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16/02/2009 - 20:47

Você consegue prestar atenção?

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Imagem: revista Wired.

O publicou uma interessante matéria sobre fragmentação da atenção. Segundo a jornalista especializada em ciência, Maggie Jackson, vivemos numa era com cada vez mais distrações competindo entre si, o que nos leva a prestar menos atenção no que lemos, ouvimos e até mesmo nas conversas que temos uns com os outros. Tudo isso estaria nos deixando limitados e menos criativos:

Esse nível de interrupções está relacionado com estresse, frustração e diminuição da criatividade. Isso faz sentido. Quando você está disperso e difuso, você é menos criativo. Quando seu tempo para refletir está sempre esburacado, é difícil resolver problemas, criar relações entre pensamentos e pensar.

Suas afirmações são baseadas em pesquisas publicadas em seu livro , que deve chegar às livrarias em setembro. A matéria continua:

Somos programados para ser interrompidos. Temos descargas de adrenalina quando recebemos novos estímulos: na verdade, nosso corpo nos recompensa por prestar atenção em novidades. Então, nesse mundo de comunicações extremamente rápidas, é fácil e tentador sempre reagir a coisas novas. Mas, se vivemos de um jeito reativo, nós minimizamos nossa capacidade de atingir metas.

Nossas mentes adquiriram hábitos históricos. Mas mesmo isso está em constante mudança.

Fico impressionado como esses cientistas e jornalistas que tratam de evolucionismo pensam pouco em evolução. Nossos cérebros foram “programados”? Isso me parece fatalista demais. Prefiro pensar que nossas mentes adquirem hábitos históricos. Mas mesmo isso está em mutação constante. Um monge cristão na Idade Média tinha contato com muita informação para os padrões da época, mas não se pode dizer que sofria de “fragmentação da atenção”.

Somos mutantes

Nossos cérebros são mutáveis, assim como nossos hábitos. Com o treinamento adequado, é possível reverter a fragmentação. Isso vem sendo feito há mais de 2 mil anos por praticantes de meditação, artes marciais e até mesmo por pessoas comuns em escolas – todo estudante precisa aprender a manter o foco e aprofundar a atenção para conseguir progredir.

E é por isso mesmo que a falta de atenção é perigosa: ela destreina o cérebro.

E é por isso mesmo que a falta de atenção é perigosa: ela destreina o cérebro. Torna-o escravo da satisfação imediata. Prende-nos à quantidade de estímulo, não à qualidade. Se nossa sociedade passa a valorizar a fragmentação e as distrações, se ganha dinheiro com elas, se baseia sua economia em vender conhecimento como se fosse lixo, aí sim temos um problema.

E esse é um processo mais profundo do que parece. Ao nos acostumarmos a ser distraídos, perdemos o hábito de prestar atenção aos nossos próprios pensamentos. Começamos a agir cada vez mais no piloto automático. Se, por um lado, não é saudável ser paranóico com seus pensamentos, a total distração também não é recomendável. Esta é como andar desatento pela rua: você esbarra nas coisas, nas pessoas etc.

Quem está no controle?

Enfim, a questão é: você consegue controlar sua mente quando precisa controlá-la? Reconhece pensamentos destrutivos quando eles começam a se formar? Ou só vai percebê-los quando já fizeram estrago? Consegue dar conta dos seus objetivos? Consegue ouvir as pessoas adequadamente?

A fragmentação da atenção nos deixa mais inábeis e incontroláveis em relação a nós mesmos, ao nosso ambiente, ao planeta e ao próprio conhecimento. E esse é o perigo. Ao zapear de site em site na web raramente pensamos nisso. Ao distrair os colegas no ambiente de trabalho, parece tudo tão inocente. Mas seu cérebro está sendo treinado.

Autor: Eduf - Categoria(s): criatividade, cérebro Tags: , ,

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1 comentário para “Você consegue prestar atenção?”

  1. Samuel disse:

    Este artigo é fantástico.. fez me enxergar algo que eu não conseguia perceber, lamentava pela minha falta de atenção e explicava a min mesmo que o motivo para isto era eu estar ficando mais velho… agora consigo ver que na verdade estou destreinado, vou fazer de tudo para reverter isto.

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