David De Rothschild tem um dos programas mais interessantes do Sundance Channel, o Eco Trip. Basicamente, o apresentador tenta descobrir o custo ambiental e social de cada produto que usamos no cotidiano. Por exemplo, no vídeo acima, ele viaja para outro país, só para entender a complicação envolvida em produzir uma só camiseta.
Um show como esse só é possível e/ou divertido numa sociedade em que sabemos muito pouco sobre as coisas que consumimos e produzimos. O show da alienação. Diversão com gosto de medo e sentimento de culpa. Leia mais »
O Google agora quer ajudá-lo a controlar a quantidade de energia que você consome. A empresa distribuiu mundialmente cerca de 40 milhões do que eles chamam de smart meters, aparelhos criados para medir seus gastos com aparelhos domésticos. A ideia é distribuir mais 100 milhões nos próximos anos, numa iniciativa do Google.org, a área filantrópica da companhia. E qual é o nome do projeto? Google Powermeter, claro. Se você topar participar do esquema, vai poder consultar sua “conta de luz” direto no iGoogle. Parece interessante?
Agora, arme e efetue: o que você pensa que as companhias de energia vão achar de ter alguém aferindo números provavelmente diferentes dos que elas medem? Pode ser que funcione nos EUA. Mas, no Brasil, deve dar briga. Ou burocracia.
Em todo caso, se a brincadeira chegar por aqui, por favor ALGUÉM me responda:
1. Vamos ter que dar caixinha no fim do ano para o smart meter?
2. O Google também tem como detectar gatos na fiação (smart cat meter)?
3. Quem vai instalar essas encrencas na favela?
Vamos ver se essa conversa é para valer ou só marketing. Ou pior: ingenuidade ou greenwashing. Torcemos para que, de algum jeito, ajude a mudar nossa relação com o consumo de energia. Ainda que aos poucos.
Update: O Meio Bit também também falou sobre o assunto. Vale conferir.
1. A crise deve estimular práticas contra o deslumbre (que se generalizou em 2008). Isso pode significar menos fenômenos estilo “corrida do iPhone”, menos compras de impulso e menos lançamentos prematuros de produtos.
2. As pessoas comuns terão maior consciência no uso de recursos ambientais. Assim, empresas com “selos verdes” ou “neutras” na emissão de poluentes devem ganhar alguma importância social.
3. Por outro lado, pode se disseminar a prática do greenwashing, que é o ato de fingir preocupação ambiental. A técnica consiste em usar marketing, conceitos falsos ou teses mal pesquisadas para explorar a ignorância alheia e ganhar fama de amigo da natureza. Leia mais »
Gráfico representando as empresas mais e as menos ecologicamente engajadas em 2007.
No conjunto, a computação e as telecomunicações produzem 2% das emissões (de carbono) globais, de acordo com a Iniciativa Global e E-Sustentabilidade (Gesi, na sigla em inglês), um grupo da indústria. Desses, 49% vêm dos PCs e impressoras, 37% das redes e dos dispositivos de telecomunicações e 14% dos centros de processamento. O volume total das emissões é comparável ao da aviação. Mas a indústria de TI, ao contrário da aviação, não provoca a ira dos ativistas ambientais. Talvez isso aconteça porque os computadores são menos visíveis ao poluir, ou porque seu uso não é considerado, como na aviação, frívolo e desnecessário.
Tom Standage, da The Economist, traduzido para o especial O Mundo em 2009, da Carta Capital, que está nas bancas e custa R$ 12,90. Mais sobre computadores e sustentabilidade no Climate Action. Ou no Greenpeace, claro.
A Dell anunciou que está ampliando suas políticas de sustentabilidade. Assim como a Apple, a empresa resolveu diminuir o tamanho das embalagens de seus produtos — no caso, em até 10%. Designers e engenheiros estudam maneiras de eliminar componentes tóxicos das peças de proteção contra impactos (isopores), além de formas de usar apenas material reciclável nos pacotes. A informação é do Tree Hugger, que também fala sobre outras iniciativas da companhia na área. Se você é designer gráfico ou tem algum tipo de negócio que precise usar embalagens, vale ficar ligado nesse tipo de tendências de sustentabilidade.
Eduardo Fernandes é interaction designer, consultor e jornalista. Já desenvolveu projetos de internet para empresas como Trip, Nokia, Petrobras, Nintendo, Editora Abril, entre outras.