Mensagens de erro podem ser tanto uma frustração quanto uma diversão. Há quem colecione os textos bizarros que os aplicativos mostram em momentos de desespero. Mas o que fazer quando aparece um erro incompreensível e você fica completamente perdido? O jeito tradicional de conseguir ajuda é recorrer ao São Google. Postar o texto da mensagem, descobrir se alguém já passou pela mesma encrenca e ver que solução foi encontrada. Uma nova ferramenta on-line pretende mudar essa história. Chama-se What Does This Error Mean (O que significa esse erro?).
No site, você encontra um formulário simples, no qual pode digitar a mensagem de erro. Depois é só clicar em “Encontre alguma ajuda”. Detalhe importante: o aplicativo busca soluções num banco de dados nativo, não na web. Os resultados são mais limitados. De qualquer forma, se ele encontrar a salvação, exibirá o material e os dados de quem a postou, para maiores esclarecimentos.
Você ainda pode criar uma espécie de banco de dados no site para acompanhar o problema. Toda vez que alguém tocar no assunto, poderá ser notificado via e-mail ou até RSS. Mais ou menos como num fórum, com espaços para comentários e sistema de votação, para classificar as informações mais úteis.
O grande problema é que, por enquanto, a ferramenta parece ter sido dominada por desenvolvedores de aplicativos para internet. Usuários mais genéricos podem ficar frustrados.
Em todo caso, vale reaproveitar a ideia de um outro jeito. Se você não é do tipo que gosta de participar de fóruns, vá até o Google Alerts e cadastre-se para receber notificações sobre a sua mensagem de erro “favorita”.
Feature freeze – Você está finalizando um projeto. É hora de verificar cada detalhe para encontrar erros e omissões. O prazo do lançamento já está quase chegando, mas o cliente não para de pedir novos recursos. Cada um deles pode ser a fonte de novos erros. Pior: desviam sua atenção, que deveria estar concentrada em corrigir os atuais problemas.
Desnecessário dizer que isso pode atrasar a entrega do projeto. Ou torná-lo um elefante branco, sempre adiado, no melhor estilo Chinese Democracy (o disco-piada-interna da banda Guns ‘N Roses, ao lado).
Para evitar situações como essa, os programadores criaram um procedimento chamado feature freeze, algo como “congelamento de recursos”. Funciona como um aviso. A partir do momento em que ele é declarado, as regras para fazer mudanças no projeto se tornam bem mais restritas e duras. Só muda o que for realmente vital.
Esse é mais um dos jargões do desenvolvimento de softwares que poderiam ser aproveitados em outras áreas do cotidiano. Por exemplo: teses de mestrado, relacionamentos e até desenvolvimento pessoal. Explico.
Há pessoas que nunca param de adicionar recursos às suas personalidades. Prometem a si mesmas que um dia finalmente irão viver, “serão lançadas no mercado”. Mas, antes, precisam fazer mais um curso, fundar mais um blog, procurar outro emprego, ganhar mais mil reais. E nunca fazem nada, só planejam. Ou passam o tempo todo gerenciando os problemas decorrentes das novas funcionalidades.
Nessa hora, o melhor é daclarar um sonoro feature freeze e seguir adiante.
Para ter acesso às suas estatísticas, basta clicar em “Trends” (ou tendências na versão em português).
Por mais que eu seja seletivo e assine poucos feeds de RSS, perco muito tempo processando informação repetida ou inútil. Assim, às vezes é importante parar para perguntar: afinal, quais fontes realmente atraem minha atenção?
O Google Reader tem uma função que ajuda a medir nossos hábitos de dragagem de RSS. Cria gráficos que mostram quanto tempo gastamos em determinados feeds, com qual frequência os visitamos, entre outras informações.
Se você pensa seriamente em entrar numa dieta de informação para direcionar seu tempo e energia para outras prioridades, as estatísticas do GReader são um ótimo começo. Baseado nos dados da sua conta, você pode cortar os feeds que quase nunca lê. Afinal, eles atrapalham, criando uma sensação de que há pouco tempo para dar conta de tanta informação.
Ao analisar os gráficos, você pode ficar surpreso ao notar o quão rapidamente mudamos de sites. Dragamos informação, escaneamos partes do texto e tomamos decisões muito rápidas (lincar, comentar, criticar, abandonar). Muitas vezes sem saber exatamente qual é o assunto do post.
Esse é um hábito perigoso. Nos acostuma a acreditar que lemos textos, quando apenas pulamos de título em título superficialmente. Aos poucos, ficamos ansiosos, impacientes e perdemos o hábito da leitura concentrada e sistemática.
A não ser que você seja um meme, é sempre bom filtrar suas fontes de informação periodicamente. Pelo menos para não se tornar uma vaca louca do processamento de títulos.
Há alguns dias, recomendei o programa de gerenciamento de estudos e compromissos acadêmicos TrackClass. Mencionei que foi escrito em Ruby On Rails, um dos jeitos de programar mais populares da web hoje em dia (por trás do Twitter, Basecamp, entre outros). Mas não disse onde havia descoberto o aplicativo. Pois bem, foi no Rails Rumble, um concurso no mínimo inusitado.
Trata-se de um desafio entre programadores: imaginar, planejar e implementar um software on-line em apenas 48 horas. Impossível? Nada. O próprio TrackClass foi feito assim. O objetivo do concurso é exatamente mostrar que o RoR é um framework de programação simples, ágil e produtivo.
A seguir, alguns dos programas mais curiosos da disputa:
Remindr – Possibilita agendar lembretes, que poderão ser enviados via e-mail, celular (EUA), Twitter ou Instant Messenger (Gtalk e Jabber). Simples, direto, não requer registros.
Back in Black – Software para gerenciamento de finanças pessoais, com ênfase em controle de dívidas. Por isso o nome, que é uma piada com o título de um clássico da banda AC/DC mais a expressão “saia do vermelho”.
Likis – Aprenda uma língua estrangeira de modo colaborativo. Funciona um pouco como uma rede social de pessoas interessadas em se ajudar mutuamente na assimilação de expressões e pronúncias. Os integrantes publicam mp3, ajudam a definir termos, entre outras coisas. A ideia é ótima, mas o material ainda não é muito farto.
Poorl – Encontre uma carona on-line. Você digita um endereço de partida e outro de destino. O aplicativo busca informações sobre os cadastrados que moram naquela área e ofereceram vagas em seus carros. Depois é só entrar em contato e agendar o encontro. Por enquanto, o aplicativo só tem usuários falsos. Mas vale pela curiosidade e por revelar um certo otimismo dos seus criadores.
Quotagious – Encontre, publique e compartilhe citações on-line. Com direito a tags, frases mais populares, recomendações, integração com o Twitter, entre outros recursos.
Dense – Crie suas apresentações e slideshows, direto de uma interface simples e rápida na web. Quer organizar, agendar e divulgar a conferência ou o evento? Então use o My Conf.
A crise financeira nos EUA começa a atingir as empresas de tecnologia. Yahoo, Ebay, AOL, entre outras, formulam planos de cortes de custos. Isso inclui algumas demissões, cancelamento de negócios e de investimentos. Há rumores de que até o todo poderoso Google tenha que apertar os cintos.
Jason Calacanis – fundador da Weblogs.inc, uma das redes de blogs mais importantes do mundo, e atual dono do serviço de busca Mahalo – fez uma interessante análise, publicada na sua lista de e-mails. A economia nos EUA teria entrado no que ele chama de espiral da morte.
A expressão vem dos jargões de aviação. Refere-se ao momento em que um piloto perde as referências visuais para continuar seu trabalho. E, em vez de confiar nos instrumentos, toma decisões baseadas em ansiedade e medo. Ao tentar resolver o problema, piora a situação.
Calacanis acredita que o noticiário sobre a crise detona um comportamento conservador nos consumidores. Mesmo que alguns deles tenham como comprar, tendem a evitar gastos, pensando numa possível piora do cenário. Desenvolvem um certo sentimento de culpa: “eu não deveria fechar esse negócio agora, não é o momento”. Assim, a economia de fato esfriaria, o que levaria a mais demissões e, menor poder de compra.
O diretor do Mahalo enxerga aqui uma grande oportunidade para as empresas de produção de conteúdo e de entretenimento on-line. As pessoas tenderiam a passar mais tempo na web, gastando dinheiro com coisas que consideram gratuitas ou baratas. “Se o seu serviço traz diversão, interação social e felicidade aos seus usuários, você vai vê-lo crescer”, afirma.
Faz algum sentido. Serviços como Orkut, Facebook, TV on-line, blogs etc. se tornariam ainda mais importantes. Mas… Se isso for verdade, quem vai produzir conteúdo, se as grandes empresas de entretenimento para web começam a cortar funcionários? Você? Pode haver algo mais cômodo para um investidor?
A página inicial do Trackclass: 1. Organize seus trabalhos e compromissos acadêmicos. 2. Veja como anda o seu desempenho nos cursos e quanto falta para terminá-los. 3. Leia suas anotações feitas em aula.
Novembro chegando. E com ele, o período mais crítico para os estudantes procrastinadores: a hora de recuperar o tempo perdido durante o semestre. A seguir, duas ferramentas para ajudar a canalizar a adrenalina das últimas provas e trabalhos.
TrackClass
Aplicativo on-line para gerenciar compromissos escolares. Vem com calendário, ferramenta para agendar lembretes, organizador de anotações de aulas, sistemas para criar metas de desempenho e, claro, diversos jeitos de compartilhar informações para trabalhos em grupo.
O programa tem uma interface bem organizada e design simples – baseado nos produtos da 37 Signals. E também foi escrito em Ruby On Rails, um dos jeitos de programar mais em moda no mercado de aplicativos on-line.
Antes que alguém reclame, não custa lembrar que o aplicativo está disponível apenas em inglês. Isso pode inclusive ser uma boa oportunidade para treinar o uso da linguagem – cedo ou tarde você vai precisar dela na vida acadêmica.
Soshiku
Programa praticamente igual ao TrackClass, mas com um grande detalhe a mais: integração com celulares. Soshiku permite conferir, editar tarefas e agendar compromissos direto do telefone. Se você tem um aparelho com teclado QWERTY e uma conta bancária farta, pode usar o celular como seu principal instrumento de anotações em sala de aula. Eu me sentiria extremamente desconfortável ao fazê-lo, mas há gosto para tudo.
Fechado? Agora é só evitar outro tipo de procrastinação: ficar configurando aplicativos e preenchendo perfís em vez de começar logo aquele bendito trabalho.
1. Você é fã do Basecamp, o gerenciador on-line de projetos desenvolvido na 37 Signals, mas não quer pagar pelo serviço.
2. Sabe que a crise econômica está batendo forte nas empresas de web 2.0 dos EUA. Assim, acha que não é o melhor momento para arriscar seus dados em aplicativos de companhias bem intencionadas, mas pequenas, como a Zoho, por exemplo.
Então provavelmente você está procurando o Collabtive, um gerenciador de tarefas coletivas gratuito, de código aberto, que pode ser instalado em qualquer servidor (on-line ou off-line) que tiver PHP e MySQL.
Ou seja: serve tanto para criar seu próprio Basecamp quanto para turbinar a intranet da sua empresa.
Assim como a maioria desse tipo de programas, o Collabtive também gerencia listas de tarefas, “milestones”, timetracking (mostra quem está fazendo o que, há quanto tempo e o quanto falta para o trabalho ser concluído) e aceita múltiplas linguagens. De quebra, ainda importa dados do Basecamp e traz um instant messenger nativo.
Simplificando, é uma espécie de Wordpress do gerenciamento de projetos. E assim como o famoso sistema de blogs, também é fácil de instalar e de personalizar. Interessou? Siga os links abaixo:
∞ Baixe o Collabtive ∞ Quer instalar localmente, mas não tem PHP e MySQL na máquina?
Use o Easy PHP (Windows e Linux) ou o MAMP (Mac).
Durante uma daquelas conversas de refeitório, me fizeram essa pergunta. E a resposta, hoje, seria: o cliente de e-mails Outlook. Cheio de recursos, mas a maioria inacessíveis a olho nu. Um pouco confuso, mas eficiente. Processando muitas informações, tentando colocá-las em pastas, organizá-las em regras. Agendando compromissos, definindo tarefas. Meio rabugento e, às vezes, pouco amigável ao usuário.
Depois descobrindo que talvez fosse mais fácil ser um pouco menos obsessivo – menos menus, mais espaço para respirar. Menos funções, mais objetividade. Mas não acredite muito na descrição. Amanhã (ou daqui a pouco) tudo pode mudar. E você?
Como você faz para ter tantas redes sociais?
Twitter, facebook, o blog, emails…
Preciso encontrar uma disciplina urgente, algumas regras…
–Pergunta do leitor Herik Mourão.
A maioria das minhas contas em redes sociais existe por motivos profissionais. Como ganho a vida escrevendo sobre tecnologia, tenho que testar serviços. Geralmente, antes do seu lançamento para o público.
No fundo, acho boa parte deles um verdadeiro desperdício de tempo e energia. E uma “diversão” um pouco perigosa, por deixar dados e perfís espalhados pela web, podendo ser clonados, mal interpretados etc. Mas faz parte.
Sou um dinossauro. Detesto que façam marketing da minha intimidade por aí. É como ser uma micro Britney Spears. Só que sem o dinheiro.
Tento não ser taxativo nas minhas avaliações, porque sempre há quem encontre utilidades e aproveite as redes sociais de maneira criativa. Não é meu papel condenar, mas selecionar, dizer como as coisas funcionam e torcer para que as pessoas façam bons usos das ferramentas.
As redes sociais não estão na minha “lista de prioridades”. Assim, me descadastrei de quase todas as que deixam o “freguês” ir embora. No entanto, nem todas o permitem. O que é uma vergonha – para usar uma expressão Boris Casóica.
É bom ter muita atenção ao usar serviços web 2.0. Eles podem se tornar uma espécie de spam voluntário, conforme já disse aqui antes.
Pior: podem criar um hábito mental, o de comunicar tudo o que passa pela sua cabeça. Cada resmungo, opinião, medo ou expectativa. Achar que você está sempre no palco, precisando entreter as pessoas ou implorar por atenção.
É preciso ter consciência do seu impacto intelectual no mundo. Isso é uma necessidade urgente para a “ecologia cognitiva”. Se achamos problemático jogar lixo na rua, porque jogamos na web?
APC (Agente Purificador de Carma) – Pessoa, tarefa ou situação irritante que nos leva a superar nossas limitações.
Por exemplo: alguém lhe pede um relatório num prazo aparentemente impossível de cumprir. Pior: fica o tempo todo cobrando rapidez, desviando sua atenção e atrapalhando o progresso da tarefa.
Você fica estressado, mas, até para se livrar do mala, acaba desenvolvendo novos métodos de trabalho. Pesquisa, corre para lá e para cá – no início, tudo parece um grande esforço. Mas, aos poucos, você descobre que já possuía todas as habilidades de que precisava. Só não havia tentado antes.
A limitação era de outra natureza. Ao final do processo, você percebe claramente que ela era uma autoilusão formada por conceitos como “não consigo, não dá, não sei”. Autopiedade, autocomiseração, preconceito: esses eram os obstáculos que você impunha a si mesmo.
Desde o início, nem precisaria ter se irritado. Bastava tentar. Mas, sem a ajuda de um APC, você nunca teria tido estímulo suficiente para ir além dos seus supostos limites pessoais.
[Interpretação livre de um termo possivelmente cunhado pela Drika].
Acabei de ler que um dos mais conhecidos cientistas da atualidade, Richard Dawkins (autor de Deus: Um Delírio, entre outros livros), acumulou alguns milhares de euros para uma campanha antiteísta. Ao mesmo tempo, hoje tive que enfrentar alguns protestos de fãs de uma empresa de computadores. Foi impossível deixar de ligar uma coisa à outra. Podemos fazer da tecnologia uma espécie de religião? Leia mais »
Vou tentar seguir o tal acordo ortográfico a partir de hoje. Não gosto muito da ideia – que agora não tem mais o agudo. Mas, como vou ter que aderir cedo ou tarde, então vamos lá (essa ainda tem acento?) O iG publicou um guia para ajudar na migração. Vamos ver se agora eu aprenderei a escrever.
PS – Por falar nisso, tenho notado que mais gente de Portugal tem lido o Magaiver. Saudações e espero que os posts sejam úteis para vocês também.
O vídeo acima já está circulando pela web, mas vale mostrá-lo aqui. É uma apresentação de como funciona o Gmail no Android, o sistema desenvolvido pelo Google para gerenciar celulares. O screencast lembra a propaganda Mac x PC, da Apple. Mas o aplicativo – que é o que interessa – já mostra que consegue reproduzir parte da experiência de usar e-mails em iPhones. Ainda que o visual branco esteja mais para o dos primeiros Mac OS (abaixo), o Gmail no Android faz um bom uso dos recursos touchscreen para marcar, deletar e organizar mensagens.
A boa notícia é que a Motorola deve lançar um celular com o Android. Isso deve facilitar a chegada do sistema ao Brasil, já que o G1, da HTC + T-Mobile, por enquanto só pode ser conseguido via importação ou gambiarra. Muita gente acredita que o sistema do Google possa ser uma boa alternativa ao iPhone. Em especial porque, em terras tupis, o aparelho da Apple custa uma facada. Se você é dos que acreditam nisso, junte-se ao grupo de discussão do Android no Brasil. Se nem quer saber dessa história, mas quer usar produtos do Google no seu celular, haga un clic aquí, cabrón.
Escrever uma novela de 175 páginas em apenas um mês. Esse é o desafio lançado pelos organizadores do National Novel Writing Month. A corrida maluca de escritores vai de 01 a 30/11. Funciona assim: você se cadastra no site, define o local de onde está escrevendo e, na data indicada, começa a sua história. Se conseguir escrever 50 mil palavras de ficção até o final do prazo, ganhará um incrível… certificado de participação. Além de ter seu nome publicado no site.
Você pode inclusive solicitar patrocínio para sua empreitada. Medo. Explorar a ingenuidade de novos escritores é um esporte praticado em todo o mundo, mas o pessoal da NaNoWriMo garante que a coisa é séria. Tanto que o concurso tem 10 anos de idade e só em 2007 participaram mais de 100 mil pessoas. E ainda há uma lista de vencedores que depois foram publicados por editoras como HarperCollins.
Quer tentar a sorte? Visite o site do concurso. Aparentemente, não há restrições sobre textos em português. No mínimo é um exercício de controle de procrastinação e capacidade de manter o foco.
Ontem o colunista do New York Times, David Pogue, postou em seu blog um texto sobre os jargões da tecnologia. Fez uma lista de termos que poderiam ser substituídos por outros mais claros e precisos. Mas, lendo o post, me ocorreu que certos termos técnicos têm, afinal, um propósito. Servem para mascarar significados.
Por exemplo, Pogue cita “caixas de diálgo”, jargão usado por desenvolvedores de internet. Para ele, o correto seria usar “caixa de mensagens”. O que o termo original esconde é que não há exatamente um diálogo ali. Você deixa uma mensagem e espera uma possível resposta. Isso está bem longe da dinâmica de uma conversa direta.
Outro termo é “usuário”, que já vem sendo usado até como eufemismo para “consumidor de drogas”. É uma palavra um tanto desumanizante. Muito mais fácil e completo dizer “pessoa”. Pelo menos para lembrar de que tratamos de seres com de desejos, necessidades e especificidades.
Mas o termo é sim revelador. Se você usa serviço de bancos via internet, sabe que muitos deles parecem mesmo ser feitos para “usuários” e não para gente. De qualquer forma, não quero saber de “experiência de usuário”. A palavra “experiência” já é suficiente. E chama atenção para o lado psicológico da relação entre pessoas e computadores.
O mesmo vale para “mídia social”. É como se só depois da chamada web 2.0 a mídia tivesse se tornado social. O uso do termo mascara várias concepções ideológicas e políticas. Quem está em que posição desse tal jogo “social”?
Se fomos acreditar no que diz a pesquisadora Danah Boyd, nossa comunicação via internet é um tanto parecida com a dos autistas. Se você lê inglês, confira o argumento aqui. Se não lê, peça nos comentários que, se houver interesse, podemos desenvolver o assunto.
Use a caixa de diálogos para deixar sua experiência de usuário.
Ao longo das nossas trajetórias profissionais, sempre aprendemos técnicas para trabalhar mais rápida e eficientemente. A cada ano aumentamos nosso “estoque de atalhos”, principalmente eliminando hábitos inúteis. Mas você já sabe disso. O que eu queria dizer é que também precisamos aprender a arte da ineficiência.
Explico. Quando trabalhamos em equipe, temos que respeitar o desespero alheio, por mais que lhe pareça ilusório. E assim desenvolver a capacidade de abrir mão das suas idéias sobre eficiência para tentar ajudar o resto do grupo. (E também por certa humildade de aceitar que pode ser que no futuro você perceba que, afinal, estava mesmo errado).
Imagine que você seja o técnico de um atleta que treina para uma maratona. Seu pupilo tem tanta vontade de ganhar e está tão ansioso, que dispara a correr descalço. Você tenta dizer: “seu pé vai ficar com bolhas, isso vai atrasá-lo”. Mas o estresse é tão grande que o corredor não quer ouvi-lo. Pelo contrário: se você demonstrar calma ou senso de limites, ele vai achar que você não se importa com a corrida, que está de má-vontade.
Então você respira fundo e corre atrás dele, gritando: “Vamos, rápido. Os quenianos vão nos pegar. Não vê que vamos perder? Precisamos fazer isso, aquilo…”. Ao mesmo tempo, carrega um par de tênis. Pega uma garrafa d’água, joga no rosto do pupilo e comenta: “estamos podres, que correria horrível!”. Isso desperta companheirismo e abre a mente do corredor. “Olha, tente colocar esses tênis. Eu seguro os quenianos. Amarrar o cadarço, ajustar a língua, são tantas emoções. Estamos perdidos!”
Aí o corredor calça os tênis, treina melhor e consegue bom desempenho na competição. Se ele ganhar, vai ter uma síncope de tanto elogiá-lo. Dirá que sua ajuda foi fundamental.
Mas você sabe que o competidor poderia ter feito tudo sozinho. E de maneira mais eficiente. O problema é que nem sempre a eficiência é eficiente. Estamos falando de gente, tudo é experiencial, emocional.
Muitos de nós não estamos interessados em ser rápidos ou trabalhar menos. Pelo contrário: queremos nos sentir ocupados, fazendo parte de algo maior. O objetivo nem sempre é concluir uma tarefa. É ter uma lista de to do enorme, para sentir-se leal, esforçado, carregador de piano, forte.
Esse tipo de situação mascara a pergunta que mais tememos: o que faríamos e como nos sentiríamos se não estivéssemos tão ocupados tentando bancar o Hércules?
O ex-baterista dos Beatles postou um vídeo no YouTube declarando que, a partir do dia 20/10, não vai mais responder aos e-mails de fãs. Ele pede desculpas, mas diz que tem muito a fazer. Pô, Ringô. Assista novamente ao vídeo abaixo, publicado há algum tempo neste Magaiver.
Eduardo Fernandes é interaction designer, consultor e jornalista. Já desenvolveu projetos de internet para empresas como Trip, Nokia, Petrobras, Nintendo, Editora Abril, entre outras.