crise financeira nos EUA começa a atingir as empresas de tecnologia. Yahoo, Ebay, AOL, entre outras, formulam planos de cortes de custos. Isso inclui algumas demissões, cancelamento de negócios e de investimentos. Há rumores de que até o todo poderoso Google tenha que apertar os cintos.

Jason Calacanis – fundador da Weblogs.inc, uma das redes de blogs mais importantes do mundo, e atual dono do serviço de busca Mahalo – fez uma interessante análise, publicada na sua lista de e-mails. A economia nos EUA teria entrado no que ele chama de espiral da morte.

A expressão vem dos jargões de aviação. Refere-se ao momento em que um piloto perde as referências visuais para continuar seu trabalho. E, em vez de confiar nos instrumentos, toma decisões baseadas em ansiedade e medo. Ao tentar resolver o problema, piora a situação.

Calacanis acredita que o noticiário sobre a crise detona um comportamento conservador nos consumidores. Mesmo que alguns deles tenham como comprar, tendem a evitar gastos, pensando numa possível piora do cenário. Desenvolvem um certo sentimento de culpa: “eu não deveria fechar esse negócio agora, não é o momento”. Assim, a economia de fato esfriaria, o que levaria a mais demissões e, menor poder de compra.

O diretor do Mahalo enxerga aqui uma grande oportunidade para as empresas de produção de conteúdo e de entretenimento on-line. As pessoas tenderiam a passar mais tempo na web, gastando dinheiro com coisas que consideram gratuitas ou baratas. “Se o seu serviço traz diversão, interação social e felicidade aos seus usuários, você vai vê-lo crescer”, afirma.

Faz algum sentido. Serviços como Orkut, Facebook, TV on-line, blogs etc. se tornariam ainda mais importantes. Mas… Se isso for verdade, quem vai produzir conteúdo, se as grandes empresas de entretenimento para web começam a cortar funcionários? Você? Pode haver algo mais cômodo para um investidor?

Autor: Eduf - Categoria(s): tecnologia Tags: , , , ,
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