Twitter ou Blog? Ou tudo ao mesmo tempo?

Um dos mais conhecidos jornalistas da área de tecnologia dos EUA, Robert Scoble.
Dois dos mais conhecidos blogueiros da área de tecnologia nos EUA estão debatendo hoje sobre o uso dos blogs e de serviços como Twitter e Friendfeed. Michael Arrington, do TechCrunch, diz que Robert Scoble está viciado no Twitter, postando menos no blog, perdendo audiência e dinheiro – já que ele não “monetiza” seus textos nos serviços de microblogging.
Ainda que eu seja bem menos problogger do que os dois, também tenho alguma relação com esse processo de mudança de comportamento no uso de mídias. E, perceba: já nem estou falando mais da migração dos jornais e revistas para a web, mas de blogs para microblogs e ambiente mobile.
Enfim. Parei de usar o Friendfeed. Minha conta ainda está ativa e serve como um lifestream. Mas nunca confiro se há comentários.
Também tenho blogado menos depois do Twitter. Simplesmente porque é mais fácil e rápido twitar. Durante meu expediente, algumas vezes por dia abro o Twhirl, que é um postador / leitor de Twitter para desktops. Ele é bem prático e rápido, por isso, mais atraente. Quando acho algo interessante, é só compartilhar ali. Pá-pum.
Blogar = classificar, taguear
Por outro lado, boa parte da atividade de blogar hoje em dia significa classificar, taguear, definir categorias, cortar imagens em tamanhos pré-estabelecidos etc. Chato, chato, chato. Pouco a ver com pensar e escrever. Às vezes, sinto-me como um bibliotecário. Ou treinando a paciência, esperando sistemas de publicação lentos.
Tudo isso ativa os meus comportamentos procrastinatórios. Resultado: perco tempo com atividades secundárias e tenho menos ideias interessantes. Produzo conteúdo menos relevante. Torno-me um recomendador, em vez de criador.
Você quer gastar sua vida com isso?
Scoble já percebeu que nem todo mundo tem tempo de ficar acompanhando e debatendo posts no Twitter e Friendfeed. É difícil ler tantos debates em fontes claras e minúsculas numa tela. Ainda mais porque um Friendfeed ativo se parece com as antigas listas de e-mail. É informação demais, demanda muita paciência ou engajamento para ser assimilada.
Já os blogs permitem respirar um pouco mais – e que irônico é dizê-lo. Isso quando os posts são lidos com atenção, porque muitas vezes só escaneamos títulos e uma ou outra frase no resto do conteúdo (por isso é que sites como o Lifehacker vem mudando para layouts cada vez mais parecidos com fichas de biblioteca ou corredores de supermercado: só tags, títulos curtos e “placas informativas”).
De resto, policio-me para evitar aceitar a ideia de que preciso ter muito conteúdo disponível. Se não consigo usá-lo, ele se torna obstáculo. A não ser que eu estivesse interessado em levar a mentalidade do consumismo para o “mundo do intelecto”. Comprar, guardar, pagar no crédito… e nem saiber como usar tudo o que tenho.

Twitter, um feed “humano”. Eis uma bela descrição para a rede de microblog (via http://darmano.typepad.com/logic_emotion/2008/12/the-human-feed-how-twitter-networks-filter-signal-from-noise.html)
Por isso que Twitter é uma ferramenta interessante, mas não é tudo. Esse por, por exmeplo, nunca que poderia ter seu raciocínio resumido em apenas 140 caracteres de informação.
Twitter é econômico e imediato. Blog é mais analítico e completo. Pelo menos é assim que eu tento levar as coisas.