Review do livro A Cabeça de Steve Jobs, de um dos editores da Wired, Leander Kahney, sobre o mítico CEO da Apple. Lançado no Brasil pela Agir, é uma espécie de biografia de negócios: em vez de tratar da vida pessoal de Jobs, traça seu perfil profissional, mostrando as decisões mais controversas, as ideias mais ousadas e as parcerias que deram ou não deram certo.
Que diabo (ops) de anúncio é esse? O etólogo e um dos mais conhecidos defensores do ateísmo, Richard Dawkins, mostra para que usa o MacBook Pro: ler e-mails de cristãos cheios de ódio contra seus livros. Guinada nas propagandas da Apple. De criticar a Microsoft para mostrar famosos usando os produtos da empresa.
O diretor de engenharia da Apple, Michael Lopp, mais conhecido como Rands.
Em março do ano passado, na SxSW, o diretor de engenharia da empresa, Michael Lopp, que mantém o blog Rands in Repose, contou em detalhes o processo de criar o design dos produtos da Apple:
1. Fazer mock-ups perfeitos. Com todos os detalhes. Sem textos falsos.
Mock-up é uma versão simplificada do design de um produto em fase de criação. Por exemplo, num site, seria uma versão da interface feita no Photoshop. Clicando nos botões e links, nada aconteceria. Isso porque é só uma sugestão de layout. Geralmente, o mock-up traz textos falsos, os famosos Lorem Ipsum. Mas a estratégia da Apple é fazer mock-ups bastante realistas. Todos os detalhes devem estar inclusos. Texturas, entrelinhas, textos, nada deve ser deduzido.
2. Quantidade leva à qualidade.
Essa técnica é praticada em boa parte das empresas. De 10 sugestões, você aproveita 3, que são combinadas em 1. A diferença nasce da capacidade de filtrar e selecionar ideias.
3. Elimine. Foque a atenção.
Os engenheiros e designers da Apple são conhecidos pela capacidade de dizer não. Eliminam funções e até hardwares que possam confundir ou dispersar a atenção do usuário. Decidem o que é ou não importante para os seus consumidores. Não adianta criar algo incrível, é preciso eliminar as coisas medíocres que impedem o público de perceber as melhores.
4. Reuniões regulares juntando engenheiros e designers.
Na Apple, eles têm que participar, juntos, de pelo menos duas reuniões periódicas. Numa, praticam brainstorm. Na outra, resolvem problemas da implementação de ideias. As duas equipes devem se considerar como um único time. Geralmente, o engenheiro acha que o designer é um maluco sem noção que manda sugestões impraticáveis. Já os designers pensam que os engenheiros são limitadores e chatos. Trabalhando em conjunto, é possível entender as limitações de cada grupo.
5. Chefes têm que saber evangelizar.
Obviamente, um chefe deve saber quais ideias merecem maior atenção das equipes. Mas é preciso comunicar prioridades de um modo que elas pareçam verdadeiros objetivos de vida. Aquela ideia é fundamental, memorável, uma meta a ser perseguida com entusiasmo. Não uma obrigação, um luxo ou um detalhe desnecessário.
6. Crie experiências, emoções. Não só objetos.
Você não está criando um produto para ser apenas vendido. Está entrando na casa das pessoas e estabelecendo relações humanas. Pense na pessoa tendo prazer ao clicar num botão bem desenhado. Não em “ok” e “cancela”.
Passada a avalanche de informações sobre os novos laptops da Apple, vale a pena controlar o entusiasmo e pensar: será que vale a pena comprar um computador novo?
Não estou falando só dos MacBooks. Mas da própria atitude, do desejo de fazer upgrades, de usar as últimas tecnologias. Isso vale de aplicativos a estilos de vida. De roupas a psicólogos. De gadgets a até religiões. Afinal, o que é que você está procurando? O que precisa ser atualizado?
Muitas vezes, o upgradismo nasce de pura ignorância e ansiedade. A pessoa nem aprendeu a usar o Paint e quer o Photoshop CS4. Antes de abrir a carteira, investigue bem as ferramentas que você já possui. Você sabe mesmo usá-las? Será que já não fazem tudo o que você precisa?
Upgrades envolvem muitos fatores, que devem ser analisados com calma.
Uma vez que este é um site sobre tecnologia, vamos continuar nos baseando no exemplo dos computadores. Antes de comprar, investigue:
1. O que foi abandonado para dar lugar às novidades? Você usava alguma dessas coisas? No que o upgrade vai ajuda-lo efetivamente?
2. Essas mudanças são realmente para melhor? Ou apenas aparentam ser?
É importante esperar algumas semanas antes de fechar negócio. Revistas e sites especializados costumam realizar testes para saber como os novos componentes do computador se comportam uns em relação aos outros. Isso porque, por exemplo, uma nova placa de vídeo ou um novo processador não melhoram necessariamente o desempenho da máquina. Dependendo das configurações, às vezes até pioram.
3. O tempo de aprendizado para lidar com uma nova tecnologia tem um custo. E sua adaptação a ela também. Por exemplo, muita gente perde dinheiro comprando cabos inúteis para computadores ou TVs apenas porque não sabe exatamente o que são e para que servem.
Quer dizer, se uma empresa divulga que as portas firewire do laptop foram substituídas, você precisa investigar se sua câmera tem conectores para as novas portas, o quanto custam, se elas estão disponíveis no Brasil etc.
4. Descreva claramente o uso você faz do aparelho. No que, afinal, o upgrade melhoraria seu trabalho? E depois de quanto tempo? Muitas vezes, gadgets são como calças jeans: as velhas geralmente são mais confortáveis. Costume é uma tecnologia muito avançada.
Modismos tecnológicos podem custar muito caro, atrapalhar nossas vidas e o planeta. Assim, vale comprar com consciência.
Eduardo Fernandes é interaction designer, consultor e jornalista. Já desenvolveu projetos de internet para empresas como Trip, Nokia, Petrobras, Nintendo, Editora Abril, entre outras.