Arquivo de dezembro, 2008
[VÃdeo] Japão: dinheiro demais, espaço e jovens de menos
População do paÃs envelhecendo. Universidades fechando porque não há jovens em número suficiente para estudar. As menores taxas de tempo gasto com sexo no mundo. Esse é o Japão contemporâneo. Confira no documentário acima, publicado no Current, o canal de vÃdeos de Al Gore. É um bom exemplo do que pode acontecer num mundo que supervaloriza o trabalho e a produtividade.
(A maior parte do vÃdeo está em inglês).
Puxaram seu tapete?
Já perdi a conta de quantas vezes vi trabalhos incrÃveis e equipes criativas se dissolverem por conta de melindres.
Um exemplo que assisti há algum tempo: um amigo levou anos para criar um determinado programa de TV. Teve que desenvolver o formato do zero, sem equipamento ou dinheiro. Precisou convencer chefes e enfrentar inúmeros graus de ceticismo por parte dos seus parceiros.
Aos poucos, as condições apareceram e ele conseguiu mostrar o trabalho, que foi muito bem recebido. Assim, o que era marginal virou promissor – e surgiram vários donos para o projeto. O dinheiro milagrosamente apareceu, foram contratados profissionais caros e compradas câmeras antes inacessÃveis. Por outro lado, a pessoa que criou o projeto foi ficando cada vez mais isolada, até que se decepcionou e “deixou-se demitir”.
Qual justiça?
Nesses momentos, é extremamente fácil querer dar o troco, sentir-se vÃtima ou procurar “justiça”. Mas eu passaria o dia todo colocando aspas nessa palavra. Na área de mÃdia, é comum encontrar pessoas com os objetivos mais nobres inconscientemente (ou não) puxando os tapetes de outras. De modo geral, todas acham que estão corretas, que fazem o melhor possÃvel.
Por vezes não é útil e nem prático buscar algo tão vago quanto justiça. Nem mesmo há tempo para ressentimentos. É mais fácil dar um passo adiante e criar outras coisas. Como Steve Jobs, que, depois de ser demitido da Apple (que ele fundou), resolveu inventar a Pixar. E hoje sabemos onde está Jobs e com que poderes.
Caindo na real
Você já sabe, mas não custa repetir: não há projeto coletivo sem algum grau de politicagem. Ser ingênuo em relação a isso só pode levar ao sofrimento.
Não podemos confiar, nem desconfiar das pessoas e situações. Precisamos lidar com o que aparecer, sem se aproximar demais, nem deixar de se comprometer. Criar uma certa alegria de sambar no meio fio, na ponta dos pés.
É claro que muitas pessoas só gostam de você enquanto tem alguma utilidade, quando sorri e concorda com os seus procedimentos. Provavelmente, também fazemos isso o tempo todo. É um velho hábito da espécie. Não pense que isso mudará de uma hora para a outra.
Deu certo?
Pergunto-me o que seria “sucesso” no caso desse amigo. Ganhar dinheiro? Ele ganhou algum, mais do que precisava, até. Fazer portfólio? Fez. Conseguir melhores trabalhos? Conseguiu, dentro do que se pode esperar desse tipo de mercado no Brasil.
A questão então é ser reconhecido? Por quem? Por quais motivos? Por quanto tempo a satisfação duraria antes de virar tédio ou medo de perder espaço ou de decepcionar?
Processos e objetivos
Nossas agendas pessoais são impermanentes, biodegradáveis. Mas a experiência que ganhamos durante o processo criativo do trabalho é algo que ninguém nos tira.
A polÃtica, o melindre, as expectativas e os medos estão ali, fazendo o papel deles: incomodar, desagregar. Vamos nos sentir injustiçados e teremos que fazer o que nos parecer melhor na ocasião. Gritar, aquiescer, seja lá o que for, não há uma saÃda segura. E nem precisamos que haja.
Enquanto precisarmos de manuais, seremos medrosos e fracos.
Assim, ao longo dos anos, venho achando mais inteligente não encarar todo projeto profissional como uma questão de vida e morte. Cedo ou tarde, ele vai se dissolver. Ou pode até virar um problema. Talvez eu esteja ficando velho, mas cada vez mais venho preferindo o caminho em vez do destino final.
Um blog dedicado a contar as rotinas de escritores e celebridades
Há pessoas que odeiam rotinas. Outras se apegam a elas, tentando manter a vida dentro de padrões previsÃveis de comportamento. Nenhuma das opções é capaz de nos livrar das emoções aflitivas.
Os que detestam repetições no cotidiano sofrem porque acham que precisam sempre criar “novidades” para manterem-se motivados. Assim, o tédio e a expectativa formam a rotina dos que odeiam as rotinas. Já os que se apegam a repetições, planejamentos, agendas e detestam mudanças sofrem porque a dinâmica da vida sempre quebra os padrões. O medo do imprevisÃvel e a insegurança perturbam a rotina dos que amam rotinas.
Tudo isso para dizer que recentemente foi inaugurado um blog para contar como escritores, cientistas, filósofos e certas celebridades organizam seus dias. Chama-se (ahnn) Daily Routines e, por enquanto, já publicou flashes dos cotidianos de Franz Kafka, Saul Bellow e até George Bush. Os depoimentos variam da paranóia à procrastinação extrema. Mas o prêmio de funcionário do mês vai para Ernest Hemingway:
Quando estou trabalhando num livro ou história, escrevo todas as manhãs, depois do primeiro raio de luz possÃvel. Não há ninguém para me atrapalhar e o clima é tão gelado que escrever ajuda a manter-se aquecido. (…) Você começa à s 6h da manhã e continua até o sol se por. (…) Nada pode afetá-lo, nada pode acontecer, nada tem significado até o próximo dia, quando você faz tudo de novo. Esperar o outro dia é que é difÃcil de suportar.
É interessante notar quanta criatividade há nas rotinas. Ninguém se repete do mesmo jeito.
∞ Daily Routines
Já volto
Ando meio sumido? Estou aqui, fazendo coisas de tibetanos. Mas já volto.
TV Lifehacker
Tim Ferriss, o empreendedor nômade maluco que escreveu o livro Trabalhe 4 Horas por Semana, acaba de lançar um programa de TV pelo History Channel. O norte-americano – que é campeão mundial de tango (!), lutador de kickbox, ator de séries chinesas, consultor de empresas e professor – se propõe a aprender em apenas alguns dias artes ou habilidades que levariam anos para serem assimiladas. Assim como ele fez quando dominou japonês e várias outras lÃnguas em pouquÃssimos meses. Periga ser bastante divertido de assistir. Adoro ver gente que, de tão esperta, esbarra na picaretice (ou vice-versa).
Via Lifehacker.
Falhas de comunicação
Continuo a dividir minhas experiências sobre os últimos dias de preparação para a inauguração da Terra Pura de Padmasambava. As coisas ficam cada vez mais agitadas. E tudo muda o tempo todo – horários, disponibilidade da equipe, condições climáticas, entre outras coisas.
Em ambientes em ebulição como esse, fica ainda mais importante manter uma comunicação clara e aberta. Isso porque muitas vezes trabalhamos por motivos muito mais complexos do que ganhar dinheiro. Buscamos aceitação, reconhecimento, a adrenalina e o sentimento de estar (ou ser) “ocupado”, além da realização de desejos que muitas vezes nem sabemos claramente quais são. É muito fácil se melindrar.
Falar sem saber
Como há muita informação e tensão circulando, tendemos a fofocar mais. Seja reclamando, seja criticando os outros por meio do humor. Geralmente, baseados em visões parciais e desinformadas.
Assim, qualquer palavra ou tom de voz pode ser interpretado erroneamente, gerando estresse e irritação. Esses sentimentos precisam ser esclarecidos preferencialmente na hora, antes que atinja a equipe toda, em gradações e coloridos diferentes, causando um efeito dominó.
É muito importante criar um sentimento de time, preparado para lidar com falhas de comunicação. Gente que saiba tolerar quando formos rudes. Mas, principalmente, habituada a cortar o hábito da fofoca e o de divulgar informações incertas.
Uma diversão pseudo-inocente pode acabar com um projeto. É preciso manter atenção plena, tentando imaginar – sem paranóia, claro – qual será o impacto da sua fala. Ou da sua omissão. Ou da preguiça em explicar uma tarefa para todos os envolvidos.
Falhas de comunicação agem como vÃrus. E são divertidas. Há quem adore se agendar baseado em rumores – vide a imprensa de tecnologia. Mas toda equipe precisa ter alguém que pare e diga: estamos falando demais.
