Com o cabelo em chamas

Aqui no Templo, estamos em plena reta final das construções. A inauguração é no dia 5/12, mas ainda há muito a fazer. Sinto-me num desses programas do estilo “Minha Casa, Sua Casa”. Num único dia, minhas atividades vão do reino digital ao mineral (carregar pedras) e vegetal (descarregar um caminhão de grama).
Nos EUA, há uma expressão muito popular para esses casos: “trabalhar como se seu cabelo estivesse pegando fogo”. A ideia é que a urgência, o perigo – físico ou psicológico – produzem foco, concentração. Eliminam todos os tipos de dispersões de energia. E também as procrastinações ativas, como o preciosismo, querer “mostrar serviço” aos colegas ou o tagarelismo mental.
Adrenalina
Muitos de nós só conseguimos trabalhar em situações limite. Sem obstáculos, não agimos. Pelo contrário: a sensação de que há tempo e recursos é que produz estagnação. Incentiva inúmeras enrolações cotidianas que, vistas de longe, parecem trabalho duro.
Mas, nos momentos de urgência, também surge outra grande vampira de energia: a sensação de heroísmo, de que estamos fazendo demais, de que somos fundamentais, indispensáveis. Isso às vezes criar muito estresse e pode até nos impedir de descansar ou de dormir à noite. Ficamos constantemente alertas e preocupados.
Compromisso e aparência
Em paralelo, também surge a vontade de julgar o trabalho alheio: o outro não faz o suficiente. O outro não se compromete. O problema é que, de modo geral, esse julgamento está baseado não no nosso trabalho real (nem no dele). Pelo contrário, é fruto da imagem heróica que fazemos de nós mesmos e da trágica que fazemos da tarefa a ser concluída.
Se entramos nesse tipo de exercício mental, nós é que perdemos tempo e eficácia no trabalho.
Os momentos “cabelo em chamas” são estimulantes e nos deixam muito precisos. Mas eles criam vários subprodutos perigosos. Assim, não devem ser incentivados como se fossem uma espécie de salvação automática para equipes improdutivas.
O que precisamos, afinal, é do foco, da concentração, da capacidade de eliminar as frescuras, inutilidades e zonas de conforto para que algo seja concluído.
Autor: Eduf - Categoria(s): gtd e produtividade Tags: produtividade
Muito bom esse post! Parabéns!
Quando teremos um novo screencast?
Agora só depois da Inauguração, acho. Mas vou tentar fazer alguma coisa antes. Talvez lá do reino vegetal.
Gosto muito dos artigos de ótima qualidade do seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver meu Curso de Informática à Distância. Antonio B Duarte Jr.