Como eliminar os momentos de hesitação?

“Surtei”.
Ao investigar pesquisas sobre padrões de procrastinação, uma coisa fica bem clara: o principal problema das pessoas é começar tarefas. Esse é o momento em que se perde mais tempo. Por vezes o meliante tem um sistema, gosta do que faz, elimina boa parte das distrações externas, mas, na hora de começar fica empacado, patinando sem sair do lugar.
Os motivos dessa hesitação inicial variam ao infinito. Mas a maneira de combatê-la é quase sempre parecida: usamos algum tipo de gatilho, uma ação que nos impulsiona a agir imediatamente.
Para muitos, o gatilho é a reclamação do chefe ou algum fator autoritário externo (esposa, filhos, colegas de trabalho). Outros precisam de tecnologia, como despertadores, softwares e gadgets. Também há quem prefira saídas comportamentais: ouvir certo tipo de música, levantar-se rapidamente, dizer alguma frase, entre outras coisas.
De qualquer forma, o gatilho é sempre brusco e repentino. Ele parece cortar de uma só vez o padrão mental cíclico que leva à estagnação. Num momento de hesitação, saídas parciais, progressivas e lentas costumam não funcionar. É preciso ter energia, dizer um sonoro “chega” e passar de fase.
Agressividade
Mas não confunda energia com agressividade. A ruminação mental dos procrastinadores já é bastante violenta por si mesma: “não consigo, não sirvo, sou assim mesmo, estou preso, todo dia é a mesma coisa”.
Por um lado, esse fenômeno tem aspectos de auto tortura. Por outro, serve como um prazer masoquista. A hesitação mantém a mente ocupada em criar uma história, uma novela de si mesmo. Por incrível que pareça, isso parece mais divertido do que enfrentar logo a tarefa.
Criatividade – ação = procrastinação
Esse é o velho prazer da argumentação, da criação de conceitos, de procurar saídas, de imaginar o que pode estar errado, porque sua vida não funciona. Ou seja: a criatividade. O mesmo tipo de prazer que um cientista pode ter ao fazer suas pesquisas. Se você usa essa energia de modo positivo, ela pode ser bastante útil. Sem controle, consome sua vida.
O pensamento cíclico cria uma espécie de bolha em volta de nós. Nos fecha para o mundo, nos impede de agir fora do campo de ação dela. Você precisa furá-la, com energia. Mas também habilidade, porque, provavelmente, ela não vai estourar de uma só vez. O importante é não dar espaço para mais ruminação.
