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28/11/2008 - 10:59

Com o cabelo em chamas

Hair on fire

Aqui no Templo, estamos em plena reta final das construções. A inauguração é no dia 5/12, mas ainda há muito a fazer. Sinto-me num desses programas do estilo “Minha Casa, Sua Casa”. Num único dia, minhas atividades vão do reino digital ao mineral (carregar pedras) e vegetal (descarregar um caminhão de grama).

Nos EUA, há uma expressão muito popular para esses casos: “trabalhar como se seu cabelo estivesse pegando fogo”. A ideia é que a urgência, o perigo – físico ou psicológico – produzem foco, concentração. Eliminam todos os tipos de dispersões de energia. E também as procrastinações ativas, como o preciosismo, querer “mostrar serviço” aos colegas ou o tagarelismo mental.

Adrenalina

Muitos de nós só conseguimos trabalhar em situações limite. Sem obstáculos, não agimos. Pelo contrário: a sensação de que há tempo e recursos é que produz estagnação. Incentiva inúmeras enrolações cotidianas que, vistas de longe, parecem trabalho duro.

Mas, nos momentos de urgência, também surge outra grande vampira de energia: a sensação de heroísmo, de que estamos fazendo demais, de que somos fundamentais, indispensáveis. Isso às vezes criar muito estresse e pode até nos impedir de descansar ou de dormir à noite. Ficamos constantemente alertas e preocupados.

Compromisso e aparência

Em paralelo, também surge a vontade de julgar o trabalho alheio: o outro não faz o suficiente. O outro não se compromete. O problema é que, de modo geral, esse julgamento está baseado não no nosso trabalho real (nem no dele). Pelo contrário, é fruto da imagem heróica que fazemos de nós mesmos e da trágica que fazemos da tarefa a ser concluída.

Se entramos nesse tipo de exercício mental, nós é que perdemos tempo e eficácia no trabalho.

Os momentos “cabelo em chamas” são estimulantes e nos deixam muito precisos. Mas eles criam vários subprodutos perigosos. Assim, não devem ser incentivados como se fossem uma espécie de salvação automática para equipes improdutivas.

O que precisamos, afinal, é do foco, da concentração, da capacidade de eliminar as frescuras, inutilidades e zonas de conforto para que algo seja concluído.

Autor: Eduf - Categoria(s): gtd e produtividade Tags:

3 comentários para “Com o cabelo em chamas”

  1. Guilherme Santos disse:

    Muito bom esse post! Parabéns!
    Quando teremos um novo screencast?

  2. Eduf disse:

    Agora só depois da Inauguração, acho. Mas vou tentar fazer alguma coisa antes. Talvez lá do reino vegetal.

  3. Antonio disse:

    Gosto muito dos artigos de ótima qualidade do seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver meu Curso de Informática à Distância. Antonio B Duarte Jr.

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