Custos invisíveis, prejuízos reais
David De Rothschild tem um dos programas mais interessantes do Sundance Channel, o Eco Trip. Basicamente, o apresentador tenta descobrir o custo ambiental e social de cada produto que usamos no cotidiano. Por exemplo, no vídeo acima, ele viaja para outro país, só para entender a complicação envolvida em produzir uma só camiseta.
Um show como esse só é possível e/ou divertido numa sociedade em que sabemos muito pouco sobre as coisas que consumimos e produzimos. O show da alienação. Diversão com gosto de medo e sentimento de culpa.
Um chocolate pode ter embutido o custo da mão de obra escrava. Uma TV pode ser altamente poluente. Quando você assiste a um vídeo no YouTube, debita, em média, de 1 a 2 dólares na conta do Google (o que dá um prejuízo de cerca de U$ 1,6 milhões por dia).
Isso daria uma ótima conversa de taxista, certo?
Medo de consumir
O sentimento de que a vida é um grande supermercado, no qual temos muitas coisas disponíveis de modo relativamente fácil, convive com uma certa paranóia. Sempre existe um ar de conspiração, de perigo por perto. Celulares, dão câncer ou não? Café, faz bem ou faz mal? Dinheiro, como é que ele chega a ter valor? Por que sou obrigado a ter minha vida atrelada a bancos?
Para cada uma dessas perguntas, há centenas de respostas conflitantes. Todas demandando um certo comportamento político / social (“e agora, tenho que comprar alface orgânica? preciso trocar meu monitor?” etc.).
Ignorar é viver
Complicado demais. É mais fácil tentar ignorar assuntos complexos. Como os custos invisíveis de tudo o que usamos e produzimos. E se a paranóia persistir, que tal transformá-la também em diversão? E aí surgem programas como o Eco Trip. Um assunto sério pode virar conversa de boteco. Sem muita mudança de atitude.
Mas já é alguma coisa. Pelo menos traz algum sentimento de atenção plena sobre a realidade. Melhor ser um paranóico feliz do que um ignorante arrogante.
