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07/11/2008 - 15:49

Abrace uma árvore. Mas leve seu Blackberry

Abraçando árvoreCansado da tecnologia? Depressivo porque só vê o mundo por meio de telas? Talvez você precise abraçar umas árvores. Pelo menos é no que acreditam Richard Mitchell e Frank Popham, pesquisadores de duas das mais importantes universidades da Escócia.

Em , eles afirmam que mesmo pequenos jardins em quintais podem melhorar sua saúde emocional. Testes realizados com voluntários demonstraram que a exposição regular a ambientes fora de cidades podem ajudar a reduzir a pressão sanguínia, baixar os níveis de estresse e até acelerar a recuperação pós-cirúrgica.

Meus sensores de obviedade já estão apitando.

Já no site , há um post sobre o bom e velho Theodore Roszak, ativista da contra-cultura nos anos 60, considerado o pai da ecopsicologia. Ele acredita que muitas crianças que vivem nas grandes cidades urbanas desenvolvidas sofrem de . Uau. É como um mal-estar derivado do que ele chama de repressão dos instintos de contato com a natureza.

Os conceitos fazem sentido e merecem ser investigados mais a fundo. Afinal, não é preciso ser especialista para perceber que realmente precisamos de uma noção de ambiente um pouco mais profunda do que os wallpapers de paisagem do Windows.

Posso desligar a natureza quando cansar?

Mas também não podemos esquecer que, durante a história da humanidade, a chamada natureza foi considerada nossa principal fonte de estresse. Algum teórico do passado deve ter escrito sobre o quanto as cidades poderiam melhorar a nossa saúde e nos livrar de ser comidos por animais.

Onde eu quero chegar? No medo do estresse. Esse é o problema que precisamos atacar. Estejamos no Edifício Copam ou em Jeriquaquara.

Você pode até ir viver no meio da Serra Gaúcha, como eu mesmo fiz. Mas quando começar a chover a cada dois dias, quando houver tanta neblina que você é capaz de enxergar sua sombra no ar, quando ouvir uma orquestra de sapos e grilos todas as noites, certamente o grande monstro da atualidade reaparecerá: o descontentamento.

Trata-se daquele estado emocional que não é nem dor extrema e nem tranquilidade. É um sentimento de se estar permanentemente de saco cheio, precisando reclamar de algo. Que pode evoluir para duas coisas: o estresse e o desejo social de ser acolhido, de conseguir atenção por meio do rabugentismo (uma praga que se alastra especialmente em ambientes como o Twitter).

Este cenário, na verdade, é uma atualização de um bug humano mais antigo. O hábito de levar a sério todas as dores, conceitualizá-las e superdimensioná-las. Não conseguimos apenas parar e experimentar a situação. Antes mesmo de saber direito o que acontece, temos que correr para algum canto, tentando “ser felizes”. Não damos tempo para que o estresse se dissolva por si mesmo. Nem que nos ensine algo. Temos que lutar ou fugir.

Podemos nos trancar numa reserva ecológica. Mas, enquanto continuarmos a solidificar o descontentamento, só vamos conseguir destruir mais um ambiente. Ou, no mínimo tentar pendurar cabos e fios por todo lugar. Novamente.

Autor: Eduf - Categoria(s): comportamento Tags: , , ,

4 comentários para “Abrace uma árvore. Mas leve seu Blackberry”

  1. Andrea disse:

    Muito bom. E’ incrivel como a gente sempre quer sair correndo de tudo. O la’ e’ sempre melhor que o aqui.

  2. Bebel disse:

    Vivo constantemente com vontade de sumir, de ir “pro mato”…
    De largar tudo e ir, sei la, plantar batatas…

  3. zZZ disse:

    Matéria interessante, mas cá entre nós…que iconizinho mais feio (e de mal gosto) vc colocou no meio da matéria heim! ^^

  4. tati disse:

    muito, muito bom…

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