O site da revista Wired publicou uma interessante matéria sobre fragmentação da atenção. Segundo a jornalista especializada em ciência, Maggie Jackson, vivemos numa era com cada vez mais distrações competindo entre si, o que nos leva a prestar menos atenção no que lemos, ouvimos e até mesmo nas conversas que temos uns com os outros. Tudo isso estaria nos deixando limitados e menos criativos:
Esse nível de interrupções está relacionado com estresse, frustração e diminuição da criatividade. Isso faz sentido. Quando você está disperso e difuso, você é menos criativo. Quando seu tempo para refletir está sempre esburacado, é difícil resolver problemas, criar relações entre pensamentos e pensar.
Arthur Shapiro, professor da Bucknell University, no departamento de psicologia e neurociência, tem uma das profissões mais divertidas que se pode imaginar: enganar o cérebro. Ele cria jogos e animações que produzem ilusões de ótica.
No blog Illusion Sciences, publica parte desse impressionante material. Mesmo sem precisar enfrentar um xamã e tomar Aihuasca, como fez Marcelo Tas, é possível notar como nossa percepção daquilo que chamamos de realidade é frágil. Pequenas alterações nos gráficos fazem com que mudemos completamente de idéia a respeito dos movimentos, cores e formas. É espantoso imaginar que estamos imersos diariamente nessa fragilidade.
Boa parte do que pensamos e fazemos durante o dia tem a ver com fantasmas da percepção, falta de conhecimento amplo das situações e imperfeições de comunicação. Somos como náufragos da entropia, surfistas dos erros.
Um emprego insuportável nada mais é do que seu cérebro produzindo enzimas. Aquilo que lhe dá mais raiva, não passa de um padrão cultural que amanhã pode estar completamente obsoleto. A felicidade que você deseja pode ser uma ilusão que se tornará um pesadelo assim que você conquistá-la. Tudo isso são palavras e conceitos colidindo à nossa frente.
Desde o século 18, somos convencidos de que a felicidade estaria em encontrarmos vocações, aquilo que temos “tesão” em fazer, no qual seríamos “bons”. Mas boa parte da população nunca chega a isso. Ou pior: nunca se convence de ter chegado.
Uma vez que nossa percepção pode ser alterada tão facilmente como nos gráficos de Shapiro ou na química dos xamãs, como podemos levar tão à sério nossos sonhos, ou a ausência de realização deles?
A qualquer momento, o cortex é dividido por falta de consenso, como rivais se esbofeteando com luva de pelica. Distintas áreas do cérebro pensam coisas diferentes por razões diversas. Todos esses componentes mentais armazenados na sua cabeça estão constantemente lutando por influência e atenção. Nesse sentido, a mente é realmente um argumento extensivo (construído como uma torre com múltiplos níveis dependentes uns dos outros). (…)
Comentário publicado no The Frontal Cortex, blog sobre neurologia. Pesquisadores usaram exames de ressonância magnética para tentar entender como lidamos com decisões de risco. No processo, descobriram que a disputa por atenção não está só na internet, TV ou publicidade. De alguma forma, cada uma das nossas idéias busca audiência, quer se transformar em viral e “subir no PageRank“. Leia a pesquisa completa aqui.
Eduardo Fernandes é interaction designer, consultor e jornalista. Já desenvolveu projetos de internet para empresas como Trip, Nokia, Petrobras, Nintendo, Editora Abril, entre outras.