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02/03/2009 - 21:23

O Google e o nascimento do moralismo digital


Nós sabemos o que você fez no verão passado…

Consultores de RH podem usar o Google para atrapalhar sua carreira. Devemos aceitar isso?

Dias atrás, o guru do marketing Seth Godin publicou um post chamado ““. Basicamente, ele narra como um candidato a emprego pode queimar seu filme facilmente hoje em dia. Basta o funcionário do RH fazer uma busca pela web e encontrar fotos e scraps comprometedores. Godin vaticina: “o Google não esquece”.

Isso não é novidade. Cada palavra, dentro ou fora da web, tem um impacto intelectual. Ele pode se manifestar agora ou no futuro. E pode causar muitos níveis de estragos, às vezes tão sutis que nem percebemos. Certo dia, booom.

O poder do impacto intelectual nasce dessa sutileza. No momento em que disparamos a ação, raramente pensamos em consequências. É como jogar um papel na rua. Parece inofensivo, mas, em algum momento, aquela pequena atitude pode causar grandes problemas, como entupimentos, alagamentos, custos de limpeza etc.

Mas, como eu disse, tudo isso você já sabe. O importante é notar outro fenômeno que está nascendo: o moralismo digital.

Moralismo digital

Como nos defendemos do moralismo do RH?

Digamos que um dia, ingenuamente, eu tenha publicado na web coisas tidas como comprometedoras. Fotos de uma simples bebedeira em família, ou palavras que, fora de contexto, podem estragar minha “marca pessoal” (e vocês não têm noção de como me sinto ridículo escrevendo essas duas palavras). Que direito tem um entrevistador de me negar uma vaga, apenas porque ELE acha que sou um idiota, psicopata ou potencialmente negativo? Idiotas podem ser ótimos profissionais.

Como nos defendemos do moralismo (pseudo-especializado) de muitos consultores de RH?

Profissional versus pessoal

Se você procurar nos bastidores de redações, hospitais, bolsas de valores e instituições políticas, vai encontrar todo tipo de rumor ou fato possivelmente comprometedor. No entanto, geralmente somos capazes de separar a vida profissional da pessoal. Por isso me irrita quando vejo blogs, sites e revistas falando sobre como cuidar da sua imagem na web. A pergunta é se devemos aceitar uma vida de quase participante de Big Brother.

É preciso ter instrumentos de combate ao poder do entrevistador

Por mais que sejamos cuidadosos com nossas atividades on-line (coisa obviamente recomendável), é preciso ter instrumentos de combate ao poder do entrevistador. Quem avalia o avaliador? Toda empresa deveria publicar claramente suas políticas de contratação e entrevista.

O poder do moralismo digital

O moralismo é uma ferramenta de manipulação poderosa. Basta olhar para a política. Uma amante pode derrubar um governante. É que moralismo dá poder ditatorial à informação.

E ele é também perigoso exatamente porque é divertido. Todos gostamos de julgar, de fazer piadas sobre o estilo alheio, rir da “falta de noção” dos outros. Mas é muito arriscado se divertir com conceitos, em especial por causa do impacto intelectual.

Até há pouco tempo, nossa preocupação era quando jornais e “grandes conglomerados de mídia” usavam o poder do moralismo para defender certos interesses. Agora, com o Google e a web, o burocrata do RH também pode exercê-lo. E isso pode ser socialmente muito mais impactante do que simplesmente estragar “marcas pessoais”.

Autor: Eduf - Categoria(s): tecnologia Tags: ,

13 comentários para “O Google e o nascimento do moralismo digital”

  1. Katia disse:

    Caro colunista,

    O seu artigo é pobre, está mal escrito e sem embasamento algum.
    Parece que você usou o nome do Google para chamar a atenção na primeira página do IG.
    Parece também que você não sabe o que é burocracia e o que faz um profissional de RH.
    Sugiro mais consistência no próximo.
    Obrigada

  2. Cacá disse:

    Grande Irmão, estamos sendo vigiados 24 horas por câmeras de ’segurança’. Vivemos a era do big brother. Importa menos o conteúdo e mais a imagem, não é mesmo? Atualmente a gente não tem que ter nem que ser. Basta parecer. Oxalá isso seja uma transição na humanidade, senão, sei lá, é o fim da essência. Sabe qual a fruta da qual se retira a baunilha? Nem eu, mas a essência tem um cheiro bom…!!!
    abraços

  3. Eduf disse:

    @Katia Estou aberto a argumentos. Aponte-me os erros e inconsistências, por favor.

  4. Marcio disse:

    Fiquei pasmo e ao mesmo tempo tocado com a singeleza do que li acima; Há tempos já é sabido por muitos que os triadores de RH deitam e rolam com qualquer fonte de informação, O problema não reside em como se adquire essas informações, seja via web, cartas anonimas ou por ” sinais de fumaça “,isso não importa para aquele que é achacado por um glorioso “Ger de RH” . O problema esta intrinsecamente ligados a formação moral e intelectual palpérrima daqueles que militam intrepidamente nos ambientes de RH. Já passamos e muito da hora de retornarmos as triagens feitas por aqueles trabalham diretamente nas empresas e nos ambientes que necessitam de determinada mão de obra; Convenhamos é no mínimo burrice que um Engenheiro ou um Técnico de Laboratório(só p/dar como exemplo) tenham os seus respectivos potenciais aferidos por alguém que é formado em RH, e diga-se de passagem o próprio curso de recursos humanos já é uma coisa de aferição extremamente duvidosa onde o único consenso existente é o barbarismo linguístico condimentado o tempo inteiro de ” a nível de`s estarismos+ gerundismos e expressões pouco criativas como “alavancar” ,”estartar ” e por aí vai !

  5. Rogério Vieira disse:

    Estimado Eduf!

    Realmente compreendi sua provocação, e concordo plenamente contigo!

    Parabéns pelo escolha do tema…

  6. Eduf Adorei seu Artigo, pois a muinto tempo as Empresas procuram saber mais sobre a pessoa através da Internet principalmente pelo orkut, as vezes até o email quando é esquisito já compromete o Cidadão. Parabéns pelo seu Artigo me serviu muinto para refletir. Abraços

  7. Carol Barbon disse:

    Acredito que a Sra. Katia tenha apenas se expressado mal. O que entendo como falta de consistência é, na verdade, a vontade de ler mais e mais sobre o assunto. A única falha que eu aponto é o tamanho do texto – muito curto para tão bom assunto! Mas, como bem disse o Sr. Rogério Vieira, este texto é uma provocação…! acho mesmo que os consultores de rh brincam de deus de vez em quando. Por que eliminar um bom candidato, potencialmente um ótimo empregado, só por ele ter sido reprovado no “teste da pizza”? Será que testes prontos são capazes de dizer se alguém presta ou não?

    A área devia ter um upgrade, rever conceitos, quebrar paradigmas e agregar valores, para alavancar o moral e estartar novas técnicas. Vou estar divulgando isso!

    Abs!

  8. Anna Clara Matos disse:

    Caro Eduardo,

    Já tinha refletido e discutido com amigos sobre esse assunto e concordo inteiramente com suas idéias. É lamentável, desrespeitoso e até infantil ver entrevistadores “analisando” candidatos através de buscas no Google e no Orkut.
    Adorei o título do artigo!

    Um abraço

  9. Fabio Bracht disse:

    Eu já acho perfeitamente normal e sem problemas o fato de entrevistadores rodarem um background check na vida de possíveis empregados por meio do Orkut, Facebook, MySpace, Fotolog, Blogs ou o que for. Até porque é perda de tempo ser contra isso, é algo natural, que está aí e VAI ser utilizado SEMPRE, assim como já é.

    Tudo que uma pessoa publica da sua vida pessoal na internet é passível de julgamento de análise. Eu sou casado, mas digamos que eu não fosse. Eu conheço uma menina e me interesso por ela. Qual é o moralismo que vai me impedir de tentar descobrir tudo o possível sobre ela antes de decidir se vale a pena ou não tentar algum relacionamento?

    Empregos nada mais são do que relacionamentos de trabalho. Assim como a evolução tecnológica permite a um solteiro avaliar melhor as suas pretendes, evitando assim cair numa cilada, também permite a um RH avaliar melhor seus candidatos (evitando assim cair numa cilada!).

    Todo esse lance de moralismo digital, e o incômodo que isso causa em quem está sendo “vítima”, não seria um problema se as pessoas aprendessem (e elas aprenderão) a usar o bom senso na vida online, seguindo a máxima: “se um dia poderá ser usado contra você num tribunal ou numa entrevista de emprego, não publique.”

    Para aquelas fotos da bebedeira no carnaval, sempre existe a opção de manter privadas, com acesso só para os amigos ou famílias. O povo tem que aprender a usar isso.

  10. Estava pensando sobre isto ontem!
    Gostei do seu texto… li nos coments que tem gente que não sabe o que é o seu estilo de escrita… mas enfim… parabens, ganhou um leitor.

    Se um profissional de RH decide não em contratar pq tenho fotos de um churrasco com amigos, é melhor nem entrar nesta empresa.

    Afinal, não é gostoso e não faz bem para qualquer pessoa ter uma vida divertida e lotada de amigos divertidos?

    Será que um rapaz sem vida social tem mais chances do que eu?!

    Eu levaria para outro lado… diria que tenho sim, ests imagens e comentários na web e isto só prova que sou uma pessoa comunicativa e apta em adaptação em grupo …hahahaha…

  11. Achei super bacana seu texto… não consigo parar de pensar nisso.

  12. Karen disse:

    Olá Eduardo
    Gostei do seu artigo, mas fiquei pensando… Não é um direito do entrevistador se valer de toda e qualquer informação a que ele tiver acesso a seu respeito? Não estou falando de informação obtida a força, nem de maneiras ilegais, mas seja para seus amigos ou não, a foto da “bebedeira em família” foi publicada por você, então é algo que das duas 1 ou vc não se importa que as pessoas saibam aquilo a seu respeito, ou vc se orgulha disso. De qualquer forma, porque o entrevistador teria que usar isso necessariamente contra vc? Talvez, sua entrevista fosse tão boa que ele visse a foto lá e simplesmente pensasse que vc além de bom é alguém que gosta de se divertir… E seoarando a atitude profissional da pessoal ou não, existem comentários e coisas que revelam sim falta de caráter e aí fica outra pergunta, não é direito da empresa escolher que tipo de pessoa, não só de profissional, eles querem que trabalhe lá? Infelizmente ou não, como vc disse, tudo o que fazemos tem consequências e a gente não pode continuar vivendo da maneira que parece q muitos vivem hj. Ao invés de se preocupar com as ações que fazemos para que as consequências delas seja positivas, a gente faz o que quer e depois fica reclamando e lutando para não sofrer as consequências…. Abraço

  13. P.Ax disse:

    “Por mais que sejamos cuidadosos com nossas atividades on-line (coisa obviamente recomendável), é preciso ter instrumentos de combate ao poder do entrevistador. Quem avalia o avaliador? Toda empresa deveria publicar claramente suas políticas de contratação e entrevista.”

    Isso me fez lembrar Watchmen.

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