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18/03/2009 - 10:55

Você quer mesmo resolver o problema?

Algumas pessoas me escrevem dizendo que não conseguem ser produtivas. Faço o possível para consolá-las, oferecendo todo tipo de placebos. Técnicas, dicas etc. Mas a verdade é que a coisa mais útil que posso fazer é perguntar, honestamente:

Você quer mesmo ser produtivo?

Muitos podem responder automaticamente que sim. Mas pense melhor.

Síndrome da Ocupação Crônica

Muitas vezes, é extremamente cômodo e socialmente confortável sentir-se ocupado. Você prova aos outros e, em especial, para si mesmo:

• que tem uma função, uma identidade (”sou o cara do suporte”);
• que tem uma importância para um determinado grupo.

E como age uma pessoa assim? Ora, agenda reuniões, inicia projetos, faz orçamentos. Mas muitos de nós deixam de fazer perguntas óbvias:

• Para que isso serve?
• Quem vai usar?
• As pessoas querem mesmo isso? Ou precisam disso?

E por que não fazemos essas questões? Somos estúpidos? Não. Temos objetivos e políticas pessoais.

Política contra a produtividade

Em ambientes coletivos de trabalho, é inevitável criar micro sistemas políticos: esse é o meu projeto (por mais vago que ele seja), isso é o que eu vou fazer, esses são os meus aliados, aqueles são os meus inimigos. Mas toda política é um trabalho adicional gigantesco. Demanda grandes esforços: negociações, arregimentações, embargos e conquista de territórios.

Vamos a um exemplo prático.

Imagine que você seja do departamento de Tecnologia da Informação. Seu projeto é comprar um aplicativo para a equipe de vendas. Como você já estabeleceu seu cenário político – seus aliados e oposição – pode ser que não queira conversar com o cordenador de vendas porque ele vai discordar e “criar obstáculos”. Quer dizer, vai deixar seu processo decisório mais lento. Afinal, você sabe o que tem que fazer, sabe qual é o melhor programa. Você é produtivo.

Resultado?

Digamos que você gaste R$ 2 mil e compre o programa rapidamente. O item foi eliminado da sua lista de tarefas. Você pode apaziguar sua consciência e achar que é “gente que faz”.

Mas será mesmo que foi produtivo?

1. A equipe de vendas estava acostumada e, de certa forma, feliz com o aplicativo antigo. Agora precisa aprender uma tecnologia nova – o que vai deixá-la mais lenta.

2. Você vai ter que treinar a equipe. E, no processo, percebe que, talvez, não conheça tanto assim o programa. Você ficou mais lento e ocupado. Mas é um sujeito “necessário” para a empresa.

3. Ok. Talvez tenha tomado uma decisão precipitada. Antes da compra, você deveria ter ido até a equipe, passado por cima dos seus preconceitos e perguntado, afinal, do que os funcionários precisavam. Mas agora é tarde para admiti-lo. É preciso justificar a compra.

Volto a perguntar: você quer realmente ser produtivo?

O que está em jogo

Produtividade pode mexer muito com nossos amados egos. E, em muitos casos, nos leva a lidar com duas coisas que muitos de nós consideramos assustadoras:

1. O tédio. A falta do que fazer.

2. O fato de que nem sempre somos / devemos ser importantes. Que há equipes que podem gerenciar a si mesmas. Ou que sabem mais que nós.

Pela terceira vez: você quer realmente ser produtivo?

Nós suportamos conviver com a insegurança? E com o sentimento (libertador) de que não é preciso sempre ser importante ou “estar apaixonado” ou ocupado?

Autor: Eduf - Categoria(s): gtd e produtividade Tags:

3 comentários para “Você quer mesmo resolver o problema?”

  1. Fernando D. disse:

    Eduf, estás meio paranóico com esse negócio de “anti-produtividade”… até tirou o termo “produtividade” do subtítulo…

    Eu nunca tive problemas com produtivismo….
    tenho mais problemas com procrastinação e excesso de informação, do que com excesso de produtividade…

    Mas tá bem legal o blog, com boas reflexões. parabéns.

  2. Eduf disse:

    @Fernando D. Isso são interpretações suas.

    1. Onde tenho sugerido “anti-produtividade”?

    2. Não acho que esteja “paranóico” com o assunto. Este é um site sobre trabalho. Natural que eu me foque nesse tipo de assunto.

    3. Pense melhor: você tem mesmo problemas com procrastinação? Ou com a expectativa de uma produtividade perfeita? Pode ser auto-sabotagem? Não sei. Só você pode dizer.

    Meu único objetivo é questionar tanto a chamada produtividade quanto a tal da procrastinação.

    No limite, a busca pela produtividade pode ser uma das maiores procrastinações. Ênfase no PODE SER.

    É sobre isso que tenho tratado.

  3. Viviane disse:

    Eduf, muito oportuno seu post. Passo por um momento no trabalho em que nada me resta a não ser esperar. O tédio é mesmo assustador. E quando há algo a fazer, muitos (eu inclusive) se perdem na busca de um método. Perdemos tempo no meio, e de repente, chega o fim sem que tenhamos feito nada do que queríamos. Ao menos sei quando a espera termina e aí voltarei a ter rotina.

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